"Faraó (Divindade do Egito)" é uma canção lançada por Margareth Menezes e Djalma Oliveira, em 1987. Composta por Luciano Gomes, a canção foi o primeiro samba-reggae gravado no Brasil, vendeu mais de 100 mil cópias, sendo um marco para a música brasileira, principalmente a baiana, pois foi um divisor de águas no carnaval.

Gravação Djalma Oliveira foi o responsável pelo lançamento de Margareth Menezes. Quando ele a conheceu, ela trabalhava com teatro infantil na periferia de Salvador. Quando Oliveira a convidou, Menezes ficou receosa, tendo em vista que gostaria de ser cantora de funk e blues. No entanto, Djalma insistiu e ela aceitou, com bateria do Olodum tornando-se uma das principais canções da carreira de Margareth Menezes, a qual até hoje, a baiana interpreta em seus espetáculos.

“Faraó” se estrutura sobre a batida do samba‑reggae, com forte presença de percussão característica dos blocos afro da Bahia, como surdos, timbales, congas e agogôs, criando um groove cadenciado e dançante. A gravação de Margareth Menezes usa ainda metais (trompete, trombone, saxofones) e teclado, o que dá um caráter grandioso e festivo, adequado ao tema mitológico e à atmosfera de bloco de carnaval.

A interpretação vocal de Margareth é marcada por potência e improvisos rítmicos, reforçando o caráter de canto coletivo, quase de “canto de guerra” ou cântico ritual. O refrão simples e repetitivo, com a invocação do “Faraó” e de Olodum, facilita a participação do público em apresentações ao vivo e ajudou a transformar a música em hit de carnaval e de shows afro‑pop.​

Impacto e legado A gravação é apontada como o primeiro registro fonográfico de samba‑reggae, ritmo desenvolvido no contexto do bloco afro Olodum e da cena negra do Pelourinho, em Salvador. A canção vendeu mais de 100 mil cópias, número muito expressivo para um single de um gênero então nascente, o que ajudou a projetar nacionalmente tanto Margareth Menezes quanto a estética afrobaiana ligada ao Olodum.

A música é frequentemente citada como um dos marcos que transformaram a música baiana em fenômeno internacional, ao lado do trabalho de Olodum, levando o samba‑reggae e a sonoridade afrobaiana para outros países e grandes colaborações. Margareth passou a ser reconhecida como uma das principais intérpretes do repertório afro‑pop e samba‑reggae, e “Faraó” se tornou peça obrigatória em seus shows e retrospectivas de carreira.

A canção tornou‑se referência quando se fala de samba‑reggae e da difusão internacional da música negra produzida na Bahia, frequentemente lembrada em reportagens sobre o gênero e sobre figuras como o mestre Neguinho do Samba. Também é vista como exemplo de como a música popular brasileira pode incorporar mitologia africana (no caso, egípcia) e símbolos da diáspora em um contexto carnavalesco e pop, sem perder o caráter de afirmação identitária.

Temática Na antiga cultura egípcia, cultuava-se uma religião politeísta, na qual os faraós eram considerados deuses e a eles eram atribuídos poderes. Ao falar sobre os deuses, a canção inicia-se com Osíris, deus associado à vegetação e a vida, que casou-se com sua irmã Ísis. Seti, irado com o casamento, assassinou seu irmão e tomou o trono. Hórus, deus do céu, filho de Osíris e Ísis, se vingou e assassinou Seti. A segunda parte da letra da canção retrata o Olodum e pede atenção para a cultura egípcia no Brasil.

Lista de faixas

Covers ou citações "Faraó (Divindade do Egito)" foi interpretado por diversos outros artistas, são eles:

A canção Faraó foi gravado em 1987 pela Banda Mel no Primeiro LP com o título de Força Interior; onde obteve sucesso nacional com a canção, elaborando na bateria a percussão do Olodum até então desconhecido.

Pelo Olodum com seus vocais, no LP de estreia do grupo Egito Madagascar em 1987. Canção que era já apresentada nos ensaios no Pelourinho no início da formação.

Em 1997 e 1998, a canção foi gravada pelo Tropical Lambadance Group e esteve presente no álbum The Music of Brazil. O bloco-afro Olodum gravou a canção para seu álbum Popularidade, lançado em 1999, pela Continental.

Daniela Mercury cantou trechos da canção em seu álbum Elétrica (1998), na décima faixa, ao interpretar um medley.

"Faraó (Divindade do Egito)", esteve presente na coletânea The Best of Olodum, lançada pela Continental, em 2003, em Encyclopedia Musical Brasileira, 2000 e Nova Série, todos interpretados pelo Olodum.

Em 2005, a Banda Mel, gravou a canção para a coletânea Best of Banda Mel, lançada pela Warner Music.

Além de ser uma canção sempre presente em suas apresentações, Margareth Menezes também regravou a canção em Kindala (1991), Brasileira ao Vivo: Uma Homenagem ao Samba-Reggae (2007) e Festival de Verão de Salvador (2004).

Ivete Sangalo cantou a canção com a participação do Olodum para o álbum Ivete Sangalo 20 anos.

Categoria:Singles de 1987 Categoria:Canções gravadas por Margareth Menezes Categoria:Samba-reggae