thumb| 150px|São Marcos, o primeiro Patriarca e Papa de Alexandria O bispo ou Patriarca de Alexandria é o mais alto cargo episcopal no Egito e existe separadamente tanto na Igreja Ortodoxa Copta quanto na Igreja Ortodoxa Grega. Os patriarcas conseguem traçar a sua sucessão até o apóstolo Marcos.

Porém, a sucessão é compartilhada por ambas as igrejas até 451, quando a Igreja Ortodoxa Copta de Alexandria e a Igreja Ortodoxa Grega de Alexandria iniciaram o cisma que culminaria na separação total a partir de 536, quando foi rechaçado pelos gregos.

Líderes da Igreja de Alexandria até o Concílio de Calcedônia, em 451

Os primeiros anos da Igreja de Alexandria foram marcados pela consolidação na cidade, marcada principalmente pela fundação da Escola Catequética de Alexandria, por onde passariam muitos dos maiores teólogos da antiguidade. No , a situação se complicaria com as diversas perseguições aos cristãos promovidas pelos imperadores romanos. Diversas discussões surgiram sobre como deveria ser o tratamento dos cristãos (clérigos e leigos) que cediam às pressões para preservar a vida, dando origem às crises de Novaciano e de Melécio de Licópolis.

Com a conversão de Constantino I, a controvérsia ariana tomou o papel central na vida dos patriarcas, com sucessivas deposições de acordo com o imperador reinante e as intrigas locais. A grande figura deste período foi Santo Atanásio, que lutou contra os arianos por mais de quarenta anos. A questão só seria resolvida definitivamente no segundo concílio ecumênico, em Constantinopla, em 381 Com isso,

Com o fim da crise, os patriarcas se dedicaram a consolidar o cristianismo na cidade e acabaram por destruir alguns dos maiores tesouros da cidade. Foi nesta época que se destruiu o Serapeu (que incluía uma parte da famosa Biblioteca de Alexandria) e o mitreu (mithraeum), e também que os cristãos passaram de perseguidos a perseguidores, com o linchamento de Hipátia e as gangues de monges que aterrorizavam a cidade, expulsando judeus, novacianos e origenistas.

Com a eleição de Dióscoro, iniciou-se a crise que acabaria cindindo a Igreja de Alexandria: a disputa entre o Miafisismo e o credo de Calcedônia (diofisista).

thumb| 180px| São Pedro de Alexandria thumb| 180px| Santo Atanásio thumb|300px| São Cirilo NúmeroNomePeríodoObservaçõesRef. Bispos de Alexandria01Marcos I Evangelista43-68Fundou a Igreja de Alexandria, cuja sucessão até os dias de hoje é alegada por diversas diferentes denominações (veja Patriarca de Alexandria), mas principalmente pela Igreja Ortodoxa Copta. Aspectos da liturgia copta podem referenciados ao próprio São Marcos. Ele então se tornou o primeiro bispo de Alexandria e tem a honra de ser também o fundador do Cristianismo na África. Tradições coptas posteriores dizem que ele foi martirizado em 68 02Aniano68-82Ele foi ordenado como o sucessor de São Marcos e foi também o primeiro convertido para o Cristianismo na região03Abílio 83-95Ele ascendeu ao trono durante o reinado do imperador Domiciano. Nas "Constituições Apostólicas" (viii.4) está dito que ele (Avílio) foi o segundo bispo de Alexandria e que ele foi ordenado por São Lucas.04Kedron 96-106Ele foi uma das pessoas batizadas diretamente por Marcos em Alexandria e foi martirizado.05Primo106-118Também foi batizado por São Marcos e tem ainda a distinção de ter sido um dos três presbíteros ordenados por ele.06Justo118-129Primeiro reitor da Escola Catequética de Alexandria.07Eumênio131-141Segundo reitor da Escola Catequética de Alexandria.08Marciano 142-152Gnosticismo cristão desenvolveu-se na região, especialmente com Basílides.09Celádio152-166Reinado sem eventos de destaque.10Santo Agripino167-178Asceta, não tinha posses.11Juliano178-189Após sua ascensão ao Patriarcado, os pagãos da cidade não permitiram mais que os bispos saíssem da cidade de Alexandria, mas Juliano costumava sair em segrego para ordenar presbíteros por toda região. Arcebispos de Alexandria12São Demétrio189-232Amigo de Orígenes no início de sua vida, se tornou um grande adversário dele mais tarde. Convocou um concílio e acusou-o de praticar a auto-castração, exilou-o do Egito (província romana) e anulou sua ordenação. 13Santo Héraclas232-248Primeiro Patriarca de Alexandria a ser chamado de "Papa". Versão em grego.14São Dionísio248-264Apoiou o Papa Cornélio durante o cisma novaciano, a respeito do tratamento a ser dado aos cristãos que conseguiram escapar da perseguição promovida pelo imperador Décio. Escreveu uma famosa resposta para Novaciano quando ele o escreveu pedindo apoio. Desfeito o cisma, novamente se envolveu em controvérsia, desta vez sobre a necessidade de rebatizar os cristãos que tinham sido batizados por heréticos.15Máximo265-282Participou ativamente do Concílio de Antioquia (264-69) que expulsou Paulo de Samósata do Egito.16São Teonas 282-300Mártir. 17São Pedro I de Alexandria300-311Mártir na Perseguição de Diocleciano. Convocou o Concílio de Alexandria (306) para depor Melécio de Licópolis, protagonista de um cisma à volta de divergências no tratamento a ser dado para os lapsi durante a perseguição. Enquanto Pedro era favorável a recebê-los novamente, Melécio era inflexível e acabou deposto por Pedro. oferece várias fontes distintas a respeito do assunto.18Aquila312-313Foi reitor da Escola Catequética de Alexandria e era tido em grande estima por suas obras sobre a filosofia grega e a teologia.19Alexandre I313-326Convocou o Concílio de Alexandria (321) para condenar as doutrinas de Ário, dando início ao que seria mais de meio século da controvérsia ariana. Durante o seu reinado ocorreu também o Primeiro Concílio de Niceia (325), que acabou por resolver algumas das questões polêmicas que tomavam a atenção de Alexandre. O concílio permitiu-lhe decidir a data da Páscoa, questionada pelos quartodecimanos, seguidores da antiga tradição judaica. Além disso, o concílio readmitiu Melécio de Licópolis, resolvendo o cisma que durava já desde Pedro I. Por fim, foram confirmados os anátemas contra Ário. 20Santo Atanásio328-373Doutor da Igreja e Grande Hierarca. Foi um ardoroso combatente do arianismo, convocando e presidindo diversos concílios em Alexandria para tratar do assunto (350, 362, 363 e 370). Por conta desta controvérsia, foi deposto e retornou diversas vezes. Escreveu diversas obras sobre teologia e, principalmente, polêmicas contra as heresias de seu tempo. Foi contestado por:- Gregório da Capadócia (339-346) Deposto.- Jorge I de Alexandria (357-361). Ariano.- Lúcio de Alexandria (361-361). Ariano.21Pedro II373-380Deposto pelo prefeito da cidade, foi reinstalado na posição com a ajuda do Papa Dâmaso I. Foi contestado por:- Lúcio de Alexandria (373-378). Ariano.22Timóteo I380-385Combateu o arianismo e participou do Segundo Concílio Ecumênico, em Constantinopla. Patriarcas / Papas de Alexandria23Teófilo I385-412Combateu fervorosamente os cultos pagãos de Alexandria. É responsável pela destruição do ''Serapeu e do mitreu da cidade. Combateu também o origenismo na controvérsia dos "Grandes Irmãos" no Concílio de Alexandria (400). Presidiu o Concílio do Carvalho, que derrubou João Crisóstomo.24São Cirilo412-444Doutor da Igreja. Cristão fervoroso, lutou contra diversas comunidades religiosas de Alexandria. Tomou todos os templos novacianos da cidade e foi o responsável pela expulsão da comunidade judaica. Seu grupo de seguidores, formado principalmente por monges, atacou o prefeito de Alexandria (Orestes) e o feriu, e também capturou e linchou a filósofa Hipátia. Em 431, Cirilo presidiu o Primeiro Concílio de Éfeso, que condenou Nestório, iniciando a controvérsia nestoriana. Capítulo XIII — Conflict between the Christians and Jews at Alexandria: and breach between the Bishop Cyril and the Prefect Orestes Capítulo XIV — The Monks of Nitria come down and raise a Sedition against the Prefect ofAlexandria Capítulo XV — Of Hypatia the Female Philosopher25*Dióscoro I444-451Miafisista. Presidiu o polêmico Segundo Concílio de Éfeso, que reabilitou a doutrina monofisista de Eutiques, de quem era amigo. Ele foi condenado e deposto no Concílio de Calcedônia, decisão que provocou novo cisma na Igreja, separando a Igreja Ortodoxa Copta - que ainda hoje o considera santo - das demais igrejas calcedônias. Período intermediário (até 567) thumb|180px| Cruz Ortodoxa Copta thumb| 180px| Ilustração do monofisismo, ensinamento de Eutiques Neste período, ainda que conturbado pelas consequências do cisma calcedônio, ainda houve diversos patriarcas que foram reconhecidos pelos dois ramos que derivaram do cisma: a Igreja Ortodoxa Grega de Alexandria, calcedônia, e a Igreja Ortodoxa Copta, miafisista, ainda que em períodos diferentes em cada uma. Após Teodósio, as listas sucessórias se separaram por completo, algo que perdura até os dias de hoje. Todos os patriarcas indicados abaixo são miafisistas, com o pretendente calcedônio indicado no texto quando houver.

NúmeroNomePeríodoObservaçõesRef. Patriarcas / Papas de Alexandria25*Dióscoro I451-454Presidiu o polêmico Segundo Concílio de Éfeso, que reabilitou a doutrina monofisista de Eutiques, de quem era amigo. Ele foi condenado e deposto no Concílio de Calcedônia, decisão que provocou novo cisma na Igreja, separando a Igreja Ortodoxa Copta - que ainda hoje o considera santo - das demais igrejas calcedônias. Entre 451 e 457, ele teve como adversário Protério de Alexandria, que hoje é reconhecido como patriarca apenas pelos gregos ortodoxos.26Timóteo II Eluro454–477 457-460Dito Eluro ("Fuinha"). Disputou o cargo com o calcedônio Protério até que este foi assassinado por incitação sua. Exilado novamente em 460, disputou novamente o cargo com outro calcedônio, Timóteo Salofaciol. Retornou finalmente a Alexandria em 475 e reinou ali até morrer.27Pedro III Mongo477–490482-490Dito Mongo ("Gago"). Quase que imediatamente após ter sido eleito, foi expulso e disputou o cargo com Timóteo Salofaciol, que já tinha sido patriarca antes no período de Timóteo Eluro. Quando Salofaciol morreu, seu sucessor, João Talaia foi empossado pelo imperador e logo expulso por não aceitar a reconciliação com os ortodoxos orientais por meio do Henótico. O imperador acabou finalmente por aceitar Mongo como legítimo Patriarca.28Atanásio II490–496Com a morte de Mongo em 490, um período de calmaria se seguiu com a eleição seguida de diversos patriarcas monofisistas. 29João I (II)496–505Chamado de "João II" pela Igreja Ortodoxa Grega, que reconhece João Talaia como "João I". Foi o primeiro Patriarca escolhido entre os monges do deserto da Nítria.30João II (III) 505–516Como no caso do seu antecessor, é reconhecido por nomes diferentes nas duas subdivisões da Igreja de Alexandria por conta do reconhecimento de João Talaia como "João I" pela Igreja Ortodoxa Grega. Também como seu antecessor, foi monge.31Dióscoro II 516–517miafisista. Reinou por apenas um ano, período no qual manteve constante contato com Severo de Antioquia, o campeão do miafisismo em Antioquia.32Timóteo III (IV)517–535Conhecido como Timóteo IV pela Igreja Ortodoxa Grega, que reconhece Timóteo Salofaciol como "Timóteo III". 33Teodósio I535–536535-567Foi o último patriarca a ser reconhecido por os gregos e coptas em Alexandria. Exilado logo depois de eleito por conta de uma intriga com o imperador Justiniano I, tentou voltar por diversas vezes com o apoio da imperatriz Teodora, sem sucesso. Disputou o cargo com Gainas por um ano e, com Paulo I, indicado pelo imperador após mais uma fracassada tentativa de atrair Teodósio para a fé calcedônia. Viveu 28 anos exilado no Alto Egito, sendo reconhecido pelos coptas até a sua morte. O cisma resultante permanece até os dias de hoje.