Companhia Telefônica Brasileira (CTB) foi uma empresa operadora de telefonia fixa que atendia os estados do Rio de Janeiro e São Paulo, além dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo através das subsidiárias CTMG e CTES. A CTB foi a principal empresa telefônica do país por cerca de 50 anos, e chegou a fazer parte do sistema Telebras de 1972 até o encerramento de suas atividades em 1976.

Origem Antecessoras Rio de Janeiro

Pelo Decreto nº 7.539 de 15 de novembro de 1879 é concedida pelo Imperador Dom Pedro II a Charles Paul Mackie, representante da Bell no Rio de Janeiro, a primeira autorização no Brasil para a exploração de serviços telefônicos, consistindo na primeira empresa de telefonia do Brasil. Em 17 de abril de 1881 foi autorizado o funcionamento da Brazilian Telephone Company (Companhia Telefônica do Brasil), primeira empresa que receberia este nome, e que em 1883 já tinha instalado no Rio de Janeiro cinco estações de 1000 assinantes cada uma.

A partir de então várias empresas se sucederam no fornecimento do serviço telefônico no Rio de Janeiro: Companhia União Telefônica do Brasil (1885), Empresa Obras Públicas do Brasil (1889), Companhia Telefônica Industrial (1890), Siemens & Halsk (1897) e Brasilianische Elektrizitäts Gesellschaft (1899), sendo esta última adquirida em 1905 pela empresa de capital canadense Rio de Janeiro Tramway, Light and Power Company, passando a se chamar Rio de Janeiro Telephone Company em 1907.

O Rio de Janeiro chegou a possuir no século XIX oito estações telefônicas, fechadas em janeiro de 1897 com o cancelamento do contrato com a Companhia Telefônica Industrial, que então explorava o serviço. Essas estações eram: Central, Largo do Machado, São Clemente, Estácio de Sá, São Cristóvão, Engenho Novo, Andaraí e Santa Teresa.

Em fevereiro do mesmo ano foi feito novo contrato, desta vez com uma empresa alemã, que instalou de forma provisória uma central telefônica na cidade até ser inaugurada em 3 de novembro de 1899 a estação Central em um prédio na praça Tiradentes, e que é considerada a célula mater da CTB. Na madrugada de 10 de março de 1906 um incêndio destruiu as instalações da central, sendo reinaugurada somente em setembro de 1906.

E em 1910 é criada a Interurban Telephone Company, empresa que começa a operar nas cidades de Niterói e Petrópolis.

São Paulo

Em 1883 foi instalada a primeira estação telefônica na cidade de Santos, com 75 assinantes, sendo talvez a primeira do estado de São Paulo. Em 5 de janeiro de 1884 é criada em Campinas a Empresa Telefônica Campineira, a primeira empresa do estado de São Paulo. No dia 7 de janeiro de 1884 é a vez de São Paulo entrar na era da telefonia com a Companhia Telégrafos Urbanos, quando foram instalados os 22 primeiros telefones da cidade.

Só que essas empresas não detinham exclusividade na concessão dos serviços. Em 1889 as redes de São Paulo e Santos pertenciam a Companhia União Telefônica do Brasil, que foram transferidas em 1891 para a Companhia Telefônica do Estado de São Paulo, empresa que também adquiriu em 1911 os serviços telefônicos de Campinas. No ano de 1896 é criada em Bragança Paulista a Rede Telefônica Bragantina, que se tornaria um império da telefonia em 15 anos, atendendo 98 cidades dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Até o final de 1916 a Companhia Telefônica do Estado de São Paulo já havia implantado na cidade de São Paulo seis estações telefônicas (Central, Brás, Bom Retiro, Cambuci, Água Branca e Cidade), além das estações de Campinas e Santos.

Unificação das empresas

Em 1912 foi criada a holding canadense Brazilian Traction Light and Power Company Ltd., que passa a controlar a São Paulo Tramway, Light and Power Company e a Rio de Janeiro Tramway, Light and Power Company no setor de energia, além da Rio de Janeiro Telephone Company no setor de telecomunicações.

Com o objetivo de integrar os serviços telefônicos nos principais centros urbanos do país, a holding incorpora a Interurban Telephone Company em 1914, e passa a administrar a Companhia Telefônica do Estado de São Paulo e a Rede Telefônica Bragantina em 1916, através da Rio de Janeiro & São Paulo Telephone Company, já autorizada a funcionar pelo Decreto nº 11.500 de 23 de fevereiro de 1915.

Ainda em 1916 incorpora a Companhia de Telefones Interestaduais, empresa telefônica que operava em diversas cidades nos estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro, sendo que em 1919 são incorporadas em definitivo a Companhia Telefônica do Estado de São Paulo e a Rede Telefônica Bragantina.

Criação da CTB Em 15 de janeiro de 1923, em assembleia realizada pela direção da empresa Brazilian Traction Light and Power Co. Ltd. em Toronto, ficou decidido que a Rio de Janeiro & São Paulo Telephone Company mudaria de nome para Brazilian Telephone Company, sendo a segunda empresa a receber este nome.

Já o Decreto nº 16.222 de 28 de novembro de 1923 autoriza a empresa a continuar operando no país sob a nova denominação, mas facultada a tradução do nome para o português como Companhia Telefônica Brasileira.

Nesse mesmo ano o Brasil possuía 100 mil telefones, dos quais 75% eram controlados pela CTB.

Primeiro período (1923-1966) Expansão Entre os anos de 1928 e 1929 a CTB expandiu sua área de atuação, através da aquisição de algumas empresas telefônicas: Companhia Telefônica Sãocarlense, Empresa Telefônica de Ribeirão Preto, Companhia Paulista de Força e Luz (que fornecia serviço telefônico para Bauru e Barretos), Empresa Telefônica de Sertãozinho, Empresa Telefônica de São Sebastião do Paraíso, Empresa Telefônica de Pirajú, União Telefônica de Jaboticabal, Empresa Telefônica de Penápolis e Empresa Telefônica de Varginha

Em 25 de março de 1929 a CTB atingia a marca de 100 mil telefones instalados. Já no final de 1929 o Brasil contava com pouco mais de 180 mil telefones, dos quais 105 mil operados pela CTB: 44 mil no Rio de Janeiro (2 mil automáticos), 30 mil em São Paulo (13 mil automáticos), 4,7 mil em Santos, 3,7 mil em Niterói, 1,8 mil em Campinas, 1,6 mil em Petrópolis e 1,3 mil em Belo Horizonte.

Em dezembro de 1936 a CTB operava 166 mil telefones, dos quais 99 mil eram automáticos, sendo 63 mil no Rio de Janeiro (restando ainda 16 mil manuais) e 22 mil em São Paulo (restando ainda 19 mil manuais). Logo após em fevereiro de 1937 a CTB atingia a marca dos 100 mil telefones automáticos instalados.

Em 25 de julho de 1939 foi atingida a marca de 200 mil telefones instalados pela CTB. A pedido da empresa, a solenidade de inauguração foi realizada no Palácio do Catete, contando com a presença do Presidente da República Getúlio Vargas e do Ministro das Relações Exteriores Osvaldo Aranha, que na ocasião ligaram para o embaixador do Brasil em Washington.

Estrutura operacional Sede Administrativa Sua sede administrativa ficava na cidade do Rio de Janeiro, localizada na Avenida Presidente Vargas nº 2560 - Cidade Nova.

Diretoria de Operação São Paulo

A sede da Diretoria de Operação São Paulo (DOSP) era o Complexo Sete de Abril, localizado na Rua Sete de Abril nº 65 e 67 (atuais 295 e 309) - República, onde também funcionava a estação interurbana de São Paulo.

O prédio principal do complexo é o Edifício Sete de Abril, um imóvel em estilo art déco projetado por Ramos de Azevedo em parceria com Severo & Villares no consagrado Escritório Técnico Ramos de Azevedo, inaugurado em 24 de setembro de 1938, e que teve sua fachada tombada em 1992 quando já pertencia à Telesp.

Atualmente fechado, o complexo é o segundo na cidade de São Paulo a receber o alvará para realizar um retrofit dentro das normas da lei do programa Requalifica Centro. Será reinaugurado com o nome de "Basílio 177", como condomínio de apartamentos com uma galeria aberta de lojas e restaurantes.

Serviços Telefones públicos Os primeiros telefones públicos na área da CTB foram instalados na cidade de Santos a partir de março de 1934, com a utilização de moedas, e em 1935 é instalado o primeiro telefone público do Rio de Janeiro. Mais tarde foram instalados telefones públicos em bares, farmácias e mercearias. Visando facilitar o uso, começaram a ser utilizadas fichas telefônicas no lugar das moedas.

Listas telefônicas

A primeira lista telefônica produzida pela CTB data de 1918, quando ainda constituía a Rio de Janeiro & São Paulo Telephone Company. As listas telefônicas continuaram a ser editadas pela própria empresa até 1946, quando com uma participação acionária de 25% da CTB foi fundada a LTB-Listas Telefônicas Brasileiras pelo empresário G. J. Huber, antigo diretor do departamento de listas da CTB, que começou suas atividades como fornecedora dos guias telefônicos do Rio de Janeiro. Nessa época Huber, em troca dos direitos exclusivos de vender anúncios, ofereceu-se para publicar gratuitamente a lista de assinantes e as Páginas Amarelas.

A LTB publicava 13 listas telefônicas para a CTB, correspondendo ao Distrito Federal (Rio de Janeiro) e aos distritos de Niterói e Petrópolis (em que se dividia o estado do Rio), São Paulo e aos distritos de Santos, Campinas, Sorocaba, Araraquara, Bauru e Taubaté (em que se dividia o interior de São Paulo), e aos distritos de Belo Horizonte, Varginha e Cataguases (em que se dividia o estado de Minas Gerais).

No ano de 1954 a CTB vendeu suas ações na LTB para outra empresa, permitindo dessa forma que a LTB, livre desse vínculo, fizesse listas para outras concessionárias, sendo ao mesmo tempo mantido o contrato para publicação de suas listas.

Publicações No início de 1928 é lançada a Revista Sino Azul, periódico de publicação mensal e distribuição gratuita para os empregados da CTB. A revista tratava de assuntos como notícias gerais, aspectos culturais, atividades no setor de telefonia e notas sociais relacionadas à empresa. Considerada uma das primeiras publicações empresariais nacionais, acompanhou a evolução da telefonia no Brasil, sendo editada de forma contínua até o ano de 1989.

Centrais telefônicas

Distrito Federal Até 1929 todas as centrais telefônicas da cidade do Rio de Janeiro eram manuais. Na noite de 31 de dezembro de 1929, com a inauguração da central telefônica Norte automática, a CTB fez a primeira mudança de números telefônicos da cidade, onde os números das principais centrais foram antecedidos por prefixos de um algarismo que as identificava, formando um conjunto com cinco algarismos: Central (estação "2"), Norte automática (estação "3"), Norte manual (estação "4"), Beira Mar (estação "5"), Sul (estação "6"), Ipanema (estação "7"), Vila (estação "8"), Ramos (estação "8-8"), Piedade (estação "8-9") e Jardim (estação "9").

Conforme a CTB automatizava as centrais, novos centros telefônicos foram construídos para abrigá-las. Os prédios das antigas centrais manuais que continuaram a ser utilizados passaram a ter novas designações, como Central, alterado para Tiradentes, e Norte, alterado para Floriano. dezembro de 1929 - inaugurada a primeira central telefônica automática da cidade - Floriano (estação "3", alterada para "23") junho de 1930 - automatizada Ipanema (estação "7", alterada para "27" - substituindo a manual "7" Ipanema) agosto de 1930 - automatizada Engenho de Dentro (estação "9", alterada para "29" - substituindo a manual "9" Jardim) agosto de 1930 - automatizada satélite Cascadura (estação "9-8", alterada para "29-8" - substituindo a manual "8-9" Piedade) fevereiro de 1931 - automatizada Tiradentes (estação "2", alterada para "22") agosto de 1934 - automatizada satélite Ramos (estação "9-6", alterada para "48-6" - substituindo a manual "8-8" Ramos) Em 13 de janeiro de 1935 houve nova mudança dos números telefônicos da cidade, dessa vez com a inclusão do algarismo 2 no início de cada prefixo. junho de 1935 - inaugurada Maracanã (estação "48") outubro de 1935 - inaugurada Tiradentes (estação "42")

agosto de 1936 - automatizada Floriano (estação "43" - substituindo a manual "24", antiga "4")