350px|thumb|Imagem de satélite da NASA mostrando todo o território do Rio Grande do Norte e da Paraíba, além de parte dos estados do Ceará, Pernambuco e Piauí.
O estado do Rio Grande do Norte é uma das vinte e sete unidades federativas do Brasil, localizado a nordeste da Região Nordeste. É dividido em 167 municípios e faz divisas com o Oceano Atlântico a norte e a leste, o estado da Paraíba a sul e o Ceará a oeste. É o quinto menor estado do Brasil, ocupando uma área territorial de , equivalente a 3,42% do Nordeste e 0,62% do Brasil.
Também faz parte do território potiguar o Atol das Rocas, uma reserva biológica marinha no meio do Oceano Atlântico, considerada patrimônio da humanidade pela UNESCO. As distâncias lineares entre os pontos extremos do estado são de 233 km no sentido norte-sul e de 403 km no sentido leste-oeste.
Com mais de três milhões de habitantes, é o décimo sexto estado mais populoso do país. Devido à localização geográfica em território brasileiro, o Rio Grande do Norte é referido como "esquina do continente". É a unidade de federação mais próxima dos continentes africano e europeu. Sua capital é o município de Natal, localizado na região leste do estado.
Relevo e solos 350px|esquerda|thumb|Mapa físico do Rio Grande do Norte.
Com grande parte do seu território (83%) abaixo trezentos metros de altitude (60% destes abaixo de 200 metros), o relevo do Rio Grande do Norte é formado por planícies principalmente no litoral e por planaltos e depressões no interior.
No litoral, estão localizadas as planícies costeiras, caracterizadas pela existência de dunas e praias entre o mar e os tabuleiros costeiros. As planícies fluviais estão situadas às margens de rios, apresentando terrenos planos e baixos. Próximo ao litoral, encontram-se os tabuleiros costeiros, formações de argila que podem até chegar ao mar. A Chapada da Serra Verde, localizada após os tabuleiros costeiros, possui terras planas e com tendência ligeira à elevação. Em seguida, está localizado o Planalto da Borborema, que se estende, além do Rio Grande do Norte, pelos estados da Paraíba, Pernambuco e Alagoas.
A área de transição entre o Planalto da Borborema e os tabuleiros costeiros caracteriza as chamadas depressões sublitorâneas. A Depressão Sertaneja, formada por terrenos baixos, está situada logo após o Planalto da Borborema. A Chapada do Apodi está situada na região centro-oeste do estado e é constituída por terrenos de maior altitude, próximas aos rios Piranhas/Açu e Apodi/Mossoró, logo após a Depressão Sertaneja. A Serra do Coqueiro, localizado no extremo oeste do estado, no município de Venha-Ver, a uma altitude de 868 metros acima do nível do mar, é o ponto mais alto do Rio Grande do Norte.MEDEIROS, Maria Diva de. A escola rural e o desafio da docência em salas multisseriadas: o caso do seridó norteriograndense. 2010. 138 f. Dissertação (Mestrado em Educação) - Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2010.
thumb|O Pico do Cabugi, no Parque Ecológico do Cabugi, o único vulcão adormecido do território brasileiro que mantém sua forma original
Os solos do território potiguar também variam de região para região. Na faixa litorânea predominam os latossolos, do tipo vermelho amarelo, caracterizados por serem bem drenados, pobres em matéria orgânica, muito ácidos e com mais de um metro de profundidade, além dos neossolos (areias quartzosas, regossolos, solos aluviais e litólicos), que são arenosos, não hidromórficos e também presentes nas margens dos rios. No centro-sul predomina o luvissolo, de acidez moderada, baixa profundidade, ondulado e rico em nutrientes. Na Chapada do Apodi estão os chernossolos, caracterizados pelo seu teor alcalino e pela sua drenagem, que varia entre imperfeita e moderada. Os argissolos, bastante drenados, com baixos teores de matéria orgânica, e com profundidade moderada a alta, são abundantes principalmente na região do Alto Oeste. Nas regiões de relevo plano a muito ondulado estão os cambissolos eutróficos, formados a partir de ação de rochas, bem drenados e com profundidade variável. Outros tipos de solo, presentes em pequenas áreas do estado, são os planossolos e solos de mangue.
Hidrografia thumb|esquerda|Trecho do Rio Piranhas-Açu em Jardim de Piranhas
O território do Rio Grande do Norte está, inserido, em sua maior parte (88%), em um conjunto de quatorze bacias hidrográficas, sendo Piranhas-Açu a maior delas, cobrindo 32,8% da superfície estadual, seguido pela bacia do rio Apodi-Mossoró, com 26,8%. As demais bacias são: Potengi (7,7%), Trairi (5,4%), Ceará-Mirim (4,9%), Jacu (3,4%), Maxaranguape (1,9%), Curimataú (1,6%), Pirangi (0,9%), Punaú (0,8%), Doce (0,7%), Boqueirão (0,5%), Catu (0,4%) e Guaju (0,3%). Outros 12% estão nas faixas de escoamento norte (10,8%) e leste (1,2%) de escoamento difuso, constituídas por cursos de água menores que fluem diretamente para o oceano e que, diferente das bacias hidrográficas, não possuem uma área de drenagem delimitada pelos divisores de águas.SILVA, Bruno Lopes da; TROLEIS, Adriano Lima. A estrutura hídrica do território do Rio Grande do Norte: uma análise sistêmica. Sociedade e Território, v. 31, n. 2, p. 73-96, 7 jan. 2020.
A hidrografia do Rio Grande do Norte é marcada por rios temporários, que fluem somente na estação das chuvas e desaparecem na estação seca. O Rio Piranhas-Açu é o principal rio do estado e nasce na Serra do Bongá, no município paraibano de Bonito de Santa Fé e, ao entrar em território potiguar pelo município de Jardim de Piranhas, recebe as águas dos rios Espinharas e Seridó. Após passar pela zona urbana de Jucurutu, o rio passa a ser represado pela Barragem Armando Ribeiro Gonçalves até a altura da zona urbana de Itajá, onde fica o vertedouro. O trecho depois da barragem passa a ser chamado de Rio Açu até sua foz no Oceano Atlântico, em forma de estuário, após a cidade de Macau.MOURA, Eulina Maria de; RIGHETTO, Antonio Marozzi; GUIMARÃES JUNIOR, João Abner; MATTOS, Arthur. Modelagem Hidrológica da Bacia do Rio Piranhas-Açu utilizando o MODHISA juntamente com o balanço hídrico dos principais açudes da rede fluvial. In: XVII Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos. Anais do XVII Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos: São Paulo, 2007.VIEIRA, Ana Vitória Freire; TORRES, Mônica Beatriz Assunção; SABOIA, Andrey Luna. Alocação negociada de água: estudo de caso da Barragem Armando Ribeiro Gonçalves, estado do Rio Grande do Norte. In: Congresso Nacional da Diversidade do Semiárido, 2019, Natal. Anais CONADIS. Campina Grande: Realize Editora, 2018. v. 1.
thumb|A Ponte Newton Navarro na foz do rio Potengi, em Natal Em Luís Gomes, na região do Alto Oeste Potiguar, está a nascente do Rio Apodi-Mossoró, o maior rio inteiramente potiguar, com de extensão. Percorre a região oeste do Rio Grande do Norte, sendo represado pelos açudes Pau dos Ferros e Santa Cruz ao longo do seu curso, e deságua no Atlântico, na divisa entre Areia Branca e Grossos.ROCHA, Alexsandra Bezerra et al. Mapeamento geomorfológico da bacia do Apodi-Mossoró, RN, NE do Brasil. Mercator, Fortaleza, v. 8, n. 16, p. 201-216, 2009.SANTOS, Geferson Mário Rebouças dos. Composição e riqueza da ictiofauna do rio Apodi/Mossoró, semiárido do Rio Grande do Norte. 27 f. TCC (Graduação) - Curso de Engenharia de Pesca, Centro de Ciências Agrárias - CCA, Universidade Federal Rural do Semi-Árido, Mossoró, 2017. Outro importante rio potiguar é o Potengi, que nasce em Cerro Corá e, com ,TEIXEIRA, Rubenilson B. O rio Potengi e a cidade do Natal em cinco tempos históricos. Aproximações e distanciamentos. Confins. Revue franco-brésilienne de géographie/Revista franco-brasilera de geografia, n. 23, 2015. deságua no oceano logo após a Ponte Newton Navarro, em Natal, sendo responsável por separar a zona norte da capital do restante da cidade.
A Barragem Armando Ribeiro Gonçalves, com capacidade total para , abrange área dos municípios de Assu, Itajá, São Rafael e Jucurutu. É o maior reservatório do Rio Grande do Norte, responsável pelo abastecimento de mais de trinta municípios, e o segundo do Nordeste. Foi inaugurado em 20 de maio de 1983, tendo sua construção sido iniciada em 1979 com o objetivo de conter enchentes do rio Piranhas-Açu na região do Vale do Açu.NÓBREGA, José Ribamar Cesarino da. O medo das águas: Um estudo sobre a construção da Barragem Engenheiro Armando Ribeiro Gonçalves e seus efeitos na cidade do Assu. Monografia de graduação. Departamento de História da UFRN. Natal, 2005. 56p. O segundo maior reservatório, também represado no Rio Piranhas-Açu, é a Barragem de Oiticica (), inaugurado em março de 2025, abrangendo áreas dos municípios de Jardim de Piranhas, Jucurutu e São Fernando.
Outros reservatórios com capacidade igual ou superior a são: Santa Cruz, em Apodi (), Umari, em Upanema (); Poço Branco, cujo nome oficial é Açude José Batista do Rego, em Poço Branco (); Tabatinga, em Macaíba (); Boqueirão, em Parelhas (); a Lagoa do Bonfim, em Nísia Floresta (); Mendubim, em Assu (); Itans, em Caicó (); Sabugi, em São João do Sabugi () e Pau dos Ferros, oficialmente Açude Público Dr. Pedro Diógenes Fernandes, em Pau dos Ferros ().
Clima esquerda|miniaturadaimagem|250px|Mapa climático do Rio Grande do Norte
Devido à sua localização próxima à Linha do Equador, o Rio Grande do Norte é um estado de clima quente, com temperaturas elevadas durante o ano todo e muitas horas de insolação, além da elevada evapotranspiração. No estado existem dois tipos climáticos: tropical e semiárido. O primeiro acontece no litoral leste, com chuvas mais abundantes e índices pluviométricos superiores a anuais, enquanto o último domina quase todas as áreas do interior do estado, inclusive o litoral norte. 90,6% do território potiguar está localizado na região do Polígono das Secas.
A pluviosidade é o principal fator determinante do clima do Rio Grande do Norte. As chuvas são mais abundantes nas áreas de clima tropical, porém, no interior, são mais escassas e irregulares, com índices pluviométricos por vezes inferiores e 700 mm/ano, com exceção do Alto Oeste, onde se localiza a "zona serrana do Rio Grande do Norte", que apresenta índices pluviométricos maiores. Na região do sertão norte-riograndense, o principal fator causador de chuvas é a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), no período de fevereiro a maio, enquanto na costa litorânea oriental e em parte do Agreste destaca-se a atuação das ondas de leste, principalmente entre maio e agosto.
Levando-se em consideração apenas o índice pluviométrico, o clima é tropical chuvoso com verão seco, em Natal e litoral sul, com precipitações médias acima dos milímetros (mm) anuais; tropical chuvoso com inverno seco no litoral nordeste, nas partes mais elevadas da Serra de João do Vale e na região serrana, onde se situam as serras de Luís Gomes, Martins e Portalegre (800 a anuais); subúmido seco na Chapada do Apodi e das Serras de Santana e São Bernardo (600 a 800 mm) e semiárido nas demais regiões do estado, com índices pluviométricos inferiores a .
Vegetação e unidades de conservação thumb|220px|Vegetação da caatinga na Serra do Lima em Patu, durante a estação seca thumb|220px|O Atol das Rocas, unidade de conservação federal, é um pequeno arquipélago no Oceano Atlântico considerado Patrimônio Mundial da UNESCO thumb|220px|Parque Nacional da Furna Feia, o primeiro parque nacional criado no Rio Grande do Norte.
O território norte-riograndense está inserido nos biomas da Mata Atlântica e da Caatinga (maior parte). O primeiro é encontrado no leste do estado e se manifesta principalmente sob a forma de floresta subperenifólia (ou floresta ciliar sem carnaúba). No restante do estado, que engloba as regiões central, oeste e quase todo o Agreste, predomina a Caatinga, que pode ser hiperxerófila ou hipoxerófila, sendo a última predominante no centro-sul do estado, que engloba a maior parte da região do Seridó, e a primeira nas demais regiões.