"Stark Raving Dad" (no Brasil, "Papai Muito Louco") é o primeiro episódio da terceira temporada da série de televisão animada norte-americana The Simpsons. Foi exibido originalmente nos Estados Unidos em 19 de setembro de 1991 pela Fox Broadcasting Company. Escrito por Al Jean e Mike Reiss e dirigido por Rich Moore, acompanha Homer, que é internado em um hospital psiquiátrico e conhece um homem que afirma ser Michael Jackson. Enquanto isso, Bart promete dar a Lisa um presente especial de aniversário.
Jackson interpretou Leon Kompowsky sob o pseudônimo John Jay Smith, enquanto Kipp Lennon gravou as canções do personagem, entre elas "Happy Birthday Lisa", composta pelo cantor. Na estreia, o episódio registrou 13,9 pontos de audiência e foi o segundo programa mais assistido da Fox naquela semana. A crítica elogiou a participação de Jackson e o humor, mas também apontou excesso de sentimentalismo. Uma continuação com Prince chegou a ser planejada, porém não foi produzida. Em 2019, o episódio foi retirado de circulação após o lançamento de Leaving Neverland, documentário que apresentou acusações de abuso sexual infantil contra Jackson.
Enredo Depois que Bart mistura um boné vermelho com as roupas brancas da família, Homer vai trabalhar com uma camisa rosa. O Sr. Burns exige uma avaliação psicológica, e Homer deixa o filho preencher o questionário, cujas respostas levam à sua internação. No hospital, conhece um homem que afirma ser Michael Jackson e acredita nele por não conhecer o cantor. Após Marge esclarecer o mal-entendido aos médicos, Homer recebe alta e convida o novo amigo para sua casa. Bart anuncia a visita a toda Springfield, mas os moradores ficam decepcionados ao descobrir que o hóspede não é Jackson. A expectativa também o faz esquecer do aniversário de Lisa. Para ajudá-lo a se desculpar, o visitante compõe uma canção com Bart, e os dois a apresentam à menina, que considera aquele seu melhor presente. Por fim, o homem revela ser Leon Kompowsky, um pedreiro de Paterson, em Nova Jérsei, que adotou a voz de Jackson para controlar a própria raiva e alegrar as pessoas.
Produção Michael Jackson, fã da série, telefonou para Matt Groening e se ofereceu para participar, conforme o criador contou nos comentários do DVD. Al Jean e Mike Reiss escreveram o roteiro a partir de uma ideia de James L. Brooks, com colaboração adicional de Groening e Sam Simon. O cantor sugeriu que Bart anunciasse sua visita à cidade e pediu uma cena em que compusesse uma música com o garoto. Jackson pediu que seu nome não fosse incluído nos créditos e que outro cantor gravasse as partes cantadas. Por questões contratuais com a gravadora, Kipp Lennon gravou as canções, enquanto Jackson recebeu o crédito de John Jay Smith. Hank Azaria fez a voz natural de Leon no desfecho. A canção "Happy Birthday Lisa", composta por Jackson, foi posteriormente incluída no álbum Songs in the Key of Springfield. Dirigido por Rich Moore, este foi o último episódio produzido para a segunda temporada, mas acabou escolhido para abrir a terceira.
Referências culturais As cenas no hospital psiquiátrico fazem referência a One Flew Over the Cuckoo's Nest (1975), com pacientes inspirados nos personagens do filme. Também aparece Hannibal Lecter, de The Silence of the Lambs (1991). Enquanto Bart preenche o questionário, Homer assiste a uma paródia de America's Funniest Home Videos, cujos vídeos mostram situações violentas. Uma versão instrumental de "Crazy", gravada por Patsy Cline, toca quando Marge telefona para o hospital. As referências à carreira de Jackson abrangem o especial Motown 25: Yesterday, Today, Forever e as canções "Beat It" e "Thriller". O bichinho de pelúcia de Leon se chama Bubbles, em alusão ao chimpanzé do cantor. O personagem ainda canta trechos de "Billie Jean" e "Ben" e executa o moonwalk.
Repercussão Audiência e análise da crítica Na exibição original nos Estados Unidos, "Stark Raving Dad" registrou 13,9 pontos de audiência e 23% de participação entre os televisores ligados, segundo a Nielsen Ratings. Foi assistido em aproximadamente 12,8 milhões de domicílios e terminou em 33.º lugar na classificação semanal. No mesmo horário, ficou atrás de The Cosby Show, que alcançou 19,7 pontos. Foi o segundo programa mais assistido da Fox na semana de 16 a 22 de setembro de 1991, depois de Married... with Children.
Josh Levin, do site Slate, elogiou a decisão de apresentar Jackson por meio de um personagem, em vez de inserir o próprio cantor em Springfield. Monica Collins, do Boston Herald, destacou as piadas visuais e considerou que a excentricidade do convidado combinava com a série. Robert Canning, da IGN, avaliou o resultado como divertido e comovente, ressaltando a disposição de Jackson para brincar com a própria figura. Colin Jacobson, do DVD Movie Guide, aprovou a participação, mas apontou excesso de sentimentalismo e sentiu falta do humor mais ácido da série. Nate Meyers, do site Digitally Obsessed, preferiu as piadas do hospital à segunda metade, na qual a insistência em emocionar o público prejudicaria a história. Ben Rayner, do Toronto Star, incluiu o episódio entre os três piores da série em 2007 e criticou "Happy Birthday Lisa". Por outro lado, Mike Moody, do site TV Squad, destacou a apresentação da canção como o momento mais afetuoso da narrativa e elogiou a combinação de humor absurdo, comentário social e emoção.
Avaliações retrospectivas Em 1998, a revista TV Guide incluiu "Stark Raving Dad" entre os doze melhores episódios da série. Eric Eisenberg, do site Television Blend, escolheu-o como o melhor em 2011, destacando o equilíbrio entre humor e emoção. Eric Goldman, Dan Iverson e Brian Zoromski, da IGN, colocaram Jackson em quinto lugar em sua seleção dos melhores convidados, enquanto Andrew Martin, do site Prefix Mag, o classificou como seu segundo convidado musical favorito. Em entrevista ao The Daily Telegraph, em 2003, Jean incluiu a cena do aniversário entre seus cinco momentos favoritos de The Simpsons.
Abertura alternativa A reexibição de 30 de janeiro de 1992 apresentou uma abertura em resposta a um discurso do então presidente dos Estados Unidos, George H. W. Bush. Três dias antes, durante a campanha pela reeleição, Bush havia defendido que as famílias americanas fossem mais parecidas com a de The Waltons e menos com os Simpsons. Os roteiristas adaptaram uma cena de "Simpson and Delilah", na qual a família assiste à televisão. Ao ouvir o presidente, Bart afirma que os Simpsons também são como os Waltons, pois rezam pelo fim da depressão econômica. A piada relaciona o período retratado em The Waltons à crise econômica do início dos anos 1990. Nancy Cartwright foi chamada para gravar a fala, e a abertura foi incluída no DVD da quarta temporada.
Continuação não produzida Um ano após a estreia, a equipe planejou uma continuação em que Leon Kompowsky afirmaria ser Prince. Escrito por colaboradores externos e revisado por Conan O'Brien, o roteiro mostraria o personagem incentivando os moradores de Springfield a se comportar de maneira mais extravagante e a tratar a sexualidade com maior liberdade, segundo Reiss. Prince aceitou participar e enviou sugestões para o figurino, mas os produtores descobriram que o cantor se referia a outro texto, escrito por seu motorista. Como exigiu que essa versão fosse usada e a equipe recusou, a continuação foi abandonada. Após a morte de Prince, em 2016, Jean divulgou imagens de duas páginas do roteiro.
Reexibições e retirada de circulação Após a morte de Michael Jackson, a Fox reexibiu "Stark Raving Dad" em 5 de julho de 2009 como homenagem. A transmissão estava inicialmente prevista para 28 de junho, mas dificuldades com os direitos de exibição levaram a emissora a apresentar o videoclipe de "Do the Bartman" naquela data. Antes de recolocar o episódio no ar, os produtores revisaram o material e fizeram apenas uma alteração: desfocaram um número de telefone.
Em março de 2019, os produtores retiraram o episódio de circulação após o lançamento de Leaving Neverland, documentário que apresentou acusações de abuso sexual infantil contra Jackson. O cantor havia negado acusações de abuso e sido absolvido em um julgamento em 2005. Em entrevista ao The Wall Street Journal, reproduzida pelo The Guardian, Brooks reconheceu o valor afetivo do episódio para a equipe, mas defendeu a decisão de retirá-lo. Em entrevista ao The Daily Beast, Jean afirmou acreditar que Jackson havia usado sua participação para se aproximar de meninos com fins de abuso. O episódio também ficou de fora do catálogo de lançamento do Disney+, em 2019.
Isaac Butler, do Slate, criticou a retirada por considerá-la prejudicial à preservação da arte e da história da televisão. Segundo o autor, a decisão evidenciava o poder das empresas de retirar de circulação obras associadas a artistas controversos para resguardar a própria reputação, em meio ao declínio da mídia física. Em abril de 2026, com a retomada do interesse por Jackson após o lançamento da cinebiografia Michael, Jean reiterou que desejava manter o episódio fora de circulação, conforme informou Keegan Kelly no site Cracked.com.
Ligações externas "Blood Feud" no The Simpsons Archive
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