thumb|Mulheres e crianças à espera para entrar num campo de refugiados superpovoado em Dadaab, Quénia.
A crise alimentar de 2011 no Corno de África (ou Chifre da África) é uma situação de carestia em várias regiões do Corno de África devido a uma seca que afetou a região do leste africano . A seca, a "maior seca há 60 anos", levou a uma crise alimentar na Somália, Etiópia e Quénia, ameaçando a vida de mais de 10 milhões de indivíduos . Outros países, dentro e fora do Corno de África, incluindo Djibuti, Sudão, Sudão do Sul e algumas regiões do Uganda, estão também afetados pela crise alimentar .
No início do mês de julho, a Famine Early Warning Systems Network (FEWS-Net) declara o estado de emergência para o sul da Somália, o sudoeste da Etiópia, e para o nordeste do Quénia, sendo que as atuais condições desses países são muito preocupantes . A 20 de julho as Nações Unidas notam, pela primeira vez desde a carestia na Etiópia de 1984, a falta de alimentos em várias regiões da Somália, vitimando um milhão de indivíduos . Uma dezena de milhares de indivíduos perderam a vida no sul da Somália antes do evento ter sido mediatizado.
Causas thumb|esquerda|Carcaças de ovelhas e cabras encontradas após a seca em Waridaad, na região da Somalilândia.
As condições meteorológicas do Oceano Pacífico, que se desenvolveram numa forte e não habitual La Niña, interromperam as chuvas sazonais durante duas estações consecutivas. Nenhuma gota de chuva caiu no Quénia, Etiópia ou Somália (durante dois anos). Em algumas zonas, o nível de precipitação na estação das chuvas, do fim de março ao início de junho, caiu 30% entre 1995 e 2010 .. A falta de chuva enfraqueceu o cultivo, diminuindo as hipóteses de obtenção de alimentos. A chuva não deverá voltar antes do mês de setembro. O grupo rebelde Al-Shabaab piora ainda mais a crise.
Rajiv Shah, chefe da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional, explica que as mudanças climáticas contribuiram para a gravidade da crise .. Entretanto dois especialistas, acompanhados do International Livestock Research Institute (ILRI), dizem que ainda é cedo para falar das mudanças climáticas a respeito da seca. É mais certo que um forte fenômeno La Niña tenha contribuído para a intensidade da seca.
A tardia divulgação nos meios de comunicação da crise foi fortemente criticada. Jane Cocking, diretora humanitária de Oxfam, explica que ainda são possíveis várias soluções .
Situação humanitária População que necessita de ajuda População local Refugiados Total 146 600 17 600 164 200 2 400 000* 514 545** 2 914 545 3 700 000 0 3 700 000 4 567 256 228 014 4 795 270 Total 10 813 856 760.159 11.574.015Fote: OCHAHorn of Africa Drought Crisis Factsheet 25 July 2011. United Nations Office for the Coordination of Humanitarian Affairs (OCHA) * Espera-se agravamento em agosto. ** Registados em 17 de julho de 2011 (UNHCR) </div> 180px|left|thumb|Mapa da crise alimentar de 2011 no Corno de África A carestia teve origem em Shabeellaha Hoose e Bakool, duas regiões do sul da Somália.. De acordo com o coordenador humanitário da ONU para a Somália, esta situação ir-se-á propagar às outras oito províncias se não se agir imediatamente. The Economist informou que a fome pode estender-se a todo o Corno de África, "uma situação... inédita em 25 anos".
Em 3 de agosto, mais três regiões da Somália, incluindo zonas de Mogadíscio, foram declaradas em estado de fome, segundo anunciou a ONU.
Mais de 800000 indivíduos fugiram das regiões afetadas pela seca do sul da Somália em direção aos países vizinhos, principalmente para o Quénia e a Etiópia. Os campos de Dadaab (Quénia) acolheram perto de 440000 refugiados, atingindo 300% da sua capacidade máxima de acolhimento .. Mais de 1400 refugiados fogem, por dia, do sul da Somália. O porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os refugiados, Melissa Fleming, explica que um bom número desses refugiados morre durante o percurso ..
Resposta internacional Em 27 de julho de 2011, o Programa Alimentar Mundial da ONU anunciou que começou o transporte aéreo de comida para a Somália. Dez toneladas de comida foram levadas nesse dia para Mogadíscio, com planos para expandir a entrega ao sul da Somália, onde milhões se mantêm inacessíveis, e estão demasiado débeis para cruzar a fronteira com o Quénia. No entanto, entregar a comida na região é complicado, pois o grupo Al-Shabaab não permite que algumas agências estrangeiras de ajuda trabalhem no país.Somália, fome e conflito . Médicos sem fronteiras, 13 de setembro de 2011.
Ver também Crise alimentar em 2011
Ligações externas Donations to UNICEF - Horn of Africa
Corno Corno Categoria:2011 no Djibuti Categoria:2011 na Etiópia Categoria:2011 no Quênia Categoria:2011 na Somália Categoria:2011 no Sudão Categoria:2011 no Sudão do Sul Categoria:2011 em Uganda Categoria:Crises alimentares