A Cripta Imperial de Viena ou Cripta dos Capuchinhos ( ou Kapuzinergruft) foi, a partir de 1633, o principal local de enterro dos Habsburgo austríacos, soberanos hereditários do Sacro Império Romano-Germânico e seus descendentes. Localizada nas proximidades do Palácio Imperial de Hofburg, em Viena, sob a Igreja de Nossa Senhora dos Anjos (Kirche zur Heiligen Maria von den Engeln) ou Igreja dos Capuchinhos (Kapuzinerkirche), como é mais conhecida, a cripta tornou-se um dos principais pontos turísticos da capital austríaca.
O complexo abriga 142 corpos de membros da realeza e da aristocracia, além de quatro urnas contendo as cinzas de príncipes submetidos à cremação e outras urnas contendo os corações dos corpos submetidos ao embalsamamento. Ao todo, foram sepultados na cripta 12 imperadores e 18 imperatrizes. A sepultura mais recente data de 12 de janeiro de 2008.
História A imperatriz Ana de Tirol, esposa do imperador Matias I, concebeu a ideia da construção de um monastério com uma cripta, nas cercanias do Palácio Imperial de Holfburg, que servisse para os sepultamentos dela e de seu marido; e para este fim deixou uma doação, em testamento datado de 10 de novembro de 1617, falecendo um ano depois. thumb|A imperatriz Ana do Tirol, fundadora da Cripta dos Capuchinhos, em uma miniatura de Alessandro Abondio.
A pedra fundamental da construção foi assentada em 8 de setembro de 1622, na presença do imperador Fernando II, mas os eventos da Guerra dos Trinta Anos acabaram por atrasar bastante o andamento das obras e a igreja só foi consagrada em 25 de julho de 1632. Na Páscoa do ano seguinte os sarcófagos com os restos mortais de Matias I e Ana do Tirol foram trasladados com grande pompa para a hoje denominada Cripta dos Fundadores.
O imperador Leopoldo I ampliou a cripta em 1657, na área situada logo abaixo da nave central da igreja e seu filho, José I, fez uma nova ampliação (a ala oeste) em 1710, iniciando a câmara que seu irmão Carlos VI concluiu em1720 e que se estende sob o coro. Foi a primeira vez em que um renomado arquiteto, Lukas von Hildebrand, foi convidado a intervir numa ampliação daquela cripta.
Em 1754 a imperatriz María Teresa continuou ampliando a ala oeste da cripta, mas além dos limites da igreja, com uma cúpula abobadada que permite a entrada de luz natural. Essa ampliação, bem como a imponente cúpula, são obras do arquiteto Jean Jadot de Ville-Issey .
Durante o reinado de Francisco I, o arquiteto Johann Aman executou uma nova ampliação (a ala norte), em 1824.
O monastério que rodeia a igreja encontrava-se em péssimo estado de conservação após 200 anos de serviço e, durante o reinado de Fernando I, em 1840, o edifício (com exceção da igreja) foi demolido e reconstruído. Como parte do projeto, o arquiteto Johann Höhneconstruiu a Cripta Fernandina e a Cripta Toscana nos porões da nova estrutura.
Em 1908, como parte das celebrações pelo 60º aniversário de sua aclamação, o imperador Francisco José I encarregou o arquiteto Cajo Perisic de construir outra ala e uma capela a leste da de Francisco I e da Cripta Fernandina.
Em 1960 ficou óbvio que a deterioração das tumbas ocorria em virtude da umidade e da falta de ventilação na cripta e as instalações foram aparelhadas para sanar o problema e conservar os sarcófagos para as gerações futuras. O arquiteto Karl Schwanzer construiu a chamada Cripta Nova (ao norte das Criptas Toscana, Fernandina e de Francisco José) com portas metálicas, obra do escultor Rudolf Hoflehner. Esta obra acrescentou, aproximadamente, 20% de espaço à cripta, que foi utilizado para a redistribuição dos sarcófagos nas câmaras.
A pequena câmara original abrigava, junto às tumbas dos fundadores, outra que continha uma dezena de sarcófagos de crianças, chamada Cripta dos Anjos. Essas tumbas foram trasladadas para nichos recém construídos na parede dianteira da Cripta Leopoldina.
Sarcófagos selecionados de várias outras câmaras foram trasladados para a Cripta Nova e agrupados por temas: bispos, antepassados diretos do último imperador e familiares diretos do arquiduque Carlos de Áustria-Teschen, vencedor da Batalha de Aspern-Essling e herói da Áustria. Outras 37 tumbas de menores e de membros secundários da família foram sepultados em nichos criados na Cripta Fernandina. Assim, aproximadamente metade de todos os sarcófagos foram trasladados dos locais originais para áreas melhor situadas e organizadas.
Em 2003 foram feitas adaptações para tornar a cripta acessível aos portadores de necessidades especiais e portas cerradas por séculos foram reabertas para facilitar o deslocamento dos visitantes. Também foi instalado um sistema de ar condicionado para prevenir a deterioração dos sarcófagos.
Sarcófagos thumb|upright|Detalhe do sarcófago do imperador Carlos VI Os sarcófagos são, no geral, variações dos caixões comuns, com decoração bastante simples.
Até 1700, o material mais comum utilizado na confecção de sarcófagos era uma liga metálica semelhante ao bronze e recoberta por laca. As magníficas tumbas em estilo barroco e rococó são de bronze verdadeiro, um artigo muito mais caro. O imperador reformista José II decretou que as tumbas da Cripta Imperial deveriam ser confeccionadas em cobre, material mais leve e muito mais barato. Nos anos posteriores também se utilizou uma liga de cobre e bronze, além de prata.
Somente um sarcófago foi feito em pedra ao invés de metal: o do imperador Francisco José I.
Várias técnicas de trabalho em metal foram utilizadas para a decoração superficial dos sarcófagos, como escultura, fundição e gravuras em alto e baixo relevo. As tampas eram rebitadas, enquanto os ornamentos e figuras decorativas eram parafusadas.
O escultor responsável pelas tumbas mais elaboradas foi Balthasar Ferdinand Moll.
Para garantir a estabilidade dos sarcófagos maiores eles foram reforçados com ferro e madeira. Este procedimento previne o afundamento da estrutura e o abaulamento das paredes laterais pelo peso da cobertura.
Dentro do sarcófago externo, os corpos se encontram em ataúdes de madeira recobertos por seda. Os caixões, em geral, tem duas fechaduras: uma chave fica em custódia do guarda capuchinho da cripta, enquanto a outra fica guardada na tesouraria do Palácio Imperial de Hofburg.
No interior do ataúde o corpo, geralmente, se encontra sem os órgãos internos, extirpados para o processo de embalsamamento e posterior exibição pública do morto. Em aproximadamente um terço dos corpos, o coração foi retirado, acondicionado em uma urna de prata e enviado, na maioria dos casos, para a Herzgruft na Augustinerkirche; em alguns casos os intestinos e outros órgãos foram acondicionados em urnas de cobre e depositados na Cripta dos Duques, na Catedral de Santo Estêvão de Viena (Stephansdom).
Conservação das tumbas Ao longo dos séculos, a umidade constante, as variações de temperatura e o afluxo de visitantes provocaram uma importante deterioração nos sarcófagos, resultando em rachaduras e buracos causados pela corrosão. As coberturas das paredes laterais foram lascadas, muitos elementos decorativos foram quebrados ou roubados por visitantes, as madeiras absorveram muita umidade e incharam e as pesadas coberturas acabaram entortando algumas cantoneiras.
O primeiro trabalho de restauração foi iniciado em 1852 , mas somente em 1956, quando foi criada a Gesellschaft zur Rettung der Kapuzinergruft (Associação para Salvação da Cripta dos Capuchinhos), é que foi possível informar ao público sobre os problemas de conservação e a necessidade de restauração das tumbas.
Inicialmente era preciso criar um espaço adicional e desumidificar a cripta. A conclusão da Cripta Nova, em 1960, e a transferência de 26 sarcófagos para a Cripta Toscana possibilitou o início dos trabalhos de desumidificação. Também foi montada uma oficina no final da Cripta Toscana onde artesãos experientes puderam trabalhar sobre urnas selecionadas e trasladadas temporariamente para o restauro.
"Criptas" da Cripta Imperial As chamadas Criptas (Gruft) da Cripta Imperial são uma série de dez salas subterrâneas conectadas entre si que foram construídas ao longo do tempo para suprir as necessidades de espaço. Nessas câmaras se encontram sepultados a maior parte dos membros do ramo austríaco dos Habsburgo, os imperadores hereditários do Sacro Império Romano-Germânico e suas respectivas famílias desde 1632. Os 103 sarcófagos metálicos e as 5 urnas visíveis tem estilos que variam da simplicidade extrema ao rococó exuberante.
Cripta dos Fundadores A Gründergruft é a parte mais antiga da Kaisergruft. Localiza-se abaixo da Capela do Imperador, na lateral esquerda da nave da igreja. O espaço é baixo, simples e sem janelas e pode ser vista a partir das portas barrocas da Cripta Leopoldina. Nesse local encontram-se os sarcófagos simples do casal de fundadores.
Olhando-se pela porta, da esquerda para a direita:
Imperador Matias I (1557-1619), terceiro filho do imperador Maximiliano II. Devido a incapacidade mental de seu irmão, foi governador da Áustria desde 1593, rei da Hungria desde 1608 e da Bohemia desde 1611, assumindo o título imperial em 1622. foi responsável pela construção do pavilhão de caça que deu origem ao Palácio de Schönbrunn. Morreu apenas três meses depois de sua esposa, a imperatriz Ana do Tirol. Seu coração está enterrado no Herzgruft (Augustinerkirche). Imperatriz Ana do Tirol (1585-1618), filha de Fernando II da Áustria. Deixou determinações testamentárias sobre a construção da Igreja dos Capuchinhos e a Cripta Imperial, reservando parte de seus bens como doação para a concretização do projeto. Seu coração está enterrado no Herzgruft (Augustinerkirche).
Cripta Leopoldina A Leopoldsgruft foi construída sob a nave da igreja. Iniciada em 1637 pelo imperador Leopoldo I, 37 anos após o édito de seu pai, Fernando III, onde este havia determinado o local para o sepultamento da família imperial. Levando-se em consideração o fato de Leopoldo ter "contribuído" com suas três esposas, seus 16 filhos e ele próprio para o notável aumento da "população" da cripta, seria inevitável que se construíssem prontamente outras câmaras.
Columbário À esquerda das portas da Cripta dos Fundadores, na grossa parede leste da igreja, em doze nichos construídos nos anos 60, se encontram os sarcófagos de 12 crianças. Os ataúdes estavam anteriormente na Cripta dos Fundadores ou no salão principal desta cripta. Os corpos ocupavam ataúdes bastante simples e foram transferidos para caixões idênticos entre si. Não há marcas ou documentação que identifiquem qual criança está em cada caixão, mas sabe-se que são:
Quatro filhos do imperador Fernando III:
Arquiduque Maximiliano Tomás (1638-1639), filho do imperador com sua primeira esposa, Maria Ana da Espanha. Arquiduque Felipe Augusto (1637-1639), filho do imperador com sua primeira esposa, Maria Ana da Espanha. Arquiduquesa Teresa Maria (1652-1653), filha do imperador com sua terceira esposa, Leonor de Mântua. Arquiduque Fernando José (1657-1658), filho do imperador com sua terceira esposa, Leonor de Mântua. Seus intestinos foram enterrados na Cripta dos Duques, na Catedral de Santo Estêvão.
Sete filhos do imperador Leopoldo I:
Arquiduque Fernando Venceslau (1667-1668), filho do imperador com sua primeira esposa Margarida Teresa de Habsburgo, infanta de Espanha. Seus intestinos foram enterrados na Cripta dos Duques, na Catedral de Santo Estêvão. Arquiduque João Leopoldo (1670), filho do imperador com sua primeira esposa Margarida Teresa de Habsburgo, infanta de Espanha. Arquiduquesa Maria Ana (1672), filha do imperador com sua primeira esposa Margarida Teresa de Habsburgo, infanta de Espanha. Seus intestinos foram enterrados na Cripta dos Duques, na Catedral de Santo Estêvão. Arquiduquesa Ana Maria Sofia (1674), filha do imperador com sua segunda esposa, Cláudia Felicitas do Tirol. Seus intestinos foram enterrados na Cripta dos Duques, na Catedral de Santo Estêvão.