A Parábola do Credor Incompassivo (também conhecida como Servo Ingrato, Servo Impiedoso, Servo Incompassivo ou Servo Mau) mas não deve ser confundida com a Parábola dos Dois Devedores ). É uma Parábola de Jesus que aparece em apenas um dos evangelhos canônicos do Novo Testamento. O foco desta parábola que é encontrada em é o perdão. É dado o exemplo de um rei que foi piedoso com seu servo, e este servo não mostrou piedade com seu conservo, fazendo indignarem-se outros conservos e o rei.
Comentário de R. N. Champlin, sobre esta parábola:
Narrativa
miniaturadaimagem|Esta representação de Jan van Hemessen (1556) mostra o momento em que o Rei repreende o servo
Interpretação
Os versículos, 23 a 35 apresentam a parábola do credor incompassivo, parábola essa que se acha somente em Mateus. A fonte, aqui, provavelmente é «M», isto é, matéria que somente Mateus tinha para usar, proveniente talvez da tradição da igreja em Antioquia, onde este evangelho foi escrito, segundo algumas autoridades dos estudos neotestamentários. Mas outros ensinam que a fonte «M» se baseia na tradição das igrejas da Judeia, e que a fonte «Q» é que deve ser atribuída à Antioquia.R. N. Champlin ISBN 8588234351
Provavelmente o autor fez alguma modificação em sua fonte informativa, empregando o seu próprio estilo, como parece ficar indicado na expressão Pai celeste no vs. 35. A aplicação da parábola, aqui, ilustra a difícil lei do perdão e serve para mostrar que a comunidade cristã deve praticar esse espírito em todas as atitudes que afetam as vidas dos membros da comunidade. O autor continua a ilustrar o comportamento moral entre os crentes, como se esse comportamento tivesse base em relações familiares, que é a ideia fundamental de todo este capítulo. A parábola ilustra os princípios da oração do Senhor, em Mat. 6: 12, 14, 15, e enfatiza um dos mais elevados ensinos do sistema ético do cristianismo, isto é, o perdão completo. O perdão de Deus é gratuito, incluindo até mesmo os proscritos e os piores pecadores. Os homens têm o privilégio de imitar esse ato, e, assim fazendo, tornam-se mais semelhantes a Deus e a Cristo, que é o padrão exigido dos homens por Deus. Jesus exemplificou, por suas palavras, que os homens ainda têm outro grande privilégio ao se fazerem discípulos seus, a saber, o papel de mediadores entre os irmãos, de pacificadores, o dever de espalhar o espírito de mansidão de Cristo no seio da sociedade cristã. Jesus ensina aqui que aquele que perdoa pode esperar a misericórdia de Deus, mas que aquele que se recusa a perdoar pode esperar um duro julgamento contra os seus próprios pecados.
«Aquele que perdoa é tratado por Deus com base na misericórdia, mas aquele que não perdoa não tem o direito de esperar mais do que um estrito julgamento contra seus pecados». (Sherman Johnson, in loc.). Essa é a lição central da passagem à nossa frente, que não deve ser ignorada e nem retirada do quadro mediante a interpretação ultradispensacional.
Esta parábola faz uma série de pontos:
O perdão de Deus é de enorme magnitude, como os 10.000 talentos (Quantia muito grande). [Parábola dos Talentos] Este enorme grau de perdão deve ser o modelo para a maneira que os cristãos perdoam os outros.Craig S. Keener, A Commentary on the Gospel of Matthew, Eerdmans, 1999, ISBN 0802838219, pp. 456–461. Uma natureza que não perdoa é ofensiva a Deus. O perdão deve ser genuíno.
Na época romana, um talento equivalia a 6.000 denários, sendo um denário quase o salário de um dia para um trabalhador comum. Se o salário de um dia na época atual está em de 50 dólares, 10.000 talentos seriam 3 bilhões de dólares! No Tanakh, um talento pesa 75,6 libras. Essa quantidade de ouro, numa medida de 350 dólares/onças, vale aproximadamente 4 bilhões de dólares; a mesma quantidade de ouro, a uma taxa de 4 dólares/onças, alcançam mais de 40 milhões de dólares. Hamã ofereceu ao rei Assuero, da Pérsia, 10.000 talentos de prata para destruir os judeus (Ester 3:9). O museu em Heraklion, em Creta, tem talentos minoanos de 3.500 anos de idade lingotes de metal utilizados para pagar dívidas.David H. Stern, Comentário Judaico do N.T.
Cem denários: nos dias de hoje, cerca de R$ 10 mil reais.
18:22: Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete; mas até setenta vezes sete. “Até quantas vezes...meu irmão pecará contra mim, que eu lhe perdoe?”
thumb|300px|A maioria dos estudiosos modernos concordam que Lucas e Mateus utilizaram o Evangelho de Marcos e uma hipotética fonte conhecida como Q. Alguns intérpretes acham que este texto, incluindo a parábola do credor incompassivo, é paralelo a Luc. 17:3, 4, e que se deriva da fonte informativa «Q». Nesse caso, a forma original da fonte «Q» teria sido melhor preservada por Lucas, ao passo que Mateus teria expandido o material, especialmente ao utilizar-se da parábola do credor incompassivo, que teria sido apropriada a fim de ilustrar o princípio do perdão entre irmãos. A apresentação desse mesmo princípio, conforme foi registrado no evangelho de Lucas, embora ilustre a mesma verdade, é bastante diferente. Lucas. 17:4 diz: “Se por sete vezes no dia pecar contra ti, e sete vezes viver contigo, dizendo: ‘Estou arrependido’, perdoa-lhe”. Mateus diz «até setenta vezes sete», e todas as traduções usadas neste comentário, para fins de comparação, têm essa forma (excetuando-se a tradução GD), ainda que algumas autoridades e intérpretes pensem que o número possa ser «setenta e sete» vezes. Porém, seja sete vezes por dia (no dizer de Lucas), seja setenta e sete vezes (como talvez seja o sentido em Mateus), ou seja setenta vezes sete (como a maioria das autoridades acha que Mateus escreveu), o sentido é idêntico: não há limite para o perdão. É obvio que é impossível que alguém ofenda por tantas vezes a outrem que precise arrepender-se sete vezes num dia só. Também é claramente impossível que alguém precise ser perdoado por setenta e sete vezes, e, ainda mais impossível, se assim fosse o caso, que alguém precise ser perdoado por quatrocentas e noventa vezes (“setenta vezes sete”) - A regra observada entre os judeus, segundo os ensinos da literatura judaica, era três vezes; e, quando Pedro falou em «sete vezes», como padrão possível, sem dúvida, pensou que sua regra foi extraordinariamente generosa. As citações abaixo ilustram a atitude dos judeus: «Se um homem pecar, a primeira vez eles o perdoam; a segunda vez eles o perdoam; a terceira vez eles o perdoam; mas da quarta vez não perdoam, de acordo com Amós 2:6 e Jó 33:29» [T.Bab. Yoma, fol . 86:2. Mainon. Hilch. Teshuba, c. 3. sect. 5). E também: «Quem diz que cometeu pecado e se arrepende, eles o perdoam até três vezes, e não mais que isso» (Aboth R. Nathan, c. 40. foi. 8).
Com respeito à questão do número que se acha no vs. 22 ver a nota acima, que explica se se deve compreender setenta e sete ou então setenta vezes sete. O fato de haver bons intérpretes como advogados de ambas as ideias, ilustra que esse problema não tem solução certa. Os antigos certamente não observavam sem variação as formas que representavam os seus números, e essa irregularidade têm criado o problema. A mesma irregularidade se vê em Gên. 4:24. na LXX, e é provável que uma pesquisa revelasse numerosos incidentes desse uso irregular com expressões numéricas. A maioria das autoridades ensina setenta vezes sete, mas nomes importantes, como Meyer e Goodspeed, defendem «setenta e sete». Apesar dessas dúvidas sobre o número certo, o ensino é bem claro. «A vingança ilimitada do homem primitivo cede lugar ao perdão ilimitado dos cristãos» (McNcilc. in loc.). Vicente expressa a mesma ideia de forma feliz, e compreensível. «O perdão é qualitativo, e não quantitativo» (in loc.).
Embora a justiça seja tua petição, considera isto.
Que na corte marcial nenhum de nós Veria a salvação: oramos por misericórdia:
E essa mesma oração nos ensina a todos A usar de misericórdia.
(Shakespeare. Mercador de Veneza, Ato IV, cena l).
É evidente que o princípio do perdão deve funcionar a despeito da ausência de arrependimento. Talvez seja fácil perdoar se o ofensor se mostra arrependido. Lembremo-nos, entretanto, que Cristo, já na cruz, perdoou aos seus próprios adversários e assassinos. Nota-se a mesma atitude com diversos incidentes da história eclesiástica, a começar por Estêvão. Essa atitude só pode ter sido resultado do desenvolvimento espiritual, porquanto é claro que esse espírito tão perdoador não é inerente à personalidade humana. Cristo «em vós» é que faz toda a diferença. Portanto, Cristo trouxe ao mundo uma nova lei, uma lei difícil que reflete um padrão muito elevado. E esse espírito, por si mesmo, pode ser uma grande influência que leve o ofensor ao arrependimento, contanto que tal atitude seja honesta.
Enquanto Joana d'Arc lutou, o capelão inglês não se arrependeu; porém, quando ela perdoou e sofreu o martírio, ele se arrependeu. (George Bernard Shaw, Saint Joan, cena seis). O perdão exerce bom efeito sobre aquele que perdoa e sobre aquele que é perdoado. A lei do V.T. e as leis comuns dos homens, quer nações ou indivíduos, nada tem a ver com esse tipo de perdão. Essa lei é quase exclusivamente cristã.
DEVEMO-NOS lembrar neste ponto, que essas instruções vem logo após os ensinos referentes à disciplina na igreja. Ilustram novamente que até a disciplina justificada deve ser executada em atitude de misericórdia e perdão. E bem possível que esse perdão seja desprezado nos tribunais da sociedade humana; mas, na comunidade cristã e entre os crentes, ou mesmo entre o crente e o incrédulo, o discípulo verdadeiro de Cristo deve procurar empregar essas lições. Talvez a prova pragmática demonstre a validade do conceito, mas, infelizmente, poucos existem dotados da disposição de aplicar a prova pragmática.
Finalmente, observemos a reação dos discípulos, registrada exclusivamente por Lucas: «Então disseram os apóstolos ao Senhor: Aumenta-nos a fé». Nunca antes tinham ouvido um conselho do padrão tão elevado, e provavelmente esperavam uma resposta que refletisse as ideias comuns entre os judeus, ou então, no máximo, algo parecido com a ideia que Pedro apresentou ao referir-se ao número sete como elevado e liberal perdão. Os apóstolos tinham conhecimentos espirituais suficientes para perceberem que o cumprimento de um padrão tão elevado exigiria desenvolvimento espiritual. Nem o homem comum nem o crente comum tem capacidade de demonstrar um perdão tão ilimitado assim. Os apóstolos tinham fé bastante para operar milagres, mas não o bastante para realizar esse milagre moral.
Talvez isso sirva para mostrar que o milagre do desenvolvimento espiritual do crente, especialmente quando segue o modelo que é Cristo, é um “milagre” maior do que qualquer prodígio físico. A fé é o elemento fundamental para a prática das virtudes cristãs. Quando a fé é fraca, a demonstração das virtudes também é débil. Essa fé fala da comunicação espiritual entre o homem e Deus e aqui não está em vista somente a crença isenta de dúvidas. A fé é um tipo de expressão da natureza da alma. A alma que tem conhecimento de Deus e que comunga com o Espírito de Deus, deixa transparecer sua fé e confiança na vida diária. Porém, quando a alma não desfruta dessa comunhão, não há o transparecimento dessa confiança, e o homem passa a agir segundo os princípios humanos e carnais. Pode-se dizer, por conseguinte, que a verdadeira fé consiste da prática ou da demonstração da comunhão espiritual da alma com Deus, isto é, consiste da expressão do desenvolvimento espiritual da alma crente.
18:23: Por isto o reino dos céus é comparado a um rei que quis tomar contas a seus servos thumb|400px|right|O Juízo Final de Fra Angelico (1432-1435). "O reino dos céus é semelhante...".