Veronica cupressoides, inicialmente descrita como Hebe cupressoides, é uma espécie de arbusto endémico da Ilha do Sul, na Nova Zelândia, pertencente ao género Veronica, da família Plantaginaceae. É conhecida em inglês como cypress hebe, whipcord hebe ou fragrant hebe, devido ao seu porte semelhante ao de um pequeno cipreste, aos ramos finos e densos, e à folhagem aromática.
A espécie ocorre em zonas montanhosas da parte oriental da Ilha do Sul, de Marlborough a Otago, tendo sofrido forte declínio histórico na natureza. Na classificação neozelandesa de conservação de plantas vasculares de 2023, é considerada ameaçada, na categoria Threatened – Nationally Endangered. O Departamento de Conservação neozelandês publicou um plano de recuperação específico para a espécie, em vigor para o período 2000–2010.
Taxonomia
A espécie foi descrita originalmente por Joseph Dalton Hooker em 1864, sob o nome Veronica cupressoides, no Handbook of the New Zealand Flora, na página 212. Mais tarde, Leonard Cockayne e Harry Allan transferiram-na para o género Hebe, publicando a combinação Hebe cupressoides em 1926, nos Transactions and Proceedings of the New Zealand Institute.
A Flora of New Zealand e a Biota of New Zealand tratam actualmente a espécie como Veronica cupressoides Hook.f., mantendo Hebe cupressoides como sinónimo taxonómico. A espécie também foi combinada no género Leonohebe, como Leonohebe cupressoides (Hook.f.) Heads, nome usado em algumas publicações e páginas de conservação.
O epíteto específico cupressoides refere-se à semelhança da planta com um cipreste, característica reflectida também no nome comum inglês cypress hebe. Essa aparência resulta do porte arredondado e densamente ramificado, com folhas adultas muito pequenas, escamiformes e aderentes aos ramos.
Tipo e descrição original esquerda|miniaturadaimagem|258x258px|V. cupressoides em floração, no Real Jardín Botánico de Madrid. A Flora of New Zealand Series indica como localidades originais de Veronica cupressoides o Alto Wairau, a cerca de 1220 metros de altitude, e Tarndale, recolhidas por Sinclair; o vale de Wai-au-na, a cerca de 1065 metros, recolhido por Travers; o vale do Ashburton, entre 2000 e 5000 pés, recolhido por Haast; e Otago, nas planícies fluviais da região dos lagos e em Lindis Pass, recolhidas por Hector e Buchanan. O tipo é conservado no herbário de Kew, com material de Hector e Buchanan, n.º 7.
Na descrição da Flora of New Zealand Series, Hebe cupressoides é apresentada como um arbusto finamente e densamente ramificado, formando uma moita simétrica e arredondada, geralmente com 1 a 1,5 metros de altura, podendo atingir cerca de 2 metros, e 1,5 a 2 metros de diâmetro. As folhas são muito pequenas, triangulares, carnosas e aderentes aos ramos quando frescas; as inflorescências apresentam cerca de seis a oito flores, e as cápsulas são estreitamente oblongas, com cerca de 2 × 1 mm.
Descrição
Veronica cupressoides é um arbusto aromático, denso e arredondado, com ramos erectos, finos e semelhantes a chicotes. A New Zealand Plant Conservation Network descreve-o como um arbusto raro, com ramos verdes a verde-acinzentados ou glaucos, folhas escamiformes de 1 a 2 mm, triangulares e dispostas ao longo dos ramos, flores reunidas nas extremidades e frutos em cápsula seca arredondada.
Segundo a Flora of New Zealand, a espécie distingue-se pela combinação de porte whipcord, folhas escamiformes muito pequenas e aderentes, entrenós longos, nós conspícuos, cálice com lóbulos parcialmente fundidos, corola branca, rosada, azul-pálida ou arroxeada, cápsulas angustisseptadas e folhagem aromática. A floração ocorre entre Dezembro e Fevereiro, e a frutificação entre Fevereiro e Maio, podendo os frutos persistir durante todo o ano.
O Departamento de Conservação neozelandês descreve-a como um arbusto verde-acinzentado, de forma arredondada, com 1 a 2 metros de altura, folhas pequenas e escamiformes e flores em grupos de seis a oito, variando de branco a azul-arroxeado pálido.
Distribuição e habitat
A espécie é endémica da Ilha do Sul da Nova Zelândia. A distribuição registada pela Flora of New Zealand abrange o sudoeste de Marlborough, as encostas orientais de Canterbury e o oeste de Otago, até Wye Creek. A Flora of New Zealand Series resume a distribuição como ocorrendo a leste da divisória principal da Ilha do Sul, de Marlborough aos lagos de Otago, sendo actualmente rara e localizada, sobretudo em planícies fluviais e terraços até cerca de 1500 metros de altitude.
O habitat inclui matos serranos, afloramentos rochosos, morenas e zonas de deslizamento ou instabilidade, frequentemente junto a lagos e cursos de água, com registos de altitude entre 300 e 1372 metros. O Departamento de Conservação refere que a espécie ocorre em locais recentemente perturbados por cheias e deslizamentos, bem como em afloramentos rochosos e morenas pedregosas, mas não é registada sob floresta fechada e tem mau desempenho em pastagens abertas.
Conservação
Veronica cupressoides é considerada uma espécie ameaçada na Nova Zelândia. A New Zealand Plant Conservation Network indica para 2023 o estatuto Threatened – Nationally Endangered, com os qualificadores CR, PF e RF. O Departamento de Conservação refere que a espécie sofreu declínio acentuado, especialmente no norte da sua área de distribuição, e que as maiores concentrações remanescentes se encontram na bacia de Mackenzie e no vale do rio Shotover.
Num estudo publicado em 1997 na revista Biological Conservation, D. Widyatmoko e D. A. Norton descreveram Hebe cupressoides como um arbusto endémico das montanhas orientais da Ilha do Sul, associado a comunidades arbustivas em superfícies recentes, como terraços aluviais e deslizamentos coluviais. O estudo concluiu que a área de ocorrência da espécie na natureza diminuíra fortemente durante o século XX, estando então presente em apenas 15 dos 33 locais de onde havia registos; as populações remanescentes eram geralmente pequenas e compostas sobretudo por indivíduos adultos, com plântulas observadas em apenas três locais.
Os autores observaram que a germinação de sementes frescas era elevada, entre 89% e 95%, mas diminuía significativamente em sementes com dois meses, e que a germinação era muito superior em plena luz do que em sombra. O estudo propôs que, embora o pastoreio pudesse contribuir para o declínio, a quase ausência de regeneração natural estaria sobretudo ligada à dificuldade de germinação e estabelecimento de plântulas sob a sombra densa criada por gramíneas introduzidas.
O Departamento de Conservação identifica como factores de ameaça a perda de habitat, associada à agricultura e a fogos de origem humana, a competição com plantas introduzidas, que limita a germinação, e o consumo de plantas jovens por gado, coelhos e lebres. O plano de recuperação da espécie, publicado pelo Departamento de Conservação, estabeleceu como objectivo de longo prazo restaurar populações viáveis de V. cupressoides na natureza ao longo da sua área natural de distribuição.
Usos e cultivo
Apesar de ameaçada na natureza, a espécie é cultivada como planta ornamental. A base GRIN-Global, do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, regista para Hebe cupressoides usos económicos ambientais como ornamental, com referência ao Hortus Third e ao Royal Horticultural Society Dictionary of Gardening. Em horticultura, a é apreciada pelo porte compacto, arredondado e semelhante a uma pequena conífera, pela folhagem fina e aromática, e pela floração discreta. Existem também formas ou cultivares cultivados, como Hebe cupressoides 'Boughton Dome' e Hebe cupressoides 'Mount Cook', comercializados para jardins de rocha, bordaduras, plantações nativas e cultivo em recipientes.
Estudos científicos
Além dos tratamentos florísticos e taxonómicos, Hebe cupressoides tem sido objecto de investigação em conservação, ecologia e sistemática. O estudo de Widyatmoko e Norton, publicado em Biological Conservation, analisou a distribuição histórica e actual, estrutura populacional, regeneração e germinação da espécie, propondo medidas de gestão ligadas ao controlo de gramíneas introduzidas.
A espécie é ainda referida em estudos e sínteses sobre a sistemática de Veronica e dos antigos géneros Hebe e Leonohebe. A Flora of New Zealand assinala que Veronica cupressoides pertence a Veronica subg. Pseudoveronica sect. Hebe e ao grupo informal das “semi-whipcord hebes”, citando estudos filogenéticos como Albach e Meudt (2010).
Ligações externas Veronica cupressoides na Flora of New Zealand Veronica cupressoides na New Zealand Plant Conservation Network Leonohebe cupressoides no Department of Conservation da Nova Zelândia
Categoria:Plantaginaceae Categoria:Flora endémica da Nova Zelândia Categoria:Flora da Nova Zelândia Categoria:Plantas descritas em 1864 Categoria:Plantas ornamentais Categoria:Flora endémica