thumb|300px||Iluminura de manuscrito bizantino do Romance de Alexandre, século XIV O Romance de Alexandre é uma coleção de lendas sobre as façanhas míticas de Alexandre, o Grande. Sua primeira versão conhecida foi escrita em grego no século III, mas a verdadeira data de composição pode ser até mesmo pouco depois da morte de Alexandre, seis séculos antes. Vários manuscritos do século XV atribuem a obra ao historiador Calístenes, membro da corte de Alexandre, mas sabe-se que Calístenes foi executado anos antes da morte do rei e, sendo assim, não poderia ter escrito um relato completo de sua vida e morte. Por isso, às vezes o autor da obra é denominado pseudo-Calístenes.
O texto conheceu um grande número de versões que vão do século IV, quando aparece a primeira versão em latim, ao século XVI, escrito tanto em grego e latim quanto em armênio, siríaco e na maioria das línguas europeias.
As lendas sobre Alexandre Alexandre já havia se tornado uma lenda em sua própria época. Na biografia que escreveu sobre o rei, hoje perdida, Calístenes retratava o mar da Cilícia se curvando perante Alexandre em prosquínese. Onesícrito, outro autor que escreveu após a morte do rei, foi mais longe: inventou uma contenda entre Alexandre e Taléstris, a rainha das míticas amazonas. De acordo com Plutarco, quando Onesícrito leu essa passagem para seu mentor, Lisímaco, que havia sido um dos principais generais de Alexandre e depois se tornou ele próprio um rei, este retrucou, "Imagino onde estaria eu nessa época" (Vida de Alexandre, XLVI).
Por toda a Antiguidade clássica e a Idade Média, o Romance passou por várias expansões e revisões e foi muito popular, exibindo uma versatilidade inédita nas formas literárias mais 'elevadas'. Existem três versões principais conhecidas, que se desenvolveram em diferentes tradições no ocidente medieval e no mundo oriental. A primeira delas tem um tom mais convencional e retórico, já a segunda e principalmente a terceira incorporam tradições lendárias e relatos inventados, como as cartas para Olímpia e de Aristóteles, respectivamente mãe e tutor de Alexandre. A terceira versão é quase totalmente fantasiosa e contém partes vindas da tradição judaico-cristã que se desenvolveu paralelamente em torno da figura do rei.
Michel Zimmermann, em seu livro, Chronologie du Moyen Âge, aponta como seu aparecimento na Idade Média a escala provável entre o ano 1.170 e o ano 1.200.
Versões da obra No Ocidente medieval europeu: uma versão latina do século X é a base das traduções vernaculares na maioria das línguas europeias, incluindo francês (século XII), inglês e escocês antigo (século XIII), italiano, espanhol e alemão antigo. Essa versão também se estendeu para regiões do Leste Europeu, com traduções em eslavo, romeno e húngaro. O modelo da obra foi influência fundamental no desenvolvimento dos 'romances de cavalaria' medievais. No Oriente Médio e na Ásia Central: a versão em siríaco gerou recensões em árabe, persa (o Iskandarnamah), etiópico, hebraico (na primeira parte do Sefer HaAggadah), turco e mongol (século XIII).
Traduções Harf-Lancner, Laurence (1994). Le roman d'Alexandre, Livre de poche. ISBN 2-253-06655-9. Stoneman, Richard (editor and translator) (1991). The Greek Alexander Romance. New York: Penguin. ISBN 0-14-044560-9.
Bibliografia Custódio, P. P. Alexandre Magno na tradição medieval: referências bíblicas e apócrifas. Acta Científica. Ciências Humanas, v. 1, p. 19-26, 2005. Gero, S., "The Legend Of Alexander The Great In The Christian Orient", Bulletin Of The John Rylands University Library Of Manchester, 1993, Volume 75. Gosman, Martin, "La légende d'Alexandre le Grand dans la littérature française du douzième siècle", Rodopi, 1997. ISBN 90-420-0213-1. Stoneman, Richard, Alexander the Great: A Life in Legend, Yale University Press, 2008. ISBN 978-0-300-11203-0 Zimmermann, Michel, "Chronologie du Moyen Âge", Paris: Points, 2007. ISBN 978-2-7578-0221-2
Ligações externas
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