As Festas do Povo consistem na ornamentação das ruas de Campo Maior, maioritariamente no Centro Histórico; para o enfeite das ruas são usadas flores de papel e outros objectos em cartão e papel, feitos artesanalmente pela população. Estas festas são também sobejamente conhecidas como Festas dos Artistas ou Festas das Flores.

Em 2021 a UNESCO integrou as Festas do Povo de Campo Maior na lista de Património Cultural Imaterial da Humanidade.

Após um interregno de 11 anos, a próxima edição realiza-se de 8 a 16 de Agosto 2026.

thumb|Flor de papel A origem destas festas tem por base o culto a S. João Baptista, constituído padroeiro de Campo Maior desde o século XVI. Começando a tradição de decorar as ruas no ano de 1897. Este é o ano que marca o início das Festas do Povo.Galego, F. (2004), Campo Maior, "As Festas do Povo, das Origens à Actualidade", Lisboa: Livros Horizonte

A origem das Festas do Povo como hoje é celebrada com as ruas ornamentadas, sobretudo o Centro Histórico, com flores de papel e outros objectos em cartão e papel, feitos pela população, está relacionada com a devoção a S. João Baptista, santo padroeiro da Vila de Campo Maior. Trata-se de um evento tradicional único, e que já alcançou uma notoriedade elevada a nível nacional e internacional.

É uma celebração que, por tradição, só acontece quando o povo quer, pois a sua realização depende do voluntariado e da força de vontade dos campomaiorenses. A preparação é feita rua a rua, sendo que o trabalho desenvolvido em cada uma delas fica em segredo, mesmo para amigos e familiares dos moradores, e só é dado a conhecer na noite da “enramação”.

História e origem

As origens das Festas do Povo de Campo Maior encontram-se nas antigas celebrações religiosas em honra de São João Baptista, padroeiro de Campo Maior, cuja devoção na vila remonta, provavelmente, ao início do século XVI. As festividades realizadas em sua honra tinham inicialmente um carácter marcadamente religioso e comemorativo, incluindo missa solene e procissão. Durante o século XVIII e até meados do século XIX, estas celebrações estiveram também associadas à memória do levantamento do cerco de Campo Maior, ocorrido em 1712, durante a Guerra da Sucessão Espanhola.

A origem exata das atuais Festas do Povo não pode ser estabelecida com absoluta precisão devido à escassez de documentação sobre as primeiras edições. Contudo, as fontes oficiais registam a realização das Festas em honra de São João Baptista entre 1893 e 1898, seguindo-se novas celebrações em 1902, 1904 e 1909. Foi neste período que a ornamentação das ruas começou progressivamente a adquirir uma importância própria, com o recurso a vegetação, flores de papel, balões e outros elementos decorativos produzidos pela população.

Ao longo das primeiras décadas do século XX, as celebrações foram-se afastando gradualmente da sua designação exclusivamente religiosa. Em 1927, as festividades passaram a ser designadas por Festas do Povo. No texto de abertura do programa das festas desse ano, da autoria de Francisco Telo da Gama, então presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Campo Maior, era defendido que poucas festas poderiam ser apelidadas com maior propriedade de «Festas do Povo» do que as festividades realizadas em Campo Maior.

A edição de 1927 constituiu, assim, um momento importante na consolidação da identidade das celebrações. A designação foi posteriormente mantida e popularizada, embora em diferentes períodos tenham também sido utilizadas denominações como Festas dos Artistas e Festas das Flores.

A realização das Festas nunca obedeceu a uma periodicidade fixa. Ao contrário de outras festas populares portuguesas, a sua organização dependia da vontade dos habitantes e da capacidade de cada rua para mobilizar os seus moradores. Esta característica deu origem à expressão segundo a qual as Festas do Povo acontecem apenas «quando o povo quer». Cada rua funciona como uma unidade autónoma de organização, decidindo os motivos decorativos, as cores e os elementos que irá apresentar, enquanto o trabalho é mantido em segredo até à noite da enramação.

Durante as décadas de 1930 e 1940, as Festas continuaram a realizar-se de forma irregular, sendo documentadas edições em 1934, 1936, 1937, 1938, 1939, 1941 e 1944. A componente religiosa continuou presente em algumas dessas edições, incluindo procissões com as imagens dos padroeiros das freguesias urbanas de Campo Maior. Ao mesmo tempo, as festas foram assumindo uma identidade cada vez mais popular e urbana, baseada na participação dos moradores, dos artesãos, dos comerciantes e das associações locais.

Nas décadas de 1950 e 1960 ocorreu uma importante fase de renovação. A escassez ou o elevado custo de alguns materiais tradicionais levou à introdução de novos recursos, incluindo o papel de jornal na produção de elementos decorativos. Simultaneamente, as Festas começaram a estender-se aos novos bairros resultantes da expansão urbana da vila. O número de ruas participantes aumentou progressivamente, acompanhando o crescimento de Campo Maior.

A partir da segunda metade do século XX, as Festas do Povo começaram a ultrapassar a dimensão estritamente local e passaram gradualmente a atrair visitantes de outras regiões de Portugal e do estrangeiro. As edições realizadas nas décadas seguintes contribuíram para a crescente projeção nacional das celebrações.

As Festas do Povo adquiriram uma maior dimensão a partir de 1989 quando o número de visitantes das Festas do Povo duplicou, sendo que a edição de 2011 contou com cerca de 1 milhão de visitantes, tendo sido ornamentadas 104 ruas..

A realização desta celebração contou sempre com grande irregularidade, quer por questões políticas, quer por meros caprichos da fortuna.

A edição de 2011 representou um dos momentos de maior dimensão na história das Festas, contando com a participação de numerosas ruas e uma grande afluência de visitantes. A edição seguinte realizou-se em 2015, seguindo-se posteriormente um longo interregno.

Em 2017, as Festas do Povo de Campo Maior foram inscritas no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial. Em 15 de dezembro de 2021, foram inscritas pela UNESCO na Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade. A candidatura destacou o carácter comunitário das Festas, a transmissão dos conhecimentos entre gerações e o processo coletivo através do qual os habitantes transformam as ruas de Campo Maior com flores e outros elementos produzidos manualmente.

Após onze anos sem uma nova edição, as Festas do Povo regressaram em 2026, mantendo a característica que marcou toda a sua história: a realização depende da participação voluntária da população e da decisão coletiva dos habitantes de Campo Maior. Enquadramento Esta celebração, por tradição, só acontece quando o povo assim o desejar, dado que a realização da mesma depende maioritariamente do voluntariado e da força de vontade dos habitantes de Campo Maior - Campomaiorenses. A preparação das festas é realizada autonomamente por cada rua, sendo mantido em segredo o trabalho desenvolvido em cada uma delas. Mesmo para amigos e familiares dos moradores, os enfeites só são dados a conhecer na noite da “enramação” – a noite em que se enfeitam as ruas.

O modelo das Festas que hoje podemos encontrar conta com 20 edições realizadas e o número de visitantes tem vindo a crescer substancialmente. Em 2011 (27 de Agosto a 4 de Setembro) as Festas do Povo contaram com a participação de 104 ruas, as anteriores edições, apesar da sua grandiosidade, contaram no máximo com 15-20 ruas engalanadas. Este feito demonstra claramente a vitalidade e importância que este evento tem para a população de Campo Maior.

A diversidade encontrada nas ruas “enramadas” é surpreendente, de beleza inigualável. É sem dúvida de vangloriar e enaltecer um trabalho que demora em média sete meses a ser realizado, para numa única noite ser aplicado a cada rua, correspondentemente. Na manhã que marca o início de mais uma edição das Festas, a vila raiana acorda transformada num autêntico jardim em flor.

Cronograma das Edições [1989 - 2011]

Mitos e Realidades Tal como acontece com outros factos e acontecimentos históricos, as Festas do Povo de Campo Maior têm sido explicadas de diversas formas, contando sempre com alguma fantasia. Admite-se então que as Festas teriam nascido numa determinada rua da vila, a Rua Nova, e ligadas à actividade de um grupo das gentes da mesma - os contrabandistas. Embora nenhum documento ou facto conhecido possa confirmar semelhante afirmação, toma-se como dado adquirido que as Festas do Povo se começaram a realizar, replicando as ruas ornamentadas da Festa dos Tabuleiros em Tomar tal como as Festas do Divino Espírito Santo nos Açores tinham feito uns anos antes.

Povo Categoria:Campo Maior (Portugal) Categoria:Património Cultural Imaterial da Humanidade em Portugal