A estação ferroviária de Régua (nome anteriormente grafado como "Regoa"),Horário de 1905 é uma gare da Linha do Douro, que serve a localidade de Peso da Régua, no Distrito de Vila Real, em Portugal. Foi inaugurada em 1879, e serviu igualmente como ponto de entroncamento com a Linha do Corgo, que funcionou entre 1906 e 2009.
Descrição thumb|left|Vista geral da estação, em 2010. Localização e acessos Situa-se junto à localidade de Peso da Régua, tendo acesso pelo Largo da Estação.
Infraestrutura Esta interface apresenta quatro vias de circulação, numeradas de I a IV, com comprimentos entre 378 e 319 m; destas, três (todas exceto a IV) são acessíveis por plataformas de 264 e 265 m de comprimento e alturas de 265 mm, cada uma com um segmento de 114-115 m de comprimento com menor altura (30 cm); existem ainda quatro vias secundárias, remanescentes do desmantelado terminal de via estreita (identificadas como V, VI, VII, e X), com comprimentos entre 177 e 588 m. O edifício de passageiros situa-se do lado sul da via (lado direito do sentido ascendente, a Barca d’Alva).
Situa-se entre esta estação e a de , centrado ao , o Posto de Abastecimento de Gasóleo Régua (sic) gerido pela C.P..
Em Outubro de 2004 podiam-se realizar aqui manobras e abastecimento de gasóleo, e a estação tinha um sistema de informação ao público; nesta data esta interface era de tipologia "D" da Rede Ferroviária Nacional, que mudaria para "B" em 2020, e mais tarde para "C".
Serviços Em 1994, era servida por comboios Regionais com a modalidade Auto Expresso, de transporte de automóveis particulares, da operadora Caminhos de Ferro Portugueses.
História
thumb|left|Vista da estação, na década de 1880. Antecedentes Antes da construção dos caminhos de ferro, a região do Douro tinha grandes deficiências em termos de comunicações, sendo o Rio Douro a principal via; no entanto, o transporte por barco era muito difícil e moroso, demorando cerca de 6 a 8 dias na viagem do Porto à Régua.ORTIGÃO, 1986:115 Nos finais da década de 1880, o filólogo Leite de Vasconcelos relatou que o percurso da Régua a Miranda do Douro levou cerca de cinco dias.JACOB e ALVES, 2010:112
Inauguração A estação foi inaugurada em 15 de Julho de 1879, como estação terminal provisória da Linha do Douro, tendo o lanço seguinte, até ao , entrado ao serviço em 4 de Abril de 1880.
Século XX Ligação à Linha do Corgo Ainda no século XIX, o empresário alemão Maximiliano Schreck foi autorizado a construir um caminho de ferro do tipo americano entre Vila Real, Peso da Régua, Lamego e Viseu.SERRÃO, 1986:238
Um decreto de 18 de Fevereiro de 1903 ordenou a construção de um caminho de ferro que tinha o seu início na Régua e terminasse na fronteira com Espanha.MARTINS et al, 1996:251 Em Setembro de 1905, já tinha sido elaborado e apresentado ao Conselho Superior de Obras Públicas um plano para a ampliação da gare da Régua, de forma a se acolher tanto a Linha do Corgo, então em construção, como a planeada Linha de Régua a Vila Franca das Naves. A primeira secção da Linha do Corgo, entre o Peso da Régua e Vila Real, foi aberta à exploração em 12 de Maio de 1906.REIS et al, 2006:12
Em 1913, existia um serviço de diligências unindo a estação do Peso da Régua a Lamego e Moimenta da Beira.
Em 1919, a circulação no troço entre Vila Real e o Peso da Régua foi temporariamente suspensa, devido a uma tentativa de golpe militar por parte dos monárquicos.AIRES, 2010:37
Ampliação Devido a ser o ponto de entroncamento de duas linhas ferroviárias e um importante nó rodoviário, a localidade do Peso da Régua afirmou-se como um grande centro de comunicações entre as regiões da Beira e de Trás-os-Montes. A estação em si também se assumiu como um importante centro de transporte do Vinho do Porto.REIS et al, 2006:31VIEGAS, 1988:27 Ainda assim, em 1934 a estação não possuía condições para assegurar as exigências do tráfego, mas não podia ser suficientemente alargada devido ao reduzido espaço disponível, pelo que resolveu-se ampliar o então Apeadeiro de Godim, situado nas proximidades. Ainda nesse ano, a estação foi alvo de obras de reparação parcial, pela Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses. Em Abril de 1935, estavam quase terminadas as obras de ampliação da estação, que incluíram a instalação de um dormitório para o pessoal de Via e Obras.
Um decreto de 18 de Novembro de 1911 modificou as regras para o transporte de vinho pela Linha do Douro, continuando o vinho que era transportado por comboio até Barqueiros, Rede e Moledo a ser verificado no posto de Barqueiros, mas o restante passou a ser verificado no Peso da Régua.MARTINS e BARRETO, 1990:368
Ligações planeadas a outras linhas Já em 1885 fora planeada uma ligação em via larga entre Viseu e Chaves que não teve seguimento devido às consideráveis dificuldades que iriam ser encontradas na sua construção; desta forma, foram propostas duas alternativas, também em via larga, tendo as autoridades militares defendido a construção da linha do Peso da Régua a Viseu por Lamego. No entanto, a estação da Régua não apresentava condições para suportar o entroncamento em via larga, e continuava o problema de se construir em terreno muito difícil, pelo que uma comissão formada em 1927 para estudar e elaborar o plano da rede ferroviária ao Norte do Rio Douro propôs a instalação de duas linhas em via estreita, uma unindo o Peso da Régua a Lamego, e a outra a partir desta localidade até São Pedro do Sul, passando por Castro Daire. Estas duas linhas foram inseridas no Plano Geral da Rede Ferroviária, documento oficializado pelo Decreto n.º 18190, de 28 de Março de 1930, tendo a Linha de Lamego sido planeada até Pinhel, passando por Vila Franca das Naves.PORTUGAL. Decreto n.º 18190, de 28 de Março de 1930. Ministério do Comércio e Comunicações - Direcção Geral de Caminhos de Ferro - Divisão Central e de Estudos - Secção de Expediente, Publicado no Diário do Governo n.º 83, Série I, de 10 de Abril de 1930. Esta não foi a primeira vez que tinha sido proposta uma ligação ferroviária entre o peso da Régua e Vila Franca das Naves, uma vez que esta linha férrea já tinha sido anteriormente apresentada, em via estreita, pelo Plano da Rede Complementar ao Norte do Mondego, aprovado por um decreto de 15 de Fevereiro de 1900.
Modernização Em 1996, previa-se que a instalação de sinalização electrónica seria prolongada até ao Peso da Régua, no âmbito do projecto do Gabinete Ferroviário do Nó do Porto.MARTINS et al, 1996:167
Século XXI O lanço da Linha do Corgo entre o Peso da Régua e Vila Real foi encerrado pela Rede Ferroviária Nacional a 25 de Março de 2009. Em 2016 foi desmantelada toda a infraestrutura ferroviária em via algaliada“Sinalização da estação de Régua” («Diagrama do Anexo n.º 137 à I.T. n.º 28») entre a estação da Régua e a de Corgo, que permitia a ligação entre o tronco da Linha do Corgo e as instalações de manutenção, manobras, e atividade comercial (passageiros e carga) na Régua, inviabilizando assim uma futura reabertura da operação em via estreita.António João Pinto Pires: “Desmantelamento da via estreita na estação da Régua” Entroncamento Online (2016.06.15)
Em Janeiro de 2011, esta interface apresentava quatro vias de circulação, com 379, 438, 350 e 319 m de comprimento; as plataformas tinham 255 e 216 m de comprimento, e 35 cm de altura, — valores mais tarde alterados para os atuais, numa configuração assaz reduzida em comparação com a de décadas anteriores.
Referências literárias A escritora Horacel Lopes descreveu a estação e a povoação do Peso da Régua, quando percorreu a Linha do Douro na década de 1950:
Ver também Comboios de Portugal Infraestruturas de Portugal Transporte ferroviário em Portugal História do transporte ferroviário em Portugal
right|upright|thumb|Comboio histórico a vapor na estação da Régua, em 2012. Bibliografia
Ligações externas
Regua Regua Regua Regua Categoria:Património edificado em Peso da Régua