A origem de Cristóvão Colombo é considerada por alguns estudiosos como enigmática. O seu próprio filho, Fernando Colombo (baptizado Hernando Colón em Espanha), na sua "Historia del almirante Don Cristóbal Colón" obscureceu a pátria e origem de Colombo, afirmando que o seu genitor não queria que fossem conhecidas tais informações.COLÓN, Hernando. Capítulo I, págs. 4-5.DÍAZ-TRECHUELO, María Lourdes. pág. 25. Por este motivo foram surgindo múltiplas teorias sobre o lugar de nascimento de Colombo. Destas, destacam-se a hipótese portuguesa, italiana, catalã e a galega. Apesar das hipóteses que se destacam ainda mais são a portuguesa e a italiana.
A vida do navegador contém muitas incertezas e obscuridades, promovidas por ele mesmo e por seu filho Fernando, que ocultou ou evitou certas passagens da vida de Colombo, procurando realçar a figura do pai frente àqueles que procuravam o diminuir. O texto Histoire di Cristoforo Colombo é escrito em tom laudatório, conforme o gênero biografia do século XVI. A biografia, rica em informações e imprecisa nos fatos, louva as ações de Cristóvão Colombo com a intenção de nobilitar o descobridor em suas origens e ações.
A versão normalmente tida como certa entre os historiadores dá-o como nascido em Génova em 1451, e como genovês, foi reconhecido pelos seus contemporâneos, embora haja controvérsias a respeito dessa informação. Na biografia Historia del almirante Don Cristóbal Colón, escrita por seu filho Fernando, este obscureceu sua nacionalidade e origem, afirmando que o pai não queria que fossem conhecidas tais informações,COLÓN, Hernando. Capítulo I, págs. 4-5.DÍAZ-TRECHUELO, María Lourdes pág.25. enumerando várias cidades italianas, em especial lígures, que disputavam essa glória.
No livro Pedatura Lusitana, um nobiliário de famílias de Portugal, Cristóvão Colombo é apresentado como um homem natural de Gênova, junto aos seus dois irmãos, Bartolomeu Colombo e Diogo Colombo. Também é possível observar que no documento é relatado o seu casamento com uma mulher portuguesa chamada Filipa Moniz.
Na Espanha, Colombo sempre foi considerado como estrangeiro, inclusive lamentando de como essa situação o prejudicava em alguns dos documentos que escreveu. Estava constantemente em contato com italianos, e neles depositava a sua confiança.
Mas "as regras do tempo mostram-nos que um plebeu nunca se casava com uma nobre, pelo que a origem de Colombo é assaz duvidosa."Prof. João Paulo Oliveira e Costa, catedrático da Universidade Nova e Director do Centro de História Além-Mar, Prof. José Damião Rodrigues e Prof. Pedro Aires Oliveira; História da Expansão e do Império Português. Lisboa: A Esfera dos Livros, 2014. , p. 78 Apesar do esforço desenvolvido na investigação da vida do navegador, ainda restam algumas incertezas, ou fantasias nacionalistas ou ideológicas. Um dos principais problemas apresentados é a pátria do navegador, e embora este assunto não seja de interesse primário, a importância que lhe tem sido dada e a sua constante atualidade o obrigam a fazer essa menção.
Entre todas as teorias, a genovesa teve mais apoio até ao , quando tentaram fazê-lo ser natural da Córsega. No final desse século, Garcia de la Riega, de Pontevedra, na Galiza, publicou uma série de documentos que apresentavam nomes de pessoas da região de origem judia da primeira metade do , com os mesmos nomes da família de Colombo — a despeito destes apenas serem conhecidos através da documentação genovesa — que supostamente teriam imigrado para Génova após o nascimento de Colombo. Durante muitos anos, esta teoria obteve popularidade, já que satisfazia o nacionalismo espanhol, o judeu e o galego, até que, em 1928, foi desclassificada como fonte histórica pela Academia de História espanhola, que comprovou os documentos como sendo autênticos, mas manipulados para apresentar aqueles nomes.
No mesmo ano em que a hipótese galega foi descredibilizada, o historiador peruano Luis Ulloa surgiu com um Colombo catalão, um nobre marinheiro que se chamaria Juan Colón e era inimigo de João II de Aragão, e que seria um suposto "Scolvus" que chegou à América do Norte em 1476, elaborou um projeto de descobrimento e o ofereceu a Fernando, o Católico em benefício da Catalunha, mas acabou sendo burlado por este, que conhecia a sua verdadeira identidade, e que, para ocultá-la, realizou uma série de falsificações de documentos e crónicas. Esta tese foi inicialmente recebida com entusiasmo na Catalunha, desaparecendo com o tempo com a ausência de qualquer documento que suportasse essa tese.
Desde 1915, vem sendo apresentada uma panóplia de hipóteses sobre a origem portuguesa de Cristóvão Colombo. As mais recentes são da autoria de Manuel da Silva Rosa e de Fernando Branco, tendo inspirado um livro de José Rodrigues dos Santos e um filme de Manoel de Oliveira. miniaturadaimagem|Página do Documento Assereto. À direita, 8.ª linha a contar do cimo, é possível ler Cristoforus Columbus civis janue Que se tenha conhecimento, Colombo apenas declarou a sua pátria uma única vez, no documento denominado "Fundación de Mayorazgo", de 1497, onde falando de Génova diz que "dela saí e nela nasci".Testamento de don Cristóbal Colón en el que fundó mayorazgo en su hijo don Diego. Archivo General de Indias. Signatura: PATRONATO, 295, N.101. PARES. Não obstante, em vários outros documentos é afirmada, não só a nação genovesa, mas a ligação entre o Colombo genovês e o Colombo almirante. Na documentação notarial genovesa de 1470 acha-se uma condenação a Domenicus de Columbo e ao seu filho Cristofforus, para pagarem uma dívida a um certo Ieronimum de Porto. Numa minuta datada de 25 de agosto de 1479, vulgarmente cognominada "documento Assereto" em homenagem ao homem que a encontrou, Colombo é referido como civis janue, cidadão de Génova, num processo sobre uma quantia que supostamente não tinha recebido de Paolo di Negro, agente em Lisboa da casa comercial de Luigi Centurione.
No codicilo de 1506, o único testamento seguro de Colombo é referido tanto Jerónimo do Porto, pai de Benito do Porto, chanceler de Génova, a quem pede que paguem uma soma de 20 ducados; como os herdeiros de Paolo di Negro e Luigi Centurione, a quem pediu que entregassem uma quantia em dinheiro para o saldamento de uma dívida que atormentava a sua consciência. Em 1502, Colombo outorga ao Banco de São Jorge, em Génova, uma quantidade sobre as suas rendas, obtendo a resposta na qualidade de compatriota daquela cidade. Na restante documentação ainda existente sobre Colombo não é explícito o seu local de nascimento.
Além de ser lido no seu tempo como italiano, geralmente genovês, no início do , três escritores de Génova afirmaram não somente a pátria de Colombo, como as suas origens humildes, para grande indignação do seu filho Fernando, que tratou logo de lhe arranjar uma origem nobre — embora caído em desgraça — na sua historia, pondo o pai a estudar na Universidade de Pavia e associando ele a dois famosos corsários contemporâneos.
No início do , a publicação da documentação dos cartórios notariais de Génova e Savona permitiu a obtenção de mais dados sobre a família e antecedentes familiares de Colombo, a qual foi recompilada na monumental obra "Racolta Colombiana", produzida no âmbito das comemorações na Itália do 4.º centenário da descoberta da América. A documentação sobrevivente sobre a família de Colombo é inclusivamente mais numerosa que a de muitos personagens de maior categoria social. Com base nessa documentação, hoje em dia, cientificamente, não resta qualquer dúvida sobre as informações que já antes se tinham como certas, embora de forma mais sucinta.
A data de nascimento foi outro ponto de especulação, existindo hipóteses para um nascimento ocorrido entre 1436 e 1456.ARRANZ MÁRQUEZ, Luis (2006). Cristóbal Colón: misterio y grandeza. Marcial Pons Historia. , p.106 Após a publicação do trabalho de Vignaud sobre o Documento Assereto, esta data pôde ser fixada no ano de 1451, o que não impediu que alguns continuassem a questionar.
Hipótese portuguesa A teoria ou, com mais propriedade, as teorias da naturalidade portuguesa de Cristóvão Colombo baseiam-se na existência de claros portuguesismos em seus escritos, na interpretação do anagrama da assinatura de Colombo, nos topónimos dados pelo navegador às terras que descobriu, num documento da corte de Castela em que lhe chamam "portugués" e nas palavras do próprio que escreveu à corte de Castela onde chama Portugal "mi tierra". O filólogo Ramón Menéndez Pidal confirmou estes portuguesismos, por oposição àqueles que afirmaram serem galeguismos ou catalanismos.ARRANZ MÁRQUEZ, Luis. Pág. 103.DÍAZ-TRECHUELO, María Lourdes. pág. 29. Segundo o historiador Antonio Romeu de Armas isto se deveria não ao fato de ser nascido em Portugal, mas sim devido aos vários anos que permaneceu nesse país. Vários autores, como Manuel da Silva Rosa, argumentam que Colombo usava o português como língua materna e que 8 anos de residência em Portugal seriam insuficientes para lhe dar a língua portuguesa como língua materna. Existia, além disso, conjecturas indicando uma possível origem sefardi, de acordo com a tese do historiador Salvador de Madariaga. Para Madariaga, Colombo seria genovês, mas seus ascendentes seriam judeus catalães fugindo da perseguição do final dos século XIV.ARRANZ MÁRQUEZ, Luis. Págs. 103-104. Colombo seria um judeu convertido, razão que explicaria, segundo Madariaga, seu empenho em ocultar suas origens, mas que hoje esta teoria está desacreditada por se ter mostrado que os próprios monarcas de Castela ajudaram a ocultar as origens.
A ideia de que Cristóvão Colombo teria nascido em Portugal surgiu em 1915, pois quase todos os autores anteriores que de algum modo expressaram a sua naturalidade, incluindo os cronistas seus contemporâneos, afirmavam ser italiano ou genovês, embora Waldesemuller tenha adicionado no seu segundo mapa que Colombo era um "capitão Português". "As regras do tempo mostram-nos que um plebeu nunca se casava com uma nobre, pelo que a origem de Colombo é assaz duvidosa."Prof. João Paulo Oliveira e Costa, catedrático da Universidade Nova e Director do Centro de História Além-Mar, Prof. José Damião Rodrigues e Prof. Pedro Aires Oliveira; História da Expansão e do Império Português. Lisboa: A Esfera dos Livros, 2014. , p. 78
Patrocínio Ribeiro Em 1915, numa conferência apresentada à Academia das Ciências de Portugal, Patrocínio Ribeiro defendeu a hipótese de ser natural de Portugal.Patrocínio Ribeiro, O Carácter Misterioso de Colombo e o Problema da sua Nacionalidade, Coimbra, 1916. A origem desta hipótese foi uma reacção à prelecção feita em 1914 por D. Enrique de Arribas y TurullEnrique Maria de Arribas y Turull, Cristóbal Colón, natural de Pontevedra, Memoria presentada por su autor a discusión en el Ateneo de Madrid el dia 17 de marzo de 1913, Madrid, 1913. na Sociedade de Geografia de Lisboa onde o conferencista afirmara que Colombo era galego, baseando-se para o efeito em documentos pretensamente encontrados em Pontevedra por Celso García de la Riega, documentação essa que, em 1917, Eladio Oviedo Arce demonstrou ser falsa.Patrocínio Ribeiro, O Carácter Misterioso de Colombo e o Problema da sua Nacionalidade, Coimbra, 1916, p. 2. Luís de Albuquerque, Dúvidas e Certezas na História dos Descobrimentos Portugueses, vol. I, Lisboa, imp. 1991, p. 114.