My Name Is Gretchen é o álbum de estreia da cantora brasileira Gretchen, lançado em 1979, pelo selo Building Records. Produzido por Mister Sam, o disco marcou o início de sua trajetória fonográfica em formato LP e consolidou a parceria entre a artista e o produtor, estabelecida após suas primeiras aparições em programas de televisão na segunda metade da década de 1970.

Gravado no estúdio Do Ré Ma, em São Paulo, o álbum contou com arranjos de Eduardo Assad e reuniu oito faixas compostas em curto espaço de tempo por Mister Sam. O repertório foi estruturado a partir de uma combinação de gêneros populares da época, como disco, country, rock e boogie, com canções predominantemente voltadas para a dança. As letras utilizam expressões em inglês, espanhol e francês, construídas de forma colaborativa, em função da proposta estética do disco e das limitações linguísticas da intérprete.

Comercialmente, My Name Is Gretchen obteve repercussão moderada em formato de LP, enquanto os compactos extraídos do álbum alcançaram maior circulação no mercado brasileiro e internacional, figurando em listas de vendas e recebendo certificações. A recepção crítica destacou a priorização dos apelos visuais e sensuais do projeto, enquanto os aspectos musicais e, sobretudo, os vocais foram diretamente criticados.

Antecedentes Em 1976, Gretchen participou do programa Show de Calouros de Silvio Santos interpretando "Dance a Little Bit Closer", da cantora espanhola Charo, a apresentação chamou a atenção do DJ e produtor Mister Sam, que passou a acompanhar sua carreira. Após conhecê-la, firmou-se um contrato com o selo Copacabana para o lançamento de um compacto, para o qual foi gravada a canção "Dance with Me", inspirada em "Love in C Minor", de Cerrone, concebida sem letra tradicional, dentro de um projeto que apresentava a artista como uma cantora estrangeira.

Nesse período, Maria Odette adotou o nome artístico Gretchen, influenciada pelo filme brasileiro Aleluia, Gretchen, de 1976. Posteriormente, após uma participação no programa de Carlos Imperial, Mister Sam soube que a cantora havia gravado outro compacto em português com um produtor diferente, "Outra Vez Mulher" (1979), para o qual apenas 6 mil cópias foram produzidas, 4.5 mil para comercialização e 1.5 mil para divulgação. O desempenho limitado levou o Mister Sam a centralizar a condução artística das gravações de Gretchen.

Produção e gravação Mister Sam é creditado como produtor, ao passo que os arranjos foram feitos por Eduardo Assad. Em poucos dias, Sam compôs as oito músicas do repertório no seu tom, e Gretchen teve que se adaptar. O álbum foi gravado em 24 canais no estúdio Do Ré Ma, no bairro da Mooca, em São Paulo, com engenharia de som de Eduardo Araújo. Para garantir qualidade de som, Sam limitou a quatro faixas por lado do vinil. Após gravar as bases, foram adicionados coros e efeitos, incluindo a voz do próprio Sam. Gretchen gravou suas partes sob pressão, entre shows, pois não queria perder datas lucrativas.

A direção artística também ficou a cargo de Mister Sam. A concepção visual buscou associar a imagem da cantora a tendências populares da época, como a cultura dos patins, amplamente difundida em discotecas. Para a capa, ele idealizou a foto, pedindo a Gretchen que arrebatasse as costas para parecer maior. Em entrevista ao programa The Noite com Danilo Gentili, Sam afirmou que a capa é uma montagem, pois como Gretchen tinha medo de andar de patins, ela tirou a foto sem eles, que foram adicionados em uma montagem depois. No encarte, Sam incluiu uma foto provocante da artista tapando os seios com as mãos. Ele também criou o nome da gravadora fictícia, Building Records, para soar "estrangeira" e combinar com a imagem que estava construindo para Gretchen.

Estilo musical e letras O álbum apresenta um estilo musical intencionalmente eclético e comercial, moldado pelo produtor para ser dançante e ter apelo popular. Musicalmente, o repertório é uma colagem de gêneros que vai da música country ao blues, passando pelo rock, boogie e a música disco, tudo sustentado por uma batida latina marcante que, segundo Sam, é responsável por trazer "toda a alegria para o disco". Algumas das faixas incorporam elementos regionais brasileiros, como o som de banjo.

Quanto às letras, os temas centrais giram em torno de dança e relações amorosas ("fazer amor"). A composição foi um processo colaborativo e pragmático: como Gretchen não falava inglês, Mister Sam, com ajuda do parceiro Valentino Guzzo (creditado como V. Guzade) e da própria cantora, criou as letras utilizando trechos emprestados de artistas como Led Zeppelin e se baseando na apostila do curso de inglês de Gretchen. O resultado são versos em inglês, espanhol e francês que, embora não fossem sua língua nativa, soavam naturais no contexto da música dançante da época, seguindo uma tendência de cantores não nativos gravarem em outros idiomas.

Singles e EPs A canção "Freak le Boom Boom" foi lançada como o primeiro single do álbum. De acordo com o jornal mineiro Observador, o compacto atingiu a primeira posição na lista de compacto simples mais vendidos naquele período. Em 21 de setembro de 1981, o jornal O Fluminense, publicou que o single se encontrava na nona posição de sua parada musical, completando cinquenta semanas entre os mais vendidos da lista. Eventualmente, o compacto ganhou um disco de ouro, por 300 mil cópias vendidas, que foi entregue a cantora em 29 de maio de 1980, na Discoteca Aquarius, data em que ela completava 21 anos.

No Brasil, a Bulding Records lançou um compacto duplo, intitulado Gretchen (também conhecido como 1, 2, 3 (One-Two-Three)), com quatro canções originais do álbum: "1, 2, 3 (One-Two-Three)", "Rock n' Roller", "Me Gusta el Cha-Cha-Cha" e Freek le Boom Boom", marcando o último fonograma nacional de promoção de My Name Is Gretchen. Na lista de fonogramas mais vendidos, auditados pela Associação Brasileira de Produtores de Discos (ABPD), e divulgada pelo Jornal do Brasil em 21 de março de 1981, o disco apareceu na posição de número cinco referentes as vendas no Rio de Janeiro, e número seis em São Paulo. De acordo com o Jornal do Commercio, o trabalho figurou entre os vinte compacto duplos mais vendidos em 1980 da gravadora Copacabana (da qual a Building Records fazia parte). A lista ainda incluiu, respectivamente, "Freak le Boom Boom" e My Name Is Gretchen entre os compactos simples e o LPs de música popular mais vendidos da gravadora no mesmo ano.

Internacionalmente, diferentes selos lançaram singles locais. A Orion, do Equador, lançou um compacto com a canção "I Love You, Je T'Aime (Te Quiero, Te Amo)" como lado A e "Rock'n Roller" como lado B, em 1980. No ano seguinte, a Discos Mag, do Peru, lançou "Boggie Boggie" e "1, 2, 3" em um mesmo compacto no país. Na Colômbia, a Discos Fuentes, substituiu a última faixa mencionada por "Shake Shake Aia!".

Recepção crítica Tárik de Souza de O Pasquim, escreveu que, após uma pesquisa "não muito a fundo", Gretchen logo identificou a preferência erótica nacional, lançando um álbum repleto de apelos sensuais, incluindo uma capa provocante e um poster em que segura os próprios seios. Ele criticou, porém, o conteúdo musical, afirmando que mesmo os "bundólogos mais fanáticos" não terão paciência para ouvir as faixas até o fim, reduzindo a obra a uma "discolheque" ultrapassada. Além disso, Souza ironizou a performance vocal da cantora, dizendo que ela "não canta: suspira, geme, sussurra, funga", e brincou que, com esse fôlego, poderia ensinar preparação física à Seleção Brasileira.

Desempenho comercial De acordo com publicação do Jornal do Commercio, o disco de vinil foi um dos mais vendidos da gravadora Copacabana em 1980. Embora alguns veículos de imprensa tenham informado que as vendas do álbum atingiram 5 milhões de cópias no Brasil, e mais dois milhões em outros países latinos, o produtor e criador do álbum, Mister Sam, disse que essas informações são notadamente equivocadas. Ele afirmou em entrevista ao jornalista e escritor Rodrigo Faour, que as vendas do álbum foram de 40 mil cópias, o maior número de cópias vendidas com um álbum da Gretchen em sua discografia. Segundo o produtor, as vendas de milhões referem-se aos compactos simples vendidos pela artista durante sua carreira.

Lista de faixas Créditos adaptados do site Apple Music.

Ficha técnica Créditos adaptados do álbum My Name Is Gretchen, de 1979.

Gravadora: Building Records Produção: Mister Sam Estúdio: Do Ré Ma (Mooca, São Paulo) Engenharia de Som: Eduardo Araújo Créditos Adicionais: Participação de V. Guzade (Valentino Graz)

Certificação e vendas PaísCertificaçãoVendas estimadas Brasil—40,000

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