Soneto 20 é um dos 154 sonetos de William Shakespeare.

Sinopse Na fantasia do poeta, a beleza do jovem é resultado de mudança de ideia da Natureza, que começou a criar uma mulher, apaixonou-se pela própria criação e a transformou em um homem.

O soneto explora os limites entre a sexualidade masculina e feminina e é um dos sonetos mais radicais de Shakespeare. Ele foca na chamada 'bela juventude' — uma querida amiga real ou imaginária do poeta que, até hoje, permanece anônima. Também há referência à sexualidade e à natureza da atração sexual.

Traduções Tradução de Thereza Christina Roque da Motta Tens a face de mulher pintada pelas mãos da Natureza, Senhor e dona de minha paixão; O coração gentil de mulher, mas avesso Às rápidas mudanças, como a falsa moda que passa; Um olhar mais brilhante, e mais autêntico, A imantar tudo que contempla; Uma cor masculina, a guardar todos os seus tons, Rouba a atenção dos homens, e causa espanto às mulheres. Se como mulher tivesses sido primeiro criado; Até a Natureza, ao te conceber, caiu-lhe o queixo, E eu, também, caído a teus pés, Nada mais acrescento ao meu propósito.

Mas Ela, ao te escolher para o mais puro prazer, como o é, Teu é o meu amor e, teu uso dele, o seu tesouro.Thereza Christina Rocque da Motta (tradutora), SHAKESPEARE, William. 154 Sonetos. Em Comemoração Aos 400 Anos Da 1ª Edição 1609-2009. Editora Ibis Libris, 1ª edição, 2009. ISBN 8578230264

Tradução de Vasco Graça Moura Feminil face que pintou Natura tu tens que és dono e dona de meu lume: coração de mulher, mas que não cura do mudar que nas falsas é costume, olhar mais claro que elas, mas sem manha, dourando as coisas em que se puser; tez de donzel que em tez a todos ganha, prende olhos de homem e alma de mulher. Primeiro de mulher tiveste alento, depois, ao fabricar-te, a natureza aditou-te o que me era impedimento, coisa que meu propósito não lesa.

Pois se para o prazer delas se presta, é meu o teu amor, delas a festa.

Tradução de Milton Lins A natureza fez um rosto de mulher, Tu tens, ó mestre-mestra em minha devoção, Coração de mulher, sem semelhar, sequer, Mudanças de mulher e tão falsa feição.

Tens olhos com mais brilho e menos falsidade, Dourando as formações a que levam encanto; Um homem de matiz e de diversidade, Dos homens rouba o olhar, das mulheres - o espanto.

Daí, para mulher primeiro vens criado, A natureza até te fez reconhecido, E aí, por adição, por ti fui derrotado, Uma coisa somando ao meu plano excluído.

Quando ela te picou o prazer de mulher, A mim - deu teu amor, a ti - fez como a quer.

Tradução de Emmanuel Santiago Feminina feição por Natura pintada Possuis tu, mestre-mestra de minha paixão; Das mulheres tens a alma gentil, mas que nada De volúvel supõe, nem da moda a ilusão.

Um olhar mais brilhante que o delas, sincero, A fulgir sobre aquilo em que tu o desferes; O rubor mais viril, dos matizes império, Que dos homens o olhar rouba, qual das mulheres.

A princípio mulher foste tu concebido, Mas Natura, ao fazer-te, ao teu charme cedia E mudou-te de forma e me fez excluído,

Dando-te algo, p’ra mim, sem qualquer serventia. Como foste moldado ao prazer das donzelas, Teu amor, então, é meu e teu gozo, delas.

Ver também Sexualidade de William Shakespeare

Bibliografia Alden, Raymond. The Sonnets of Shakespeare, with Variorum Reading and Commentary. Boston: Houghton-Mifflin, 1916. Baldwin, T. W. On the Literary Genetics of Shakspeare's Sonnets. Urbana: University of Illinois Press, 1950. Booth, Stephen. Shakespeare's Sonnets. New Haven: Yale University Press, 1977. Dowden, Edward. Shakespeare's Sonnets. London, 1881. Hubler, Edwin. The Sense of Shakespeare's Sonnets. Princeton: Princeton University Press, 1952. Schoenfeldt, Michael (2007). The Sonnets: The Cambridge Companion to Shakespeare’s Poetry. Patrick Cheney, Cambridge University Press, Cambridge. Tyler, Thomas (1989). Shakespeare’s Sonnets. London D. Nutt. Vendler, Helen (1997). The Art of Shakespeare's Sonnets. Cambridge: Harvard University Press.

Ligações externas Análise do soneto

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