thumb|180px|Representação de um grupo de zumbis.

é um cenário apocalíptico hipotético popular na ficção científica e no terror. No geral, é definido como uma infestação de zumbis em escala catastrófica, levando todas as sociedades ao colapso, e que rapidamente transformaria esta criatura no ser dominante sobre a Terra. Tais criaturas, hostis à vida humana, atacariam a civilização em proporções esmagadoras, impossíveis de serem controladas por forças militares, mesmo com os recursos atuais à disposição.

Em algumas hipóteses, vítimas de um ataque de zumbi também se transformariam nestas criaturas se sofrerem uma mordida ou arranhão de um infectado. Em outras, o vírus pode ser transmitido pelo ar. Finalmente, existe ainda o quadro mais caótico: todo ser humano que morre, independente da causa, torna-se um morto-vivo. Nestes cenários, os zumbis caçam seres humanos para se alimentar. A mordida deles causa a infecção que faz com que um sobrevivente de ataque, posteriormente, também se torne um zumbi. Isto logo se torna uma infestação absolutamente incontrolável, com o pânico causado pela "Praga Zumbi" acarretando o rápido colapso do conceito de civilização contemporâneo. Em pouco tempo, a existência de vida humana no planeta seria reduzida a poucos grupos de sobreviventes – nômades ou isolados – buscando alimento, suprimentos e lugares seguros num mundo desindustrializado, pós-apocalíptico e devastado.

O conceito, nascido na década de 1960, ganhou grande popularidade ao longo dos anos, servindo de tema para incontáveis filmes, seriados, livros, histórias em quadrinhos, videogames e outras obras de variadas mídias. Cultuado – e até mesmo aguardado – por muitas pessoas, há até mesmo os que acreditam na concretização de tal cenário fictício e preparam-se para sua suposta chegada.

Gênero Surgimento O trabalho que serviu de inspiração para o gênero foi o livro I Am Legend ("Eu sou a Lenda"), de 1954. A história, escrita por Richard Matheson, mostrava um sobrevivente solitário chamado Robert Neville travando uma guerra contra a população humana transformada em vampiros. O livro foi mais tarde adaptado para um filme, The Omega Man, de 1971, com Charlton Heston no papel principal. George A. Romero pegou emprestada esta ideia de cenário apocalíptico e utilizou-a no pioneiro A Noite dos Mortos-Vivos de 1968, mas no lugar de vampiros, a ameaça era retratada na forma de zumbis canibais."One for the Fire: The Legacy of Night of the Living Dead" — Night of the Living Dead DVD, 2008, Region 1, Dimension Home Entertainment

Quando o filme de Romero foi ao ar nos cinemas, no dia 1 de outubro de 1968 no Fulton Theater em Pittsburgh,Collum, Assault of the Killer B's, p. 3.Stephen King, Danse Macabre (New York: Berkley Books, 1983), pp. 1–9, ISBN 978-0-425-10433-0 .Roger Ebert, crítica de Night of the Living Dead, Chicago Sun-Times, 5 de janeiro de 196, em RogerEbert.com. Acesso em 24 de junho de 2006. causou grande furor. Tendo sido lançado um mês antes da criação do Motion Picture Association of America (MPAA), órgão que seria responsável pela inserção de censuras de faixa etária nos filmes, muitas crianças e pré-adolescentes encontravam-se nas sessões. O crítico especializado Roger Ebert, do Chicago Sun-Times, declarou na época que a característica de Night of Living Dead de que, ao final de uma terrível e violento pesadelo não havia sobreviventes, de que não existia ali um final feliz, fez o filme tornar-se um chocante e brutal marco. Os espetadores muito jovens foram os que mais sentiram, segundo ele, já que nesta história tudo o que vinha após a terrível e violenta noite retratada no filme era a morte de todos os nela envolvidos.

O conceito de Romero na criação do apocalipse zumbi acabou ficando em segundo plano num primeiro momento, a atenção tendo se focado completamente no excesso de violência e carnificina presentes no filme. A mídia, impulsionada pelo fato de crianças terem reagido ao filme com lágrimas e perturbação, começara a reivindicar por uma censura no cinema, criticando vorazmente a produção.Higashi, "Night of the Living Dead", p. 175. Mesmo com toda a controvérsia gerada, o que ficou foi a análise de que Night of Living Dead havia sido um grande sucesso de bilheteira, como observou Paul McCullough da publicação Take One.Paul McCullough, "A Pittsburgh Horror Story", Take One (No. 6, julho–agosto de 1973), p. 8.Night of the Living Dead at VH1.com. Acesso em 24 de junho de 2006.Wall Street Journal (Nova Iorque), citado em Dillard, "Night of the Living Dead", p. 15.

direita|thumb|200px|Cena de Night of Living Dead, em que a menina Karen Cooper, reanimada como um zumbi, devora o cadáver de seu pai

Mais de 40 anos após seu lançamento, o filme ainda desfruta de magistral reputação e é visto como referência em se tratando de filmes de terror. Tendo sido o pioneiro a utilizar tal conceito apocalíptico e consagrado-se por isto (ainda que, no caso dele, não num primeiro momento), a obra inspirou e inspira até hoje inúmeras produções em diferentes mídias. Além de ter tornado George A. Romero o criador deste gênero. Almar Haflidason, da BBC, declarou que o filme representou "um novo horizonte na forma de se fazer filmes de terror".Almar Haflidason, crítica a Night of the Living Dead, 20 de março de 2001, em BBC. Acesso em 24 de junho de 2006. A obra reinventou o termo "zumbi" na cultura popular - termo este que nem era utilizado desta forma - canibais reanimados e implacáveis - antes de sua obra. Produções cinematográficas citando zumbis anteriores ao filme de Romero, tais como White Zombie de 1932 e I Walked With A Zombie de 1943, mostravam o tema por outra ótica, onde pessoas vivas eram escravizadas mentalmente (como zumbis) por um bruxo praticante de artes negras, como o vodu - isto além de muitos passarem-se no Caribe, longe de qualquer ambiente urbano.

Produções que se sucederam trilharam muitos dos caminhos os quais foram desbravados primeiramente por Night of Living Dead de Romero. O zumbi, da maneira que o diretor o reinventou, tornou-se ícone popular, não mais visto apenas como criatura mitológica. E este novo tipo de morto-vivo - matando e contaminado epidemicamente como um vírus - foi capaz de firmar a bandeira de um novo gênero apocalíptico: o "Apocalipse Zumbi".

Temática A ideia principal por trás do "apocalipse zumbi" é a de que os preceitos da civilização são relativamente frágeis frente a uma ameaça de fato sem precedentes como esta. Com isto em consideração, muitos indivíduos seriam incapazes de tomar uma atitude em prol de um bem maior, já que o custo pessoal para tanto torna-se então caro demais. A narrativa para o apocalipse zumbi carrega fortes relações com o turbulento cenário social que os Estados Unidos viviam na década de 1960, época do lançamento da obra que originou este gênero, o filme A Noite dos Mortos-Vivos.Adam Rockoff, Going to Pieces: The Rise and Fall of the Slasher Film, 1978–1986 (Jefferson, N.C.: McFarland, 2002), p.35, ISBN 0-7864-1227-5."Zombie Movies" in The Encyclopedia of Fantasy, ed. John Clute and John Grant (New York: St. Martin's Press, 1999), p.1048, ISBN 0-312-19869-8 Muitos acreditam ainda que a figura dos zumbis permitem às pessoas lidarem com sua ansiedade pelo fim do mundo. O professor religioso e escritor renomado Kim Paffenroth cita ainda de que "mais que qualquer outra criatura, zumbis são reais e literalmente apocalípticos … eles representam o fim do mundo como o conhecemos".Kim Paffenroth, Gospel of the Living Dead: George Romero's Visions of Hell on Earth. Waco: Baylor University Press, 2006.

Outra característica que sugere a rápida extinção do conceito de sociedade e, consequentemente, da raça humana como predominante na Terra, é a de que pouquíssimos estariam preparados para sobreviverem de fato num cenário hostil, altamente perigoso e desolado. O apocalipse zumbi - assim como outras catástrofes - faria aflorar em certas pessoas menos prováveis o instinto de sobrevivência, bem como mostraria a fragilidade de outras, vistas como "referências", numa situação como esta. Existem também os que já aguardam por este tipo de quadro extremo, os chamados sobrevivencialistas, que rapidamente começariam uma mobilização preventiva caso surgissem os primeiros sinais de uma possível tragédia.

Elementos da história thumb|direita|A Noite dos Mortos-Vivos estabeleceu muitos dos fatos associados ao gênero, incluindo o comportamento irracional, porém implacável, dos zumbis.

Existem alguns pontos em comum ao se criar um "apocalipse zumbi":

os contatos iniciais com zumbis são extremamente traumáticos, causando pânico, choque, descrença e possível negação do fato de tomá-los por verdadeiros, comprometendo a habilidade dos sobreviventes em lidar com encontros hostis; a resposta das autoridades à ameaça é mais lenta que sua taxa de crescimento, dando à contaminação zumbi tempo suficiente para expandir-se além da capacidade de contenção. Isto resulta no colapso da sociedade por completo. Os zumbis tomam o controle total enquanto pequenos grupos de sobreviventes precisam lutar pela sobrevivência.

As histórias normalmente seguem um único grupo de sobreviventes, surpreendidos no início da catástrofe. A narrativa parte então, de maneira geral, para a recuperação do choque causado pelo ataque inicial, indo então para tentativas de buscar ajuda junto das autoridades, fato que resulta na falha das mesmas e na perda da esperança nesta saída. Acompanha-se então o colapso catastrófico de todas as grandes organizações de que se tem notícia. Quando todas as esperanças efetivamente se desvanecem, os sobreviventes reconhecem que estão por conta própria e começam a agir como tal. Tais histórias frequentemente mostram a reação dos personagens em relação a tal tragédia global, e suas personalidades sendo brutalmente alteradas pelo estresse, o que os faz agir muito mais sob motivações mais primárias, tais como medo e auto-preservação, do que fariam em suas vidas normais (como uma esposa que elimina seu marido "zumbificado" para salvar-se, por exemplo).

De maneira geral, os zumbis nestas situações são do tipo lentos, letárgicos, cambaleantes e irracionais - "modelo" que se popularizou no filme A Noite dos Mortos-Vivos. No entanto, filmes criados já nos anos 2000 trouxeram um novo conceito de zumbis, mostrando-os como mais ágeis, ferozes, inteligentes e fortes que os antigos zumbis do cinema. Estes zumbis mostram-se muito mais perigosos, já que apenas um só já constitui grande ameaça para um grupo. Em muitos casos em se tratando destes zumbis "rápidos", os criadores utilizam a premissa de humanos infectados com alguma patogenia, como são os casos do filme Extermínio e do jogo para PCs Left 4 Dead, ao invés de cadáveres reanimados - evitando a "caminhada arrastada dos mortos", presente na variedade de zumbis criada por George A. Romero.

Narrativa A origem da infecção thumb|Representação de um soldado responsável pela contenção de uma população. Note o uso de uma máscara contra gases, decorrente de uma possível origem química da infestação.