No campo da psicologia, a sugestão (do latim suggestione) é a influência que um indivíduo exerce sobre o poder de decisão de um ou mais indivíduos. Quando acontece sob efeito de hipnose, é chamada de sugestão hipnótica.FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 1 626. Histórico Segundo os filólogos Oscar Bloch e Walther von Wartburg, o termo "sugestão" apresenta uma conotação pejorativa desde seu aparecimento em 1174. O termo é associado às ideias de bruxaria e de práticas diabólicas. A mesma coisa ocorre com o verbo "sugerir" aparecido no fim do Século XV. Em suas "Meditações sobre o evangelho", Jacques-Bénigne Bossuet denuncia as "sugestões do demônio". Foi necessário chegar ao meio do Século XIX para que Émile Littré notasse que a sugestão, às vezes, tem um sentido positivo. Sugestão e Hipnose Mencionada pelo médico James Braid a propósito da hipnose, depois por Ambroise-Auguste Liébeault, a sugestão foi, sobretudo, definida e colocada no centro do processo psicoterápico por Hippolyte Bernheim. Em 1884, Bernheim definiu-a como "ato pelo qual uma ideia é introduzida no cérebro e por ele aceite". Segundo Bernheim, Joseph Delbœuf e os outros membros da Escola de Nancy (também chamada Escola da Sugestão), é a sugestão que explica a hipnose, e não um fenômeno fisiológico qualquer.
Eles opuseram-se assim a Jean-Martin Charcot e Pierre Janet, da Escola da Salpêtrière. Nesta polêmica opondo as duas escolas, Janet declarou, em 1889: "não estou disposto a acreditar que a sugestão possa explicar tudo e, particularmente, que ela mesma possa se explicar".
Porém Janet e Bernheim estavam de acordo com a ideia segundo a qual a sugestionabilidade não era obrigatoriamente ligada à hipnose. Janet escreveu, no seu livro "O automatismo psicológico", que "a sugestionabilidade podia ser total fora do sonambulismo; e talvez pudesse estar completamente ausente num estado de sonambulismo completo". Então, Bernheim deduziu, em 1891, que a psicoterapia sugestiva atuava tão bem ou até melhor sem hipnose. Encontramos uma ideia análoga em Milton Erickson, para quem a hipnose podia muito bem ocorrer sem ritual hipnótico.
O farmacêutico Émile Coué, autor do célebre método conhecido como "método Coué", aprendeu as técnicas de sugestão de Liébeault e Bernheim em 1885.
Sugestão e Psicanálise Na polêmica que opôs seus dois professores, Bernheim e Charcot, Sigmund Freud defendeu uma posição próxima da Escola da Salpêtrière. Em 1921, voltando a falar do assunto, ele declarou que sua resistência à tirania da sugestão levou-o a se revoltar contra o fato de que a sugestão, que explicaria tudo, não precisaria ser explicada.
Ver também Autossugestão Hipnose Persuasão Psicanálise Transferência (psicanálise)
Bibliografia BERNHEIM, H. De la Suggestion dans l'État Hypnotique et dans l'État de Veille (Da Sugestão no Estado Hipnótico e no Estado de Vigilância), Paris, 1884 (Reedição: L'Harmattan, 2004). JANET, P. Automatisme psychologique: Essai de psychologie expérimentale sur les formes inférieures de l'activité humaine (O automatismo psicológico : Ensaio de psicologia experimental sobre as formas inferiores da atividade humana), Masson, 1889 (Reedição em 1989 a partir do texto da quarta edição). ROUSTANG, F. Elle ne le lâche plus... (Ela não o larga mais...), Minuit, 1980 ROUSTANG, F. Influence (Influência), Minuit, 1991 CHERTOK, L. Résurgence de l'hypnose ( Ressurgência da hipnose), Desclée de Brouwer, 1984 CUVELIER, A Hypnose et suggestion, de Ambroise-Auguste Liébeault à Émile Coué (Hipnose e sugestão, de Ambroise-Auguste Liébeault a Émile Coué), Puy Nancy, 1991, ROUSSILLON, R. Du baquet de Franz Mesmer au baquet de Sigmund Freud (Da bacia de Franz Mesmer à bacia de de Sigmund Freud) PUF, 1992 BORCH-JACOBSEN, M. Folies à plusieurs. De l'hystérie à la dépression (Loucuras múltiplas. da histeria à depressão), Empêcheurs de penser en rond, 2002 NEYRAUT, M. Le transfert: Etude psychanalytique (A transferência : Estudo psicanalítico), PUF, 2004 LARROQUE, M. Hypnose, suggestion et autosuggestion (Hipnose,sugestão e autossugestão), L'Harmattan, 1993.
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