Bothrops é um gênero de serpentes peçonhentas pertencentes á subfamília Crotalinae, da família Viperidae. Popularmente, as espécies são denominadas de jararacas, caissacas, cotiaras e urutus. São endêmicas da Região Neotropical, habitando primariamente a América do Sul, alcançando a América Central e o sul do América do Norte (em Tamaulipas, México). Ao longo de sua faixa de distribuição são recorrentes causadoras de acidentes ofídicos, classificadas como serpentes de interesse médico de maior importância, com altas taxas de morbidade e mortalidade anuais.McDiarmid RW, Campbell JA, Touré T. 1999. Snake Species of the World: A Taxonomic and Geographic Reference, vol. 1. Herpetologists' League. 511 pp. (series). (volume) A maioria das espécies de Bothrops apresenta um canto rostral bem definido e um focinho não elevado, exceto em B. barnetti, que possui um focinho ligeiramente curvado para cima e B. ammodytoides, que possui um apêndice nasal. O poro nasal é profundo nas narinas, não sendo visíveis externamente. As diferentes espécies de Bothrops apresentam grande variabilidade, principalmente nos padrões de coloração, porte, ação da peçonha, dentre outras características. Atualmente, 48 espécies são reconhecidas, mas é consenso dentre os pesquisadores que a taxonomia e sistemática deste grupo está não está bem resolvida.
Etimologia O termo Bothrops deriva do grego βόθρος (bothros) que significa "buraco" + ὄψ (ops) que significa "olho" ou "face", uma clara alusão as fossetas loreais, orgãos térmicos típicos dos crotalíneos.
Os nomes comuns aplicados localmente ás serpentes deste gênero têm origem em línguas ameríndias, especialmente do tronco Tupi-Guarani. A palavra "jararaca" (e seu equivalente espanhol yarará) vem do termo tupi îara'ra (que agarra ou prende muito) + aka (presa ou colmilho) = (serpente) com presa que agarra/prende muito; "caiçaca" ou "caissaca" provém do tupi kaîa (arder/queimar) + (s)aka (colmilho/presa) = presa (dente) que arde, em alusão a sensação de ardência após a picada da serpente; "cotiara/quatiara" ou "boicotiara" vem do tupi mbóî (serpente) + kwatiara (desenhada, manchada) = serpente manchada, desenhada em referência a coloração de algumas espécies; “urutu”, de origem guarani, deriva de u(r)u (“atacar”, “picar”) + utú (“arremesso”) = a (serpente) que pica por arremesso, geralmente atribuído a Bothrops alternatus, em refrência ao botes ágeis e desordenados da espécie FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.983.
Taxonomia e filogenia O gênero foi descrito por Johann Georg Wagler em 1834.Wagler, J. 1824: Serpentum Brasiliensium species novae, ou histoire naturelle des espèces nouvelles de serpens. In: Jean de Spix, Animalia nova sive species novae. Natrix bahiensis: 27, Monaco, Typis Franc. Seraph. Hübschmanni, vii + 75 pp.
Na década de 2000, estudos moleculares demonstraram que o gênero Bothrops no sentido tradicional era parafilético, sendo subdividido em até cinco gêneros distintos: Bothrops, Bothriopsis, Bothrocophias, Bothropoides e Rhinocerophis. Em 2010, um estudo rejeitou o uso de Rhinocerophis por falta de caracteres morfológicos exclusivos. Em 2012, um novo estudo molecular mais abrangente demonstrou que o Bothrops sensu stricto continuava sendo parafilético e retificou o arranjo taxonômico mantendo o gênero Bothrocophias como distinto, e sinonimizando Rhinocerophis, Bothriopsis e Bothropoides com Bothrops. Um dos maiores problemas relativos à sistemática de espécies do gênero surgiram no complexo B. neuwiedi, um conjunto de populações de jararacas-pintadas que ocorrem no leste e centro da América do Sul. Até recentemente, essas populações eram atribuídas unicamente à espécie B. neuwiedi e até 12 subespécies foram reconhecidas para esta espécie. Uma revisão deste complexo relizada em 2004, com base em características morfológicas o dividiu em 7 espécies.V. Xavier da Silva: The Bothrops neuwiedi Complex. In: Jonathan A. Campbell, William W. Lamar: The Venomous Reptiles of the Western Hemisphere. Comstock, Ithaca/London 2004, S. 410–422.Silva, V. X. da; Rodrigues, M. T.: Taxonomic revision of the Bothrops neuwiedi complex (Serpentes, Viperidae) with description of a new species. In: Phyllomedusa. Band 7, Nr. 1, 2008, S. 45–90 ([): O número de espécies e subespécies em Bothrops têm sido objeto de debate há décadas. Atualmente de 48 espécies são reconhecidas para este gênero.
Espécies reconhecidas: