Katia Bronstein (Rio de Janeiro, 23 de junho de 1965) é uma cantora, compositora, atriz e bailarina brasileira. Graduada em Teatro pela Casa das Artes de Laranjeiras e formação no Teatro O Tablado. Seguiu carreira no teatro, cinema e como cantora de bossa nova e MPB eletrônica. Com o nome artístico Katia B, lançou cinco álbuns apostando em um estilo eclético que une bossa nova, MPB, indie, trip hop britânico, influências étnicas e orientais e música eletrônica: Katia B, em 2000, Só deixo meu coração na mão de quem pode, em 2004, Espacial, em 2007, Para mim você é lindo, em 2012, e Canções de outro mundo, em 2022. Katia é judia de origem russo-asquenazita.
A artista já trabalhou como cantora e compositora com instrumentistas e cantores brasileiros renomados do jazz, da bossa nova e da tropicália. Faz parte da primeira geração do movimento de renovação da música popular brasileira nos anos 2000, a nova MPB, ao lado de Bebel Gilberto, Tulipa Ruiz, Daúde, Céu, Tiê, Giana Viscardi, Ana Ratto, Verônica Ferriani, Fernanda Porto, Ana Cañas, Jussara Silveira, Nina Becker, Alice Caymmi e Vanessa da Mata.
No teatro, trabalhou com os diretores Luís Antonio Martinez Corrêa, Walter Clark, Monique Gardenberg, Aderbal Freire Filho e Maria Clara Machado.
Biografia Katia Bronstein vem de uma grande família musical, que promove diversas celebrações judaicas repletas de danças e músicas tradicionais. A mãe de Katia, cantora de fado, recebia artistas de diversas origens musicais nos saraus em casa. Quando criança, participava de corais e teve aulas de violão e canto com o maestro Egberto Gismonti. Katia costumava tocar violão em rodas de amigos na adolescência. A experiência da vida em família faz parte do trabalho da artista. A artista tem canções compostas em homenagem aos pais, avós e filhos. Além disso, insere seus filhos Branca e Vicente em suas produções artísticas.
Katia começou na música cantando nos saraus pdo Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A artista é conhecida como uma das fundadoras do Circo Voador, palco artístico alternativo criado no Arpoador, Rio de Janeiro, em 1981. Fez parte do curso de Perfeito Fortuna com integrantes do grupo Asdrúbal Trouxe o Trombone, ao lado de Bebel Gilberto, Cazuza e Deborah Colker. Cazuza, Katia Bronstein, Bebel Gilberto, Alice de Andrade e Perfeito Fortuna criaram um grupo de teatro amador e encenaram a peça Paraquedas do Coração.
A artista estreou como atriz e bailarina na versão brasileira do musical A Chorus Line, aos 17 anos, em 1982. No espetáculo, explorou sua veia cômica no papel de Bebe Benzenheimer. Na mesma época, fez parte da primeira formação da banda de pop rock Blitz ao lado de Lobão e Evandro Mesquita.
Katia Bronstein integrou o elenco da minissérie policial de 25 capítulos Tudo em Cima, da Rede Manchete em 1986. O programa foi exibido de março a abril de 1986, escrito por Bráulio Pedroso e Geraldo Carneiro e dirigido por Ary Coslov. Em 1989, atuou no programa de TV de sátira política Cabaré do Barata, de Agildo Ribeiro. A atriz participava de quadros de paródias musicais e esquetes com Agildo Ribeiro, no humorístico apresentado às quartas-feiras, às 22h.
Já na TV Globo, fez uma participação na novela Rainha da Sucata, como a colega na aula de dança da bailarina Adriana Ross, papel da atriz Claudia Raia, em 1990. No mesmo ano, Katia interpretou Roseta na minissérie de comédia de época La Mamma. Roseta trabalhava como empregada doméstica na casa da Mamma, personagem de Dercy Gonçalves. Em 1996, Katia fez parte do elenco da segunda temporada da novela Malhação, como a vilã Lila Shue, uma cantora famosa e mãe de Jade, interpretada pela atriz Luiza Curvo. A atriz interpretou Dora, uma trapezista que sofre um acidente e precisa fazer uma cirurgia no seriado Mulher, episódio "De braços abertos", em 1998. Katia entrou na novela Passione em 2010, interpretando Françoise Caron, uma decoradora francesa que participou do núcleo de comédia da trama ligado ao "Rei do Lixo", Olavo, personagem de Francisco Cuoco. Em 2021, participou de dois episódios da minissérie Passaporte para liberdade como Sidonie Moebius, mãe da protagonista Aracy Moebius de Carvalho Guimarães Rosa, o Anjo de Hamburgo, interpretada por Sophie Charlotte. Foi a primeira produção da TV Globo em inglês, uma parceria com a Sony Pictures Television.
Cinema brasileiro e internacional A estreia de Katia Bronstein no cinema foi no filme Bar Esperança, dirigido por Hugo Carvana, em 1983. Logo no início do longa, Katia contracena com a atriz Maria Gladys e a protagonista, Marília Pêra. A personagem da atriz, Tininha, faz parte do grupo de amigas que frequentam o Bar Esperança. Cabe destacar a presença de Katia no papel de Mimi Bibelô, na versão de Ruy Guerra do filme Ópera do Malandro, em 1987. A atriz participou do filme internacional O Quinto Macaco, em 1990, no papel de Mrs. Tramp.
Em 1991, Katia atuou no longa policial noir A Grande Arte como uma modelo assassinada em um hotel. O primeiro filme dirigido por Walter Salles é uma adaptação do romance de Rubem Fonseca. Em 1995, a atriz participou do curta-metragem Biu, ou a Vida Real não tem Retake, como Aída de Verdi. O filme do roteirista e diretor Paulo Halm teve ainda no elenco os atores Paulo Betti e Fábio Assunção.
No filme Buena Sorte, a artista interpretou a cantora Cilene, e participou da trilha sonora com canções originais, em 1997. Katia foi Hannah no longa Lost Zweig, em 2002, uma adaptação do livro "Morte no paraíso, a tragédia de Stefan Zweig", de Alberto Dines. O filme conta a história do escritor austríaco judeu Stefan Zweig, da chegada ao Brasil com sua esposa, Lotte Zweig, a publicação do livro "Brasil, o país do futuro" até a morte do casal, em 1942.
Documentário Katia participou do documentário Herbert de Perto, de 2009, que mostrou o processo de recuperação do cantor e guitarrista Herbert Vianna, d'Os Paralamas do Sucesso, após o acidente de 2001. Herbert Vianna também contribuiu com composições para os álbuns Xicotinho e Salto Alto e Katia B. Em 2020, Katia aparece no documentário Blitz, já que fez parte da história da primeira formação da banda. Dois anos depois, a artista esteve no documentário Fausto Fawcett na cabeça, a história de vida de seu companheiro de composições, Fausto Fawcett.
Teatro Após a turnê de A Chorus Line, Katia atuou, em 1984, no musical A Lenda da Pérola, montagem do Teatro de Arena do Rio de Janeiro com direção de Marcio Augusto. Em 1986, a artista esteve no musical Mahagonny, adaptação de Luís Antonio Martinez Corrêa de "Ascensão e queda da cidade de Mahagonny (1928-1929)", de autoria do dramaturgo alemão Bertolt Brecht e músicas de Kurt Weill, em 1986. No ano seguinte, Katia foi escalada para a montagem musical Gardel, uma lembrança, do escritor argentino Manuel Puig e direção de Aderbal Freire-Filho, e dividiu o palco com Thales Pan Chacon e Inez Viana. A atriz participou da peça infantil Tribobó City, com direção de Maria Clara Machado, no curso do Teatro O Tablado, em 1988.
A artista fez parte do elenco carioca de 2002 da peça Os sete afluentes do rio Ota, adaptação do livro do diretor de teatro canadense Robert Lepage, com direção da dramaturga Monique Gardenberg. O épico teatral é dividido em sete atos ou capítulos e tem, aproximadamente, cinco horas de duração. A história tem início em Hiroshima, em 1945, após o fim da Segunda Guerra Mundial, e se passa por diversos países como Estados Unidos e Holanda.
Katia atuou na peça de teatro online Aquele que caminha ao lado, com texto de Daniela Smith e direção de Francisco Taunay, Bernardo Vilhena e Thiago Sacramento, exibida pela plataforma Zoom durante a pandemia de COVID-19, de 14 de dezembro de 2020 a 25 de janeiro de 2021. A artista participou da montagem de Despertar, com direção de César Augusto, no Espaço Sérgio Brito, no Rio de Janeiro. A peça, baseada em O Despertar da Primavera, de Frank Wedekind, fez parte da formatura do Bacharelado em Teatro na Casa das Artes de Laranjeiras, e ficou em cartaz de 7 a 9 de julho de 2022. Em 2025, Katia Bronstein fez parte da estreia da nova montagem do musical A Chorus Line, no Teatro Villas-Lobos, São Paulo. Os bailarinos da versão de 1982 participaram do último número, a canção "One".
Publicidade Em 1987, participou de uma das mais famosas aberturas do Fantástico junto com Isadora Ribeiro e Ciro Barcelos. Os bailarinos representavam os quatro elementos: ar, fogo, terra e ar. A abertura do programa se destacou pelos efeitos especiais em estúdio. Os artistas saíam lentamente de dentro de um cenário que reproduzia as águas do lago Mono, na Califórnia.
Ao lado do ator Felipe Pinheiro, protagonizou o anúncio do primeiro casal Unibanco, criado por Washington Olivetto e dirigido por Walter Salles, em 1994.
De Xicotinho e Salto Alto a Katia Talismã Katia formou uma dupla sertaneja com Stella Miranda, Xicotinho e Salto Alto. A estreia foi no Teatro Hilton cantando em um cenário que lembrava uma borracharia, em 1992. A dupla lançou um álbum de mesmo nome no mesmo ano. As músicas, compostas por grandes nomes da MPB e do rock, como Herbert Vianna, Marisa Monte e Titãs, tinham uma pegada folk e country que exploravam a veia humorística das cantoras-atrizes. Stella Miranda também traduziu músicas para o português do filme Nashville especialmente para o álbum. Ainda no ano de 1992, a dupla lançou o clipe da música "Você é doida demais", letra de Lindomar Castilho e Ronaldo Adriano, com adaptação de Stella Miranda. A dupla Xicotinho e Salto Alto se apresentou em programas de TV e fez shows pelo Brasil em feiras agropecuárias e grandes eventos, como a Festa do Peão de Barretos.
Tempos depois, encarnou a personagem "Katia Talismã" no show Básico Instinto, de rock experimental, funk e rap, do cantor e compositor Fausto Fawcett, em 1993. Ao lado da banda Falange Moulin Rouge, composta por Dado Villa-Lobos na guitarra, Dé Palmeira no baixo, Ary Dias na percussão e João Barone e Charles Gavin na bateria, Katia cantou, produziu e compôs músicas com Fawcett para o álbum Básico Instinto.
Katia B Katia é conhecida como uma das precursoras da mistura de batidas eletrônicas com a música brasileira. A cantora lançou cinco álbuns: Katia B, em 2000, Só deixo meu coração na mão de quem pode, em 2004, Espacial, em 2007, Para mim você é lindo, em 2012, e Canções de outro mundo, em 2022. Para esta fase, Katia deixou o sobrenome Bronstein e assinou apenas como Katia B. Katia explicou, em entrevista de 2013, que a sua família judia foi a inspiração para os ritmos orientais em todos os álbuns. "Minha família sempre participa das comemorações judaicas e sinto um grande prazer em celebrar as datas e ouvir as músicas. Essas melodias sempre ficam na minha cabeça", disse a artista. "Meus discos sempre têm uma certa escala oriental, seja nas letras ou na instrumentação. Isso me remete muito a uma coisa feminina e misteriosa".
Primeiro álbum: Katia B O primeiro álbum, Katia B, em 2000, apresentou uma mistura de bossa nova, trip hop e música oriental com mixagem feita pelo produtor Mitar Subotic, o Suba, iugoslavo radicado no Brasil. Participaram do álbum o guitarrista Gustavo Corsi, o violonista Tom Capone, o baterista João Barone, o baixista Plínio Gomes, o percussionista João Parahyba, o tecladista Marcos Cunha, o guitarrista e vocalista Herbert Vianna, acordeão de Marcos Nimrichter, aliado aos violoncelistas Lui Coimbra e Hugo Pilger. Entre os compositores estão Katia B em "Diva" e acompanhada de Fausto Fawcett e Laufer em "Beijos de Beco", de Suely Mesquita e Marcos Cunha em "Risos e Chá", de Arícia Mess em "Nem aí" e de Mathilda Kóvac em "Pólos". As outras composições foram "Copo Vazio", de Dé Palmeira e João Barone, "Que horas não são", de Vitor Ramil, "Noites de sol, Dias de lua", de Herbert Vianna, "Polos", de Mathilda Kóvac, Alvin L. em "Framboesas", e Lucio K, em "Na Lagoa Dub".
Só deixo meu coração na mão de quem pode