Soneto 3 é um dos 154 sonetos escritos por William Shakespeare.
Sinopse O soneto começa com a imagem de um espelho e é repetido em outro verso. Há nele uma passagem entre passado, presente e futuro, o poeta se reporta à mãe do interlocutor, quando mistura sua própria imagem quando jovem e a imagem do filho. Da mesma forma, o jovem pode ter uma velhice prevista, por meio de seus próprios filhos.
Análise O Soneto 3, tipicamente shakespeariano, apresenta três quadras (quatro linhas cada) e um dístico rimado final (duas linhas).
Este soneto, como muitos dos 154 escritos por Shakespeare, segue principalmente a métrica do pentâmetro iâmbico — isto é, cada linha tem cinco pés, cinco iambos, ou seja, uma sílaba átona e uma tônica.
Traduções Tradução de Thereza Christina Motta A tradutora propôs-se a fazer uma tradução literal, sem mirar em ritmo, métrica ou rima. Mira no espelho e descreve o rosto que vês; Agora é o tempo em que a face deve mudar, Cujos reparos não tenhas logo renovado, Terás enganado o mundo, à revelia de tua mãe.
Onde está a bela, cujo ventre não semeado Desdenha o cultivo de teus cuidados? Ou de quem será a tumba de um ser tão cioso De seu amor-próprio para negar a posteridade?
És o espelho de tua mãe, e tua semelhança Recorda os adoráveis dias de sua primavera; Então, pela tua idade, poderás ver, Apesar das rugas, o teu tempo áureo;
Mas se vives para não seres lembrado, Jamais te cases, e tua imagem fenecerá contigo.
Tradução de José Arantes Júnior O tradutor não se prendeu a métrica e ritmo, detendo-se à forma plástica de apresentar sempre 36 caracteres por verso, e para isso em ocasiões foge à concordância nominal. Como nos demais sonetos por ele traduzidos, acrescentou-lhe um título. O ser e o não ser Vê o espelho e diga a ti nesta visão: É tempo de minha face gerar uma nova E se uma tez fresca não tem formação Embuste ao mundo e à mãe nesta prova.
Onde vai a beleza de insólito ventre Desdenhando a economia da localidade? E quem quer ser sepultado consciente De si mesmo barrando sua posteridade?
Espelha-te tomando tua mãe como meta Chama a força do início da primavera E verás da janela, de forma concreta, A tua época de outo ali à tua espera.
Mas se o ser só se lembra de não ser, Tua imagem contigo haverá de perecer.Shakespeare, William - Sonetos completos de William Shakespeare. Tradução de José Arantes Júnior. - São Paulo: Ed. do Autor, 2007.
Tradução de Milton Lins O tradutor perseguiu o ritmo de versos decassilábicos dado pelo autor, mas não se manteve no pentâmetro iâmbico original. Olha no espelho e vê na tua face, Quando esta face deve ser de alguém Cuja nova feição jamas renasce, O mundo enganas. e a mamãe não vem.
Onde anda aquela de árida matriz A desdenhar cuidados na lavoura? Onde ele que orgulhoso então se diz Ser a tumba do amor, mutiladora?
De tua mãe já és cópia perfeita: Explora a semelhança deste dom. Abre a janela e a vê tal como é feita, Esquece as rugas desse tempo bom.
Mas se quiseres nunca ser lembrado, Morre solteiro - e morrerás dobrado.SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5
Categoria:Sonetos de William Shakespeare