Elis é o décimo primeiro álbum de estúdio da cantora brasileira Elis Regina, lançado em 1973 pela gravadora Phonogram. É o segundo disco com os arranjos de César Camargo Mariano.

Histórico Elis foi um álbum bastante representativo na carreira de Elis Regina. À época do lançamento, a intérprete recebeu inúmeras críticas devido ao excesso de técnica e à falta de emoção em suas interpretações, críticas essas que a acompanhariam até o lançamento de Falso Brilhante, em 1976.

O disco conta com dez faixas, sendo quatro compostas por Gilberto Gil e quatro por João Bosco & Aldir Blanc. São desse álbum as músicas Ladeira da Preguiça e Meio de Campo, sucessos de Elis. Estão presentes críticas sutis ao regime militar brasileiro nas faixas Agnus Sei (corruptela de Agnus Dei) e Comadre. Destaque para a interpretação de É Com Esse Que Eu Vou, originalmente um samba-enredo de carnaval.

Folhas Secas Em 1973, a cantora Beth Carvalho desejava mudar seu repertório até então ligado à bossa nova e à canção de protesto para algo mais próximo do samba. Então, ela decidiu procurar o sambista Nelson Cavaquinho, do qual era uma grande admiradora, e conseguiu do compositor a canção "Folhas Secas". A música seria lançada no LP Canto por um Novo Dia que seria produzido por César Camargo Mariano, marido de Elis Regina. Contudo, Elis tem contato com a canção de Nelson na voz de Beth e, se encantando pela faixa, resolve gravá-la para o seu disco homônimo de 1973. Beth, ao saber da notícia, exige que a sua gravadora, a Top Tape, lance um compacto com a canção urgentemente. O compacto chega às rádios antes da versão de Elis, contudo a gravadora desta última, a Philips, maior em estrutura e poder, manda emissários às rádios para amassar todos os discos da versão da canção na voz de Beth. Décadas mais tarde, em 2001, a cantora carioca retoma essa problemática em uma matéria para o caderno Ilustrada, do jornal Folha de S.Paulo. Àquela altura, a cantora divulgava o seu novo álbum inteiramente dedicado ao canônico sambista Nelson Cavaquinho. Sobre a relação com Elis após o acontecido, ela declarou: "Nunca tive nenhum sentimento por ela, achava uma grande cantora. Ficou com vergonha de mim porque nunca mais falei com ela".

Versão remixada e remasterizada Em março de 2026, o álbum foi relançado em versões remixada e remasterizada, supervisionadas por João Marcello Bôscoli e conduzidas pelo engenheiro de som Ricardo Camera. O processo de remixagem levou cerca de dois anos devido às limitações técnicas das gravações originais, registradas em apenas oito canais, que causava vazamentos e ruídos entre os instrumentos, como distorções no contrabaixo de Luizão e na voz de Elis Regina. O projeto gerou controvérsia após críticas públicas de Cesar Camargo Mariano, pianista, arranjador e diretor musical do disco original, que afirmou que a nova mixagem teria desconsiderado os planos artísticos concebidos por ele e por Elis Regina durante a produção do álbum. Bôscoli defendeu a remixagem do álbum, afirmando que o projeto teve como objetivo atualizar tecnicamente as gravações originais realizadas em sistema analógico nos anos 1970, e que a remixagem foi aprovada em consenso pelos herdeiros de Elis Regina, rejeitando interpretações de exploração comercial do catálogo da artista. Pedro Mariano defendeu publicamente o relançamento nas redes sociais, afirmando que o processo ocorreu com "respeito, critério e carinho" e comparando o trabalho ao processo de restauração e remixagem realizado anteriormente no álbum Elis & Tom. Por fim, ele disse: "Aos que não gostaram, segue o original nas plataformas, para seguirem curtindo, como sempre!".

Recepção crítica

Alvaro Neder, do site AllMusic, falou que Elis apresenta de forma destacada composições de João Bosco, Aldir Blanc e Gilberto Gil, elogiando os arranjos e execuções de caráter "fusion" de César Camargo Mariano e também destacando as mudanças de dinâmica entre influências de samba, bossa nova e tango.

Lista de faixas Créditos adaptados do LP Elis, de 1973.

Ficha técnica Créditos adaptados do LP Elis, de 1973.

Direção de produção: Mazzola Coordenação de produção: Roberto Menescal Coordenação musical, arranjos: César Camargo Mariano Técnicos de gravação: Ary Carvalhães, Luigi Estúdios Phonogram Capa: Aldo Luiz Fotos: Jacques Avadis

Músicos Cesar Camargo Mariano : Teclados, piano Chico Batera: Percussão Luizão Maia: Baixo Elétrico Paulinho Braga: Bateria Toninho Horta, Ari: Guitarra Maurílio da Silva Santos: Trompete em Agnus Sei Ubirajara Silva: Bandoneon em Cabaré Roberto Menescal: Violão em Folhas Secas

Certificações e vendas

Categoria:Álbuns de 1973 Categoria:Álbuns de Elis Regina Categoria:Álbuns em língua portuguesa na década de 1970