A Monarquia da Dinamarca é uma monarquia constitucional do Reino da Dinamarca, que inclui a Dinamarca, a Gronelândia e as Ilhas Faroé.
Como monarca constitucional, a ação do rei Frederico X é limitada a atos não partidários e a funções cerimoniais. A autoridade executiva máxima sobre o governo da Dinamarca ainda é realizada pela prerrogativa real do monarca; na prática, esses poderes só são utilizados de acordo com leis aprovadas no parlamento ou dentro dos limites da constituição.
A família real dinamarquesa pode traçar a sua linhagem até os reis viquingues Gormo, o Velho e Haroldo Dente-Azul do , fazendo com que a monarquia da Dinamarca seja a mais antiga na Europa. A atual Casa Real é um ramo da família principesca da Casa de Glücksburg, originalmente a partir da Eslésvico-Holsácia na Alemanha, a mesma casa real como na família real norueguesa e na ex-família real grega.
História
Da monarquia eletiva à hereditária A monarquia dinamarquesa possui mais de 1000 anos de idade, tornando-a quarta mais antiga monarquia contínua no mundo ainda existente; a mais velha é a Casa Imperial do Japão.
A família real dinamarquesa remonta a Gormo I (enterrado em 958 em Jelling na Jutlândia) e o seu filho Haroldo I, que transferiu a capital real para Zelândia. Esses são os dois primeiros reis que estão certamente relacionados à unificação da Dinamarca. Originalmente, a monarquia era eletiva, mas na prática o filho mais velho do monarca reinante era eleito. Mais tarde, uma carta coroação da Dinamarca foi assinada pelo rei para restringir os poderes do monarca dinamarquês. A Casa Real atingiu seu auge com os "Valdemars", cuja influência se estendeu na maior parte da região Báltica e, mais tarde, novamente com a Margarida I, que uniu a Escandinávia na União de Calmar.
O último monarca da dinastia antiga dinamarquesa foi Cristóvão III, que morreu em 1448. O Duque de Oldemburgo foi escolhido como seu sucessor e se tornou-se o monarca da Dinamarca sob o nome de Cristiano I. O último monarca dinamarquês da dinastia real, Frederico VII, morreu sem herdeiros. De acordo com o ato de sucessão, o príncipe Cristiano de Glucksburgo aderiria ao trono, sendo o primeiro monarca dinamarquês da casa de Glucksburgo.
Depois que as linhagens diretas se extinguiram, o conde principesco Cristiano de Oldemburgo foi eleito, em 1448, rei da Dinamarca sob o nome de Cristiano I. Ele também era duque de Eslésvico e conde de Holsácia. Ele descendia da Casa Real dinamarquesa por linhas femininas em inúmeras gerações.
O absolutismo foi introduzido em 1660-1661, quando a monarquia eletiva foi transformada em uma monarquia hereditária. De tal forma, Sueno II, o sobrinho de Canudo II, o Grande, era filho da irmã de Canudo.
A velha monarquia dinamarquesa, com seus ritos eletivos tradicionais, existiu até 1661, quando Frederico III introduziu uma monarquia hereditária em sua descendência e de caráter político absolutista, tanto na Dinamarca, quanto na Noruega. Dentre outras coisas, a lei real de 1665 delimitou as condições relacionadas à Casa Real, e tais limitações mantiveram força mesmo após a introdução da monarquia constitucional por Frederico VII, sob os termos da constituição de 5 de junho de 1849.
thumb|200px|Gormo, o Velho, um dos primeiros reis da Dinamarca thumb|200px|Foto de 1903 com quatro gerações de reis dinamarqueses: rei Cristiano IX (à esquerda), Frederico VIII (à direita), Cristiano X (traseira) Frederico IX (frente)
Monarquia constitucional Com a morte de Frederico VII em 1863, sem sucessor direto ao trono, seu primo, o príncipe Cristiano de Glucksburgo, membro de um ramo colateral da Casa Real, reinante nos ducados do norte da Alemanha e descendente direto da linhagem real masculina, ascenderam ao trono como Cristiano IX. Assim, a dinastia passou a ser a Casa de Glücksborg.
Cristiano IX (1818 - 1906) e a rainha Luísa ficaram conhecidos como "Sogros da Europa", pois sua filha Alexandra era casada com o rei Eduardo VII do Reino Unido , sua filha Dagmar era casada com o o czar Alexandre III da Rússia e a sua filha Tira era casada com o príncipe Ernesto Augusto, chefe da Casa Real de Hanôver e duque de Cumberland (na Inglaterra). Quando Vilhelm, o filho de Cristiano IX, tornou-se rei dos Helenos em 1863 sob o nome de Georgios I, quase todos os príncipes protestantes e ortodoxos da Europa podiam se encontrar no Palácio de Fredensborg para reuniões familiares na casa de Cristiano IX. Em 1905, seu neto Carl se tornou rei da Noruega sob o nome de Haakon VII.
Em 1906, Frederico VIII sucedeu seu pai, mas reinou apenas por um pequeno período, morrendo em 1912. Seu filho mais velho, Cristiano X (1870 - 1947), marcou a história como o rei que percorreu a fronteira da Jutlândia com a Alemanha em 1920, quando a Dinamarca recuperou parte do território perdido em 1864. Em decorrência disso, o rei se tornou foco do sentimento nacionalista durante a ocupação alemã de 1940 a 1945.
Em 1935, seu filho mais velho, o último Frederico direto, casou-se com a princesa Ingrid da Suécia (1910 - 2000), filha do rei Gustav VI Adolf, ascendendo ao trono em 1947, como Frederico IX. Suas atividades como rei fortaleceram a monarquia constitucional, pois aceitou que o rei não tivesse papel político preponderante. Como chefe de estado, o monarca participa na formação de novos governos, se posiciona formalmente na direção do governo e representa a Dinamarca no exterior.
De acordo com o Ato de Sucessão, baixado a 27 de março de 1953, o direito de sucessão da Casa de Glücksburg foi confirmado e, assim, o trono passaria para os sucessores de Cristiano X. Dessa forma, os filhos têm preferência sobre as filhas, mas, caso não haja filhos, o trono é herdado pela filha mais velha. Então, com a morte de seu pai, a princesa Margarida pôde suceder ao trono como Margarida II, primeira monarca mulher desde a morte de Margarida I, em 1412.
A rainha Margarida II se casou com Henrique, príncipe da Dinamarca, no dia 10 de junho de 1967. Henrique era conhecido antes como Henri-Marie-Jean-André, conde de Laborde de Monpezat na França. O casal real tem dois filhos, o príncipe real Frederico (1967) e o príncipe Joaquim (1968).
Em 1995, o príncipe Joaquim se casou com a então princesa Alexandra Christina Manley e, antes de se separarem em 2004, tiveram dois filhos: Nicolau Guilherme Alexandre Frederico (1999) e Félix Henrique Valdemar Cristão (2002). Voltou a casar em 2008 com Marie Cavallier e tiveram dois filhos Henrique e Atena.
Em 2004, o príncipe herdeiro Frederico casou-se com Mary Donaldson e tiveram quatro filhos: príncipe Cristiano Valdemar Henri John, nascido em 2005, Isabela, nascida em abril de 2007 e os gêmeos Vicente e Josefina em 2011.
A rainha tem duas irmãs, a princesa Benedita viúva do príncipe titular Richard (Alemanha) e a princesa Anne-Marie viúva do ex-rei Constantino II da Grécia. Retrieved 28 Dezembro 2011
Em 14 de janeiro de 2024, a rainha Margarida II abdicou ao trono em favor de seu filho mais velho, sendo o primeiro monarca dinamarquês a abdicar em toda a história do país. O príncipe Frederick assumiu ao trono como Frederick X, e seu filho, Cristiano, é o príncipe-herdeiro.
Papel constitucional
esquerda|270px|thumb|A rainha Margaria e seu marido, o príncipe Henrique De acordo com a constituição dinamarquesa, o monarca dinamarquês, como chefe de Estado, é a fonte do poder executivo e, conjuntamente com o parlamento, o poder legislativo Lei Constitucional da Dinamarca, 05 de junho de 1953; Lei Constitucional da Dinamarca
O monarca mantém a capacidade de negar a assinar um projeto de lei, diferentemente da monarquia de Luxemburgo. O monarca também tem o poder de escolher e destituir o primeiro-ministro, embora em tempos modernos esta prerrogativa tenha se tornado improvável, pois poderia causar uma crise constitucional. Como chefe de Estado, o monarca participa na formação de um novo governo. O rei Cristiano X foi o último monarca a exercer o poder de demissão do primeiro-ministro por sua própria vontade, o que fez em 28 de março de 1920, provocando a Crise de Páscoa de 1920. Todos os poderes reais chamados de prerrogativa real, como o poder de nomear ministros e a capacidade de declarar guerra e fazer a paz, são exercidos pelo primeiro-ministro e pelo gabinete, mas com o consentimento formal da rainha. Após consulta com os representantes dos partidos políticos, o líder do partido que tem o apoio do maior número de assentos no parlamento dinamarquês é convidado a formar um governo. Uma vez que foi formado, o monarca irá designar formalmente a criação do governo.
Hoje, o soberano tem um papel essencialmente cerimonial restrito no exercício do poder por convenção e da opinião pública. Como uma figura pública, o monarca abre exposições, atende aniversários, inaugura pontes, etc. No entanto, o monarca faz continuar a exercer três direitos essenciais: o direito de ser consultado, o direito de aconselhar e o direito de alertar. Como consequência desses ideais, o primeiro-ministro e o gabinete assistem à reunião ordinária do conselho de Estado. O primeiro-ministro e o ministro dos negócios estrangeiros realizam relatórios regulares para o rei para aconselhá-la sobre os últimos desenvolvimentos políticos. A rainha recebe o rei sitas oficiais de chefes de estados estrangeiros.
Linha de sucessão thumb|200px|Rainha Margarida II da Dinamarca em Vágur, Ilhas Feroe, em 21 de junho de 2005. thumb|150px|Os reis Frederico X da Dinamarca e Maria da Dinamarca thumb|100px|Cristiano, Príncipe Herdeiro da Dinamarca. thumb|100px|A princesa Isabela thumb|100px|O Príncipe Vicente. thumb|100px|A princesa Josefina thumb|150px|Os príncipes Joaquim e Maria.
A sucessão dinamarquesa ocorre através de primogenitura igualitária desde 2009. A Lei Dinamarquesa de Sucessão, adotada em 27 de março de 1953 restringe o trono aos descendentes de Cristiano X e sua esposa Alexandrina de Meclemburgo-Schwerin, através de casamentos aprovados.
Os membros das dinastias perdem o direito ao trono se casarem sem a permissão do monarca dada no conselho de Estado. Indivíduos nascidos de herdeiros não casados ou que se casaram sem permissão real são excluídos do trono. Além disso, ao aprovar o casamento, o monarca pode impor condições que devem ser atendidas para que qualquer prole resultante tenha direitos de sucessão. A Parte II, Seção 9 da Constituição dinamarquesa de 5 de junho de 1953 prevê que o parlamento eleja um rei e determine uma nova linha de sucessão em uma situação onde não haja descendentes elegíveis do rei Cristiano X e rainha Alexandrine.
O monarca da Dinamarca deve ser um membro do Igreja Nacional Dinamarquesa. A Igreja Nacional é pela lei a Igreja do Estado, embora o monarca não seja seu chefe supremo (diferente da Inglaterra, onde o governador supremo da Igreja da Inglaterra é o monarca do Reino Unido, atualmente o Charles III) (Const, I, 4).A linha específica de sucessão é a seguinte: Actual monarca: Frederico X da Dinamarca SAR o príncipe herdeiro Cristiano (filho mais velho do rei Frederico X e da rainha Maria) SAR a princesa Isabel (filha do rei Frederico X e da rainha Maria) SAR o príncipe Vicente (filho mais novo do rei Frederico X e da rainha Maria) SAR a princesa Josefina (filha mais nova do rei Frederico X e da rainha Maria) SAR o príncipe Joaquim (filho mais novo da rainha Margarida II) SA o príncipe Nicolau (filho mais velho do príncipe Joaquim) SA o príncipe Félix (filho do príncipe Joaquim) SA o príncipe Henrique (filho mais novo do príncipe Joaquim) SAR a princesa Benedita (filha do rei Frederico IX e irmã da rainha Margarida II) SA a princesa Isabel (neta do rei Cristiano X através do seu segundo filho, o príncipe Canuto)
Família real dinamarquesa