João Baptista Ribeiro (Arroios, Vila Real, — Santo Ildefonso, Porto, ) foi um pintor, desenhador, gravador, lente de Desenho e director da Academia Politécnica do Porto. Dedicou-se também à litografia e, mais tarde, também experimentou o daguerreótipo, a primeira forma de reprodução da imagem fotográfica.Nota biográfica de João Baptista Ribeiro.

Biografia esquerda|miniaturadaimagem|266x266px|Auto-retrato de João Baptista Ribeiro, Arquivo Municipal do Porto (1833). João Baptista Ribeiro nasceu em Arroios, junto à Ponte de Santa Margarida, em Vila Real, a 5 de abril de 1790. De descendência, em parte, africana, foi filho de António José Ribeiro, natural de Sabroso de Aguiar e de Isabel Maria, natural de Andrães. Aprendeu as primeiras letras no Convento de São Francisco, pouco distante do Bairro dos Ferreiros, onde habitava.

Cedo se tornou evidente a sua vocação artística, revelando uma natural apetência pelo desenho. Nas paredes da sua aldeia fazia desenhos a carvão, que chamaram a atenção tanto do Arcebispo de Braga, Frei Caetano Brandão, como do Morgado de Mateus, ilustres personagens empenhadas, mas sem sucesso, em proporcionar-lhe a educação mais adequada, pois só a 21 de março de 1802 foi entregue aos cuidados do Dr. Frei Jacinto de Sousa.

Nesta altura, a sua família afetiva passou a ser a de D. Albina Emília, senhora que dele cuidou, correspondendo-se regularmente com o irmão, Luís José Ribeiro, Barão de Palma, e os sobrinhos, Luís, Sebastião e Maria da Glória, moradores em Lisboa.

Iniciou a sua aprendizagem no Porto. A 20 de maio de 1803, inscreveu-se na Aula de Debuxo e Desenho da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, a instituição mais marcante da cidade, sendo aluno de Domingos Vieira, lente substituto da Aula de Desenho, e do seu filho Francisco Vieira, o Portuense, proprietário da cadeira.

Entre 1803 e 1810, foi aluno de José Teixeira Barreto e de Raimundo Joaquim da Costa, na Aula de Desenho da Academia Real de Marinha e Comércio do Porto. Vieira Portuense, o nome mais sonante, pouco lhe terá ensinado, pois faleceu em 1805. Pelo contrário, muito aproveitou com Domingos Sequeira, que teve como professor na mesma Aula de Desenho a partir de 1806 e que o acompanhou até ao final do curso, declarando-o o seu discípulo favorito.

As primeiras obras da sua autoria de que há notícia são as decorações ("painéis de cola") que realizou, em 1808, para as festividades em ação de graças à Restauração de Portugal, celebradas na Igreja Matriz de Vila Nova de Gaia, como consta na "Descripção Topographica de Villa Nova de Gaya", de João Monteiro Azevedo. E duas aguarelas, destinadas à Real Companhia Velha (1810), representando a destruição do Cachão da Valeira do rio Douro, em São João da Pesqueira. esquerda|miniaturadaimagem|282x282px|Pintura a óleo de D. Miguel I, por João Baptista Ribeiro (1828). Terminada a formação artística, com 21 anos, foi nomeado lente substituto da Aula de Desenho da Academia Real de Marinha e Comércio (1811-1813), no lugar de Raimundo Joaquim da Costa que, por morte de José Teixeira Barreto, ascendera a Lente.

Em 1835 criou a Sociedade dos Amigos das Artes. Entre 1836 e 1837 foi nomeado Diretor das três Academias de ensino superior do Porto. Iniciou o seu percurso na Academia Real de Marinha e Comércio, passou, depois, por um curto lapso de tempo, pela Academia Portuense de Belas-Artes vindo a fixar-se na Academia Politécnica do Porto, onde permaneceu até se jubilar em 1853, embora continuando a lecionar a cadeira de Desenho quase até ao final da sua vida, até 1866. miniaturadaimagem|Pintura a óleo de D. Pedro IV, por João Baptista Ribeiro (1833). Durante o Cerco do Porto, este "miguelista por convivência e liberal por convicção", foi chamado por várias vezes ao Paço, por D. Pedro IV, para lhe fazer o retrato ou para ser ouvido sobre as orientações a dar a um futuro museu, de cuja organização fora incumbido. Do monarca, que frequentava a sua casa, recebeu um prelo litográfico e conseguiu a dispensa do serviço militar. Com a sua arte representou o Desembarque do Mindelo, as baterias do Covelo, do Monte Pedral e dos Congregados.

Como agente cultural na cidade teve uma importante intervenção. Organizou academias, museus, associações e coordenou a recolha e reordenação do espólio dos conventos abandonados e das casas confiscadas aos rebeldes absolutistas.

Esta missão tinha-lhe sido ordenada pelo rei. Foi com esse espólio, guardado na Academia, que se constituiu o primeiro museu público português: o Museu de Pinturas e Estampas, que mais tarde seria transformado no Museu Nacional de Soares dos Reis. Por decreto de D. Maria II, de 1836, foi nomeado diretor do Museu. Deixa o museu portuense em 1839 já instalado no Convento de Santo António da Cidade, onde ocupava uma galeria e uma sala de grandes dimensões. Abriu ao público em 1840, sob a proteção da Academia Portuense de Belas-Artes. Como pintor estimado na corte e Mestre de Desenho e Pintura das Senhoras Infantas, realizará um conjunto de retratos da Família Real, de que são interessantes documentos os desenhos preparatórios da colecção do Museu Nacional de Soares dos Reis. esquerda|miniaturadaimagem|207x207px|Miniatura (têmpera sobre marfim) com retrato de D. Carlota Joaquina, Rainha de Portugal, por João António Ribeiro, Museu Nacional de Arte Antiga (1820-30). Depois das primeiras obras, a sua pintura centra-se essencialmente no retrato de grande dimensão e na pintura religiosa (grandes "panos de camarim" em Valongo, nos Congregados e os painéis para os retábulos de Massarelos, capelas das Almas e de São José das Taipas, já desaparecidos).

No retrato distinguem-se as obras encomendadas das realizadas mais livremente, como o seu auto-retrato (representado na Exposição Internacional de 1865 no Palácio de Cristal do Porto) e o retrato de seu pai, exemplos da sua mestria neste tipo de pintura. Entre outras obras, pintou, para a Sala dos Capelos da Universidade de Coimbra, os retratos de D. João VI, D. Pedro IV, D. Maria II e D. Pedro V, e ainda um retrato de D. Miguel I. A miniatura proporcionou-lhe o fabrico em série das figuras do rei D. João VI e da rainha D. Carlota Joaquina, de burgueses, militares e auto-retratos. A litografia permitiu-lhe efetuar novas experiências, retratando entre outros Passos Manuel, Francisco de Almada e Mendonça e a cantora Teresa Távola. Mais tarde também experimentou o daguerreótipo, a primeira forma de reprodução da imagem fotográfica, e neste processo imortalizou Alexandre Herculano (1854). Será com o retrato deste escritor que o veremos estar presente na Exposição Universal de Paris de 1855.

Foi Comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa (1824), Cavaleiro da Ordem de Cristo (1837) e Conselheiro de Estado (1853).

Ficou na história como político, pedagogo, museógrafo, pioneiro da fotografia e da litografia no Porto e, naturalmente, como pintor. Provavelmente não o mais ilustre dos pintores portuenses, mas aquele que, nas palavras de Flórido de Vasconcelos, "deve ser lembrado como um dos mais fecundos e ativos promotores das artes na cidade do Porto".

João Baptista Ribeiro faleceu aos 78 anos, no número 524 da Rua de Santa Catarina (em cujo jardim instalara uma oficina litográfica e no muro externo fizera painéis de azulejo, homenageando Vieira Portuense, Domingos Sequeira e Teixeira Barreto), freguesia de Santo Ildefonso, na Baixa do Porto, às 4 horas da madrugada de 24 de julho de 1868, solteiro e sem filhos. Consta que fez testamento e encontra-se sepultado no Cemitério do Prado do Repouso, na mesma cidade.

Ligações externas

Obras de João Baptista Ribeiro na Biblioteca Nacional de Portugal

Categoria:Pintores de Portugal do século XIX Categoria:Alumni da Universidade do Porto