Friedrich Waismann ( 21 de março de 1896 — 4 de novembro de 1959) foi um matemático, físico e filósofo austríaco. É mais conhecido por ter sido membro do Círculo de Viena e um dos principais teóricos do positivismo lógico.
Biografia
Nascido em uma família judaica em Viena, na Áustria-Hungria, Waismann foi educado em matemática e física na Universidade de Viena. Em 1922, começou a estudar filosofia sob a tutela de Moritz Schlick, o fundador do Círculo de Viena. Obteve uma posição temporária em Cambridge no outono de 1937; o anexação da Áustria pela Alemanha Nazista em 1938 o tornou um refugiado.
Foi professor-leitor em filosofia da ciência na Universidade de Cambridge de 1937 a 1939, e professor de filosofia da matemática na Universidade de Oxford de 1939 até sua morte. Faleceu em Oxford.
Relação com Wittgenstein
Após extensa correspondência, Schlick encontrou-se pela primeira vez com Ludwig Wittgenstein em 1927. Os dois se reuniram várias vezes antes que Wittgenstein concordasse em ser apresentado a alguns membros do círculo de Schlick. De 1927 a 1928, Wittgenstein se encontrou com um círculo que incluía Schlick, quase sempre Waismann, às vezes Carnap, e às vezes Feigl e sua futura esposa Maria Kesper. É duvidoso, porém, que Wittgenstein tenha comparecido a alguma reunião oficial do Círculo de Viena. A partir de 1929, o contato de Wittgenstein com o Círculo ficou restrito a encontros somente com Schlick e Waismann.
Esses encontros posteriores (de dezembro de 1929 até março de 1932) foram registrados por Waismann e publicados em tradução para o inglês em Ludwig Wittgenstein and the Vienna Circle (1979). Quando essas conversas tiveram início, Schlick havia encarregado Waismann de escrever uma exposição da filosofia de Wittgenstein. Esse projeto passou por transformações radicais, mas o texto final — inspirado por Wittgenstein, porém essencialmente obra do próprio Waismann — foi publicado postumamente em inglês como The Principles of Linguistic Philosophy em 1965. Outros materiais e notas do período foram publicados em inglês sob a organização de Gordon Baker em 2003.
Waismann posteriormente acusou Wittgenstein de obscurantismo, em razão do que considerava ser uma traição ao projeto do positivismo lógico e da explicação de base empírica.Shanker, S., & Shanker, V. A. (1986), Ludwig Wittgenstein: critical assessments. London: Croom Helm, p. 50-51.
Filosofia
Filosofia linguística e positivismo lógico
Em Introduction to Mathematical Thinking: The Formation of Concepts in Modern Mathematics (1936), Waismann argumentou que as verdades matemáticas são verdadeiras por convenção, e não necessariamente (ou verificavelmente) verdadeiras. Seus artigos reunidos foram publicados postumamente em How I See Philosophy (1968, org. R. Harré) e em Philosophical Papers (1976, org. B. F. McGuinness).
Porosidade e verificabilidade
Waismann introduziu o conceito de textura aberta para descrever a possibilidade universal de vagueza nas afirmações empíricas. Ele cunhou a expressão die Porosität der Begriffe ("a porosidade dos conceitos") para esse fim, e credita a William Kneale a sugestão do termo em inglês, que ele então adotou.
O conceito provavelmente se baseia, segundo Brian Bix, "em uma visão construtivista da linguagem que Wittgenstein apresentou no início da década de 1930". Segundo Waismann, mesmo após a adoção de medidas para garantir a precisão de uma afirmação, permanece uma fonte inesgotável de vagueza, decorrente de um número indefinido de possibilidades. A noção de vagueza em Waismann difere ligeiramente de seu conceito de textura aberta — ele explicou que a textura aberta se assemelha mais à possibilidade de vagueza; a vagueza também pode ser corrigida de modo a tornar-se mais precisa, ao passo que a textura aberta não.
A textura aberta foi encontrada na filosofia do direito por meio dos escritos de H. L. A. Hart (ver "Formalism and Rule Scepticism", em The Concept of Law). Segundo Hart, a vagueza constitui uma característica fundamental das linguagens jurídicas. Sustenta-se, contudo, que a conceituação de Waismann tem aplicação prática limitada, uma vez que se volta mais para o extraordinário, enquanto a visão de Hart sobre a textura aberta se ocupa do mais corriqueiro, abordando o termo no contexto de uma norma específica.
Publicações selecionadas
Artigos
"Die Natur des Reduzibilitätsaxioms", Monatshefte für Mathematik und Physik 35, 1928, pp. 143–146. translated as "The Nature of the Axiom of Reducibility" in Philosophical Papers (1976) "Logische Analyse des Wahrscheinlichkeitsbegriffs", Erkenntnis, Vol. 1 (1930/1931), pp. 228-248. translated as "A Logical Analysis of the Concept of Probability" in Philosophical Papers (1976) "Über den Begriff der Identität Erkenntnis, Vol. 6 (1936), pp. 56-64. translated as" The Concept of Identity" in Philosophical Papers (1976) "De beteekenis van Moritz Schlick voor de wijsbegeerte", Synthese, Vol. 1, No. 12 (1936), pp. 361-370. translated as "Moritz Schlick's Significance for Philosophy" in Philosophical Papers (1976) "Was ist logische Analyse?", The Journal of Unified Science (Erkenntnis), Vol. 8, No. 5/6 (Apr. 1, 1940), pp. 265-289. translated as "What is Logical Analysis?" in Philosophical Papers (1976) "Verifiability", Proceedings of the Aristotelian Society, Supplementary Volumes Vol. 19, (1945), pp. 119–150 "The Many-Level-Structure of Language" Synthese, Vol. 5, No. 5/6 (Sep.-Oct., 1946), pp. 221-229. "Logische und Psychologische Aspekte in der Sprachbetrachtung", Synthese, Vol. 6, No. 9/12 (1947/1948), pp. 460-475. "Analytic-Synthetic", Analysis, Vol. 10, No. 2 (Dec., 1949), pp. 25-40. "Analytic-Synthetic II", Analysis, Vol. 11, No. 2 (Dec., 1950), pp. 25-38. “How I See Philosophy” in H. D. Lewis (ed.) Contemporary British Philosophy: Personal Statements. (1956) "II: Notes on Talks with Wittgenstein", The Philosophical Review, Vol. 74, No. 1 (Jan., 1965), pp. 12-16.
Ligações externas Encyclopedia Encydia LUDWIG WITTGENSTEIN & FRIEDRICH WAISMANN, The Voices of Wittgenstein: The Vienna Circle. G. Baker (ed.). Foreward by B. McGuinness. Translation from the German by G. Baker, M. Mackert, J. Connolly & V. Politis. London & New York: Routledge, 2003.
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