Alcifrão () foi um sofista grego, e o mais eminente entre os epistológrafos gregos. Não se tem absolutamente nenhuma informação direta sobre a sua vida ou a época em que viveu.

Obras Sob o nome de Alcifrão, existem 116 cartas ficcionais, em três livros. Seu objetivo é delinear os caracteres de certas classes de homens, apresentando-os expressando seus sentimentos e opiniões peculiares sobre assuntos com os quais estavam familiarizados. As classes são: pescadores, camponeses, pessoas contratadas para divertir os ricos (parasitas), e hetaerae ou cortesãs atenienses. Todos são levados a expressar seus sentimentos na linguagem mais graciosa e elegante, mesmo quando os assuntos são de natureza vulgar ou obscena. Os personagens são, assim, elevados um pouco acima de seu padrão comum, sem grande violação da verdade da realidade.

A língua utilizada é o dialeto ático, que era falado em conversas informais, mas refinadas, em Atenas, embora os escritores imaginários sejam camponeses, pescadores, parasitas e cortesãs. A cidade de onde as cartas são datadas é, com poucas exceções, Atenas e seus arredores; e a época, sempre que identificável, é o período após o reinado de Alexandre, o Grande. A Nova Comédia ática foi a principal fonte de onde o autor obteve suas informações a respeito dos personagens e costumes que descreve e, por essa razão, essas cartas contêm informações valiosas sobre a vida privada dos atenienses daquela época.

Diz-se que Alcifrão era um imitador de Luciano; mas, além do estilo e, em alguns casos, do tema, não há semelhança entre os dois escritores: o espírito com que ambos tratam seus temas é totalmente diferente. Ambos obtiveram seus materiais das mesmas fontes e, em termos de estilo, ambos buscavam a maior perfeição do grego ático genuíno. O estudioso clássico Stephan Bergler observou que Alcifrão tem a mesma relação com Menandro que Luciano tem com Aristófanes.

Data Alguns críticos anteriores o situaram, sem qualquer razão plausível, no século V a.C. O estudioso clássico Stephan Bergler, e outros que o seguiram, situaram Alcifrão no período entre Luciano e Aristêneto, ou seja, entre 170 e 350 d.C., enquanto outros atribuem a ele uma data ainda anterior à época de Luciano. Entre as cartas de Aristêneto, há duas entre Luciano e Alcifrão;Aristêneto, i. 5 e 22 e inferiu-se que Alcifrão era contemporâneo de Luciano.

Edições A primeira edição das cartas de Alcifrão é a do impressor italiano Aldo Manúcio, em sua coleção dos Epistolografistas Gregos, Veneza, 1499, 4to. Esta edição, no entanto, contém somente as cartas que, em edições mais modernas, formam os dois primeiros livros. Setenta e duas novas cartas foram adicionadas a partir de um manuscrito de Viena e outro do Vaticano por Stephan Bergler, em sua edição (Leipzig, 1715, 8vo.) com notas e uma tradução para o latim. Essas setenta e duas epístolas formam o terceiro livro da edição de Bergler. J. A. Wagner, em sua edição (Leipzig, 1798, 2 vols., 8vo.), com as notas de Bergler, acrescentou duas novas cartas inteiras e fragmentos de outras cinco. Uma longa carta, que até o século XIX não havia sido publicada na íntegra em inglês, existe em vários manuscritos de Paris. Editio princeps, Aldo Manúcio, (44 cartas) (1499) Stephan Bergler (1715) Tradução inglesa por Monro e Beloe (1791) E. E. Seiler (1856) Rudolf Hercher (1873) Sociedade Ateniense (1896) Schepers (1905) Granholm (2012) Reina Marisol Troca Pereira (2024)

Bibliografia

Este artigo incorpora texto em domínio público do Dictionary of Greek and Roman Biography and Mythology por William Smith (1870).

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