miniaturadaimagem|282x282px|Homem carregando um odre – Niko Pirosmani. A parábola do Vinho Novo em Odres Velhos é um par de parábolas contadas por Jesus no Novo Testamento, encontradas em , e . Uma versão das parábolas também aparece no Evangelho de Tomé.Evangelho de Tomé: Lamb translation and Patterson/Meyer translation. (Em inglês 02/06/2011)

O episódio anterior a este é o Chamado de Mateus como discípulo de Jesus. E a parábola dos odres parece ser parte de uma discussão em um banquete realizado por seu novo discípulo ().Joel B. Green, The Gospel of Luke, Eerdmans, 1997, ISBN 0802823157, pp. 248-250. (Em inglês 02/06/2011)

Narrativa No Evangelho segundo Mateus, a parábola é contada assim:

Em Marcos:

Por fim, no Evangelho segundo Lucas:

Interpretação thumb|Um odre de vinho. Não se sabe exatamente qual o significado exato deste famoso dito em seu contexto original, mesmo para os acadêmicos modernos.Brown et al. 602 Geralmente se interpreta o trecho indicando que Jesus estaria propondo uma nova forma de realizar as coisas. Jesus, desta forma, parece estar preocupado que tanto o "remendo novo" e o "vinho novo" quanto o "vestido velho" e o "odre velho" sejam preservados.Brown et al. 603 É possível ainda que ele estivesse tentando indicar que é necessário jogar fora as coisas velhas que são incompatíveis com seu novo caminho.Kilgallen 59 Outra possibilidade é que as coisas velhas são dignas de serem preservadas, mas não misturadas com as novas.

As metáforas nas duas parábolas foram retiradas da cultura da época.James R. Edwards, The Gospel According to Mark, Eerdmans, 2002, ISBN 0851117783, pp. 91-92. (Em inglês 02/06/2011) Pano novo ainda não tinha encolhido com as lavagens, de modo que o uso de pano novo em roupa velha, causaria o rompimento da roupa velha pois o pano novo vai encolher quando for lavado.Craig S. Keener, A Commentary on the Gospel of Matthew, Eerdmans, 1999, ISBN 0802838219, pp. 300-301. (Em inglês 02/06/2011) Do mesmo modo, odres velhos tinham sido "esticados até ao limite" e tornado-se frágeis com o vinho fermentado que havia dentro deles, usando-os novamente, portanto, arriscaria estourá-los.

Uma das interpretações das duas parábolas diz respeito à relação entre "o ensinamento de Jesus e do judaísmo tradicional. Muitos, especialmente os cristãos, interpretaram o trecho como significando que Jesus era o início de uma nova religião, distinta da religião de João Batista e do judaísmo, como é o caso de Inácio de Antioquia. Alguns cristãos também utilizaram este trecho para propor novos meios de ser cristão ou mesmo formas muito distintas de cristianismo. Contra esta interpretação, acrescenta: "Ninguém que já bebeu vinho velho, quer o novo; porque diz: O velho é bom." Este dito também é encontrado parcialmente como dito 47 no Evangelho de Tomé.Disponível aqui em português. Em Marcos, este conflito é o ponto central da disputa inicial de Jesus com os doutores da Lei.

Segundo alguns intérpretes, Jesus e "seu novo ensinamento contra o velho caminho dos fariseus e dos escribas". No segundo século, Marcião , fundador do marcionismo, usou a passagem para justificar a total separação entre a "religião que Jesus e Paulo defendiam" das Escrituras hebraicas, uma ruptura completa do cristianismo em relação ao judaísmo, principalmente em relação ao Antigo TestamentoJoseph B. Tyson, Marcion and Luke-Acts: A defining struggle, University of South Carolina Press, 2006, ISBN 1570036500, p. 32 (Em inglês 02/06/2011).

Outros intérpretes vêem Lucas como demonstrando as raízes do cristianismo no judaísmo, dizendo que "Jesus trouxe algo de novo, e os rituais e tradições do judaísmo oficial não poderiam contê-lo".R. T. France, The Gospel According to Matthew: An introduction and commentary, Eerdmans, 1985, ISBN 0802800637, p. 169. (Em inglês 02/06/2011)

A interpretação preferida de João Calvino indica que as roupas velhas e os odres velhos são representações dos discípulos de Jesus. Em seu "Comentário sobre Mateus, Marcos e Lucas", ele explica que o vinho novo e o odre não alargado representam a prática de jejuar duas vezes por semana. Jejuar assim seria um incômodo para os novos discípulos e seria mais do que eles poderiam suportar.

Lucas 5:39 Lucas termina estas parábolas afirmando que Jesus declarou que o vinho velho é geralmente melhor que o vinho novo — — um comentário que não existe nos dois outros evangelhos sinóticos. Este versículo apresenta algumas dificuldades de interpretação. Se Jesus está ensinando um distanciamento do judaísmo, teria dito que o velho é melhor? Diversas explicações foram propostas ao longo dos séculos. Uma delas defende que o versículo não pertence ao texto e deveria ser desconsiderado ou removido, uma visão adotada, por exemplo, por Marcião. Outros propõem que Jesus está lembrando que os padrões antigos e familiares são difíceis de mudar. Outra explicação sugere que Jesus estaria tentando salvar o "velho" e o "novo" seria uma referência aos ensinamentos de seus críticos. Outros ainda retraduzem as palavras gregas originais de forma diferente para tentar dar um sentido novo à frase.

Uma abordagem diferente proposta é a de não se assumir que Jesus estaria falando de "velho" e "novo" em relação a ensinamentos religiosos, mas sobre sua forma de escolher os discípulos. Assim, Jesus usa novos métodos ("novas roupas") para prover novos homens ("odres") com uma nova mensagem ("vinho"). Ele não rejeita o "velho", mas este é limitado e não acessível para todos. Conforme avança seu ministério, ele demonstra que sua abordagem é inclusiva e, por isso, encontra os rejeitados, os pobres e os enfermos.

Ver também Harmonia evangélica

Bibliografia

Brown, Raymond E. An Introduction to the New Testament Doubleday 1997 ISBN 0-385-24767-2 Brown, Raymond E. et al. The New Jerome Biblical Commentary Prentice Hall 1990 ISBN 0-13-614934-0

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