Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) é uma unidade acadêmica da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) voltada ao ensino de pós-graduação e à pesquisa nas áreas de Ciência Política e Sociologia. Sediado no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro, o instituto foi criado a partir da incorporação do corpo docente e da estrutura acadêmica do antigo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ), fundado em 1969.
O IESP-UERJ dá continuidade à produção intelectual do IUPERJ, instituição reconhecida pelo papel na institucionalização das ciências sociais no Brasil. Suas atividades concentram-se na pesquisa empírica, na análise institucional e na teoria social, com produção voltada tanto para o debate acadêmico quanto para a análise de políticas públicas.
História A trajetória do IESP-UERJ não pode ser dissociada do movimento de institucionalização da ciência política e da sociologia brasileira que teve início na década de 1960. Antes desse período, o cenário intelectual brasileiro era marcado por uma produção de caráter predominantemente jurídico ou ensaístico, carecendo do rigor metodológico e da base empírica que já caracterizavam as academias norte-americanas e europeias. Quando o politólogo Robert Packenham visitou o Brasil em 1964, diagnosticou a ausência de uma tradição consolidada em ciência política, identificando que a maioria dos escritores se dividia entre juristas focados na formalidade das instituições e jornalistas dedicados à interpretação conjuntural.
O Papel do IUPERJ na Modernização Disciplinar Neste contexto de carência metodológica, a fundação do IUPERJ como um departamento da Universidade Candido Mendes (UCAM) representou um marco disruptivo. Através de um convênio estratégico com a Fundação Ford, o instituto foi concebido para ser um centro de excelência capaz de unificar pesquisadores que buscavam uma abordagem mais científica e menos intuitiva dos fenômenos políticos. A liderança de Cândido Mendes de Almeida foi fundamental para atrair uma equipe de elite, composta por ex-membros do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB), como Wanderley Guilherme dos Santos e Hélio Jaguaribe, além de atrair intelectuais que retornavam de doutoramentos nos Estados Unidos — um movimento ainda inaudito no cenário acadêmico da época.
O IUPERJ diferenciou-se da tradição europeia adotada por outras instituições brasileiras, como a Universidade de São Paulo (USP), ao introduzir o modelo norte-americano de programas de pós-graduação estruturados. Em vez da simples orientação individual de teses, o instituto estabeleceu cursos regulares, créditos obrigatórios e uma sólida base em metodologia, garantindo que os discentes possuíssem uma formação teórica abrangente antes da fase de pesquisa. Esse modelo permitiu ao IUPERJ (e posteriormente ao IESP-UERJ) manter um padrão de qualidade que o elevou rapidamente ao status de referência internacional.miniaturadaimagem|Denúncia confidencial contra o IUPERJ, durante a ditadura militar, por suposta atividade subversiva. Resistência e Sobrevivência Durante o Regime Militar Durante os anos de chumbo da ditadura militar, o IUPERJ desempenhou um papel ambivalente e estratégico. Como instituição privada vinculada à família Candido Mendes, gozava de uma relativa margem de manobra que permitiu acolher intelectuais perseguidos pelo regime ou cujas instituições haviam sido fechadas após o Ato Institucional nº 5 (AI-5). O instituto tornou-se um refúgio para cientistas sociais de diversas origens, inclusive atraindo o chamado "grupo de Minas", liderado por Fábio Wanderley Reis na UFMG, que incluía nomes como Bolívar Lamounier, Simon Schwartzman e José Murilo de Carvalho.
A originalidade do programa residia em constituir uma agenda intelectual centrada na questão institucional e na democracia política, valorizando esses temas justamente no auge do autoritarismo. Essa pauta foi progressivamente ampliada para incorporar a "questão social brasileira", tratando de temas como raça, gênero, sindicatos e violência, que passaram a integrar o núcleo das investigações acadêmicas. Essa transição temática consolidou a vocação do instituto para o debate público qualificado, unindo o rigor científico à preocupação com os problemas substantivos da sociedade brasileira.
A Crise de 2010 e a Transição para a Esfera Pública A migração do corpo social do IUPERJ para a UERJ em 2010 é um dos eventos mais significativos da história recente das instituições de ensino superior no Brasil. O processo foi motivado por uma crise financeira prolongada na Universidade Candido Mendes, que resultou no congelamento de salários de professores e funcionários e na descontinuidade administrativa dos programas de pós-graduação. miniaturadaimagem|227x227px|Logotipo do IUPERJ representando o tradicional casarão, situado na Rua da Matriz no Botafogo, onde é sediado o IESP até hoje.
O Processo de Migração e a Fundação do IESP A gravidade da crise na UCAM ameaçava o encerramento de programas de mestrado e doutorado que detinham as notas máximas na avaliação da CAPES. Diante desse cenário, docentes, discentes e funcionários iniciaram uma mobilização coletiva para garantir a sobrevivência da excelência acadêmica construída ao longo de décadas. Em junho de 2010, em uma operação articulada com o governo do Estado do Rio de Janeiro, a totalidade dos programas e a maioria do corpo docente migraram para a Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
A UERJ adquiriu o casarão histórico onde o IUPERJ funcionava, garantindo a continuidade física das atividades acadêmicas no bairro de Botafogo. O novo instituto foi batizado como Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP), sendo formalmente criado em 1º de junho de 2010. Em novembro do mesmo ano, a CAPES reconheceu os novos programas, assegurando a integridade dos prazos e das titulações dos alunos que haviam iniciado suas pesquisas na instituição anterior.
A Dualidade e a Disputa da Marca Um ponto de complexidade institucional surgiu após a migração: a disputa jurídica pela marca "IUPERJ". Em 2011, a Universidade Candido Mendes obteve judicialmente o direito de uso exclusivo da sigla e dos domínios eletrônicos originais. Como consequência, a UCAM reestruturou um programa de Sociologia Política sob a marca IUPERJ, que permanece ativo de forma independente do IESP-UERJ. Atualmente, o IESP-UERJ é reconhecido pela comunidade acadêmica e pelos órgãos de fomento como o sucessor institucional legítimo da tradição de excelência iniciada em 1969, abrigando o corpo docente original e a revista Dados.
Corpo Docente e Lideranças Acadêmicas O corpo docente do IESP-UERJ é composto por pesquisadores com atuação em associações acadêmicas nacionais e internacionais. Os programas de pós-graduação do instituto detêm a nota 7, grau máximo na avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).
Diretoria e Coordenação Atual (2025-2026): CargoTitularPerfil ResumidoDiretorFernando de Castro FontainhaEspecialista em Sociologia do Direito e Elites Jurídicas; Bolsista de Produtividade CNPq e Jovem Cientista FAPERJ.Vice-diretorCarlos Roberto Sanchez MilaniEspecialista em Política Mundial e Relações Internacionais; Coordenador do LABMUNDO e do OIMC.Coordenador PPGCPFabiano SantosPesquisador em estudos legislativos e política brasileira.Coordenadora PPGSAdalberto CardosoPesquisador em sociologia do trabalho e desigualdades. A trajetória acadêmica da instituição foi consolidada por pesquisadores que contribuíram para a formação das ciências sociais no Brasil. Entre os nomes vinculados ao histórico do instituto (IUPERJ/IESP), destacam-se:
Wanderley Guilherme dos Santos: Cientista político, um dos fundadores do IUPERJ. Gláucio Ary Dillon Soares: Especialista em sociologia política e violência. Alba Zaluar: Antropóloga, referência em estudos sobre crime e antropologia urbana.
Grupos de pesquisa do IESP-UERJ
O IESP-UERJ possui 18 grupos de pesquisa ativos:
1. Beemote - Grupo de Estudos e Pesquisa em Teoria Política e Pensamento Político Brasileiro (http://beemote.iesp.uerj.br/)
Coordenação: Christian Edward Cyril Lynch e Pedro Hermílio Villas Bôas Castelo Branco
O BEEMOTE é um Grupo de Estudos e Pesquisa em Teoria Política e Pensamento Político Brasileiro. Formado em 2014 por professores e alunos ligados ao Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP/UERJ), o BEEMOTE tem como objetivo aprimorar a formação, a pesquisa e o debate em torno de temas caros à teoria política, história dos conceitos, violência e pensamento político brasileiro.
2. CERES - Centro de Estudo da Riqueza e da Estratificação Social (http://ceres.iesp.uerj.br)
Coordenadores: Carlos Antonio Costa Ribeiro e Nelson do Valle
O "Centro para o Estudo da Riqueza e da Estratificação Social" (CERES) tem como principal objetivo realizar pesquisas e fornecer informações, através de indicadores sociais, sobre os processos de estratificação social que geram desigualdades sociais persistentes.
3. DOXA - Laboratório de Pesquisa em Comunicação Política e Opinião Pública (http://doxa.iesp.uerj.br)
Coordenação: Argelina Figueiredo
O Doxa foi criado em 1996 para investigar os processos eleitorais e de formação da opinião política. Coordenado inicialmente pelo professor Marcus Figueiredo, o laboratório tornou-se uma referência para a pesquisa em comunicação política no Brasil, produzindo teses, dissertações, publicações e análises dentro dos vários sub-temas que o assunto comporta, como propaganda eleitoral, jornalismo político, recepção e atitude política, comportamento eleitoral e outros. O Doxa dispõe hoje de um importante acervo audiovisual de propaganda e jornalismo políticos e pesquisas de opinião, com coleções de programas eleitorais desde 1988, telejornais, clippings das aparições de candidatos e documentários. Nosso acervo serve de base para pesquisas científicas em várias instituições, no Brasil e no exterior. Em 2014, o Doxa passou a ser coordenado pela professora Argelina Cheibub Figueiredo. Mantendo sua missão original de investigação dos processos eleitorais passou a se dedicar também à análise dos resultados eleitorais, ampliando assim o seu escopo e incorporando pesquisadores do Iesp dedicados ao estudo do tema.
4. GEMAA - Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (http://gemaa.iesp.uerj.br/)
Coordenadores: João Feres Júnior e Luiz Augusto Campos
O GEMAA (Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa) é um grupo de pesquisa dedicado ao estudo das ações afirmativas, com inscrição no CNPq e sede no IESP-UERJ. Atualmente desenvolvemos um conjunto de projetos de pesquisa sobre as ações afirmativas no contexto brasileiro e mundial, a partir de uma variedade de abordagens metodológicas e objetivos. Além disso, o GEMAA organiza eventos e discussões sobre o tema das ações afirmativas no Brasil.
5. LABMUNDO - Laboratório de Análise Política Mundial (http://www.labmundo.org/)
Coordenadores: Carlos R. S. Milani e Enara Echart Muñoz
O Laboratório de Análise Política Mundial (LABMUNDO) é uma iniciativa interdisciplinar de pesquisa e ensino lançada em março de 2006. Seus pesquisadores – professores, doutores, mestres e estudantes de graduação e pós-graduação – atuam em 3 linhas de pesquisa distintas, porém integradas, com o objetivo central de compreender e analisar a ordem mundial contemporânea a partir das grandes transformações sociais, econômicas, políticas e culturais que marcam a chamada Terceira Revolução Industrial e a globalização desde os anos 1970 na transição para o século XXI.
6. LED - Laboratório de Estudos sobre a Democracia (https://web.archive.org/web/20160817040630/http://led.iesp.uerj.br/)
Coordenação: Thamy Pogrebinschi