Conde de Vila Nova de Cerveira foi um título de nobreza português criado por decreto do rei D. Luís I, datado de 19 de maio de 1866, em favor de D. Pedro José Nazareno de Noronha, filho dos 9.os Condes dos Arcos.
A mercê foi concedida numa única vida e o condado teve apenas um titular. O 1.º Conde faleceu em 1907 sem descendência do seu casamento, extinguindo-se com ele o título. A representação da designação é hoje usada na família Noronha de Alarcão, na pessoa de D. Pedro José Wagner de Noronha de Alarcão, igualmente Conde dos Arcos de Valdevez.
História
Antecedentes: o Viscondado de Vila Nova de Cerveira A vila de Vila Nova de Cerveira, no Alto Minho, deu nome a um dos mais antigos títulos da nobreza portuguesa. O Viscondado de Vila Nova de Cerveira foi concedido em 1476 a D. Leonel de Lima, senhor de Ponte de Lima, por documento assinado em Toro dois dias depois da batalha que pôs termo às pretensões de D. Afonso V à coroa de Castela. A casa manteve-se na varonia dos Lima até à morte do 5.º Visconde, em 1578, seguindo depois nos Lima Brito Nogueira e, mais tarde, nos Marqueses de Ponte de Lima.
Foi de um filho dos 7.os Viscondes de Vila Nova de Cerveira, D. Luís de Lima e Brito Nogueira, que saiu no século XVII o título de Conde dos Arcos, designação completa Conde dos Arcos de Valdevez, casa de que era filho o futuro 1.º Conde de Vila Nova de Cerveira. O condado criado em 1866 constitui, porém, uma mercê nova e autónoma, sem relação sucessória com o viscondado quatrocentista.
O 1.º Conde de Vila Nova de Cerveira miniaturadaimagem|230x230px|Retrato do 1.º Conde de Vila Nova de Cerveira, atribuído a D. Luís I, no Palácio Nacional da Ajuda em 1888. Dom Pedro José Nazareno de Noronha nasceu em Lisboa, na freguesia do Salvador, a 13 de novembro de 1817, e faleceu na mesma cidade, na freguesia da Madalena, a 14 de abril de 1907. Era filho de D. Manuel de Noronha e Brito (nascido em 1792), 9.º Conde dos Arcos, e de sua mulher D. Bárbara Maria da Silva Telo e Menezes Côrte Real (nascida em 1782).O índice da base NÓS Portugueses regista o titular sob a forma «D. Pedro José de Noronha, Conde de Vila Nova Cerveira», indicando 1835 como ano de nascimento, o que diverge das restantes fontes aqui citadas. A ficha completa não é de acesso livre, pelo que a divergência não pôde ser esclarecida. O Palácio dos Condes dos Arcos situava-se no Largo do Salvador, em Lisboa, ao lado do Convento do Salvador, na mesma freguesia em que nasceu o futuro 1.º Conde de Vila Nova de Cerveira.
Combateu pela família real na guerra da Maria da Fonte, onde foi ferido.
Casou em Lisboa, na freguesia da Madalena, a 8 de janeiro de 1857, com Catarina Rita Machado, nascida em 1823, de quem não houve descendência. A chefia da Casa dos Arcos seguiu na pessoa de D. Nuno José de Noronha e Brito (1816–1892), 10.º Conde dos Arcos.
Na corte, o 1.º Conde foi camarista do rei D. Carlos I e oficial-mor da Casa Real, e foi sócio do Clube Tauromáquico. Nas suas Memórias, publicadas em 1919, Raul Brandão conta-o entre os velhos servidores com ofício na corte que rodeavam o rei, ao lado do Marquês de Alvito e do Conde de Ficalho.
O próprio D. Carlos I deixou dele, nos seus apontamentos particulares, uma apreciação em que o descrevia como o verdadeiro fidalgo antigo, com todas as qualidades e defeitos do tipo, para quem «o seu Rei é o seu Deus», e que executaria sem hesitar qualquer ordem régia, ainda que fosse um disparate de consequências graves.
Brandão registou, para a desmentir categoricamente, a versão então corrente de que o Conde teria morrido em consequência de ter sido preterido pelo Conde de Sabugosa na nomeação de novo mordomo-mor da Casa Real, por influência da rainha. Segundo o memorialista, D. Pedro de Noronha, a quem trata pelo nome corrente de «o Paço de Arcos», morreu de velhice, era homem sem cultura e tinha oitenta e seis anos à data em que foi necessário nomear novo mordomo-mor, por morte do Conde de Ficalho.
Retrato Um retrato do 1.º Conde conserva-se no Palácio Nacional da Ajuda e é atribuído ao próprio D. Luís I, o monarca que lhe concedera o título. A atribuição assenta no testemunho de Pedro Dias, criado da Casa Real que acompanhou os arroladores a partir de 1911, e é corroborada por uma notícia do Diário de Notícias de 27 de maio de 1888, que dava conta de que o rei estava a trabalhar no retrato, sem afirmar que o tivesse concluído. A qualidade da obra admite a hipótese de uma autoria partilhada com um pintor profissional, talvez Enrique Casanova.
Segundo o Arrolamento Judicial dos bens da Casa Real, no início da década de 1910 a pintura encontrava-se no Atelier de Pintura, inventariada sob a verba U 47. Passou depois pela Galeria de Quadros, pelo Corredor D. Luís, pelo Quarto do Rei no Andar Nobre e novamente pelo Corredor D. Luís, tendo sido transferida em novembro de 2017 para o Corredor do Elevador da Rainha.
Extinção e representação do título Com a implantação da República em 1910, os títulos nobiliárquicos deixaram de ter reconhecimento oficial em Portugal, passando o seu uso e registo a depender de entidades privadas.
A varonia dos Condes dos Arcos passou à família Alarcão pelo segundo casamento, celebrado em Lisboa a 30 de outubro de 1893, de D. Maria do Carmo Geraldes Barba de Noronha e Brito (1866–1961), 11.ª Condessa dos Arcos e 3.ª Viscondessa de Trancoso, com D. Henrique José de Brito e Meneses de Alarcão (1862–1915).
D. Marcos José Wagner de Noronha de Alarcão (n. 1949), 13.º Conde dos Arcos, 11.º Conde de São Miguel e 5.º Visconde de Trancoso por alvará do Conselho de Nobreza de 24 de junho de 1985, sendo solteiro, renunciou aos títulos no irmão segundogénito D. Pedro José Wagner de Noronha de Alarcão, que passou a usar também o de Conde de Vila Nova de Cerveira.
O Instituto da Nobreza Portuguesa registou a designação em nome de D. Pedro José Wagner de Noronha de Alarcão, por certificado de 29 de abril de 2013. O mesmo titular figura naquele registo como Conde dos Arcos de Valdevez, Conde de São Miguel e Visconde de Trancoso, todos por certificados de 10 de dezembro de 2012.
No mesmo registo, o antigo Viscondado de Vila Nova de Cerveira, com grandeza, aparece atribuído a Francisco Manuel de Vasconcelos e Sousa de Mendonça, Marquês de Ponte de Lima, por certificado de 21 de julho de 2022.
Condes de Vila Nova de Cerveira (1866) # Titular Datas Títulos Notas 1 Pedro José Nazareno de Noronha 1817–1907 1.º Conde de Vila Nova de Cerveira Filho dos 9.os Condes dos Arcos e casado com D. Catarina Rita Machado, sem geração, pelo que foi o único titular do condado. Camarista do rei D. Carlos I e oficial-mor da Casa Real. Combateu na guerra da Maria da Fonte, onde foi ferido.
Representantes do título na República # Nome Datas Título Notas 2 Pedro José Wagner de Noronha de Alarcão n. 1949 2.º Conde de Vila Nova de Cerveira Também 14.º Conde dos Arcos de Valdevez, Conde de São Miguel e Visconde de Trancoso. Sucedeu por renúncia do irmão, o 13.º Conde dos Arcos, e tem registo no Instituto da Nobreza Portuguesa por certificado de 29 de abril de 2013.
Ver também Visconde de Vila Nova de Cerveira Conde dos Arcos Vila Nova de Cerveira
Bibliografia
Vila Nova Cerveira Vila Nova Cerveira Categoria:Fundações em Portugal em 1866 Categoria:Vila Nova de Cerveira