"Cooter" é o 15.° e último episódio da segunda temporada da série de televisão de comédia de situação norte-americana 30 Rock, e o 36.° da série em geral. O argumento foi escrito por Tina Fey, criadora e produtora executiva do seriado, naquela que foi a sua 12.ª autoria na série, enquanto a realização ficou a cargo de Don Scardino, produtor regular da temporada e um dos realizadores mais frequentes da série. O título deriva da palavra "cooter", que Fey já utilizava durante o período no qual era argumentista-chefe do Saturday Night Live (SNL) e que considerava uma forma relativamente pouco gráfica de aludir aos órgãos genitais femininos. No episódio, o termo é utilizado como alcunha de James Reilly, personagem interpretada por Matthew Broderick. Entre os restantes convidados encontram-se Edie Falco, Paul Scheer, Dean Winters e Marceline Hugot.

No episódio, Jack Donaghy (interpretado por Alec Baldwin) é transferido temporariamente para Washington, D.C., onde tenta adaptar-se ao funcionamento do Governo dos Estados Unidos, enquanto Tracy Jordan (Tracy Morgan) procura aperfeiçoar o seu novo jogo de vídeo pornográfico. Entretanto, Kenneth Parcell (Jack McBrayer) tenta candidatar-se a uma posição nos Jogos Olímpicos de Verão de 2008, e Liz Lemon (Fey) confronta a possibilidade de estar grávida e começa a reconsiderar a sua relação com a maternidade. As tramas são acompanhadas por numerosas referências culturais, sobretudo de natureza política, inclusive uma sátira à administração de George W. Bush e à burocracia de Washington, bem como a referência à "bomba gay". O episódio inclui também uma referência à franquia Star Wars, alusões às ambições políticas então manifestadas por Baldwin e ao desporto.

Nos Estados Unidos, "Cooter" foi transmitido originalmente pela NBC a 8 de Maio de 2008, registando cerca de 5,61 milhões de telespectadores e obtendo a classificação de 2,6 e 7% de share entre os adultos dos 18 aos 49 anos. O episódio reteve uma proporção relativamente elevada da audiência de The Office, que o antecedia na programação. A receção crítica foi, de modo geral, muito positiva, com particular elogio ao equilíbrio entre o humor absurdo e os momentos de maior carga emocional. A sátira política, desempenho de Broderick e a capacidade de desenvolver várias histórias em simultâneo foram apontadas como alguns dos pontos fortes. A componente emocional da história de Liz também foi exaltada, sobretudo pela forma como o episódio conseguiu explorar a sua relação com a maternidade sem abandonar o tom cómico característico da série. Apesar de algumas reservas quanto a determinadas linhas narrativas, a avaliação predominante considerou "Cooter" um encerramento particularmente eficaz para a temporada.

A crítica destacou ainda a capacidade do episódio de conciliar várias linhas narrativas e conceder momentos relevantes às personagens secundárias. A trama de Jack foi particularmente vangloriada, tal como a evolução emocional de Liz. Retrospectivamente, a revista Time colocou-o no 8.º lugar da sua seleção dos melhores episódios televisivos de 2008, enquanto o A.V. Club o classificou em 2.º lugar. "Cooter" foi também associado ao crescente carácter absurdo e cartunesco de 30 Rock, nomeadamente através da comédia física e da recuperação de situações introduzidas anteriormente. O episódio recebeu duas nomeações nos Prémios Emmy de 2008, tendo Fey vencido um pelo seu argumento, e voltou a ser nomeado nos Prémios da Associação de Guionistas dos Estados Unidos (WGA) do ano seguinte.

Produção e desenvolvimento miniatura|150px|esquerda|Este episódio marcou a quarta e última participação de Edie Falco em 30 Rock. "Cooter" é o 15.° e último episódio da segunda temporada dee 30 Rock, correspondendo ao 36.º episódio da série. Todavia, assumiu o papel de episódio final de temporada devido às contingências impostas pela greve dos argumentistas da Associação de Guionistas dos Estados Unidos entre 2007 e 2008, um diferendo laboral que colocou a produção da série num hiato forçado e obrigou a uma redução drástica no número total de episódios planeados. Embora tenha encerrado o ciclo televisivo de forma abrupta, o argumento não tinha sido idealizado estruturalmente para funcionar como desfecho. A escrita do guião ficou a cargo de Tina Fey — criadora, atriz principal, produtora executiva, co-showrunner e argumentista-chefe da série —, marcando a sua 12.ª autoria em 30 Rock, ao passo que a realização foi entregue a Don Scardino, produtor regular da temporada que alcançou assim o seu 13.° crédito como realizador na série, estendendo o seu recorde. As filmagens decorreram a 31 de Março de 2008 nos Estúdios Silvercup, situados em Long Island City, Nova Iorque, complexo que servia habitualmente como a principal base operacional da produção.

O título do episódio constitui uma escolha deliberadamente característica do humor de Fey. A argumentista já utilizara a palavra "cooter" durante o período no qual apresentava o segmento Weekend Update no Saturday Night Live (SNL), programa no qual foi argumentista-chefe entre 1999 e 2006. Fey explicou que apreciava o termo por considerar que era uma forma relativamente pouco gráfica de aludir aos órgãos genitais femininos, razão pela qual decidiu utilizá-lo como nome de uma personagem cuja identidade completa, James Reilly, é praticamente eclipsada pela alcunha que lhe foi atribuída no episódio. Esta personagem é desempenhada pelo ator convidado Matthew Broderick e está enquadrada na linha narrativa principal de "Cooter", que acompanha Jack depois da sua transferência temporária para Washington, D.C., onde assume um cargo no Governo dos Estados Unidos. A mudança resulta dos acontecimentos dos episódios anteriores da temporada e coloca Jack num ambiente burocrático que contrasta diretamente com a sua posição de poder no universo empresarial da General Electric e da NBC. Segundo a explicação dada no episódio, o presidente George W. Bush apelidou Reilly de Cooter por considerar que este se parecia com uma tartaruga e de Burger depois de o ter visto a comer um hambúrguer numa ocasião. Broderick considerou que a personagem refletia a tendência de funcionários políticos para transformar humilhações em elogios, procurando interpretar positivamente qualquer comentário proveniente da autoridade presidencial. A participação do ator também estabeleceu uma associação cómica entre a imagem pública de Broderick e a figura inepta e submissa que interpreta, numa atuação que alguns críticos compararam, pela intensidade da ansiedade e do desespero, ao seu trabalho em Os Produtores (2005). Na verdade, Broderick explicou que interpretou o papel com uma desesperação suada semelhante à que aplicara em Os Produtores, salientando a cumplicidade profissional que mantinha com Alec Baldwin desde a participação conjunta em The Last Shot (2004). Broderick viria a repetir a sua performance como Cooter Burger em "Governor Dunston", na sétima temporada da série.

O episódio ficou marcado pela ausência física dos atores Keith Powell e Lonny Ross, respetivos intérpretes das personagens James "Toofer" Spurlock e Josh Girard, cujos nomes ainda constaram na sequência de créditos finais por obrigações contratuais. Em contrapartida, "Cooter" assinalou a aparição final da atriz convidada Edie Falco no papel de Celeste "C. C." Cunningham, uma congressista democrata envolvida num romance secreto com Jack. Outro regresso notório foi o de Paul Scheer na pele de Donny Lawson, chefe dos estagiários da NBC e arqui-inimigo de Kenneth. Jack McBrayer, intérprete de Kenneth, assinalou que a amizade de longa data e o trabalho prévio em comédia de improviso com Scheer foram fundamentais para a dinâmica de oposição e inimizade retratada no ecrã. Adicionalmente, o episódio incluiu a estreia televisiva de Ming Zhao, vencedora de prémios em concursos de beleza e design de moda, cuja participação se revelou o ponto de partida para uma carreira prolífica na televisão.

miniatura|150px|direita|"Cooter" aprofundou o passado enigmático de Pete Hornberger, personagem interpretada por Scott Adsit. No plano narrativo das tramas secundárias, o episódio aprofundou o passado enigmático de Pete Hornberger, interpretado por Scott Adsit, ao introduzir uma referência histórica aos Jogos Olímpicos de Verão de 1980 em Moscovo. A trama revela que Pete pretendia competir na modalidade de tiro com arco, mas viu os seus sonhos desfeitos devido ao boicote internacional liderado pelos Estados Unidos em resposta à invasão soviética do Afeganistão. Adsit recordou que, durante os ensaios com o arco, cometeu o erro técnico de o esticar sem flecha, provocando um impacto violento contra o antebraço que deixou marcas visíveis durante um mês. Para além de servir como uma estratégia de sinergia promocional da NBC com a cobertura dos Jogos Olímpicos desse verão, a sequência incluiu um detalhe propositado de continuidade inserido pela equipa técnica: um arco e flecha surgem subitamente afixados na parede do escritório de Pete apenas após a revelação da sequência de analepse, que foi igualmente construída para explorar o exagero físico. Adsit apareceu caracterizado com uma indumentária inspirada em John Oates, associado à dupla Hall & Oates, e, na cena na qual a personagem descobre que não participará nos Jogos Olímpicos, Scardino pediu-lhe repetidamente que ampliasse a reação. O ator recordou que lhe pediram para tornar a expressão cada vez maior até chegar a uma reação facial deliberadamente enorme e absurda.

Em simultâneo, a narrativa explorou uma gravidez psicológica de Liz, espoletada por um susto amoroso e agravada pelo consumo dos aperitivos Sabor de Soledad, cujo sabor característico e picante — derivado de sémen de touro evaporado — provocava falsos positivos em testes de gravidez. Esta coincidência temática alinhou-se estrategicamente com a estreia comercial do filme Baby Mama (2008), protagonizado por Fey, reforçando os esforços de promoção cruzada. A produção contemplou originalmente um desfecho diferente para esta linha narrativa, no qual Liz regressaria da Europa do Leste com um adolescente adotado de quatorze anos por não ter conseguido adoptar um bebé; contudo, a cadeia televisiva manifestou oposição à ideia, levando os argumentistas a abandonar o conceito e a optar por uma direção alternativa. O segmento final do episódio apresenta ainda uma série de cliffhangers em formato de prolepse. Entre os acontecimentos antecipados encontram-se o jogo de vídeo pornográfico de Tracy e uma possível transformação de Kenneth num sedutor durante a sua permanência na China para os Jogos Olímpicos, sendo esta última possibilidade posteriormente apresentada de forma diferente daquilo que a antecipação parecia sugerir.

"Cooter" integra diversos momentos de humor físico e absurdo característicos de 30 Rock, incluindo um erro de continuidade visível numa cena na qual Donny derruba latas de tinta que, no plano seguinte, surgem intactas. Outro exemplo é uma cena protagonizada por Kathy Geiss, que retira um carro de corrida de miniatura da boca. De acordo com Marceline Hugot, intérprete da personagem, este momento resultou de um processo criativo colaborativo entre os atores e os argumentistas, que procuravam explorar a estranheza e o silêncio de Kathy. O co-produtor executivo e argumentista John Riggi explicou que a equipa questionou "o que seria uma razão engraçada para ela não falar," acabando por conceber o adereço como uma solução inesperada e surreal. Hugot recordou que essa ideia acabou por transformar a personagem. Segundo a atriz, Kathy poderia ter permanecido uma personagem de uma ou duas aparições destinada exclusivamente a uma sight gag, mas uma combinação de fatores — a química entre os intérpretes, o momento da greve dos argumentistas e a oportunidade de prolongar a participação da personagem — permitiu que ela adquirisse maior dimensão.