300px|thumb|right|alt=An Inuit family is sitting on a log outside their tent. The parents, wearing warm clothing made of animal skins, are engaged in domestic tasks. Between them sits a toddler, also in skin clothes, staring at the câmera. On the mother's back is a baby in a papoose.|Para bebês e crianças de colo, a "meta" do sistema comportamental de apego é manter ou alcançar proximidade com figuras de apego, geralmente os pais. é a teoria que descreve certos aspectos a curto e longo-termo de relacionamentos entre humanos e entre outros primatas. Seu princípio mais importante declara que um recém-nascido precisa desenvolver um relacionamento com, pelo menos, um cuidador primário para que seu desenvolvimento social e emocional ocorra normalmente. A teoria do apego é um estudo interdisciplinar que abrange os campos das teorias psicológica, evolutiva e etológica. Imediatamente após a Segunda Guerra Mundial, as crianças órfãs e sem lar apresentaram muitas dificuldades, e o psiquiatra e psicanalista John Bowlby foi convidado pela Organização das Nações Unidas (ONU) a escrever um panfleto sobre o assunto. Posteriormente, ele formulou a teoria do apego ou teoria da vinculação.

Os bebês apegam-se a adultos que são sensíveis e receptivos às relações sociais com eles, e que permanecem como cuidadores compatíveis por alguns meses durante o período de cerca de seis meses a dois anos de idade. Quando um bebê começa a engatinhar e a andar, ele começa a usar as figuras de apego (pessoas conhecidas) como uma base segura para explorar mais e voltar de novo a eles. A reação dos pais leva ao desenvolvimento de padrões de apego; estes, por sua vez, levam aos modelos internos de funcionamento, que irão guiar as percepções individuais, emoções, pensamentos e expectativas em relacionamentos posteriores. A ansiedade pela separação ou dor após a perda de uma figura de apego é considerada uma reação normal e adaptável para um recém-nascido apegado. Estes comportamentos podem ter evoluído porque aumentam a probabilidade de sobrevivência da criança.Prior and Glaser p. 17.

O comportamento infantil associado ao apego é principalmente a busca por proximidade a uma figura de apego. Para formular uma teoria abrangente sobre a natureza das ligações afetivas prematuras, Bowlby explorou uma variedade de campos, incluindo biologia evolutiva, teoria da relação de objetos (um ramo da psicanálise), teoria de sistemas de controle, e campos da etologia e da psicologia cognitiva. Após documentos preliminares a partir de 1958, Bowlby publicou um estudo completo em três volumes Apego, Separação e Perda (1969–82).

As pesquisas feitas pela psicóloga do desenvolvimento Mary Ainsworth nas décadas de 1960 e 70, reforçaram os conceitos básicos, introduziram o conceito de "base segura" e desenvolveram a teoria de um número de padrões de apego em recém-nascidos: apego seguro, apego inseguro-evitativo e apego inseguro-ambivalente. Posteriormente, foi identificado um quarto padrão, o apego desorganizado.N.J. Salkind: Child Development 2002, page 34

Na década de 1980, a teoria foi estendida para apego em adultos. Outras interações podem ser interpretadas como componentes do comportamento de apego; estes incluem relacionamentos entre pares em qualquer faixa etária, atração romântica e sexual, e reações quanto à necessidade de cuidado de recém-nascidos, doentes ou idosos.

Nos primórdios da teoria, psicólogos acadêmicos criticaram Bowlby, e a comunidade psicanalítica o isolou por seu afastamento dos princípios psicanalíticos; no entanto, a teoria do apego tornou-se, desde então, "a abordagem dominante para a compreensão do desenvolvimento social precoce, e deu origem a um grande surto de pesquisas empíricas sobre a formação de relacionamentos estreitos em crianças". Críticas posteriores à teoria do apego referem-se ao temperamento, à complexidade das relações sociais e às limitações dos padrões discretos para as classificações. A teoria do apego tem sido significativamente modificada como resultado de pesquisas empíricas, mas os conceitos tornaram-se geralmente aceitos. A teoria do apego tem formado a base de novas terapias e esclarecido as já existentes, e seus conceitos têm sido usados na formulação de políticas sociais e de amparo de crianças para dar apoio aos primeiros relacionamentos de vinculação das crianças.

Apego thumb|alt=A young mother smiles up at the câmera. On her back is her baby gazing at the câmera with an expression of lively interest.|right|Embora seja comum que a mãe seja a primeira figura de apego, recém-nascidos irão formar vínculos com qualquer cuidador que seja sensível e receptivo a interações sociais com eles.

Dentro da teoria, apego significa um vínculo afetivo ou ligação entre um indivíduo e uma figura de apego (comumente um cuidador). Estes laços podem ser recíprocos entre dois adultos, mas entre uma criança e um cuidador são baseados nas necessidades de segurança e proteção da criança, fundamentais na infância. A teoria propõe que crianças se apegam instintivamente a quem cuide delas, com a finalidade de sobreviver, incluindo o desenvolvimento físico, social e emocional. A meta biológica é a sobrevivência, e a meta psicológica é a segurança. A teoria do apego não é uma descrição exaustiva dos relacionamentos humanos, nem é sinônimo de amor ou afeto, embora estes possam indicar que os vínculos existem. Em relações criança-adulto, o vínculo da criança é chamado de "apego" e o equivalente recípoco do cuidador é classificado como "vínculação de cuidado".Prior and Glaser p. 15.

Recém-nascidos estabelecem ligações afetivas com qualquer cuidador compatível que seja sensível e receptivo em interações sociais com eles. A qualidade do compromisso social é mais influente que a quantidade de tempo despendido. A mãe biológica é, normalmente, a principal figura de apego, mas o papel pode ser tomado por qualquer um que se comporte compativelmente de uma maneira "maternal" durante um período. Na teoria do apego, isto significa um conjunto de comportamentos que envolve uma ativa interação social com o recém-nascido e reações imediatas a sinais e abordagens.Bowlby (1969) p. 365. Nada na teoria sugere que o pai, ou outras pessoas, não estão igualmente suscetíveis a tornarem-se as principais figuras de apego, basta que eles provejam a maior parte do cuidado e da interação social à criança em questão.Holmes p. 69. Alguns recém-nascidos direcionam o comportamento de apego (busca por proximidade) para mais de uma figura tão logo eles comecem a fazer discriminação entre os cuidadores; a maioria vindo a fazê-lo durante seu segundo ano. Estas figuras são organizadas hierarquicamente, com a principal figura de apego no topo.Bowlby (1969) 2nd ed. pp. 304–05.

O conjunto de metas do sistema comportamental de apego é manter um vínculo com uma figura de apego acessível e disponível. "Alarme" é o termo usado para ativação do sistema comportamental de apego causado por medo ou perigo. "Ansiedade" é a antecipação ou o medo de ser descartado pela figura de apego. Se a figura não está disponível ou não responde, ocorre a angústia da separação.Prior and Glaser p. 16. Em recém-nascidos, a separação física pode causar ansiedade e raiva, seguidas de tristeza e desespero. Aos três ou quatro anos de idade, a separação física não é mais uma ameaça aos vínculos da criança com a figura de apego. Ameaças à segurança em crianças mais velhas e em adultos surgem a partir de uma ausência prolongada, interrupção na comunicação, indisponibilidade emocional ou sinais de rejeição ou abandono.

Comportamentos thumb|right|alt=A baby leans at a table staring at a picture book with intense concentration.|Padrões de apego inseguro podem comprometer a exploração e a conquista da autoconfiança. Um bebê com padrões de apego seguro é livre para se concentrar em seu meio ambiente. O sistema comportamental de apego serve para manter ou alcançar maior proximidade com a figura de apego.Prior and Glaser p. 17. Comportamentos pré-apego ocorrem nos primeiros seis meses de vida. Durante a primeira fase (as oito primeiras semanas), recém-nascidos sorriem, balbuciam e choram para atrair a atenção dos cuidadores. Embora recém-nascidos desta idade aprendam a diferenciar os cuidadores, estes comportamentos são direcionados a qualquer um que esteja próximo. Durante a segunda fase (de dois a seis meses), o bebê aumenta sua habilidade de discriminação entre adultos conhecidos e desconhecidos, tornando-se mais receptivo para com o cuidador; seguir e segurar-se são adicionados à gama de comportamentos. Apego claro e certo desenvolve-se na terceira fase, entre seis meses e dois anos. O comportamento do bebê em relação ao cuidador torna-se organizado em uma base de comportamento intencional para alcançar as condições que o façam se sentir seguro.Prior and Glaser p. 19. Ao final do primeiro ano, o bebê é capaz de demonstrar uma série de comportamentos de apego destinados a manter proximidade. Estes manifestam-se como protesto contra a partida do cuidador, saudação pelo seu retorno, agarrar-se a ele quando assustado e acompanhá-lo quando é capaz.Karen pp. 90–92. Com o desenvolvimento da locomoção, o bebê começa a usar o cuidador ou os cuidadores como uma base segura para explorar. A exploração do bebê é maior quando o cuidador está presente, porque seu sistema de apego está relaxado e livre para explorar. Se o cuidador está inacessível ou insensível, o comportamento de apego é exibido mais fortemente.

Ansiedade, medo, doença e fadiga causarão a uma criança o aumento dos comportamentos de apego.Karen p. 97. Após o segundo ano, quando a criança começa a enxergar o cuidador como uma pessoa independente, é formada uma parceria corrigida por objetivos mais complexa.Prior and Glaser pp. 19–20. Crianças começam a perceber objetivos e sentimentos de outros e planejam suas ações em conformidade. Por exemplo, enquanto recém-nascidos choram por causa da dor, bebês de dois anos de idade choram para chamar seus cuidadores, e se isso não funcionar, choram mais alto, calam-se ou vão atrás do cuidador.

Princípios Os comportamentos de apego e emoções humanas são adaptáveis. A evolução humana tem como consequência a seleção de comportamentos sociais que tornam a sobrevivência do indivíduo ou do grupo mais provável. O comportamento de apego mais comumente observado em crianças de colo que ficam perto de pessoas conhecidas teria tido vantagens seguras no ambiente de adaptação primitiva, e tem essas vantagens atualmente. Bowlby considerou o ambiente de adaptação primitiva semelhante ao das atuais sociedades caçadoras-coletoras.Bowlby (1969) p. 300. Existe uma vantagem de sobrevivência na capacidade de perceber condições possivelmente perigosas, como desconhecimento, solidão ou aproximação rápida. De acordo com Bowlby, a busca por proximidade à figura de apego em face de ameaça é a meta do sistema comportamental do apego.