A Companhia do Caminho de Ferro do Porto à Póvoa e Famalicão, originalmente conhecida como Companhia do Caminho de Ferro do Porto à Póvoa, e mais conhecida como Companhia da Póvoa, foi uma empresa portuguesa, que construiu e explorou o troço entre as Estações de Porto-Boavista e Famalicão da Linha do Porto à Póvoa e Famalicão, em Portugal; fundiu-se com a Companhia do Caminho de Ferro de Guimarães, criando a Companhia dos Caminhos de Ferro do Norte de Portugal, em 14 de Janeiro de 1927.
História Planeamento e construção da Linha do Porto à Póvoa e Famalicão
No dia 19 de Junho de 1873, foi deferida, ao Barão de Kessler e a Temple Ellicot, a construção e exploração de um caminho de ferro entre as cidades do Porto e da Póvoa de Varzim, com a bitola de 0,90 m, sem quaisquer encargos para o estado. Um despacho de 30 de Dezembro de 1873 autorizou que se procedesse ao trespasse desta concessão para a Companhia do Caminho de Ferro do Porto à Póvoa, que foi criada expressamente para aquele fim; este processo foi validado por uma portaria de 9 de Abril de 1874. A companhia foi fundada em capitais britânicos, o que influenciou a escolha da bitola utilizada, e o facto das primeiras locomotivas terem sido fornecidas pela casa Fairlie Engine Company.
Ao contrário do habitual neste género de empreendimentos, a construção da linha não ofereceu problemas de maior, tendo sido inaugurada em 1 de Outubro de 1875, apenas cerca de ano e meio após a constituição da Companhia. Este foi o primeiro caminho de ferro público de via estreita em Portugal, motivo pelo qual a empresa enfrentou alguns problemas no início da exploração; posteriormente, conseguiu superar estas dificuldades, tendo chegado a obter algum sucesso na exploração comercial. Assim, pôde expandir o seu parque de material motor e rebocado, como a encomenda de novas locomotivas em 1897.
Em 19 de Dezembro de 1876, a Companhia foi autorizada a prolongar a Linha até Famalicão, onde se iria encontrar com a Linha do Minho; a construção decorreu sem incidentes, tendo o primeiro troço, até Fontaínhas, sido aberto em 7 de Agosto de 1878. A ligação a Famalicão foi concluída em 12 de Junho de 1881.
Formação da Companhia do Norte
Desde o início do Século XX que esta empresa se queria unir com a Companhia do Caminho de Ferro de Guimarães, que explorava a Linha de Guimarães; esta aspiração devia-se, principalmente, à proximidade das operações de ambas as empresas, cujas linhas constituíam a rede secundária do Minho. Por outro lado, o governo reconhecia que nenhuma das duas Companhias tinham a sua sobrevivência assegurada, enquanto estivessem a operar separadamente. A união esteve quase a fazer-se em 1908, mas sem sucesso. Uma lei de 20 de Junho de 1912 firmou as condições necessárias para se realizar a fusão entre estas duas Companhias, mais uma outra, que tinha recebido a concessão para construir as Linhas do Alto Minho, de Braga a Guimarães, e de Viana a Ponte da Barca.PORTUGAL. Lei sem número, de 20 de Junho de 1912. Ministério do Fomento - Secretaria Geral. Paços do Governo da República. Publicado no Diário da República n.º 149, Série I, de 27 de Junho de 1912 No entanto, este processo foi atrasado por vários problemas, especialmente o decorrer da Primeira Guerra Mundial, tendo a fusão entre esta empresa e a Companhia do Caminho de Ferro de Guimarães ocorrido com a publicação dos novos estatutos, em 14 de Janeiro de 1927, formando a Companhia dos Caminhos de Ferro do Norte de Portugal.
Caracterização Tipos de atrelagem O sistema de atrelagem típico no material circulante desta Companhia era em tulipa.
Material circulante As primeiras locomotivas utilizadas por esta Companhia eram duas máquinas do tipo Fairlie, encomendadas à Fairlie Engine Company, e fabricadas em 1875 pela Vulcan Foundry.REIS et al, 2006:40 Também teve ao serviço duas locomotivas Krauss, que possuíam os números 10 e 11, e que foram posteriormente integradas na Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, formando a Série E61 a E62. O parque motor desta empresa também contou com três locomotivas tanque 0-3-0 do Tipo 84 da casa francesa Fives-Lille. Estas locomotivas, que receberam os números 7, 8 e 9 da Companhia, constituíram ulteriormente a Série E31 a E33 da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses.
Ver também História do transporte ferroviário em Portugal
Bibliografia
Categoria:Empresas ferroviárias extintas de Portugal Categoria:Empresas fundadas em 1873 Categoria:Empresas extintas em 1927