A Embaixada do Brasil em Buenos Aires é a principal missão diplomática brasileira na Argentina.

Está localizada no início da Avenida Alvear e em frente à Praça Carlos Pelegrini. O edifício-sede é de grande importância histórica, sendo um dos palácios da burguesia portenha de início do século XX. Originalmente residência particular, foi adquirida em 1945 pelo governo brasileiro para sua sede diplomática.

Palácio Pereda A residência do embaixador ocupa o Palácio Pereda, um dos principais exemplos de arquitetura afrancesada na capital argentina.O Palácio Pereda no sítio oficial da embaixada O edifício foi construído como residência do rico proprietário de terras Celidonio Pereda, que encomendou o desenho ao arquiteto francês Louis Martin, formado na Escola de Belas Artes de Paris. Como modelo, Pereda solicitou ao arquiteto que usasse o Museu Jacquemart-André de Paris, um importante edifício dos séculos XVIII e XIX. Tanto a fachada principal como a decoração interior e outros detalhes foram claramente inspirados no palácio parisiense. As obras começaram em 1919; em 1920, desentendimentos com o arquiteto original fizeram que Pereda contratasse o arquiteto belga Julio Dormal para continuar os trabalhos.

No interior, destacam-se as pinturas murais do andar superior, realizadas pelo catalão José María Sert (1876-1945), pintor consagrado na Europa da época. Pereda conheceu a obra de Sert em Paris, e encomendou-lhe uma série de pinturas, que o artista realizou baseando-se em maquetes dos salões da mansão. As grandes telas chegaram a Buenos Aires em 1932, quando foram aderidas às paredes e tetos do Palácio. Abrangendo temas mitológicos e hispânicos, as pinturas do Palácio Pereda são consideradas das melhores realizadas por Sert para particulares.

Em maio de 1935, Getúlio Vargas visitou oficialmente a Argentina, naquela que seria a única viagem ao exterior em seu primeiro e longo período de governo (1930-45). A comitiva brasileira incluía a esposa e um filho do Chefe de Estado, o Ministro das Relações Exteriores, José Carlos de Macedo Soares e o Ministro da Marinha, Almirante Protógenes Guimarães. Chegou a Buenos Aires no encouraçado "São Paulo", escoltado pelos cruzadores "Bahia" e "Rio Grande do Sul", uma esquadrilha de oito hidroaviões e outra de doze aeronaves do Exército. No navio-transporte "Siqueira Campos" haviam embarcado uma companhia de aspirantes da Escola Naval e outra de cadetes da Academia Militar que participariam do desfile de 25 de maio, data nacional argentina. Para acolher a família presidencial de forma condigna o Presidente Agustín P. Justo pediu a Pereda que a hospedasse em sua mansão. Ali Vargas não apenas entabulou com seu homólogo platino conversações de relevo para as relações bilaterais como formalizou seu apoio aos esforços argentinos de mediação no conflito que então dividia Bolívia e Paraguai (Guerra do Chaco). Assinou-se, na ocasião, um Tratado de Comércio e Navegação que dirimia pendências entre os dois países com respeito ao comércio de erva-mate e às importações brasileiras de trigo argentino, entre outras medidas de estímulo ao intercâmbio comercial.

Em 1945, havendo falecido o proprietário, os herdeiros puseram á venda o prédio, que foi adquirido pelo Governo brasileiro. No Palácio Pereda funcionou também a Chancelaria da Embaixada até 1991, quando se inaugurou o edifício próprio construído na Calle Cerrito 1350.

Embaixadores do Brasil na Argentina 350px|miniaturadaimagem|Palacio Pereda visto da Praça Carlos Pellegrini (Residência do Embaixador do Brasil em Buenos Aires) Joaquim Tomás do Amaral Antônio José Duarte de Araújo Gondim - 1870-1876 José Pereira da Costa Motta - 1912 Luís Martins de Souza Dantas - 1912 Manuel Ferraz de Campos Sales - 1912 Luís Martins de Souza Dantas - 1914-1916 Eduardo Lima Ramos - 1916-1917 Alcebíades Peçanha - 1917-1918 Ciro de Freitas Vale - 1918 Carlos Rostaing Lisboa - 1919 Sylvio Rangel de Castro - 1919 Pedro Manuel de Toledo - 1919-1926 Gastão Paranhos do Rio Branco - 1926 José de Paula Rodrigues Alves - 1926-1930 Rubens Duham - 1930-1931 Joaquim Francisco de Assis Brasil - 1931-1933 Protássio Baptiste Gonçalves - 1933 José Bonifácio de Andrada e Silva - 1933-1937 Joaquim Francisco de Assis Brasil - 1934-1937 João Alberto Lins de Barro - 1937-1938 Luiz Guimarães Filho - 1938 José de Paula Rodrigues Alves - 1938-1944 Paulo Demôro - 1944 Décio Martina Coimbra - 1945 João Batista Luzardo - 1945-1947 Oswaldo Frust - 1947 Ciro de Freitas Vale - 1947-1948 João Emílio Ribeiro - 1948-1949 Milton de Freitas Almeida - 1949-1950 Glauco Ferreira de Souza - 1950-1951 João Batista Luzardo - 1951 Jayme de Barros Gomes - 1953 Orlando Leite Ribeiro - 1953 Mário Gibson Barbosa - 1956 João Carlos Muniz - 1956 Mário Gibson Barbosa - 1958 Mário Tancredo Borges da Fonseca - 1958 Aguinaldo Boulitreau - 1963 Décio Honorato de Moura - 1967 Carlos dos Santos Veras - 1967 Manoel Pio Corrêa Júnior - 1967-1969 Lyle Amaury Tarisse da Fontoura - 1969 Antônio Francisco Azeredo da Silveira - 1969-1973 João Baptista Pinheiro - 1975 Marcos Henrique Camillo Côrtes - 1975 Cláudio Garcia de Souza - 1976-1977 João Hermes Pereira de Araújo - 1984-1987 Marcos Azambuja - 1992-1997 Sebastião do Rego Barros Netto - 1999-2001 José Botafogo Gonçalves - 2001 Mauro Vieira - 2004-2010 Enio Cordeiro - 2010-2013 Everton Vieira Vargas - 2013-2016 Sérgio França Danese - 2016-2020 Reinaldo José de Almeida Salgado - 2020-2023 Julio Glinternick Bitelli - 2023-atual

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