A Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (em inglês: United States Agency for International Development, USAID) foi uma agência oficial de ajuda humanitária que respondia por mais da metade de toda a assistência externa dos Estados Unidos — foi a maior do mundo em termos financeiros em dólares. A agência mantinha operações em mais de 100 países, principalmente na África, Ásia, América Latina, Oriente Médio e Europa Oriental.
Em 2025, no início de sua segunda administração Donald Trump anunciou mudanças significativas na USAID. O presidente Trump determinou um congelamento quase total da assistência externa. Além disso, Elon Musk, à frente do recém-criado Departamento de Eficiência Governamental, declarou a intenção de desmantelar a USAID.Site da USAID volta ao ar com nota de despedida; funcionários da agência serão postos de licença, Redação, G1, 5/02/2025
No início de março, o secretário de estado Marco Rubio anunciou que 83% dos programas da USAID seriam cancelados. No final de março, o executivo da USAID, Jeremy Lewin, anunciou planos para integrar os programas restantes ao Departamento de Estado até 1º de julho, "após consultas com o Congresso".
A agência foi dissolvida em 1° de julho de 2025 e suas funcionalidades restantes foram absorvidas pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos.
Criação O Congresso aprovou a Lei de Assistência Estrangeira em 4 de setembro de 1961, que reorganizou os programas de assistência estrangeira dos EUA e determinou a criação de uma agência para administrar a ajuda econômica. A USAID foi posteriormente estabelecida por uma ordem executiva do presidente John F. Kennedy, que buscou unificar várias organizações e programas de assistência estrangeira existentes sob uma única agência. A USAID se tornaria a primeira organização de assistência estrangeira dos EUA cujo foco principal era o desenvolvimento socioeconômico de longo prazo.
O Congresso autorizava os programas da USAID na Lei de Assistência Estrangeira, complementando-os por meio de diretrizes em leis anuais de apropriação de fundos e outras legislações. Como um componente oficial da política externa dos EUA, a USAID operava sob a orientação do presidente, do secretário de Estado e do Conselho de Segurança Nacional.
Propósito A rede descentralizada de missões de campo residentes da USAID foi utilizada para gerenciar programas do governo dos EUA em países de baixa renda para diversos fins, incluindo:
Assistência em desastres Combate à pobreza Cooperação técnica em questões globais, incluindo o meio ambiente Interesses bilaterais dos EUA Desenvolvimento socioeconômico
Assistência em desastres
Alguns programas de ajuda estrangeira dos Estados Unidos enviavam auxílio para crises causadas por guerras. Em 1915, o governo americano, por meio da Comissão de Ajuda à Bélgica, liderada por Herbert Hoover, evitou a fome no país após a invasão alemã. Após 1945, o Programa de Recuperação da Europa, liderado pelo Secretário de Estado George Marshall (conhecido como "Plano Marshall"), ajudou a reconstruir a Europa Ocidental devastada pela guerra.
A USAID coordenou os esforços de resposta a guerras e desastres por meio de seu Departamento de Assistência Humanitária, liderado pelo coordenador federal para assistência a desastres internacionais.
Combate à pobreza Após 1945, muitos países recém-independentes precisavam de assistência para aliviar a privação crônica que afligia suas populações de baixa renda. A USAID e suas agências predecessoras forneciam continuamente ajuda para o alívio da pobreza de diversas formas, incluindo assistência a serviços de saúde pública e educação voltados para os mais pobres. A USAID também ajudou a gerenciar a assistência alimentar fornecida pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.
Questões globais A cooperação técnica entre nações era essencial para abordar uma série de questões transnacionais, como doenças transmissíveis, problemas ambientais, cooperação em comércio e investimentos, padrões de segurança para produtos comercializados, lavagem de dinheiro, políticos, entre outros. Os Estados Unidos possuíam agências federais especializadas nesses setores, como os Centros de Controle de Doenças (CDC) e a Agência de Proteção Ambiental (EPA).
Meio ambiente Entre esses interesses globais, as questões ambientais recebiam grande atenção. A USAID apoiava projetos que conservam e protegem terras, águas, florestas e a vida selvagem ameaçadas. Além disso, a USAID auxiliou em projetos para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e fortalecer a resiliência aos riscos associados às mudanças climáticas globais. As leis de regulamentação ambiental dos EUA exigiam que os programas patrocinados pela USAID seriam tanto economicamente quanto ambientalmente sustentáveis.
Modos de assistência Assistência técnica A assistência técnica incluía aconselhamento especializado, treinamentos, bolsas de estudo, construção e fornecimento de bens. A USAID contratava ou adquiria a assistência técnica e a fornecia diretamente aos beneficiários. Para serviços de consultoria técnica, a USAID recorria a especialistas do setor privado, principalmente do próprio país assistido, além de agências especializadas do governo dos EUA. Muitos líderes governamentais já utilizaram a assistência técnica da USAID para desenvolver sistemas de TI e adquirir hardware de computador para fortalecer suas instituições.
Para desenvolver a expertise local e a liderança, a USAID financiava bolsas de estudo em universidades dos EUA e auxilia no fortalecimento das universidades dos países em desenvolvimento. Programas universitários locais em setores estratégicos para o desenvolvimento eram apoiados diretamente e por meio de parcerias entre universidades do país beneficiado e universidades dos EUA.
As diversas formas de assistência técnica eram frequentemente coordenadas como pacotes de fortalecimento institucional para o desenvolvimento de instituições locais.
Assistência financeira thumb|Competição Nacional de Software de Código Aberto – Assistência Financeira da USAID para Grupos de Desenvolvimento de Tecnologia na Indonésia
A assistência financeira da USAID fornecia recursos monetários para organizações de países em desenvolvimento a fim de complementar seus orçamentos. A USAID também concedia assistência financeira a ONGs locais e internacionais, que, por sua vez, oferecem assistência técnica nos países em desenvolvimento. Embora a USAID anteriormente fornecesse empréstimos, nos últimos anos toda a assistência financeira foi concedida na forma de subsídios não reembolsáveis.
Nos últimos anos de operações da agência, os Estados Unidos enfatizaram mais a assistência financeira do que a assistência técnica. Em 2004, a administração Bush criou a Millennium Challenge Corporation, uma agência de ajuda externa que focava principalmente em assistência financeira. Em 2009, a administração Obama promoveu um grande realinhamento dos programas da USAID para priorizar a assistência financeira, referindo-se a ela como assistência "governo a governo" (G2G).
Missões de campo A USAID embora tinha uma presença mínima em um país, com apenas uma pessoa designada para a Embaixada dos EUA, uma missão completa da USAID em um país maior poderia contar com vinte ou mais oficiais do Serviço Externo da USAID e cem ou mais funcionários profissionais e administrativos do próprio país.
A equipe da missão da USAID era dividida em escritórios especializados em três grupos: (1) escritórios de gestão de assistência; (2) o escritório do diretor da missão e o escritório de programas; e (3) os escritórios de contratação, gestão financeira e instalações.
Escritórios de Gestão de Assistência Chamados de "escritórios técnicos" pelos funcionários da USAID, esses escritórios projetavam e gerenciavam a assistência técnica e financeira que a USAID oferecia aos projetos dos seus contra-parte locais. Os escritórios técnicos frequentemente encontrados nas missões da USAID incluíam Saúde e Planejamento Familiar, Educação, Meio Ambiente, Democracia e Crescimento Econômico.
Saúde e Planejamento Familiar Exemplos de projetos assistidos pelos escritórios de Saúde e Planejamento Familiar das missões incluem projetos para erradicação de doenças transmissíveis, fortalecimento de sistemas de saúde pública com foco na saúde materno-infantil, incluindo serviços de planejamento familiar, monitoramento de HIV/AIDS, fornecimento de suprimentos médicos, incluindo contraceptivos, e coordenação de Pesquisas Demográficas e de Saúde. Essa assistência é principalmente direcionada à maioria pobre da população e corresponde ao objetivo de alívio da pobreza da USAID, além de fortalecer a base para o desenvolvimento socioeconômico.
Meio ambiente Exemplos de projetos assistidos pelos escritórios de meio ambiente incluíam projetos para a conservação de florestas tropicais, proteção das terras de povos indígenas, regulamentação das indústrias pesqueiras marinhas, controle de poluição, redução de emissões de gases de efeito estufa e ajuda às comunidades para se adaptarem às mudanças climáticas. A assistência ambiental correspondia ao objetivo de cooperação técnica da USAID em questões globais, além de estabelecer uma base sustentável para o objetivo de desenvolvimento socioeconômico da USAID a longo prazo.
A USAID (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional) tinha o programa HEARTH (Saúde, Ecossistemas e Agricultura para Sociedades Resilientes e Prósperas), que operava em 10 países com 15 atividades que seriam voltadas para promover a conservação de paisagens ameaçadas e melhorar o bem-estar das comunidades, fazendo parcerias com o setor privado para alinhar os objetivos empresariais com os objetivos de desenvolvimento. Através do HEARTH, a USAID implementaria os princípios de One Health para alcançar benefícios sustentáveis tanto para as pessoas quanto para o meio ambiente, por meio de projetos focados em meios de subsistência, bem-estar, conservação, biodiversidade e governança.
Democracia Exemplos de projetos assistidos pelos escritórios de Democracia incluíam projetos para as instituições políticas do país, como eleições, partidos políticos, legislaturas e organizações de direitos humanos. As contra-partes incluíram o setor judiciário e organizações da sociedade civil que monitoram o desempenho do governo. A assistência à democracia recebeu seu maior impulso na época da criação dos estados sucessores da URSS, a partir de cerca de 1990, correspondiam tanto ao objetivo da USAID de apoiar os interesses bilaterais dos EUA quanto ao objetivo de desenvolvimento socioeconômico da USAID.
Relatório do The Grayzone, que supostamente revelou que programas apoiados pelos EUA em Bangladesh encomendaram canções de rap projetadas para incitar protestos de rua e reforma política. "Esses documentos que o The Grayzone publicou têm duas canções de rap em Bangladesh com versos como se tivessem sido projetadas para inspirar sentimentos antigovernamentais e promover protestos de rua e reforma política. Quero dizer, literalmente escrever álbuns de rap para fazer as pessoas irem às ruas e fazerem exatamente o motim que o Departamento de Estado quer para desestabilizar o país."
Em resposta a um vídeo discutindo essas alegações, Benz reiterou que o Departamento de Estado recrutou 22 artistas de vários países, incluindo Austrália, Áustria, Bangladesh, Camarões, França, Índia e África do Sul, para treiná-los em "engajamento juvenil e uso da arte como ativismo". O programa envolveu levar esses músicos para Washington, DC, para um período de treinamento intensivo.
Crescimento econômico thumb|Um vendedor de frutas secas em Peshawar, Paquistão (2007)