Nunca Más é o relatório emitido pela Comissão Nacional sobre o Desaparecimento de Pessoas (CONADEP) da Argentina. É também conhecido como relatório Sabato, tendo recebido o nome do escritor Ernesto Sabato, que presidiu a comissão.

thumb|300px|Grafiti em Buenos Aires, em outubro de 2006.

A comissão foi criada pelo presidente da Argentina Raúl Alfonsín (1927–2009) a 15 de dezembro de 1983. O objetivo era esclarecer os fatos ocorridos no país durante a ditadura militar instaurada em 1976. A sua missão era a de receber relatórios e denúncias sobre os desaparecimentos, os sequestros e as torturas acontecidos dentro daquele período às mãos do regime, e gerar relatórios a partir destes. Esse informe foi conhecido como Nunca más, e consistiu na documentação de uns 9.000 casos de desaparecimentos e na demonstração de que se tratava de um plano sistemático de extermínio e não meramente de “excessos”. Sua edição circulou massivamente (e segue circulando) e serviu de base ao julgamento e condenação dos máximos responsáveis militares, realizados em 1985. Destacou-se reiteradamente a excepcionalidade de uma devida condenação jurídica a responsáveis por uma ditadura.

A comissão entregou o seu relatório a 20 de setembro de 1984 ao presidente da República. Esse relatório transformou-se no livro Nunca más, que o contém na íntegra.

Membros A comissão esteve integrada por:

Ernesto Sábato (1911-2011, escritor) Ricardo Colombres ( 1921-1998, jurista) René Favaloro (1923-2000, cardiólogo, que depois renunciou) Hilario Fernández Long (1918-2002, engenheiro e educador) Carlos T. Gattinoni (Bispo da Igreja Evangélica Metodista Argentina) Horacio H. Huarte (deputado nacional) Gregorio Klimovsky (1922-2009, matemático e epistemólogo) Santiago M. López (deputado nacional) Marshall Meyer (1930-1993, rabino e ativista dos direitos humanos) Jaime de Nevares (1915-1995, bispo católico) Hugo D. Piucill (deputado nacional) Eduardo Rabossi (1930-2005, filósofo) Magdalena Ruiz Guiñazú (1935–, jornalista)

Conotação e senso social Foi uma ideia de Marshall Meyer colocar o título de Nunca Más ao relatório final porque foi o slogan usado originalmente por sobreviventes do Gueto de Varsóvia para repudiar as atrocidades nazistas. A frase "Nunca más" tem uma importante conotação social. No Julgamento das Juntas fez parte do discurso do promotor Julio César Strassera:Acusação do fiscal Julio Strassera (trecho). Site: página do Museu da Memória de Rosário.

Nesse momento as pessoas aplaudiram e gritaram, vendo julgados pela justiça em democracia os que executaram o golpe militar mais sangrento da história argentina.Nunca más (prólogo): A nossa Comissão não foi instituída para julgar, pois para isso estão os juízes constitucionais, mas para indagar a sorte dos desaparecidos no curso destes anos aziagos da vida nacional. Porém, após ter recebido vários milhares de declarações e testemunhos, de verificar ou determinado a existência de centenas de lugares clandestinos de detenção e de acumular mais de cinquenta mil páginas documentais, temos a certeza de que a ditadura militar produziu a maior tragédia da nossa história, e a mais selvagem.30 anos da ditadura argentina. Artigo no jornal espanhol El País, 24 de março de 2006. Muitos deles eram familiares, amigos, companheiros, filhos e sobreviventes dos assassinados durante o golpe militar. A partir desse momento, dizer "nunca más" era uma regra a seguir, significava o desejo de não voltar nunca a essa época, de não voltar a tropeçar com a mesma pedra, e permaneceu intacta, indiscutida, e impoluta na sociedade argentina, convocada constantemente por artistas, políticos e pessoas de renome na Argentina e no mundo. Múltiplas edições do relatório da Comissão Nacional sobre o Desaparecimento de Pessoas (CONADEP) foram feitas por diferentes escritores e editoriais.

Ver também Algo terão feito

Ligações externas Materiais do relatório "Nunca más" (arquivados em desaparecidos.org)

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