Juniper Networks, Inc. foi uma multinacional estadunidense com sede em Sunnyvale, na Califórnia. A empresa desenvolvia e comercializava equipamentos e programas para redes, como roteadores, comutadores, programas de gerenciamento de rede, produtos de segurança de rede e tecnologias de redes definidas por software.

A empresa foi fundada em 1996 por Pradeep Sindhu. Scott Kriens foi seu primeiro diretor-executivo e permaneceu no cargo até setembro de 2008. Grande parte do sucesso comercial inicial da Juniper foi atribuída à gestão de Kriens. A empresa recebeu investimentos de fundos de capital de risco e empresas de telecomunicações em diferentes rodadas antes de abrir seu capital em 1999. Em 2000, sua receita anual chegou a US$ 673 milhões. Em 2001, detinha 37% do mercado de roteadores de núcleo, disputando espaço com a Cisco, que até então dominava o setor. A receita chegou a US$ 1,336 bilhão em 2004 e a US$ 4,63 bilhões em 2014. A Juniper nomeou Kevin Johnson para o cargo de diretor-executivo em 2008, Shaygan Kheradpir em 2013 e Rami Rahim em 2014.

A Juniper Networks se concentrou inicialmente em roteadores de núcleo, usados por provedores de acesso à internet para consultar endereços IP e encaminhar o tráfego de internet. Com a compra da Unisphere, em 2002, a empresa passou a vender roteadores de borda, usados pelos provedores para encaminhar esse tráfego aos consumidores individuais. Em 2003, entrou no mercado de segurança computacional com seu conjunto de ferramentas JProtect. No ano seguinte, adquiriu a empresa de segurança NetScreen Technologies. No início dos anos 2000, a Juniper passou a atender o segmento empresarial, que em 2005 respondia por um terço de sua receita. De 2014 a 2025, concentrou-se no desenvolvimento de novos produtos de redes definidas por software.

Em janeiro de 2024, a Juniper aceitou ser adquirida integralmente pela Hewlett Packard Enterprise, ou HPE, por cerca de US$ 14 bilhões. A aquisição foi concluída em 2 de julho de 2025.

História Origens e financiamento miniaturadaimagem|esquerda|upright|Pradeep Sindhu, fundador da Juniper

Pradeep Sindhu, cientista do Palo Alto Research Center, o PARC da Xerox, teve a ideia de criar a Juniper Networks durante suas férias em 1995 e fundou a empresa em fevereiro de 1996. Sindhu queria criar roteadores que usassem pacotes de dados e fossem otimizados para o tráfego de internet por meio da comutação de pacotes. Nesse processo, o roteamento e a transferência de dados ocorrem "por meio de pacotes endereçados, de modo que um canal fique ocupado apenas durante a transmissão do pacote e, ao término da transmissão, fique disponível para a transferência de outro tráfego". Os engenheiros Bjorn Liencres, da Sun Microsystems, e Dennis Ferguson, da MCI Communications, juntaram-se a ele.

Sindhu iniciou a Juniper Networks com US$ 2 milhões de capital semente. A empresa recebeu outros US$ 12 milhões em seu primeiro ano de operação. Cerca de sete meses após a fundação, Scott Kriens foi nomeado diretor-executivo para administrar os negócios, e Sindhu assumiu o cargo de diretor técnico. Até fevereiro de 1997, a Juniper havia captado US$ 8 milhões em capital de risco. Ainda naquele ano, recebeu outros US$ 40 milhões em investimentos numa rodada da qual participaram quatro dos cinco maiores fabricantes de equipamentos de telecomunicações, Siemens, Ericsson, Nortel e 3Com. A Juniper também recebeu US$ 2,5 milhões da Qwest e outros investimentos da AT&T.

Crescimento e abertura de capital A Juniper Networks teve receita anual de US$ 3,8 milhões em 1998. No ano seguinte, seu único produto, o roteador M40, já era usado por 50 empresas de telecomunicações. A empresa firmou acordos com a Alcatel e a Ericsson para distribuir o M40 internacionalmente. Abriu uma sede europeia no Reino Unido e outra para a região da Ásia e do Pacífico em Hong Kong. Criou uma subsidiária no Japão e abriu escritórios na Coreia em 1999. Sua participação no mercado de roteadores de núcleo passou de 6% em 1998 para 17,5% no ano seguinte e chegou a 20% em abril de 2000.

A Juniper Networks solicitou o registro de sua oferta pública inicial em abril de 1999 e estreou na NASDAQ em junho. As ações subiram 191% no primeiro dia de negociação, um recorde para o setor de tecnologia, e a empresa atingiu um valor de mercado de US$ 4,9 bilhões. A revista Telephony chamou a Juniper Networks de "a mais nova queridinha de Wall Street". No fim de julho, seu valor de mercado chegou a US$ 7 bilhões.Roger Taylor e Don Mills. "Silicon Valley's idea man: A partner in one of the leading venture capital firms in California's high-tech haven, Vinod Khosla is a firm believer in the value of the free-thinking entrepreneur in the age of the Internet". 26 de julho de 1999. Em um ano, o preço das ações quintuplicou.

A receita da Juniper Networks cresceu 600% em 2000, chegando a US$ 673 milhões. No mesmo ano, a empresa transferiu sua sede de Mountain View para Sunnyvale, na Califórnia.

Concorrência Em 2001, a Juniper detinha um terço do mercado de roteadores de núcleo de alto desempenho, principalmente às custas das vendas da Cisco Systems. A revista Businessweek afirmou que "os analistas concordavam de forma unânime que os equipamentos da Juniper eram tecnicamente superiores aos da Cisco porque o hardware realizava a maior parte do processamento de dados. Os roteadores da Cisco ainda dependiam de software, o que muitas vezes resultava em velocidades menores". A Cisco, porém, oferecia mais opções de serviços e suporte e já tinha uma posição consolidada no mercado. A imprensa comparava com frequência a disputa entre Juniper e Cisco à história de "Davi e Golias". A Cisco havia crescido por meio de aquisições e se tornado uma grande fornecedora de equipamentos de roteamento para residências, empresas e provedores de internet. A Juniper era vista como a "anti-Cisco", por ser uma empresa pequena e concentrada em um segmento específico.

Em janeiro de 2001, a Cisco lançou um conjunto de roteadores que, na avaliação da Businessweek, buscava conter o avanço da Juniper no mercado. A revista afirmou que o roteador mais potente da Juniper era quatro vezes mais rápido e custava apenas o dobro dos produtos equivalentes da Cisco. A expectativa era de que os roteadores da Cisco não reduzissem a participação crescente da Juniper. Outras empresas, como Lucent, Alcatel e as startups Avici Systems e Pluris, haviam anunciado planos de lançar produtos que superariam a velocidade dos roteadores da Juniper.

A Juniper lançou uma linha de roteadores de borda que lhe permitiu competir com a Cisco nesse segmento. Dois meses após o lançamento, seus roteadores já detinham 9% do mercado. As duas empresas faziam alegações exageradas em suas campanhas de marketing. A Juniper anunciava que seus produtos eram tão estáveis que deixariam os profissionais de TI entediados. A Cisco afirmava que testes de laboratório da publicação Light Reading comprovavam a superioridade de seus produtos sobre os da Juniper, embora a própria publicação tivesse chegado à conclusão oposta. Em 2002, as duas empresas anunciavam repetidamente produtos com especificações de velocidade superiores às da concorrente. A Network World chamou a disputa de "competição de relações públicas baseada em velocidades e capacidades".

Em 2004, a Juniper detinha 38% do mercado de roteadores de núcleo. Em 2007, suas participações nos mercados de roteadores empresariais, de borda e de núcleo eram de 5%, 18% e 30%, respectivamente. A Alcatel-Lucent não conseguiu desafiar a Juniper no mercado de roteadores de núcleo, mas seguiu disputando o de roteadores de borda com ela e com a Cisco.

Expansão dos negócios miniaturadaimagem|200px|Logotipo usado em 2001

No fim de 2000, a Juniper criou uma empresa conjunta com a Ericsson para desenvolver e comercializar comutadores para o tráfego de internet em dispositivos móveis. Também formou uma parceria com a Nortel para trabalhar com tecnologias de fibra óptica. Em 2001, lançou um programa de certificação técnica e participou da implantação da primeira rede óptica de internet da China. O crescimento da Juniper desacelerou em 2001, acompanhando a retração do setor de telecomunicações, e sua receita caiu dois terços com o estouro da bolha da Internet. Entre 9% e 10% dos funcionários foram demitidos.

A Juniper já havia se recuperado em 2004, quando ultrapassou US$ 1 bilhão de receita pela primeira vez. Em 2005, a receita chegou a US$ 2 bilhões. A partir de 2004, com a aquisição da NetScreen, a Juniper Networks passou a desenvolver e comercializar produtos para o segmento empresarial. A empresa tentava mudar a percepção de que atendia provedores de internet, e não empresas. Em 2005, os clientes empresariais respondiam por um terço de sua receita, mas a Juniper já havia gasto US$ 5 bilhões em aquisições e pesquisa e desenvolvimento voltados a esse mercado.

Em 2006, mais de 200 empresas dos Estados Unidos retificaram seus resultados financeiros após investigações sobre a atribuição retroativa de datas a opções de ações. Acionistas da Juniper alegaram que a empresa havia usado esse expediente de forma enganosa para beneficiar indevidamente seus altos executivos. Em dezembro de 2006, a Juniper retificou seus demonstrativos financeiros, reconhecendo US$ 900 milhões em despesas para corrigir opções de ações com datas retroativas de 1999 a 2003. Em fevereiro de 2010, firmou um acordo de US$ 169 milhões com os acionistas.

2008 a 2025 Em julho de 2008, Scott Kriens, o primeiro diretor-executivo da Juniper, assumiu a presidência do conselho de administração. Kevin Johnson, ex-executivo da Microsoft, foi nomeado diretor-executivo. Johnson direcionou mais esforços da empresa ao software e criou uma divisão de soluções de software comandada por Bob Muglia, seu ex-colega na Microsoft. A Juniper também contratou outros ex-executivos da Microsoft para trabalhar em sua estratégia de software e incentivar desenvolvedores a criar programas para o sistema operacional Junos. Firmou parcerias com a IBM, a Microsoft e a Oracle para melhorar a compatibilidade entre seus programas. A família de produtos SSL/VPN Pulse foi lançada em 2010 e vendida a uma empresa de private equity em 2014 por US$ 250 milhões.

Em 2012, a Juniper demitiu 5% de seus funcionários e perdeu quatro executivos de alto escalão. No ano seguinte, Kevin Johnson anunciou que se aposentaria assim que um substituto fosse encontrado. Em novembro de 2013, a Juniper Networks anunciou que Shaygan Kheradpir seria o novo diretor-executivo. Ele assumiu o cargo em janeiro de 2014.

Em janeiro de 2014, o fundo de cobertura Elliott Associates, investidor ativista e acionista da Juniper, defendeu que a empresa reduzisse suas reservas de caixa e cortasse custos. A proposta veio antes da nomeação oficial de Kheradpir. Em fevereiro, a Juniper chegou a um acordo com a Elliott e outros interessados para adotar um Plano Operacional Integrado, chamado IOP na sigla em inglês. O plano previa a recompra de US$ 2 bilhões em ações, a redução de US$ 160 milhões nas despesas operacionais e a nomeação de dois novos integrantes do conselho de administração. Em abril, 6% dos funcionários foram demitidos para reduzir despesas. Em novembro de 2014, Kheradpir renunciou inesperadamente após o conselho de administração avaliar sua conduta numa negociação com um cliente cujo nome não foi divulgado. Rami Rahim, executivo da própria Juniper, assumiu o cargo de diretor-executivo.

Em maio de 2014, a Palo Alto Networks concordou em pagar US$ 175 milhões num acordo para encerrar uma disputa sobre a suposta violação de patentes da Juniper relativas a firewalls de aplicação.

Em 2015, a revista Wired noticiou que a empresa havia encontrado código não autorizado que abria backdoors em seus produtos ScreenOS. A empresa corrigiu o código por meio de atualizações.

Aquisição pela Hewlett Packard Enterprise