Thomas John Watson (17 de fevereiro de 1874 — Nova Iorque, 19 de junho de 1956) foi um empresário estadunidense. Foi presidente da Computing-Tabulating-Recording Company, empresa que deu origem à IBM (International Business Machine), uma das poucas empresas da área de Tecnologia da Informação (TI) com uma história contínua que remonta ao século XIX."Early Ambitions". IBM. (em inglês) Página visitada em 19 de junho de 2012.

De acordo com Kevin Maney em seu livro, ele relata uma história contada pelo guru da administração Peter Drucker, quando os japoneses procuraram exemplos nos Estados Unidos de empresas nas quais se basear para tentar reconstruir sua economia após a Segunda Guerra Mundial, a escolha foi óbvia: IBM, uma empresa bem-sucedida. O escritor Kevin Maney nos conta esses e muitos outros casos e episódios fascinantes em The Maverick and His Machine: Thomas Watson, Sr. and the Making of IBM. O relato de Maney sobre o homem que criou a IBM e concebeu sua famosa cultura está bem pesquisado e equilibrado. Watson nos revela vida, máculas e muito mais.

Carreira

National Cash Register Company Watson passou por momentos difíceis até conseguir um emprego em 1903 na National Cash Register Company, de Dayton, Ohio. As caixas registradoras eram os dispositivos de alta tecnologia nas décadas de 1890 e 1900, e um número cada vez maior de varejistas passou a utilizar esse tipo de máquina para controlar o caixa e o estoque. Watson rapidamente descobriu sua grande vocação de vendedor nessa empresa.

A National Cash Register era a Microsoft da época e detinha o monopólio do mercado. A NCR fabricava seus produtos para durar e eles realmente duravam. Pequenas empresas independentes descobriram um nicho lucrativo na reforma e venda de máquinas usadas a firmas menores que não tinham como bancar máquinas novas. O presidente e fundador da NCR, John Patterson, odiava a ideia de que outras empresas pudessem ganhar dinheiro com as “suas” máquinas. Assim, criou uma organização fictícia, com Watson na direção, para negociar máquinas usadas. Financiada e controlada pela NCR com o único propósito de eliminar os concorrentes da NCR, a empresa tinha recursos para pagar preços mais altos pelas máquinas usadas e depois vendê-las a preços menores. Assim, arruinou praticamente todos os concorrentes.

Watson dirigiu a divisão com sucesso, sem pensar nas repercussões legais ou morais de seus atos ou dos atos da empresa, até que o governo federal descobriu as atividades da NCR e indiciou a empresa e seus principais diretores. Todos os diretores, inclusive Watson, foram condenados. Depois de mais de uma década de sucesso crescente na NCR, Watson, que havia recentemente casado e constituído família, se viu diante da perspectiva muito real da prisão.

Computing-Tabulating-Recording Company Em 1914, Watson deixou a NCR com a mancha da condenação por crime qualificado e uma possível sentença de prisão pairando sobre sua cabeça. Foi para Nova York, onde conversou com Charles Flint, empresário com um portfólio que englobava diversas empresas. Pouco tempo antes, Flint havia agrupado três de suas empresas mais problemáticas e encontrou em Watson o homem de que precisava para comandar o novo empreendimento. E é aí, como dizem, que a história começa: Watson recomeçou a vida em Nova York, como o responsável pela Computing-Tabulating-Recording Company, a base da IBM de hoje.

A empresa era uma mixórdia de organizações que fabricavam relógios de ponto, balanças de peso e dispositivos rudimentares de tabulação. Foi neste último negócio que Watson viu uma oportunidade. O principal cliente das máquinas de tabulação automática era o Departamento de Censo do governo federal. Mas Watson enxergou potencial para crescimento na expansão de grandes negócios, em especial bancos, seguros e indústrias.

Watson levou com ele as melhores ideias que havia visto John Patterson implementar na NCR, inclusive a obsessão de Patterson por cultura. E não demorou em criar a base da cultura que tornaria a IBM famosa. Conclamou seus homens a se vestirem em estilo similar ao dos clientes que visitavam. Instituiu cotas e concursos de vendas. As reuniões com sua equipe de vendas assumiam o ar de encenações teatrais.

Mudanças na CTRC: a criação da IBM Em 1924, Watson mudou o nome de sua próspera empresa: do “desajeitado” Computing-Tabulating-Recording Company para International Business Machines. O nome tinha o som que Watson procurava. Muitos, no entanto, não ligaram para o novo nome, inclusive um cliente, vice-presidente de um grande banco, que escreveu: “O nome Computing-Tabulating-Recording Company é para mim muito mais eufônico e me impressiona por ser um nome mais grandioso e substancial do que o novo nome”. O banco para o qual esse crítico trabalhava não existe mais, enquanto a IBM continua aí.

Depois da quebra da bolsa em 1929, Watson estava determinado: sua empresa não ia simplesmente sobreviver, mas prosperar. Ele fez uma jogada arriscada ao assentar as bases para a expansão futura em plena Depressão. Por várias vezes a empresa teve altos e baixos, mas acabou sendo extremamente bem-sucedida durante toda a década de 1930, quando abriu novos mercados no exterior.

Watson havia sido profundamente influenciado por Charles Kettering, o brilhante engenheiro responsável por grande parte das inovações mais importantes da General Motors. Watson conheceu Kettering quando os dois eram jovens, no início de suas carreiras na NCR, em Dayton. Foi Kettering quem infundiu em Watson tanto a compreensão quanto o reconhecimento da importância da pesquisa e do desenvolvimento em qualquer organização: “Watson acreditava que pesquisa e desenvolvimento conduziriam às vendas”. Foi sua paixão por melhorias tecnológicas que acabou por levá-lo a construir o que se tornaria o famoso laboratório da IBM.

No entanto, não foi a tecnologia, mas a cultura da IBM que impulsionou o sucesso da empresa: “A cultura da IBM era uma coisa totalmente nova… [A empresa] não era a melhor do mundo em nenhum aspecto do seu negócio… O que a IBM de Watson fez melhor do que qualquer outra empresa do mundo foi criar e administrar uma cultura corporativa forte, coesa – e bem-sucedida. Por sua vez, essa cultura uniu as várias divisões da empresa e motivou os funcionários de um modo que os concorrentes não conseguiam superar”, escreve Maney. Foi essa cultura que os japoneses acharam tão atraente para ser imitada após a Segunda Guerra Mundial.

Basicamente, foi essa vaidosa cultura IBM que acabou por levar a empresa à ruína. Apesar dos onipresentes e iconoclásticos sinais “THINK” (pense) que Watson colocou em toda a empresa, a cultura “eliminou o pensamento crítico da empresa e fez com que Watson pensasse que estava sempre certo”. Parece que seus gerentes raramente ofereciam qualquer coisa além de um “Sim, Mr. Watson”. Conforme os anos se passaram e a empresa ficou mais famosa, a capacidade de Watson de ouvir qualquer pessoa que mesmo remotamente discordasse dele se evaporou.

Atualmente a IBM fabrica e vende Hardware e Software, oferece serviços de infraestrutura, serviços de hospedagem e serviços de consultoria nas áreas que vão desde computadores de grande porte até a nanotecnologia. Foi apelidada de "Big Blue" por adotar o azul como sua cor corporativa oficial.

Maney conclui: “Thomas John Watson Sr. viveu uma grande vida americana. Começou pobre, construiu uma grande empresa, ganhou milhões de dólares e mudou o mundo. Fez isso apesar de enormes falhas… Mas os pontos fortes de Watson eram inúmeros. Ele foi abençoado com aquele raro carisma que inspira os seguidores a realmente adorarem seu líder… Watson viveu para a empresa. Ele personificava a empresa. Cada gota de sua ambição pessoal era inseparável de sua ambição pela IBM”.

Sepultado no Cemitério de Sleepy Hollow.

Relações com a Alemanha nazista antes da Segunda Guerra Mundial A fusão de Watson de diplomacia e negócios nem sempre foi elogiada. Em 1937 Watson conheceu Adolf Hitler em sua qualidade de Presidente da Câmara Internacional de Comércio. Durante a década de 1930, a subsidiária alemã da IBM foi sua operação estrangeira mais lucrativa, e um livro de 2001 de Edwin Black, IBM e o holocausto, prova que a busca de lucro de Watson o levou a aprovar pessoalmente e liderar a relação tecnológica estratégica da IBM com a Alemanha nazista. Descreve como a IBM forneceu o equipamento tabulador que Hitler usou para reunir os judeus. Suas máquinas hollerith estão no Museu do Holocausto hoje. O livro descreve as cartas de perfuração da IBM como "uma carta com buracos padronizados", cada uma representando uma característica diferente do indivíduo. O cartão foi alimentado em um "leitor" e classificado. Cartões de perfuração identificaram judeus pelo nome. Cada um serviu como "um código de barras do século XIX para os seres humanos". Em particular, os críticos apontam para a Medalha da Águia Alemã que Watson recebeu na reunião do ICC de Berlim em 1937, como evidência de que ele estava sendo homenageado pela ajuda que a subsidiária alemã da IBM, Dehomag (Deutsche Hollerith-Maschinen Gesellschaft mbH) e suas máquinas de cartão de perfuração forneceram ao regime nazista, particularmente na tabulação de dados censitários (ou seja, localização de judeus). Outro estudo argumenta que Watson acreditava, talvez ingenuamente, que a medalha era em reconhecimento de seus anos de trabalho em nome do comércio global e da paz internacional. Dentro de um ano do congresso de Berlim, porém, onde as esperanças de Watson tinham corrido alto, ele encontrou-se fortemente protestando contra a política alemã em relação aos judeus.

Por causa de seus fortes sentimentos sobre o assunto, Watson queria retornar sua citação alemã pouco depois de recebê-la. Quando o Secretário de Estado Hull o aconselhou contra esse curso de ação, ele desistiu da ideia até a primavera de 1940. Então Hull recusou conselhos, e Watson enviou a medalha de volta em junho de 1940. gestão da Dehomag desaprovou a ação de Watson e considerou separar-se da IBM. Isso ocorreu quando a Alemanha declarou guerra aos Estados Unidos em dezembro de 1941, e os acionistas alemães tomaram a custódia da operação Dehomag. Mas durante a Segunda Guerra Mundial, as subsidiárias da IBM na Europa ocupada nunca pararam de entregar cartões de perfuração à Dehomag, e documentos descobertos mostram que executivos seniores na sede mundial da IBM em Nova York se esforçaram muito para manter a autoridade legal sobre as operações e ativos da Dehomag através da intervenção pessoal de gerentes da IBM na Suíça neutra, dirigida via comunicações pessoais e cartas privadas.

Relações com o governo dos EUA durante a Segunda Guerra Mundial Durante esse mesmo período, a IBM se envolveu mais profundamente no esforço de guerra para os EUA, focando na produção de grandes quantidades de equipamentos de processamento de dados para os militares e experimentando com computadores analógicos. Watson, também desenvolveu a "doutrina de 1%" para os lucros da guerra que determinou que a IBM recebesse não mais do que 1% de lucro com as vendas de equipamento militar para o governo dos EUA. Watson foi um dos poucos CEO's a desenvolver tal política.

Em 1941, Watson recebeu o terceiro maior pacote de salário e compensação nos EUA, US$ 517 221, sobre o qual ele pagou 69% em impostos.

Watson tinha um interesse pessoal no progresso da guerra. Seu filho mais velho, Thomas J. Watson Jr., juntou-se ao Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos e tornou-se um piloto de bombardeiros. Ele logo foi escolhido a dedo para se tornar o assistente e piloto pessoal do General Follet Bradley, que estava encarregado de todos os equipamentos lend-lease fornecidos à União Soviética dos Estados Unidos. Seu filho mais novo, Arthur K. Watson, também se juntou ao exército durante o conflito.

Pós-Segunda Guerra Mundial