Casa de Apostas Arena Fonte Nova é um estádio de futebol localizado em Salvador, no estado brasileiro da Bahia, reconstruído no mesmo local do antigo Estádio Octávio Mangabeira, da qual herdou o apelido "Fonte Nova". O nome oficial da arena é Complexo Esportivo Cultural Octávio Mangabeira. Entretanto, por questões de patrocínios de nome, foi conhecido por Itaipava Arena Fonte Nova entre 2013 e 2023, para em 2024 ganhar o nome atual após os direitos serem vendidos para a empresa Casa de Apostas.
Para a construção, a antiga estrutura foi implodida em 29 de agosto de 2010 para dar lugar à Arena Fonte Nova, projeto de sede baiana para a Copa do Mundo FIFA de 2014. No início do mês de janeiro de 2013 atingiu 90% das obras concluídas, tendo sido o quarto estádio mais avançado dentre os doze que sediaram a Copa das Confederações de 2013 e a Copa do Mundo de 2014. E em março, alcançou 99% das obras concluídas. O estádio foi oficialmente inaugurado no dia 5 de abril com presença da então presidente Dilma Rousseff. O primeiro jogo da arena foi o clássico Ba-Vi, ocorrido dois dias depois, onde o Vitória se sagrou vencedor por 5 a 1. Renato Cajá, jogador do rubro-negro baiano, entrou para a história ao marcar o primeiro gol após a inauguração.
Utiliza o mesmo modelo de gestão multiuso de sucesso na Europa, o da Johan Cruijff Arena, um dos maiores centros de lazer do mundo, casa do . O estádio tem capacidade oficial para 48.661 pessoas em três níveis de arquibancadas com assentos cobertos, camarotes, vista para o estádio e para o Dique do Tororó e 2 mil vagas de estacionamento. Sua estrutura abriga também sala de imprensa, quiosques, elevadores, sanitários e centro de negócios que funciona independentemente dos jogos. Além de partidas de futebol, a Arena Fonte Nova permite a realização de outros eventos como apresentações musicais, congressos e encontros de negócios. Sua estrutura verticalizada, com três anéis de arquibancada, coloca o público mais próximo do espetáculo promovendo um maior envolvimento e favorecendo a acústica.
História Antecedentes
miniatura|esquerda|Antigo estádio Octávio Mangabeira Inaugurado em 1951 com capacidade estimada em 30 mil torcedores e depois ampliada com a construção do anel superior para algo em torno de 80 mil pessoas, a antiga Fonte Nova funcionou desde então até seu fechamento em 2007 por conta do grave acidente que ocorreu no estádio. O caso aconteceu na tarde do dia 25 de novembro durante jogo válido pela Série C de 2007, entre Bahia e Vila Nova, de Goiás. O jogo estava empatado em 0 a 0, quando uma parte da arquibancada do anel superior do estádio não resistiu ao grande número de pessoas e cedeu por volta dos trinta e cinco minutos do segundo tempo, matando sete pessoas na hora e deixando dezenas de feridos, numa altura superior a 20 metros.Número de mortos com queda de parte da arquibancada chega a sete Folha Online Na época, o estádio era considerado um dos piores do Brasil pelo Sindicato Nacional das Empresas de Arquiteturas e Engenharia (Sinaenco). Ao final da partida, onde mais de 60 mil pessoas estavam presentes, a torcida do Bahia invadiu o gramado da Fonte Nova para comemorar o acesso à Série B do ano seguinte.
No dia seguinte ao desabamento, o engenheiro Vicente Castro ressaltou que a opção mais viável para o estádio era sua implosão. A sua opinião esteve longe de ser um consenso, a exemplo do Instituto de Arquiteto da Bahia (IAB) e do arquiteto Paulo Ormindo, que atestaram ser a estrutura perfeitamente recuperável (apenas a arquibancada estava degradada). Mesmo assim, um dia depois, em 27 de novembro, o governador da Bahia, Jaques Wagner, anunciou que a Fonte Nova seria implodida e um novo estádio será construído no mesmo lugar, dentro dos padrões recomendados pela FIFA para abrigar jogos da Copa do Mundo de 2014, além de estar cotado para receber partidas de futebol dos Jogos Olímpicos Rio 2016. Nesse período de interdição da Fonte Nova, o Bahia, clube então mandante, teve que realizar inclusive algumas partidas fora de Salvador, até a conclusão da reforma do estádio de Pituaçu em 2009. A partir de então foi iniciado os procedimentos para a edificação de um novo estádio no mesmo local do antigo.
Projeto e demolição O projeto arquitetônico do novo estádio, agora sob a concepção de arena, que preserva o formato de ferradura com abertura para o Dique do Tororó, representa não apenas uma reverência ao projeto original, de Diógenes Rebouças, como também dará maior funcionalidade à arena, possibilitando montagem e desmontagem de palcos para os mais variados espetáculos. Inicialmente o nome proposto seria "Arena Salvador".
A empresa paulista Setepla Tecnometal EngenhariaSETEPLA TECNOMETAL Engenharia. Destaque - Arena Fonte Nova e a alemã Schulitz + Partner Architekten em parceria com a paulista Tetra ProjetosSchulitz + Partner Architekten BDA. Projekte - Arena Fonte Nova, Salvador foram responsáveis pelo desenvolvimento do projeto. Elas foram escolhidas dentre outras seis empresas que participaram do Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) — instrumento que permite o setor público obter, de consultores externos ou das empresas interessadas em disputar futuros contratos de concessão, estudos de viabilidade sobre projetos de infraestrutura que estão na agenda da tomada de decisão do poder concedente —, realizado pelo governo estadual para o projeto da Fonte Nova. A avaliação das propostas foi realizada pelo Núcleo Técnico constituído pelo governo estadual, que contou com o suporte da Fundação Instituto de Administração (FIA), da Universidade de São Paulo (USP), baseada em mais de 50 critérios técnicos nos itens de sustentabilidade, instalações e jurídicos.
miniatura|direita|Processo de demolição do estádio em agosto de 2010
O Governo estadual também promoveu uma consulta pública a servir de sugestões para a reconstrução e operação ao edital da nova arena, em que 50% referiram-se à capacidade do estádio. Diante disso, o Governo optou por reduzir a capacidade final de 60 mil para 50 mil lugares devido a fatores como o desenho arquitetônico, as limitações de espaço e o custo final de construção. A capacidade do estádio permitia à Salvador disputar vaga para sediar jogos até as quartas de final do Mundial de 2014 e jogos da Copa das Confederações de 2013. O governo baiano optou pela demolição total da praça esportiva. Com isso, o ginásio poliesportivo, a piscina olímpica e a pista de atletismo que funcionavam no local também precisaram ser demolidas, o que causou críticas por falta desses equipamentos esportivos na cidade.
A concessão pública dos serviços de reconstrução e administração foi destinada em licitação para o consórcio Fonte Nova Negócios e Participações (FNP), formado pelas empresas Novonor (então Odebrecht Investimentos em Infraestrutura) e Grupo Metha (então Construtora OAS). Com o contrato assinado em janeiro de 2010, o consórcio começou os serviços em maio de 2010 com a colocação de tapumes no entorno do antigo estádio da Fonte Nova e a preparação do canteiro de obras para a demolição das estruturas. Para o A demolição total aconteceu em 29 de agosto de 2010 e foi seguido da etapa de reciclagem dos materiais de demolição, concluída em meados de novembro do mesmo ano, que gerou mil toneladas de material, que foi 100% reutilizado. 90% do concreto britado do antigo estádio foi reaproveitado na própria Arena e o restante em obras públicas de Salvador.
Construção miniatura|esquerda|Obras no estádio em fevereiro de 2011
O serviço de construção foi realizado pelo Consórcio Arena Salvador, contratado pela concessionária FNP e também constituído pelas mesmas duas empresas controladoras da concessionária. A comunicação institucional realizada pela concessionária e pelo consórcio construtor sobre a demolição/implosão foi premiada pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje) em outubro de 2011. Em dezembro de 2011, pessoas trabalhavam na obra, que alcançou 38% de avanço físico, tendo finalizadas as etapas de demolição, reciclagem do concreto, terraplenagem e fundações da Arena. As etapas seguintes seriam os serviços de montagem da superestrutura (pré-moldada e moldada in loco), com pilares, vigas e lajes, além do início da colocação das vigas de sustentação às arquibancadas.
Em janeiro de 2012, o estádio foi visitado pelo secretário geral da FIFA, Jérôme Valcke, que se mostrou satisfeito com o adiantamento das obras e elogiou a capital baiana. No dia 2 de fevereiro de 2012, após pouco menos de um ano e meio depois da demolição do antigo estádio, a Arena Fonte Nova ultrapassou 50% das obras, tornando-se o segundo estádio com as obras mais adiantadas dentre os doze que sediarão a Copa do Mundo de 2014, atrás apenas do Castelão, em Fortaleza. Ao fim do mês de agosto do mesmo ano, atingiu então 70% das obras concluídas, sendo agora o quarto estádio mais avançado, devido ao adiantamento das obras do Estádio Nacional de Brasília e do Mineirão, em Belo Horizonte.
Dois meses depois, ao fim de outubro e já em andamento o processo de içamento dos cabos da cobertura do estádio — nesse processo a Arena efetivou um processo inédito no Brasil e o segundo realizado na América Latina: o Big Lift, o grande içamento dos cabos de aço tensionados da cobertura, que reuniu uma equipe altamente qualificada de engenheiros da Alemanha, Suíça, França e Estados Unidos —, as obras atingiram 80% de conclusão. A chamada superestrutura do estádio, composta por pilares, vigas, lajes e pelas arquibancadas, foi totalmente concluída no mês de agosto, e posteriormente foi iniciada a instalação da cobertura. Esta estrutura será revestida por uma membrana impermeável, autolimpante e translúcida. No total, serão 36 mil m² para cobrir os cerca de 50 mil assentos da Arena Fonte Nova.
Já em processo de conclusão, as obras da Arena Fonte Nova iniciaram o ano de 2013 atingindo quase 91% de avanço físico. Mais de seis frentes de serviços estavam sendo realizadas paralelamente. No que se referia aos acabamentos, os pisos estavam 96% finalizados e os revestimentos 87%. As instalações hidráulicas, elétricas e de TI chegaram a 88% e o edifício-garagem com 85% da estrutura executada. Mais de 12% da membrana da cobertura da Arena Fonte Nova já havia sido instalada. Tais dados foram fechados em 31 de dezembro.
miniatura|Vista aérea da Arena Fonte Nova e seu entorno em março de 2013
O processo de colocação dos assentos da Arena, que foi iniciada em dezembro do ano passado, estava 30% concluída no início de janeiro. As cores utilizadas nas cadeiras remetem a tons de verde utilizados na marca do projeto e simbolizam as águas esverdeadas do Dique do Tororó, lagoa que fica nas imediações do estádio. Alguns dos espaços VIPs já estavam prontas, juntamente com a decoração e mobiliário.
O plantio do gramado foi concluído no final do mês de janeiro e uma nova parte das 50 mil cadeiras das arquibancadas já haviam sido colocadas. No mesmo mês colaboradores, entre administrativo, operários, engenheiros, técnicos e terceirizados, se revezaram em três turmas que trabalhavam 22 horas por dia.
Em março o consórcio responsável pelas obras entregou simbolicamente o estádio ao Governo do Estado. Com 99% das obras concluídas, e faltando apenas os reparos finais e testes dos seus equipamentos. Foi o terceiro estádio (depois do Castelão e Mineirão) a ficar pronto e o primeiro construído do zero para as Copa das Confederações e do Mundo. Ao todo, foram mais de 10 mil pessoas envolvidas desde a implosão da antiga estrutura, edificação do novo equipamento, até chegar à atual fase de operação.
Inauguração miniatura|esquerda|Jogadores de Bahia e Vitória perfilados na partida de inauguração do estádio, em 7 de abril de 2013