thumb|400px|Parábola dos Talentos.Gravura por Jan Luyken na Bíblia de Bowyer. A Parábola dos talentos, também conhecida como Parábola das Minas, é uma parábolas de Jesus e aparece em dois dos evangelhos canônicos. As diferenças entre e são substanciais e, por isso, é impossível que as duas parábolas tenham sido derivadas de uma mesma fonteArland J. Hultgren, The Parables of Jesus: A Commentary, Eerdmans Publishing, 2002, ISBN 080286077X, pp. 271-281.. No Evangelho segundo Mateus, as palavras de abertura aparecem para ligar a parábola com a parábola anterior, das Dez Virgens, uma parábola sobre a chegada do Reino dos Céus.

Segundo Eusébio de Cesareia, uma variante da Parábola dos Talentos também era encontrada no apócrifo Evangelho dos Hebreus, hoje perdido.

Narrativa bíblica Mateus ("talentos") No Evangelho segundo Mateus:

Lucas ("minas") No Evangelho segundo Lucas:

Esta parábola é, no geral, similar à que está presente no Evangelho segundo Mateus, mas entre as diferenças estão a inclusão do tema sobre o rei obtendo um reinoLuke Timothy Johnson and Daniel J. Harrington, The Gospel of Luke, Liturgical Press, 1991, ISBN 0814658059, p. 292. e o senhor confiando aos servos quantidades iguais de bens, medidos em "minas" ao invés de "talentos" (1 talento = 60 minas). Adicionalmente, Lucas inclui no começo um relato dos cidadãos enviando ao mestre para dizer-lhe que eles não o queriam como rei e, no final, Lucas adiciona que o mestre comanda que seus adversários sejam trazidos à sua presença e mortos.

Os paralelos entre o material de Lucas (o evangelho e os Atos dos Apóstolos) e as obras de Flávio Josefo há muito já foram percebidasSteve Mason, Josephus and Luke-Acts, (1992), pages 185-229Gregory Sterling, Historiography and Self-Definition: Josephos, Luke-Acts and Apologetic Historiography (1992)Heinz Schreckenberg, Flavius Josephus and the Lukan Writings (1980), pages 179-209.Max Krenkel, Josephus und Lukas (1894). A ideia central, de um homem viajando para um país distante (igualado a um reino) tem vagas semelhanças com Herodes Arquelau viajando a Roma para conseguir seu reino; embora esta semelhança em si não seja significativa, o relato de Josefo também contém detalhes que aparecem nos detalhes do relato de LucasLuke Timothy Johnson, Daniel J. Harrington, The Gospel of Luke (1991), endnote 12, page 289. Josefo descreve os judeus enviando uma embaixada a Augusto em paralelo com a viagem de Arquelau para reclamar que eles não o querem como governanteJosephus, Antiquities of the Jews, 17:11Luke Timothy Johnson, Daniel J. Harrington, The Gospel of Luke (1991), endnote 14, page 290. Quando Arquelau retorna, ele fez com que 3.000 de seus inimigos fosse trazidos até ele no Templo de Jerusalém e assassinados.

Evangelho dos Hebreus Eusébio afirma que no "Evangelho dos Hebreus" a ameaça não era contra o homem que havia escondido o talento, mas contra o que viveu de forma dissoluta - pois ele fala de três: um desperdiçou as posses de seu mestre com prostitutas e dançarinas, outro multiplicou seus ganhos e outro escondeu o talento. Por isso, um foi aceito, um foi expulso e um foi preso.Eusébio, Teofania sobre Mateus 22.

Interpretação

Um talento era uma unidade de peso de cerca de 80 librasRidgeway, William, "Measures and Weights" in Whibley, Leonard (ed). A Companion to Greek Studies, Cambridge U. P., 1905, p. 444., embora haja alguma discordância acadêmica sobre o tamanho exato da unidade. Apesar de um talento poder medir qualquer coisa, quando utilizado sem qualificação entende-se que se refere a prata como uma unidade monetária (talento) no valor de cerca de 6.000 denários. Uma vez que um denário era o pagamento usual para um dia de trabalho, um talento equivalia aproximadamente ao valor de vinte anos de trabalho de uma pessoa comumNuma taxa de 6 dias úteis por semana e aproximadamente 50 semanas por ano, 6.000 dias = 20 anos..

Em Mateus, as palavras de abertura parecem ligar a parábola à parábola das Dez Virgens, que a precede imediatamente, e que lida com a sabedoria num contexto escatológico.

Como um ensinamento para os cristãos Tradicionalmente, a Parábola dos Talentos tem sido vista como uma exortação aos discípulos de Jesus a usar seus dons dados por Deus a serviço de Deus e a assumir riscos pela causa do Reino de Deus. Estes dons incluem habilidades pessoais ("talentos" no sentido usual), bem como a riqueza pessoal. A não utilização dos talentos, a parábola sugere, irá resultar em castigo.

Como uma crítica de líderes religiosos Joachim Jeremias acreditava que o significado original da parábola não era uma questão ética sobre todos os homens. Em vez disso, viu-a como visando os escribas que tinham retido "de seus companheiros uma quota devida do dom de Deus"Joachim Jeremias, The Parables of Jesus, Scribner, 1954.. Em sua opinião, Jesus está dizendo que esses escribas em breve serão levados para explicar o que fizeram com a Palavra de Deus que lhes foi confiada.

Jeremias também acreditava que na vida da igreja primitiva, a parábola tomou um novo significado, com o comerciante se tornando uma alegoria de Cristo para que "sua jornada se tornasse a ascensão, o seu posterior regresso... a parusia, que convida os seus para o banquete messiânico".

Como uma crítica social William R. Herzog II acredita na interpretação tradicional da parábolaWilliam R. Herzog II, Parables as Subversive Speech: Jesus as pedagogue of the oppressed, Westminster John Knox Press, 1994, ISBN 0664253555, pp. 150-168., mas fornece uma interpretação à luz da teologia da libertação em que a imagem do senhorio ausente, que colhe onde não semeou, é interpretada literalmente. Na leitura de Herzog, o terceiro servo é um "delator" que "desmascarou a 'alegria do mestre' pelo que ela é, os lucros da exploração desperdiçados em excessos". Ele é punido por falar a verdade e não por não trazer nenhum lucro. Para Herzog, o objetivo da parábola é a necessidade de agir com solidariedade quando confrontado com injustiça.

O sociologista Robert K. Merton utilizou a Parábola dos Talentos para descrever um sistema de recompensas na ciência no qual cientistas famosos geralmente recebem créditos desproporcionais por suas contribuições, enquanto que cientistas menos famosos recebem menos do que seria justo. Ele chamou este fenômeno de Efeito MateusGerald Holton (December 2004). Robert K. Merton, 4 July 1910· 23 February 2003. 148. American Philosophical Society. ISBN 1422372901..

Ver também

Harmonia evangélica

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