O Tratado de Londres ou Pacto de Londres foi um acordo secreto fechado em 26 de abril de 1915 por Reino Unido, França e Rússia de um lado, e a Itália do outro, com o objetivo de atrair este último a entrar na Primeira Guerra Mundial pelo lado da Tríplice Entente. O acordo envolvia promessas de expansão territorial italiana aos custos da Áustria-Hungria e Império Otomano, bem como na África, onde foi prometido uma ampliação de suas colônias. Os países da Entente tinham a esperança de forçar as Potências Centrais, especialmente a Alemanha e Áustria-Hungria, a desviarem parte de suas forças para longe dos campos de batalha já existentes. Outra esperança era que Romênia e Bulgária seguissem o exemplo da Itália ao entrarem na guerra.

A Itália declarou guerra contra a Áustria-Hungria em 22 de maio, mas demorou um ano até finalmente declarar guerra também contra a Alemanha, causando ressentimento tanto na França e quanto no Reino Unido. Os Estados Unidos pressionaram durante a Conferência de Paz de Paris após a guerra para que o tratado fosse anulado, argumentado que ele era contra o princípio da autodeterminação. Um novo acordo foi criado na conferência que reduzia os ganhos territoriais prometidos originalmente: a Itália recebeu os territórios de Trentino-Alto Ádige e a Veneza Júlia, também ocupando a cidade de Valona na Albânia e as ilhas do Dodecaneso. Os italianos foram forçados a resolver sua fronteira oriental com o Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos por meio do bilateral Tratado de Rapallo, recebendo assim a Ístria, a cidade de Zara como um enclave na Dalmácia, bem como várias ilhas no litoral oriental do Mar Adriático. As promessas de expansão colonial e uma parte da Anatólia não foram cumpridas.

Os resultados da Conferência de Paz de Paris transformaram o fervor nacional italiano dos tempos de guerra em um ressentimento nacionalista defendido por Gabriele d'Annunzio, que declarou que o resultado da guerra da Itália foi uma "vitória mutilada". Ele liderou uma bem sucedida marcha de veteranos e soldados insatisfeitos que capturou o porto de Fiume, que era reivindicado pela Itália e negado pela Entente. Esta ação ficou conhecida como Esforço de Fiume e d'Annunzio proclamou a Regência Italiana de Carnaro na cidade por um breve período antes de ser forçado a ir embora pelo Exército Real Italiano para que o Estado Livre de Fiume pudesse ser estabelecido. A Regência de Carnaro foi significativa no desenvolvimento do fascismo italiano.

Antecedentes Reino Unido, França e Rússia, as potências da Tríplice Entente, tentaram achar mais aliados após o início da Primeira Guerra Mundial. A primeira tentativa de trazer a Itália, então parte da Tríplice Aliança com Alemanha e Áustria-Hungria, para a Entente ocorreu entre agosto e setembro de 1914. Ao mesmo tempo, a questão tornou-se estreitamente relacionada com esforços de conseguir uma aliança com a Bulgária, ou pelo menos garantir sua neutralidade, em troca de ganhos territoriais sobre a Sérvia, aliada da Entente. Em compensação, foi prometido a Sérvia territórios da Áustria-Hungria, especificamente a Bósnia e Herzegovina e uma saída para o Mar Adriático na Dalmácia.

Negociações Primeiras ofertas thumb|280px|esquerda|Mapa das alianças políticas da Europa em 1914, pouco antes do início da guerra: As negociações de agosto e setembro de 1914 foram conduzidas a partir de uma iniciativa russa. Em 4 de agosto, apenas um dia depois da Itália declarar sua neutralidade, o embaixador italiano na Rússia afirmou que o país poderia se juntar à Entente em troca de Trentino-Alto Ádige, Valona e uma posição dominante no Adriático. Sergei Sazonov, o Ministro do Exterior russo, foi atrás da questão por achar que tal ação da Itália poderia fazer a Romênia a também se juntar à Entente contra a Áustria-Hungria. Sir Edward Grey, o Secretário de Assuntos Estrangeiros britânico, era a favor de ideia, dizendo que Trieste deveria ser adicionada à reivindicação como importante a fim de conquistar a opinião pública italiana em favor da entrada na guerra.

Guglielmo Imperiali, o embaixador italiano no Reino Unido, apresentou a Grey as condições para a entrada da Itália no conflito, mas este não considerou que as conversas poderiam produzir resultados práticos. Grey disse a Imperiali que o Reino Unido não consideraria mais a questão até a Itália se comprometer a se juntar a Entente. Sir Rennell Rodd, o embaixador britânico na Itália, foi instruído por Grey a perguntar ao presidente do conselho de ministros italiano Antonio Salandra se a Itália poderia entrar na guerra. Salandra informou Rodd que isso era impossível naquele momento e qualquer tentativa prematura de abandonar a neutralidade prejudicaria quaisquer possíveis alianças futuras. Sazonov foi informado disso e assim a Rússia abandonou a questão.

As motivos das sondagens da Entente e a consideração italiana foram totalmente oportunistas. A Entente enxergava a Alemanha como o principal inimigo e queria forçá-la a desviar suas forças para longe dos campos de batalha já existentes. A Itália tinha interesses diferentes, enxergando a possibilidade de cumprir objetivos irredentistas na Áustria-Hungria, conquistar uma posição dominante no Adriático e expandir seu império colonial. A maior parte do público italiano inicialmente era a favor da neutralidade, mas grupos a favor de uma guerra expansionista contra a Áustria-Hungria se formaram em todas as partes do espectro político. Os apoiadores mais fervorosos de uma guerra foram grupos irredentistas liderados por Giovanni Giuriati e Alfredo Rocco, que enxergavam a guerra como uma oportunidade de disputa étnica contra as populações eslavas do sul vizinhas.

Dalmácia e Valona Salandra e Antonino Paternò Castello, seu Ministro de Assuntos Externos, não romperam completamente as conversas. Eles esperaram pelos meses seguintes por um momento oportuno para aumentarem suas exigências até o máximo. Houve uma tentativa de recomeçar as negociações em Londres em 16 de setembro, quando Castello disse a Rodd que italianos e britânicos compartilhavam o interesse de impedir o avanço dos domínios eslavos sob influência russa para o oeste, especialmente impedir influência eslava no Adriático, onde os irredentistas italianos reivindicavam a Dalmácia. Castello instruiu Imperiali para dizer aos britânicos que a Itália não decidiria abandonar sua neutralidade antes da Entente aceitar suas condições, porém Grey insistiu que a Itália se comprometesse em seu juntar à Entente primeiro e assim as conversas ruíram novamente.

Oposição às reivindicações italianas sobre a Dalmácia veio em especial de sir Arthur Nicolson, o Subsecretário de Estado Permanente para Questões Externas britânico, que comentou que Sazonov estava certo de que a Dalmácia queria se juntar à Croácia-Eslavônia. Nicolson também afirmou que se a Dalmácia fosse anexada pela Itália, esta estaria herdando um problema da Áustria-Hungria, que tinha uma grande população de eslavos do sul querendo maior independência. Mesmo assim, Castello conseguiu dos britânicos apoio para uma ocupação de Valona, na Albânia. Isto foi feito em preparação para uma intervenção italiana e concebido para dar algum prestígio ao governo italiano. Castello, prevendo uma oposição de Sazonov, pediu que Grey convencesse os russos a permitirem isso sem concessões como um mau necessário para atrair a Itália à Entente.

Sonnino substitui Castello thumb|150px|Sidney Sonnino Houve no final de outubro uma tentativa de fazer a Itália intervir contra um esperado ataque otomano no Canal de Suez. Sazonov avisou Grey a não oferecer a Dalmácia em troca, com o segundo respondendo que nenhuma oferta foi feita porque o canal aberto era do interesse italiano.

A questão de uma aliança para a Itália foi assumida por Sidney Sonnino, que sucedeu Castello em novembro como o novo Ministro de Assuntos Externos. Sonnino propôs a Rodd um acordo não vinculante que poderia ser transformado em um vinculante em um momento oportuno. Apesar de propostas similares terem sido recusadas anteriormente, Rodd foi informado por seus contatos no governo italiano que as Forças Armadas da Itália estavam se preparando para intervir em fevereiro de 1915, fazendo Rodd pressionar Grey a considerar a proposta. Entretanto, Grey recusou a ideia por considerá-la uma barganha hipotética, estando nesse momento aparentemente indiferente sobre uma aliança com a Itália.

Salandra e Sonnino em seguida foram então negociar com as Potências Centrais em uma aparente tentativa de manter esses países contidos até que mais negociações com a Entente pudessem ser realizadas. Essas conversas ruíram definitivamente em 15 de fevereiro de 1915. No dia seguinte, Sonnino enviou a Imperiali uma lista contendo dezesseis condições específicas para que a Itália entrasse na guerra.

Aliança búlgara Ao mesmo tempo, a Entente também tentando uma aliança com a Bulgária, ou pelo menos garantir sua neutralidade amigável. A situação levou a um conflito de reivindicações territoriais com a Itália e Sérvia. Entregar a Dalmácia para a Itália praticamente bloquearia a saída para o Adriático prometida à Sérvia, que seria uma compensação por a Sérvia ceder boa parte da Macedônia do Vardar para a Bulgária como pedido pela Entente para atiçar o interesse dos búlgaros. Sazonov queria fortalecer sua oferta para os sérvios e indiretamente para os búlgaros ao garantir a saída para o mar para a Sérvia, mas isto foi barrado por Grey, que considerava mais importante uma aliança com a Itália.

Após o início da Campanha de Galípoli contra o Império Otomano em meados de fevereiro, os britânicos ficaram convencidos que a Bulgária entraria na guerra pela Entente em semanas. Mesmo assim, a Rússia estava preocupada que forças búlgaras e gregas pudessem ocupar Constantinopla e tirar os russos da região, mesmo que o seu controle da cidade tenha sido prometido pela Entente. Sonnino enxergou a entrada de Bulgária e Grécia como algo que provavelmente garantiria a vitória da Entente nos Bálcãs. Imperiali informou Grey em 4 de março que a Itália entraria na guerra e lhe apresentou as dezesseis condições, insistindo em conter o avanço eslavo para o oeste.

Constantinopla thumb|esquerda|150px|Sergei Sazonov Grey comentou que as reivindicações italianas eram excessivas, mas também que elas não entravam em conflito com os interesses britânicos. Ele achou que as recentes objeções russas sobre um ataque grego contra Constantinopla poderiam ser superadas pela adição de tropas italianas, além de que a entrada da Itália na guerra iria acelerar uma decisão de Bulgária e Romênia, que ainda não tinham se comprometido.

Sazonov era contra qualquer participação italiana em Constantinopla, enxergando isto como uma ameaça ao controle russo da cidade prometido em troca das perdas do país na guerra. Isto fez Grey conseguir do Comitê de Defesa Imperial e da França um reconhecimento formal da reivindicação russa sobre a cidade, o que por sua vez fez Sazonov aceitar com um acordo com a Itália, porém ele não aceitaria os italianos pegarem o litoral do Adriático ao sul da cidade de Espalato e que tropas italianas não participassem da captura dos estreitos turcos.