O Batalhão de Blindados de Fuzileiros Navais (BtlBldFuzNav) é uma unidade do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) da Marinha do Brasil que fornece componentes blindados aos Grupamentos Operativos de Fuzileiros Navais. Ele opera a maior parte do inventário de blindados do CFN, com a importante exceção do Carro sobre Lagarta Anfíbio (CLAnf), pertencente ao Batalhão de Viaturas Anfíbias. Seus modelos dividem-se em dois grupos, os carros de combate (SK-105 ) e transportes de pessoal (M-113, Piranha e JLTV). Eles podem ser desembarcados para apoiar uma operação anfíbia e já foram usados na missão das Nações Unidas no Haiti e nas operações de garantia da lei e da ordem (GLO) no Rio de Janeiro.
Origens miniaturadaimagem|EE-9 Cascavel da Companhia de Carros de Combate preservado no Espaço Cultural da Marinha|esquerda O primeiro veículo blindado operado pelo CFN foi o EE-11 Urutu, incorporado em 20 de julho de 1973. Este modelo, incorporado à Companhia de Viaturas Anfíbias do Batalhão de Transporte Motorizado (atual Batalhão de Viaturas Anfíbias), durou pouco em serviço.. p. 26-29, 34-35. A Companhia de Viaturas Anfíbias recebeu mais tarde os blindados da família M-113, mudando de designação para Companhia de Viaturas Blindadas (CiaVtrBld) em 1977. Em 1986 o Batalhão de Viaturas Anfíbias recebeu seu primeiro lote do Carro sobre Lagarta Anfíbio (CLAnf), organizados em outra companhia. Embora seja um dos principais blindados do CFN, ele nunca chegou a fazer parte do Batalhão de Blindados.
À procura de um carro de combate sobre lagartas para suplementar as forças de desembarque, o Comando-Geral do CFN não teve condições de uma aquisição no exterior e tampouco opção confiável nacional. A solução de oportunidade foi o EE-9 Cascavel, da empresa nacional Engesa, que os fuzileiros navais designaram "Carro de Combate Leve Sobre Rodas" (CCL-SR). Os Cascavéis da Marinha eram da versão M4, mais modernos do que os entregues ao Exército. Eles foram organizados na Companhia de Carros de Combate (CiaCC), subordinada sucessivamente ao Batalhão de Comando da Divisão Anfíbia, Batalhão de Comando da Tropa de Reforço (1987), Comando da Tropa de Reforço (1993) e Comando da Divisão Anfíbia (1995). A semiautonomia administrativa foi recebida em 1993.
A CiaCC recebia tarefas de um do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (USMC) ou Esquadrão de Carros de Combate do Exército: pretendia-se apoiar a conquista de uma cabeça de ponte, se preciso em função anticarro. Entretanto, os Cascavéis seriam mais apropriados ao reconhecimento e segurança, como a cavalaria mecanizada do EB e os do USMC. Apesar de suas limitações de blindagem, poder de fogo e trafegabilidade em certos tipos de terreno, este modelo serviu para o treinamento conjunto de carros de combate com a infantaria. Ao final dos anos 1990, ele acumulava quase vinte anos de uso, sua manutenção era trabalhosa e novos meios seriam necessários para executar as tarefas atribuídas pela doutrina. Seu sucessor, o SK-105 , foi recebido em 2001. Alguns dos Cascavéis desativados serviram ao treinamento de tiro dos novos blindados.
A CiaCC e a CiaVtrBld foram transferidas para criar o Batalhão de Blindados de Fuzileiros Navais em 26 de março de 2003. Desta forma, aproximava-se a preparação das tripulações de carros de combate e blindados de transporte de pessoal, concentrando-os em um único local, mais próximo à infantaria com o qual treinarão. Além de companhias para cada tipo de blindado, o batalhão tem um Estado-Maior e uma Companhia de Comando e Serviço, sob a qual está uma seção de manutenção com duas viaturas de socorro e uma de oficina. Ele é subordinado ao Comando da Divisão Anfíbia, e esta, à Força de Fuzileiros da Esquadra.
Veículos
Definido em 2010 como "a mais poderosa unidade blindada de Fuzileiros Navais da América do Sul" pela revista Segurança & Defesa em 2010, o batalhão tinha 72 blindados no inventário em 2024, antes do recebimento completo do lote de JLTV. Os modelos em serviço têm basicamente duas vertentes, os carros de combate e os transportes de pessoal. O CFN "é uma tropa que se orgulha por sua operacionalidade e tradições. No entanto, existe um contraste quando se fala da sua força blindada", analisou em 2026 o jornalista Paulo Roberto Bastos Jr., notando a decadência dos carros de combate.
M-113 miniaturadaimagem|M-577 (esq.) e M-113 (dir.) no desfile de 7 de setembro de 2022 O inventário inicial da família M-113, recebida em 1974, era de 30 unidades: quatro de transporte de pessoal (M-113 A1), uma de socorro (XM-806 E1), uma de oficina (M-113 A1G), duas de comando (M-577 A1) e duas de morteiro (M-125 A1). Todas têm dois tripulantes. A versão de transporte é armada com uma metralhadora .50 e tem espaço para até onze militares com seu equipamento. As versões de oficina e socorro transportam um mecânico; no primeiro caso, ela usa um reboque direto ou guincho para transportar viaturas acidentadas ou imobilizadas de porte equivalente ao M-113. A versão de comando leva cinco especialistas em Comunicações Navais. A versão de morteiro leva um morteiro M29A1, de calibre 81 mm, e seus quatro operadores.
Esta família é amplamente difundida pelo mundo, e no Brasil é operada também pelo Exército. Os M-113 do CFN foram menos utilizados do que seus pares na outra força, com uma média de 200 km rodados por ano, mas o desgaste foi sentido depois de algumas décadas. Cerca de dois terços estavam em operação em 2010. Desta forma, a Marinha abriu um processo licitatório para um programa de modernização, cujo vencedor em 2008 foi a empresa Israel Military Industries (IMI). Um protótipo foi montado e testado em Israel, com o restante dos trabalhos realizados no Centro Tecnológico do CFN (CTecCFN), no Rio de Janeiro, e entregas de 2013 a 2016.
O novo modelo, designado M-113 MB1, é comparável ao padrão A3. Ele tem um novo motor e outros componentes, uma estação de armas Platt MR.55 Mod 2 e o reparo e modificação de partes da carcaça. Separadamente do programa, a Marinha adquiriu lançadores de granadas fumígenas de 76 mm, imageadores termais, telas digitais e kits de proteção balística externa e interna. Os veículos de morteiro foram convertidos em transportes de pessoal.
SK-105 miniaturadaimagem|Dois descem de uma embarcação de desembarque|esquerda O SK-105 , carro de combate leve sobre lagartas da empresa austríaca , venceu a concorrência para substituir o Cascavel ao final dos anos 1990. A Marinha precisava de um veículo leve e compacto, que pudesse ser usado em desembarques anfíbios. Dois SK-105 cabem em uma Embarcação de Desembarque de Viaturas e Materiais (EDVM). O Brasil recebeu 17 unidades do modelo SK-105 A2S e um blindado de socorro 4KH7FA .
O é armado com um canhão de calibre 105 mm, uma metralhadora coaxial FN MAG, calibre 7,62×51mm, e uma metralhadora externa MH2B, calibre .50. A blindagem resiste a estilhaços e tiros de até 20 mm de calibre. Equipamentos de visão noturna para o motorista e sistema térmico de direção de tiro, para o atirador e comandante, permitem o combate à noite. O Greif conta com um guindaste giratório, guincho de lança e metralhadora .50 para defesa. A CiaCC é organizada em quatro pelotões de quatro cada e mais um do comandante.
O poder de choque dos SK-105, pequenos e em pequeno número, é limitado.. Livro II, cap. 30. Uma atualização estava em discussão em 2016. O vice-almirante Carlos Chagas, comandante da Força de Fuzileiros da Esquadra, esclareceu em 2021 que o SK-105 "já está no final de sua vida útil, foram descontinuados, inclusive". "Os carros poderiam estar parados, não fosse o esforço da tropa em mantê-los ativos". "Quando aparecerem recursos, eles poderão ser trocados".
Os desfilaram em Brasília antes da Operação Formosa de 2021, chamando atenção na imprensa, como os outros blindados, pela fumaça preta que soltaram. Segundo Expedito Carlos Stephani Bastos, pesquisador de veículos militares, o SK-105 "já está obsoleto, e a Marinha quer substituir essa frota". A "fumaça preta significa que o motor está desgastado, a ponto de estourar e deixar o comandante na mão". Bastos Jr. admitiu que os veículos estavam desgastados por mais de vinte anos de uso em ambientes inóspitos (salinos), e por ter sido do último lote produzido, era difícil obter peças de reposição, de forma que apenas quatro unidades estavam operacionais. Ainda assim, alegou que a fumaça preta foi produto da regulagem do motor a diesel para a potência exigida numa situação de combate real.
Piranha miniaturadaimagem|Piranha IIIC em operação de segurança no Rio de Janeiro O Piranha IIIC, da empresa suíça Mowag, atendeu à necessidade imediata de um blindado de transporte de pessoal 8×8 para o contingente do CFN na Missão das Nações Unidas para a estabilização no Haiti (MINUSTAH). Até então os fuzileiros navais dependiam de blindados cedidos por outros países para as missões de paz, sem a conveniência do treinamento prévio no Brasil. Um lote de cinco unidades foi recebido em 2007–2008. Sua utilidade não se limitava às missões de paz, e o pedido foi ampliado para 30 unidades (25 de transporte, duas de socorro, duas de comando e uma ambulância), entregues gradativamente até 2014, prazo depois estendido a 2015. Esta frota é organizada numa Companhia de Reconhecimento Blindado (CiaReconBld) subordinada ao BtlBldFuzNav.
A versão de transporte tem dois tripulantes e carrega até onze militares com seu equipamento, protegidos por um casco resistente a tiros de até .50 a média distância, com apoio de fogo de uma metralhadora .50 M2. Há sistemas de visão noturna (NAP5-11) e detecção de emissões laser. A versão de socorro tem dois tripulantes, dois mecânicos, guincho e guindaste.
JLTV miniaturadaimagem|JLTV lidera um comboio num treinamento em ambiente urbano|esquerda O M1278A1 (HGC) (JLTV), da empresa americana Oshkosh Defense, foi adquirido pela Marinha num lote de doze unidades em 2020, com entregas em 2023–2024. A compra foi parte do PROADSUMUS, mesmo subprograma de equipamento que trouxe caminhões UNIMOG 5000 ao CFN. Além deste lote, 48 unidades adicionais estavam em estudo, conforme noticiado pelo portal de inteligência Janes em 2021. Uma dúzia de veículos seria fornecida a cada um dos três Batalhões de Infantaria de Fuzileiros Navais e mais o Batalhão de Operações Especiais de Fuzileiros Navais. A revista Quatro Rodas mencionou em 2024 uma expansão da frota para 60 blindados até o final da década. O lote original foi incorporado pelo Batalhão de Blindados.
Classificado como blindado leve, embora pese cerca de 7 toneladas, o JLTV é o mais veloz do inventário do CFN, podendo atingir 122 km/h. Suas características defensivas levam em conta a experiência americana nas guerras do Iraque e Afeganistão, onde as ameaças foram as minas terrestres, explosivos improvisados e armas anticarro. Ele tem quatro tripulantes. Como armamento, pode empregar metralhadoras de 7,62 mm e 12,7 mm e lançador automático de granadas de 40 mm.
Compras potenciais O Plano de Articulação e Equipamento da Marinha do Brasil (PAEMB), divulgado em 2009, previu aquisições de 26 carros de combate (2013–2019), 72 transportes de pessoal sobre rodas (2010–2022) e 72 transportes de pessoal sobre lagartas (2010–2029). De 2009 a 2022, os relatórios do International Institute for Strategic Studies não indicaram nenhuma mudança no inventário de carros de combate, permanecendo com os mesmos SK-105. Dentre os transportes sobre rodas, a única mudança foi a expansão de 12 para 30 unidades do Piranha IIIC. Os transportes sobre lagartas eram os mesmos M-113.. p. 68.. p. 401.