O Maciço Calcário Estremenho (MCE), também chamado Maciço Estremenho, ou Maciço de Porto de Mós, é uma unidade geomorfológica elevada situada entre Ota até Coimbra, na Região do Centro de Portugal, que integra o Sistema Montejunto-Estrela. Apresenta-se como um grupo compacto de montanhas, composto de serras e planaltos. Corresponde a um grande bloco de calcários jurássicos com cerca de 160 milhões de anos. Encontra-se acima da Bacia do Tejo, da Plataforma Litoral e do sinclinal de Ourém. Tem uma superfície de aproximadamente 800 km2. É formado pelos relevos calcários da Serra dos Candeeiros, do Planalto de Santo António, do Planalto de São Mamede e da Serra de Aire.
Para além destas grandes sub-unidades de origem estrutural, o Maciço estende-se sob variadíssimas formas resultantes dos movimentos tectónicos, da erosão da terra e da corrosão do calcário em toda a sua extensão, entre as quais a mais vasta é a Plataforma de Fátima (Serra da Senhora do Monte, Cabeço da Maúnça, Cabeço dos Moinhos, Santa Catarina da Serra), no prolongamento do Planalto de São Mamede (de que faz parte), a noroeste da Serra de Aire, junto com os lapiás (Penedos Belos, Covas, Chainça, Covão Alto), as dolinas (Covão do Feto e Cova da Iria), as uvalas (Chão das Pias), os poljes (Mira-Minde) e os canhões cársicos (Alviela).
Devido à presença importante de solos calcários, existem mais de 1500 grutas repertoriadas no Maciço Calcário Estremenho. O Maciço é uma importante reserva de água doce. Constitui a região cársica mais importante do país. Nele se registam as maiores altitudes e os declives mais acentuados da zona. É também uma grande "região natural" e unidade de paisagem do centro-oeste do território nacional. Pela área que ocupa e pelas suas características morfológicas e estruturais únicas, é uma das unidades geomorfológicas mais marcantes e singulares do país.
O Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, área protegida de 389 km² criada em 4 de Maio de 1979 pelo Decreto-Lei Nº 118/79, está enquadrado no Maciço Calcário Estremenho, abrangendo as duas serras que lhe dão o nome e ainda o planalto de Santo António e o planalto de São Mamede.
Principais formações do Maciço Calcário Estremenho, de Norte a Sul thumb|right|300px|Vale da Serra da Senhora do Monte, Plataforma de Fátima, Cortes, distrito de Leiria thumb|right|300px|Polje de Mira-Minde inundado, Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros thumb|right|300px|Fórnea, Alcaria, Serra de Aire (Porto de Mós) thumb|right|300px|Lugar dos Valinhos (pequenos vales) de Fátima.
Embora apresentem relevos, características geológicas e paisagens diferentes, a Plataforma de Fátima, o Planalto de São Mamede e a Serra de Aire são geralmente associados numa mesma sub-unidade chamada "Planalto de São Mamede e Serra de Aire" por não existir nenhuma grande fractura que os separe (apenas uma falha, a leste). Plataforma de Fátima (Jurássico Superior), frequentemente incluída no Planalto de São Mamede (a norte) Depressões cársicas (bem marcadas) e dobras geológicas a norte da plataforma de Fátima (Planalto de São Mamede), com a formação de morros, montes, tergos e zonas de erosão (a extremo norte do Maciço, altitude max. 435 m) Confins setentrionais da Plataforma de Fátima Relevo proeminente da zona dos Pousos, parte residual do Maciço, zona de transição entre a Plataforma de Fátima e um resíduo da Plataforma litoral antiga (isolada, a extremo norte do Maciço) Relevo proeminente em estructura monoclinal formado pela cadeia de morros que vai de Famalicão (resíduo da Plataforma Litoral antiga) ao Arrabal (Plataforma de Fátima, limite norte)Esta cadeia de morros marca o limite norte da Plataforma de Fátima. Relevo proeminente formado pela cadeia de morros que vai da Amoreira à Torre (linha de superfície de erosão) Relevo proeminente formado pela cadeia de morros que vai da Barreira às Garruchas, frente à Serra da Senhora do Monte, do outro lado do vale do Lis (300 a 350 m). Serra da Senhora do Monte Nascente cársica do rio Lis (400 m) Vale da Nascente do Lis (nas vertentes da Serra cortadas pela nascente do Lis) Cabeço da Maúnça (435 m no vértice geodésico de Maúnça) Lagoa do Boi Lagoa do Barçal Escarpa da falha do Reguengo do Fetal Cabeço dos Moinhos Plataforma de Fátima (a norte, no prolongamento do Planalto de São Mamede, em que é muitas vezes incluída, a noroeste da Serra de Aire) Dolina da Cova da Iria (onde se situa o Santuário de Fátima) Lapiás da Chainça Planalto de São Mamede , às vezes associado à Serra de Aire (a norte e centro, altitude max. 523 m) Serra do Alqueidão Serra de Aire (a leste, 678 m) Cabeço de Santa Marta (Moitas Venda, Alcanena) Nascente cársica do rio Almonda (leste) Cabeço dos Carvalhos Polje de Alvados, grande depressão que separa o Planalto de São Mamede do de Santo António e da Serra dos Candeeiros (centro) Polje de Minde-Mira, grande depressão que separa o Planalto de São Mamede e a Serra de Aire do Planalto de Santo António (leste) Planalto de Santo António (a sul e centro)thumb|300x300px|Serra de Aire Nascente cársica do rio Lena25 anos - Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, ICN - Parque Natural das Serras de Aires e Candeeiros ISBN 972-775-136-9 (noroeste) Fórnea, 525 m de encosta abrupta (norte do Planalto de Santo António) Covão do Feto (a nordeste do Planalto de Santo António) Serra de Santo António (a leste do Planalto de Santo António) Gruta de Santo António Cabeço das Pombas (no centro do Planalto de Santo António) Lapiás Penedos Belos Serra Ventosa Uvala de Chão das Pias Cânion cársico do rio Alviela Nascente cársica do rio Alviela (a suleste do Planalto de Santo António)Numa zona de transição entre o Maciço Calcário Estremenho e a Bacia Terciária do Tejo. Gruta Algar do Pena (a sul do Planalto de Santo António) Serra de São Bento (a oeste do Planalto de Santo António) Cabeço dos Alecrineiros (541 m) Cabeço da Carrasqueira (542 m) Cabeço das Fontainhas Cabeço do Monteirinho Vale dos Carvalhos (483m) Costa da Mendiga Algar dos Carvalhos (cavidade, -30 m) Falha do Vale dos Carvalhos Falha do Vale do Casal Botão Falha do Vale da Fonte da Pipa Falha da Costa da Mendiga Superfície horizontal (a sul do Planalto de Santo António) Polje de Mendiga e nível de Murteira-Carvalheiro (a sul oeste) Polje de Mendiga, grande depressão que separa o Planalto de Santo António da Serra dos CandeeirosSituado entre o Alinhamento diapírico Rio Maior–Batalha a leste, e o Sulco tectónico Rio Maior-Porto de Mós a oeste. Nível de Murteira-Carvalheiro (a sul) Zonas de erosão (a sul do Maciço) Serra dos Candeeiros (a oeste, 487 m) Bezerra (a leste da serra) Serra da Pevide (a leste da serra) Cabeço Deus (a oeste da SerraNome dum lugar na freguesia de Évora de Alcobaça, Alcobaça.) Cabeço dos Carris (a oeste da Serra) Vale Grande (a sul da Serra) Dolinas do Arrimal (a leste da serra) Lagoas do Arrimal (a leste da serra) Lagoa Pequena e poços Lagoa Grande e poços Lagoa da Portela de Vale de Espinho Marinhas de Sal (a sul da serra) Cabeço dos Três Moinhos (a extremo Sul da Serra) Nascente cársica do rio Alcoa, ou rio de Chiqueda (a oeste) Nascente do rio Maior (rio salgado) Nascente da ribeira das Alcobertas Nascente do rio do Penegral
Geografia A área abrangida pelo Maciço Calcário Estremenho procede toda de um mesmo sistema climático e hidrográfico (aquífero).
Clima O Maciço Calcário Estremenho apresenta um clima de transição entre influências mediterrâneas e atlânticas. A insolação atmosférica (ou seja o número de horas de sol descoberto) é de cerca de 2350 horas por ano. O valor mensal de insolação pode ser três vezes maior no Verão, em relação aos meses de Inverno. A precipitação média anual varia entre 900 mm e 1300 mm. Na região da Serra de São Bento, oscila entre os 1000 e 1500 mm. Podem ocorrer geadas, normalmente entre o fim do Outono e o fim do Inverno.
Recursos hídricos
O maior reservatório subterrâneo de água doce do país thumb|300x300px|Nascente do rio LisA água, pouco visível à superfície, abunda no subsolo, fazendo do Maciço Calcário Estremenho um dos maiores, ou mesmo o maior reservatório subterrâneo de água doce do país. Este reservatório que vai de Rio Maior até Porto de Mós e conta com cerca de sessenta e cinco mil hectares, é alimentado principalmente por águas pluviais. A chuva, que se infiltra rapidamente no subsolo, forma ribeiras subterrâneas, restituindo depois o excedente à superfície, formando nascentes cársicas. 25 anos - Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, ICN - Parque Natural das Serras de Aires e Candeeiros A extensão das zonas mais aplanadas dos topos dos cabeços e a proliferação de pequenas zonas depressionadas nos espaços envolventes permitem uma extensa área de infiltração pluvial (por exemplo nos sumidouros das Fontainhas, Serra de São Bento).thumb|300x300px|Nascente do rio AlvielaExemplo deste fenómeno é a nascente dos Olhos de Água do rio Alviela, a mais importante de todas e alvo de captação por parte da EPAL para fornecimento de água a Lisboa desde 1880. Do mesmo modo, o sistema hidrografico montanhoso dá origem à nascente do rio Lis, uma das grandes fontes do Maciço,Com as nascentes dos rios Alviela et Almonda. Les sources du Lis ont un débit de 60 a /an. situada no sopé da serra da Senhora do Monte (Pé-da-Serra), a 400 m de altitude, na localidade de Fontes (distrito de Leiria), que é alimentada pelo cúmulo das águas pluviais vindas dos espaços circundantes que a dominam. O rebentamento das águas na grota da nascente do Lis (quando a água jorra da grota), no Inverno, é um espectaculo tradicionalmente apreciado pela população de Cortes e pelos turistas. A rede aquífero de ribeiras subterrâneas do Maciço, extensa, esta ainda em parte por descobrir. Vários indícios apontam para possíveis ligações subterrâneas entre as regiões de Minde (concelho de Santarém) e de Cortes (concelho de Leiria), com concordância de fenómenos hídricos. As tradições orais da freguesia de Cortes affirmam que "Quando o lago de Minde se enche, rebenta a grota". Nos anos 2000, os moradores e funcionários da freguesia de Cortes têm responsabilizado em parte as fábricas de transformação de peles da zona de Minde pelos elevados níveis de poluição do rio Lis.
Devido ao escoamento das águas, ao sistema climático e hidrográfico da região, as deposições podem ser importantes nas partes baixas do Maciço, nomeadamente durante a noite. Os vales situados em contra-baixo das serras, úmidos, são frequentemente invadidos pelo nevoeiro desde o cair da noite até à manhã. A condensação do excesso de vapor na atmosfera ocasiona orvalho e geadas em quantidades importantes. A presença do Maciço explica ainda a presença de inúmeros poços, fontes, ribeiras nos flancos dos montes e nas áreas de baixa altitude circundantes, que favorecem a agricultura.Por exemplo na freguesia de Cortes. Em Alcanena, no distrito de Santarém, perante uma secura extrema, devido à ausência de cursos de água superficiais, é possível seguir rios subterrâneos que correm por entre as camadas de rocha e que aqui e ali emergem à superfície - Os Olhos de Água. A aparição de água numa rocha em Fátima no início do século XX, considerada milagrosa na altura, procede provavelmente deste fenómeno natural de criação ribeiras subterrâneas características da zona.
O Maciço possui ainda das poucas salinas de origem não marinha existentes em Portugal. De especial relevo as salinas da Fonte da Bica, localizadas em Rio Maior.
Os rios do Maciço Calcário Estremenho thumb|300x300px|Grutas da nascente do rio Alviela Na Serra dos Candeeiros nascem os seguintes rios: rio Alcoa rio Maior (rio salgado) ribeira das Alcobertas rio do Penegral Na Serra de Aire nasce o rio: Rio Almonda No Planalto de Santo António nasce o rio: Rio Lena Nascente de Olho de Água da Ribeira de Cima (permanente) Nascente do Cabeço da Pedra (temporária) Nascente da Tapada de Freira (temporária)