O Discurso do Rei (no original ) é um filme britânico de 2010, escrito por David Seidler, dirigido por Tom Hooper, e estrelado por Colin Firth, Geoffrey Rush e Helena Bonham Carter. Ele conta a história do Rei George VI, que contrata Lionel Logue, um fonoaudiólogo, para lhe ajudar a superar a gagueira. Os dois homens tornam-se amigos enquanto trabalham juntos e, depois que seu irmão abdica, o rei confia em Logue para ajudá-lo a fazer um importante discurso no rádio no começo da Segunda Guerra Mundial.
O filme inclui citações extraídas dos diários de Logue, que foram descobertos nove semanas antes do início das filmagens, a tempo de serem incorporados ao roteiro. As filmagens começaram em dezembro de 2009 e terminaram em janeiro de 2010. O filme foi distribuído de forma limitada nos Estados Unidos em 26 de novembro de 2010, antes de receber um lançamento geral em 10 de dezembro do mesmo ano. Ele foi aclamado pela crítica por seu estilo visual, atuação e direção. A Rainha Elizabeth II assistiu ao filme e disse ter ficado "emocionada" pela interpretação que Firth fez de seu pai.
O Discurso do Rei ganhou sete prêmios BAFTA e quatro Oscars, sendo eles melhor filme, melhor diretor para Tom Hooper, melhor ator para Colin Firth como Jorge VI e melhor roteiro original.
Enredo O filme começa com o Príncipe Albert, Duque de York, segundo filho do Rei George V, fazendo um discurso no encerramento da British Empire Exhibition de 1925 no Estádio de Wembley, com sua esposa Elizabeth (que o chama pelo apelido "Bertie", assim como sua família) ao seu lado. Sua óbvia gaguez deixa o público nas arquibancadas inquieto. O Príncipe tenta vários métodos de tratamento até desistir, porém sua esposa o convence a visitar Lionel Logue, um terapeuta de fala australiano que mora em Londres. Na primeira sessão, Logue pede que eles se chamem pelos seus nomes próprios, quebrando a etiqueta real ao chamar o Duque de York pelo apelido. Ele o convence a ler o monólogo de Hamlet "Ser ou não ser", do dramaturgo de Shakespeare, enquanto ouve Le nozze di Figaro, de Mozart, nos fones de ouvido. Logue grava a leitura de Bertie em um disco de vinil. Porém, este, convencido de que havia gaguejado o tempo todo, deixa o consultório irritado. Logue oferece-lhe a gravação como lembrança.
Depois de fazer seu discurso de natal em 1934, o Rei George V explica para seu filho a importância da radiodifusão para a monarquia moderna. Mais tarde, Bertie toca a gravação de Logue e ouve a sua própria voz, percebendo que não houve qualquer hesitação. Ele regressa ao consultório de Logue e trabalham juntos em relaxamento de músculos e controle respiratório, enquanto simultaneamente procuram a origem psicológica de sua gagueira. O Príncipe revela alguns dos seus traumas de infância: a severidade do pai, a repressão por ser canhoto, o doloroso tratamento de seu joelho, uma babá que preferia seu irmão mais velho e que o beliscava para fazê-lo chorar e ser repreendido pelos pais, e a morte de seu irmão mais novo, Príncipe John. Enquanto o tratamento progride, os dois se tornam amigos e confidentes.
Em 20 de janeiro de 1936, George V morre, e David, Príncipe de Gales, sobe ao trono como Rei Eduardo VIII. Porém, ele quer se casar com Wallis Simpson, uma americana já divorciada duas vezes, algo que criaria uma crise constitucional. Em uma festa no Castelo de Balmoral, Bertie diz a Eduardo que ele não pode se casar com uma mulher divorciada e ainda assim manter o trono. Eduardo acusa o irmão de tentar usurpar seu trono, ao estilo medieval, afirmando que a terapia de fala de Albert não passa de uma tentativa de se preparar. Bertie fica com a língua presa após a acusação e Eduardo repete seu insulto de infância, "B-B-Bertie". Na sessão seguinte, o Príncipe ainda não havia superado o incidente. Em uma tentativa de consolá-lo, Logue insiste que ele poderá vir a ser Rei e que o xelim de sua aposta deveria ter a cabeça do Duque como monarca. Bertie acusa Logue de traição e, furioso, zomba da sua carreira fracassada como ator e de suas origens humildes, causando uma fratura na amizade dos dois.
Quando Eduardo VIII abdica para se casar com Wallis, Albert torna-se Rei George VI. Sentindo o enorme peso de sua ascensão, George percebe que precisa da ajuda de Logue; ele e a Rainha visitam a casa de Logue para se desculpar. Quando o Rei insiste que Logue fique sentado no camarote real durante sua coroação na Abadia de Westminster, o Dr. Cosmo Lang, Arcebispo da Cantuária, questiona as qualificações de Logue. Isso inicia uma nova confrontação entre o Rei e Logue, que explica que começou por tratar soldados traumatizados após o fim da Primeira Guerra Mundial. Quando Logue se senta no Trono de Eduardo, o Confessor e fala mal da Pedra de Scone, o Rei o repreende, e, ao fazer isso percebe que é tão capaz quanto aqueles que o procederam.
Em setembro de 1939, é declarada a guerra contra a Alemanha Nazista, e George VI chama Logue ao Palácio de Buckingham para preparar seu discurso para toda a nação. Enquanto o Rei e Logue andam pelo palácio até um pequeno estúdio, Winston Churchill revela ao Rei que embora também tenha tido um problema de fala, encontrou um jeito de usá-lo a seu favor. O Rei faz seu discurso como se estivesse fazendo-o a Logue, que o guia em todo o momento. Após o discurso, enquanto Logue observa, o Rei e sua família vão até a varanda do palácio saudar os milhares de pessoas que se reuniram para ouvir.
Antes dos créditos é mostrado que, durante os vários discursos que George VI realizou durante a Segunda Guerra Mundial, Logue esteve sempre presente. Também é mostrado que Logue e o Rei permaneceram amigos pelo resto de suas vidas, e que o Rei George VI fez de Lionel Logue um Comandante da Real Ordem Vitoriana em 1944.
Elenco Colin Firth como o príncipe Albert, Duque de York, depois Rei George VI Geoffrey Rush como Lionel Logue Helena Bonham Carter como Elizabeth, Duquesa de York, depois Rainha Elizabeth Guy Pearce como David, Príncipe de Gales, depois Rei Edward VIII e depois o príncipe Edward, Duque de Windsor Timothy Spall como Sir Winston Churchill Derek Jacobi como Cosmo Lang, Arcebispo de Canterbury Jennifer Ehle como Myrtle Logue Michael Gambon como o Rei George V Anthony Andrews como Stanley Baldwin Eve Best como Wallis Simpson, depois Wallis, Duquesa de Windsor Freya Wilson como a princesa Elizabeth de York, depois a princesa Elizabeth Ramona Marquez como a princesa Margaret de York, depois a princesa Margaret Claire Bloom como a Rainha Mary
Produção Desenvolvimento thumb|alt=A man and woman standing side by side|Colin Firth e Helena Bonham Carter nas filmagens de The King's Speech O roteiro de O Discurso do Rei começou a ser desenvolvido quando o escritor britânico radicado nos EUA David Seidler decidiu mergulhar em trabalho criativo após ter-lhe sido diagnosticado câncer. Seidler também gaguejava quando criança, devido ao trauma emocional da guerra, ele acredita, que incluiu o assassinato de seus avós durante o Holocausto. Na infância, Seidler inspirou-se ao saber que o Rei George VI havia superado a gagueira. "Aqui estava um gago que era Rei e tinha que fazer discursos no rádio com todos ouvindo cada sílaba que pronunciava, e ainda assim o fez com intensidade e entusiasmo". Seidler, então com 73 anos, se recorda. "Eu sabia pessoalmente o que era aquela tensão, e na minha mente ele se tornou um homem muito corajoso. Foi-me salientado que ali estava um gago como eu, e veja o que ele conseguiu alcançar, então talvez houvesse um futuro para mim". A fascinação de Seidler pelo Rei na infância eventualmente o levou a escrever O Discurso do Rei. Depois de completar o roteiro e ter conseguido a remissão, ele mostrou o trabalho à esposa. Ela gostou do roteiro, mas achou que estava cheio de linguagem técnica de cinema e sugeriu que ele o reescrevesse como uma peça de teatro, para forçá-lo a se concentrar nos personagens. Seidler rasgou o roteiro original e escreveu uma peça do zero, com base nas suas pesquisas. Depois de tê-la completado, ele viu que realmente tinha gostado do resultado e a enviou a algumas pessoas para ouvir opiniões.
No começo de 2006, uma das pessoas a quem Seidler enviou a peça perguntou se poderia passá-la à Joan Lane, da produtora londrina Wild Thyme. Lane viu o roteiro como um potencial drama para o cinema, além de peça de teatro, e o mostrou ao colega cineasta Simon Egan da Bedlam Productions, que filmou a primeira interpretação ensaiada da peça. Com a perspectiva de montar uma produção teatral, Wild Thyme mandou o texto para Geoffrey Rush e simultaneamente para o diretor Tom Hooper, para uma futura adaptação para o cinema; a Bedlam Productions o passou para Iain Canning da See Saw Films. Apesar de ter havido interesse numa produção para o teatro em London's West End, a produção para o cinema tomou precedência. O produtor Gareth Unwin da Bedlam Productions leu a peça e achou que poderia dar um bom longa-metragem. O UK Film Council deu a produção um milhão de libras em junho de 2009.
Locações thumb|left|210px|Tom Hooper operando uma câmera em locação na Queen Street Mill Textile Museum, Lancashire. O projeto dos cenários provou ser um desafio para os cineastas, pois produções de época exigem mais e o orçamento estava limitado a £10 milhões. Ao mesmo tempo, o filme precisava ser autêntico, combinando a opulência real com a miséria da era da depressão de Londres. Em 25 de novembro de 2009, Derek Jacobi e Geoffrey Rush se juntaram às filmagens nas construções Pullens, em Southwark. Em 26 de novembro, uma semana de filmagens com Colin Firth, Rush e Jacobi começou na Catedral de Ely, que serviu de locação para a Abadia de Westminster. Apesar da Catedral de Lincoln ser arquiteturalmente mais semelhante à Abadia, a equipe preferiu Ely, pois seu tamanho permitiu a construção de cenários que não apenas mostrassem a coroação, mas também as preparações. A Lancaster House foi usada como locação para os interiores do Palácio de Buckingham quando o Rei caminha para fazer seu discurso e tirar fotografias oficiais. A equipe procurou os antigos consultórios de Logue, porém eram muito pequenos para as filmagens.
A cena de abertura, passada na cerimônia de encerramento da British Empire Exhibition, em 1925, no Estádio de Wembley, foi filmada no Elland Road e no Odsal Stadium. Elland Road foi usado para os elementos do discurso onde o príncipe começa a gaguejar, e o Odasal Stadium foi usado por parecer com o Wembley de 1925. A equipe só obteve acesso ao estádio às 22 h, após um jogo de futebol.
Outras locações incluíam o Cumberland Lodge, Hatfield House e a Usina Termelétrica de Battersea.
Estilo visual