thumb|Candidatos ao Enem de 2010.

A falha do Enem de 2010 consistiu no erro de impressão em algumas das provas do Exame Nacional do Ensino Médio, teste feito no Brasil para todos os estudantes do ensino médio, com fins de seleção para várias universidades, bem como para avaliar o nível de qualidade das instituições educacionais desse nível.

A falha em 2010 levou à troca da posição das questões nas folhas de respostas e ao questionamento judicial de sua validade, sendo o Enem preventivamente suspenso por ordem da Justiça Federal no Ceará, com efeito para todo o país, e levando o governo Lula a reações variadas na defesa do exame que, pelo segundo ano consecutivo, apresentou problemas.

Histórico A gráfica RR Donnelley, responsável pela impressão do exame, confirmou que 33 mil cadernos da prova de cor amarela foram confeccionados contendo diversos erros. Ministradas no primeiro dia do exame, 21 mil cópias defeituosas foram distribuídas para uso. Segundo os estudantes apuraram, havia questões duplicadas, questões em falta ou perguntas diferentes com numeração igual. Além disso, disseram que havia perguntas da prova branca no caderno amarelo.Gráfica confirma defeito em 21 mil provas amarelas do 1º dia do Enem. Portal G1, acessado em 10 de novembro de 2010.

Dessa forma, o Ministério da Educação previu que cerca de duas mil pessoas tinham direito de fazer uma nova prova e anunciou que o exame poderia ser reaplicado para esses estudantes entre o fim de novembro e o começo de dezembro de 2010, portanto sem reconhecer a possibilidade de anular as provas dos demais candidatos.Divulgação do gabarito do Enem está proibida, diz Justiça. Portal G1, acessado em 10 de novembro de 2010.

thumb|direita|Turma de preparação para o Enem de 2010.

As falhas encontradas nas provas defeituosas foram as seguintes: repetição de número para duas questões: duas perguntas exibiam o número 23; a primeira das questões com número 23 era idêntica à pergunta de número 29; a segunda questão com número 23 era igual à de número 21; questões iguais: 33 igual à 38; 50 igual à 48; 54 igual à 51; duplicação das questões 34, 61 e 74 em duas páginas; duplicação de questões 35 e 73, mas com perguntas distintas, sendo que essa última era igual à de número 75; duplicação da questão 49, com igual conteúdo; duplicação da questão 73, com conteúdos distintos; duplicação da pergunta 81, sendo uma idêntica à pergunta 80; saltos na numeração das páginas: da 29 ia para a página 32; da 52 para a 54; da 63 para 65 e da 75 para 80; inserção de páginas da "prova branca" em meio às páginas da amarela nas páginas 6-7, 9, 14, 17, 22 e 25.

Reação do governo Tão logo os estudantes saíam da prova e comunicavam os erros nas redes sociais da Internet, o assunto ganhou repercussão, sobretudo com o receio da repetição do fracasso do exame ocorrido em 2009. Num primeiro momento, o Ministério da Educação proferiu uma ameaça aos alunos que estavam postando comentários na rede social do Twitter.. Em sua página naquela rede, o ministério ameaçou:

Essa mensagem, no entanto, pode ter se referido ao uso de telefones celulares na sala de prova. No dia 10 de novembro, três candidatos foram eliminados por terem acessado o Twitter durante a prova. Os estudantes são de Tocantins, Pernambuco e Minas Gerais.MEC exclui do Enem estudantes que teriam usado Twitter nas provas . Portal G1, acessado em 10 de novembro de 2010. Em 12 de novembro, o ministro Fernando Haddad pediu desculpas por essa mensagem em reunião com a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes). As duas entidades disseram no encontro que muitos alunos escreveram pedindo que o exame não fosse anulado.Ministro pediu desculpa a estudantes apenas por post no Twitter, diz MEC. Portal G1, acessado em 12 de novembro de 2010.

O presidente da República, em viagem a Moçambique, deu uma entrevista no dia 8 de novembro, na qual declarou que "O sucesso do Enem foi total e absoluto" e que nada havia dado errado, imputando as notícias de mais uma falha no Enem como obra dos que criticam o exame. No dia 10, contudo, o Presidente Lula se desdisse, afirmando que as falhas seriam apuradas pela Polícia Federal e que "Se for necessário fazer uma prova, faremos. Se for necessário fazer duas, faremos. Se for necessário fazer três, faremos, mas o Enem continuará a ser fortalecido".

Guerra judicial e intervenção policial thumb|esquerda|200px|O ministro da Educação, Fernando Haddad, presta esclarecimentos sobre a falha do Enem, ao lado do presidente da OAB, Ophir Cavalcante.

A juíza Karla de Almeida Miranda Maia, da 7ª Vara de Justiça Federal do Ceará, suspendeu liminarmente todo o exame e informou, na tarde de 9 de novembro, que a decisão envolvia também a divulgação das respostas ao gabarito e que não se poderia fazer nova prova:

A Advocacia Geral da União declarou que iria recorrer da decisão. A juíza que emitiu a liminar poderia não revertê-la, hipótese na qual o recurso contra a manutenção teria que ser encaminhado ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região.AGU anuncia que vai recorrer de decisão que suspendeu Enem. Portal G1, acessado em 10 de novembro de 2010. O MEC pretendia criar uma página na internet para que os alunos reclamassem da prova, mas desistiu de fazê-lo em face da sentença judicial.MEC suspende lançamento de página de reclamações do Enem. Portal G1, acessado em 10 de novembro de 2010.

O problema se agravou mais ainda porque houve a denúncia de que um dos temas da redação do exame havia vazado antes da prova, segundo relatos de estudantes e de um professor da cidade pernambucana de Petrolina. Os estudantes receberam dois textos para escolher entre o trabalho do futuro e a escravidão, isto é, havia duas alternativas de texto. Os professores haviam montado um posto de apoio para os candidatos e vários deles pediram ajuda para o caso de o tema ser trabalho e escravidão. Consta que um estudante recebeu a informação em São Raimundo Nonato, a cerca de 300 quilômetros de Petrolina, e a notícia se espalhou.PF investiga suspeita de vazamento de tema da redação do Enem. Portal G1, acessado em 10 de novembro de 2010.

A Polícia Federal da vizinha cidade de Juazeiro (Bahia) investigou a denúncia, quatro pessoas foram ouvidas e pelo menos duas delas eram professores do curso Geo Pré-Vestibular de Petrolina. O inquérito policial concluiu que houve vazamento da prova. Uma professora de Remanso, no interior da Bahia, viu o tema da redação duas horas antes e ligou para o marido em Petrolina. Este avisou o filho, que pediu aos professores orientação sobre o tema "trabalho e escravidão". A professora, que era aplicadora da prova, e o marido foram acusados de violação de sigilo funcional e podem pegar até seis anos de prisão.PF conclui que houve vazamento da prova do Enem. Portal G1, acessado em 24 de novembro de 2010.PF ouve envolvidos em suposto vazamento do Enem. Estadão, acessado em 14 de novembro de 2010.

Em 12 de novembro, a decisão judicial foi derrubada pelo presidente do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, Luiz Alberto Gurgel de Faria.Justiça libera o Enem. Portal G1, acessado em 12 de novembro de 2010.

thumb|200px|direita|Ophir Cavalcante, presidente da OAB, pediu a anulação da prova devido aos vazamentos.

Com a derrubada da liminar, o MEC anunciou que divulgaria o gabarito da prova e um novo exame poderia ser feito em 4 e 5 de dezembro. A página da internet que receberia reclamações e que foi suspensa foi disponibilizada para quem desejasse pedir a correção do gabarito invertido. A Advocacia Geral da União disse que não havia motivos para anular o Enem de 2010 porque foi um erro restrito a um pequeno número de candidatos e que o exame tem se consolidado como forma de seleção nas universidades e até nas empresas.Gabarito do Enem será divulgado ainda nesta sexta, diz MEC. Portal G1, acessado em 12 de novembro de 2010.Temos um trabalho intenso pela frente', diz Haddad sobre Enem. Portal G1, acessado em 12 de novembro de 2010. Entretanto, o procurador do Ceará Oscar Costa Filho entrou com recurso contra a decisão do TRF de liberar o Enem, solicitando que todos os quinze desembargadores do tribunal revissem a questão. O procurador também criticou a página da internet para pedido de correção do gabarito invertido.MPF diz que entrará com recurso contra decisão que liberou Enem. Portal G1, acessado em 12 de novembro de 2010. Nas palavras dele:

O gabarito da prova foi divulgado na tarde de 12 de novembro.Ministério da Educação libera gabaritos do Enem. Portal G1, acessado em 13 de novembro de 2010. Em 17 de novembro, a Justiça Federal do Ceará assegurou a todos os candidatos prejudicados pela prova amarela ou pela inversão do gabarito o direito de fazerem nova prova, bastando para isso fazerem um requerimento no site do Enem. A sentença também determinou que o site do Ministério da Educação mantivesse a página de reclamação no ar até as 23h59min do dia 26 de novembro. O MEC já havia resolvido convocar, na última semana de novembro, os dois mil candidatos prejudicados para nova prova, cuja data seria fixada no mesmo dia da convocação. Admitiu também a alternativa de correção invertida dos gabaritos. Conforme a decisão judicial, qualquer candidato poderia pedir para fazer nova prova.Justiça dá direito a novo Enem a quem se sentiu prejudicado por falhas. Portal G1, acessado em 17 de novembro de 2010.

Em 18 de novembro, a nova liminar foi derrubada pelo presidente do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, Luiz Alberto Gurgel de Faria, no Recife, sob o argumento de que alterar o cronograma do MEC implicaria atrasar o processo seletivo das universidades. Dessa forma, voltou a valer a decisão do ministério de refazer a prova para dois mil candidatos da prova amarela e corrigir em ordem inversa as provas de outros candidatos.Cai liminar que garantia Enem a quem se sentiu prejudicado por falhas. Portal G1, acessado em 18 de novembro de 2010.

Em 19 de novembro, o procurador Oscar Filho se reuniu com estudantes e decidiu entrar com nova ação judicial para que qualquer aluno obtivesse o direito de fazer nova prova. Ele disponibilizou na Internet a liminar que foi derrubada para que os estudantes pudessem fortalecer seus recursos junto ao MEC.Data de novo Enem para prejudicados sai até quarta, diz ME. Portal G1, acessado em 19 de novembro de 2010. Segundo o procurador, não havia como o MEC saber quais candidatos foram prejudicados, portanto se deveria assegurar a todos o direito de fazerem nova prova.Procurador do Ceará diz que vai recorrer da decisão sobre novo Enem. Portal G1, acessado em 19 de novembro de 2010.

Em 23 de novembro, o MEC anunciou que a prova seria feita em 15 de dezembro para 2.817 alunos e apenas com questões de ciências humanas e ciências da natureza.Novo Enem será aplicado em 15 de dezembro, informa Inep. Portal G1, acessado em 24 de novembro de 2010.

Em 26 de novembro, a Defensoria Pública da União no Rio de Janeiro enviou um oficio ao Ministério da Educação pedindo que a data da prova fosse adiada. O defensor federal André Ordacgy alegou que muitos estudantes trabalhavam e não poderiam fazer a prova numa quarta-feira, além do que o trânsito intenso poderia impedir o acesso ao local de prova e muitas universidades fariam vestibular no mesmo dia. O MEC disse que escolheu a data, 15 de dezembro, para não coincidir com os vestibulares do país.Defensoria Pública questiona data da nova prova do Enem. Portal G1, acessado em 26 de novembro de 2010. Ainda no dia 26, a Polícia Federal anunciou que investigaria uma possível nova fraude. Um aluno de Petrolina teria visto a prova dias antes e oferecido o gabarito aos amigos.PF vai investigar possível novo vazamento do Enem. Portal G1, acessado em 1º de dezembro de 2010.