Sionismo cristão é uma posição, ideologia e crença religiosa compartilhada entre alguns grupos cristãos, principalmente protestantes evangélicos,Nederveen Pieterse, J. (1991). The History of a Metaphor: Christian Zionism and the Politics of Apocalypse. Archives de Sciences Sociales des Religions, 36(75), 75-103. de que o retorno dos judeus à Terra Santa, e o estabelecimento do Estado de Israel em 1948, estão de acordo a profecia bíblica. O sionismo cristão sobrepõe-se mas é distinto do movimento do século XIX pelo retorno dos judeus à "Terra Santa", que teve adeptos motivados tanto por convicções religiosas como políticas. O conceito de sionismo cristão popularizou-se em meados do século XX, substituindo o termo restauracionismo.Christian Zionism - What is it? Is it biblical? Is it dangerous? Does it matter? Por David R. Reagan.
Alguns cristãos sionistas acreditam que o ajuntamento dos judeus em Israel é uma condição escatológica para a Segunda Vinda de Jesus.Tal crença é principalmente, embora não exclusivamente, associada com o ramo teológico do Dispensacionalismo.A ideia e concepção de um retorno judaico a Terra Santa tem sido comum nos círculos protestantes desde a Reforma.Oren, Michael, Power, Faith and Fantasy: America in the Middle East: 1776 to the Present, W.W. Norton, 2007Boyer, Paul S., When Time Shall Be No More: Prophecy Belief in Modern American Culture, Cambridge, MA: Harvard University Press, 1992.Berlet, Chip, and Nikhil Aziz. “Culture, Religion, Apocalypse, and Middle East Foreign Policy,” IRC Right Web, Silver City, NM: Interhemispheric Resource Center, 2003, online
Tal como os sionistas religiosos judeus, muitos cristãos sionistas acreditam que o povo de Israel é o povo escolhido de Deus, juntamente com os cristãos e gentios enxertados [ Romanos 11, 17-24].
Entre os que defenderam ou profetizaram a retomada da terra de Israel pelos judeus estiveram John Milton, Locke, Newton, Priestley, Fichte e Robert Browning, além do caso mais conhecido de George Eliot. Entre os políticos podem ser citados Lord Shaftesbury, Palmerston, Milner e Lloyd George. Na tradição iluminista, recorde-se o chamado de Napoleão aos judeus para a reconquista de seu patrimônio durante a campanha síria de 1799. Perry Anderson. Em Disparada Rumo a Belém. Novos Estudos Cebrap, ed. 62.
O cristianismo judaico é multifacetado e várias religiões tem diferentes interfaces com eles desde a Antiguidade pelo menos.
Visão cristã sobre o judaísmo
A Terra de Israel como divinamente ordenada
miniaturadaimagem|397x397px|Mapa representando a Terra de Israel tradicional. Os sionistas que são judeus religiosos consideram o sionismo e o judaísmo inseparáveis, sendo o primeiro um componente central do segundo. Como evidência, apontam para o papel contínuo da Terra de Israel como o território nacional dado por Deus ao povo israelita, e posteriormente judeu, ao longo de todo o Tanakh; e o conceito de retorno à terra como uma característica regular das práticas religiosas na diáspora judaica. Os sionistas cristãos não católicos também acreditam que a terra foi divinamente ordenada para os judeus, mas que o retorno da soberania judaica antecipa a Segunda Vinda de Jesus. No cerne dessas crenças está a narrativa bíblica de Gênesis 12, onde Abraão é escolhido por Deus para ir a Canaã e se tornar o pai de uma nação; isso é interpretado como o ponto de partida para um povo judeu divinamente ordenado em seu próprio território nacional definido.
Alguns setores da Igreja Católica, particularmente na Europa e na América do Norte, fazem lobby para afirmar a reivindicação sionista sobre a Terra de Israel como teologicamente válida. Gavin D'Costa, um sionista católico, escreve que qualquer tentativa da Igreja de endossar o sionismo com base teológica seria recebida com enorme hostilidade pelos cristãos do Oriente Médio.
Sionismo católico O fenômeno do judaísmo católico surge na Idade Moderna e se consolida em meados do Século XX, quando o Estado de Israel foi estabelecido, e tem suas origens na mudança de posição do Concílio Vaticano II em relação ao povo judeu. Jimmy Akin escreve que, apesar da recusa da Igreja Católica em endossar o sionismo com base teológica, a opinião de um católico de que os judeus têm direito à Terra de Israel devido à promessa de Deus está "dentro do âmbito da especulação teológica permitida".
Gavin D'Costa escreve que o sionismo católico tem como fundamento teológico "o dom incondicional da eleição do povo judeu" e a "visão bíblica" do governo judaico na Terra Santa, mas é único em vários aspectos que o distinguem do sionismo cristão protestante tradicional. Segundo D'Costa, isso afirma que a soberania judaica sobre a Terra de Israel é condicional, com base em Levítico 18:28: "Não suceda que a terra, sendo contaminada por vós, vos vomite também a vós, como vomitou a nação que foi antes de vós". Isso diferencia o sionismo católico da "confiança escatológica de muitos protestantes que imaginam o Estado de Israel como o cumprimento de profecias sobre o fim dos tempos". O sionismo católico também demonstra simpatia pelas preocupações palestinas e vislumbra a governança judaica na Terra Santa como possível num sentido binacional ou como parte de uma estrutura multinacional mais ampla, não precisando necessariamente assumir a forma do atual Estado-nação israelense.
Em 2025, surgiu uma ruptura entre a Kairos Palestine, liderada por católicos, mas composta por palestinos católicos, ortodoxos e protestantes, e a Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB). Isso ocorreu depois que a USCCB divulgou uma publicação conjunta com o Comitê Judaico Americano, cujo objetivo era "condenar o antissemitismo e educar os católicos sobre frases e crenças antissemitas". A organização Kairos Palestine condenou a publicação como "teologicamente e moralmente errada" e rejeitou a defesa do documento feita pelo arcebispo Timothy Broglio, presidente da USCCB e enquanto isso, alguns católicos hebreus servem nas Forças de Defesa de Israel.
Reações A organização Judeus pelo Judaísmo foi fundada em 1985 pelo rabino Bentzion Kravitz cuja principal finalidade é fornecer recursos de ajuda para os judeus de todo o mundo para que redescubram e fortaleçam sua herança judaica.
A organização é não denominacional e visa combater missionários e cultos que buscam converter judeus, com a Judeus por Jesus. São oferecidas aulas, aconselhamento e outra perspectiva para os judeus que foram persuadidos por organizações missionárias cristãs, buscando refutar a ideia de Jesus como o Messias judeu usando trechos do Novo Testamento.
Um de seus membros proeminentes, Larry Levey, foi um judeu convertido ao cristianismo que depois retornou ao judaísmo e liderou o escritório de Baltimore do Jews for Judaism por vários anos. A organização surgiu como uma resposta aos movimentos proselitistas principalmente de cunho evangélico entre os quais o Judaísmo messiânico.
Comparação com os cruzados Alguns muçulmanos compararam o sionismo com os cruzados medievais da Igreja Católica, no sentido de que ambos são vistos como intrusos na Palestina, que é percebida como pertencente por direito ao domínio muçulmano (Dar al-Islam).
Ver também Proponentes notáveis Arthur BalfourBrog, David, Standing with Israel, FrontLine, 2006. John Nelson Darby Tom DeLay Jerry Falwell John Hagee Alan Keyes Pat Robertson David PawsonDavid Pawson, Defending Christian Zionism. Terra Nova Publications, 2008, ISBN 9781901949629 Orde Wingate Sandor Nemeth William Eugene Blackstone Reverendo William H. Hechler Anthony Ashley-Cooper, 7º Conde de Shaftesbury|Anthony Ashley Cooper Malcolm Hedding James David ManningAudio: Reverend Manning Talks About American Black-Jewish Relations Jair Bolsonaro “Se eu fosse presidente, reconheceria Jerusalém como capital de Israel”, afirma Jair Bolsonaro. Notícias Gospel +, 12 de dezembro de 2017. Marco FelicianoJudeus reclamam do uso de símbolos por Bolsonaro. Correio Braziliense, 25 de agosto de 2019. Donald Trump
Bibliografia James Alton Croker III. Peace on G-d's terms: The ideological project of Christian Zionism (2008). Master's Theses and Capstones, 72. University of New Hampshire. Paul Richard Wilkinson. For Zion's Sake: Christian Zionism and the Role of John Nelson Darby ISBN 978-1-84227-569-6, Paternoster Press, Authentic, Carlisle 2008. Zev Chafets. "A Match Made in Heaven: American Jews, Christian Zionists, and One Man's Exploration of the Weird and Wonderful Judeo-Evangelical Alliance" 2007 HarperCollins Victoria Clark. "Allies for Armageddon: The Rise of Christian Zionism" 2007 Donald M. Lewis "The Origins of Christian Zionism: Lord Shaftesbury and Evangelical Support for a Jewish Homeland" Cambridge University Press. 2009. ISBN 978-0-521-51518-4 Rammy Haija. The Armageddon Lobby: Dispensationalist Christian Zionism and the Shaping of US Policy Towards Israel-Palestine. Holy Land Studies 5(1):75-95. 2006. The Armageddon Lobby Irvine Anderson. Biblical interpretation and Middle East policy: the promised land, America, and Israel, 1917-2002. University Press of Florida. 2005. ISBN 0-8130-2798-5. Tony Campolo. The Ideological Roots of Christian Zionism. Tikkun, janeiro-fevereiro de 2005. Stephen Sizer. Christian Zionism: Road map to Armageddon? InterVarsity Press. 2004. ISBN 0-8308-5368-5. Review Gershom Gorenberg. The End of Days: Fundamentalism and the Struggle for the Temple Mount. Oxford University Press. 2002. ISBN 0-19-515205-0 Paul Charles Merkley. The Politics of Christian Zionism 1891–1948. Frank Cass. 1998. ISBN 0-7146-4850-7 Lawrence Jeffrey Epstein. Zion’s call: Christian contributions to the origins and development of Israel. University Press of America. 1984. Michael Oren. Power, Faith and Fantasy. New York, 2007. Barbara W. Tuchman. Bible and Sword.New York, 1956. David Pawson. "Defending Christian Zionism" Terra Nova Publications, 2008. ISBN 978-1-901949-62-9
Ver também Catolicismo e sionismo Cristianismo e antissemitismo Direita cristã Dispensacionalismo Donald Trump e o antissemitismo Judaísmo e cristianismo Narcopentecostalismo Sionismo
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