Uma grande escola (do francês: grande école) é, segundo o ministério de educação nacional da França, um "estabelecimento de ensino superior que recruta seus alunos por concurso e assegura a formação de alto nível".Arrêté du 27 aout 1992 relatif à la terminologie de l'éducation.

As primeiras faculdades desse tipo foram criadas pelo Estado no meio do século XVIII, com o objetivo de fornecer as estruturas técnicas e militares dos altos cargos do estado: Exército, Minas, Águas e Florestas, Administração Central, Pontes e Estradas, Agricultura, Portos e Arsenais, Ciências Veterinárias, etc.

Contrariamente às "aulas preparatórias" que são mantidas sob a tutela do Ministério da Educação Nacional francês, quase todas as grandes escolas dependem de outros ministérios.

História Antes da Revolução francesa A primeira École d'Officiers d'Artillerie (Escola de Oficiais de Artilharia) foi criada por Luís XIV em 1679 em Douai, adjacente à Universidade de Douai.Claude Marion, Chronologie des machines de guerre et de l'artillerie: depuis Charlemagne jusqu'à Charles X, Quinquenpoix, 1828, p. 23 As écoles militaires, compreendem a École Militaire (Escola Militar) de Paris criada em 1748 e as écoles spéciales (escolas especiais) em diversas regiões, que apareceram durante o século XVIII para fornecer pessoal técnico e comandantes de alto nível que o Estado tinha necessidade. Criaram-se também os primeiros concursos científicos para a admissão nas instituições técnico-militares (Engenharia, Artilharia e Marinha).

Datas de criação das escolas de formação dos oficiais técnicos e dos engenheiros do Estado: École des Ingénieurs-constructeurs des Vaisseaux Royaux (Escola dos Engenheiros-construtores de Navios Reais) 1741, École Royale des Ponts et Chaussées (Escola Real das Pontes e Estradas) 1747, École royale du génie de Mézières (Escola real de engenharia de Mézières) 1748, École des Mines de Paris (Escola das Minas de Paris) 1783. Criação das escolas reais militares para nobres bolsistas que os preparavam para a admissão em instituições técnico-militares. A École d'Arts et Métiers foi fundada

em 1780 pelo duque de La Rochefoucauld. Em 1761, uma École royale vétérinaire (Escola real veterinária) foi criada em Lyon por Claude Bourgelat, seguindo, em 1765, a École nationale vétérinaire de Alfort (Escola nacional veterinária de Alfort).

As origens da École Normale, que tornou-se a École Normale Supérieure, remonta às experiências das "escola normais germânicas" (Normalschulen), estabelecidas na época de Marie-Thérèse e de Joseph II.René Grevet, L'Avènement de l'école contemporaine, Lille, 2001

A Primeira República e o Império

Grandes atores da Revolução Francesa vieram de grande écoles, como Napoleão Bonaparte que formou-se na école de Brienne, Condorcet, Lazare Carnot que vieram da école du génie de Mézières. Este último junto de Gaspard Monge, um matemático, criaram em 1794 a École Polytechnique, quase ao mesmo tempo que era criada a École normale de l'an III por Lakanal. Da mesma forma, as antigas faculdades de medicina e de direito foram restabelecidas como École de Droit e École de Médecine, independentes da universidade.

Em 1794, houve a criação de três grandes écoles: École Centrale des Travaux Publics, rebatizada École Polytechnique em 1795; École Normale, rebatizada École Normale Supérieure em 1845; O Conservatoire National des Arts et Métiers.

Antoine François de Fourcroy, em seu Relatório feito na Convenção sobre a organização das escolas destinadas aos diversos serviços públicos do 30º vendemiário ano IV, define a doutrina da École spéciale que para Thuillier Thuillier, 1983, p.30 valerá também para todos os projetos de Écoles Nationales d'Administration até 1945: "il est nécessaire que les sujets admis dans ces écoles y soient dans un nombre correspondant au besoin du service, qu’ils se consacrent dès leur entrée dans cette carrière à servir l’État" (É necessário que os assuntos admitidos nessas escolas sejam em número correspondente à necessidade do serviço, que eles se dediquem desde sua admissão nessa carreira a servir o Estado).

A lei que organiza as escolas de serviços públicos do 30º vendemiário ano IV fixa a lista seguinte: École Polytechnique; Conservatoire national des arts et métiers; École d'artillerie; École des ingénieurs militaires; École nationale des ponts et chaussées (Ponts ParisTech); École nationale supérieure des mines de Paris (Mines ParisTech); École nationale supérieure de techniques avancées (ENSTA ParisTech); École des géographes; Écoles de marine (école navale); École des ingénieurs de vaisseaux (que tornou-se a École nationale supérieure du génie maritime, e então seria encorporada na (ENSTA ParisTech); Écoles de navigation (antigas écoles de mathématiques et d'hydrographie pour la marine de l'état e écoles d'hydrographie destinées à la marine du commerce).

A lei Daunou sobre a organização da instrução pública do 3º brumário do ano IV estabelece, exceto as escolas primárias e as escolas centrais, as écoles spéciales destinadas ao estudo de: astronomia; geometria e mecânica; história natural; medicina; arte veterinária; economia rural; antiguidades; ciências políticas; pintura, escultura e arquitetura; música. e também escolas para os surdos-mudos e para os cegos de nascença.

Somente as écoles de santé e as écoles d'économie rurale vétérinaire foram criadas. A École spéciale des langues orientales foi também criada.

A École polytechnique organiza o recrutamento via concurso e a formação prévia de engenheiros do Estado, antes das écoles d'applications (escolas de aplicação) como a École des ponts et chaussées, École des mines, École du génie et de l'artillerie de Metz, École de la marine, École du génie maritime, École spéciale de géographie et de topographie.

A lei geral sobre a instrução pública do 11º floreal do ano X cria as escolas de ensino médio, lycées mantém as écoles spéciales existentes e institui: dez escolas de direito; três novas escolas de medicina; quatro escolas de história natural, de física e de química; duas écoles spéciales para as artes mecânicas e químicas; uma escola de matemáticas transcendentais; uma escola especial de geografia, de história e de economia pública; uma quarta escola de artes do desenho.

Ela também criou: A École Spéciale Militaire de saint Cyr, implementada no primeiro plano do castelo de Fontainebleau, sob a proteção direta do Imperador que tinha particularmente em vista os futuros oficiais do Império. Essa Grande école prestigiada foi em seguida deslocada para Saint Cyr, nos prédios construídos para o antigo colégio para moças criado por Madame de Maintenon.

"Quando os alunos tiverem terminado seus seis anos de estudos nas escolas de ensino médio, sua aplicação e seu progresso encontrarão, no primeiro término de seus trabalhos, uma nova carreira de esperança e de sucesso. Dois décimos entre eles estarão nas diversas escolas especiais, onde continuarão sendo instruídos e mantidos sob financiamento do tesouro público, de modo a obter, com glória, um estado e uma existência assegurados na república. Nunca uma vantagem maior que essa foi oferecida aos jovens estudiosos. O bom comportamento, a concentração em seus deveres, os estudos frutíferos, conduzirão esses alunos, que são os mais distintos, a extrair das ciências ou das artes liberais os meios de ter sucesso numa profissão honrada. Jurisprudência, medicina, matemática, física, arte militar, manufatura, diplomacia, administração, astronomia, comércio, pintura, arquitetura, todos os caminhos do saber e dos talentos que tornam os homens queridos e úteis a seus semelhantes lhes serão abertos. Aqueles que não passarem por esse tipo de concurso nas escolas especiais, poderão se destinar, através de um estudo particular de matemática, às escolas de serviços públicos, e se abrir assim uma outra carreira não menos gloriosa e não menos vantajosa na engenharia, na artilharia, na marinha, nas escolas de pontes e estradas, nas escolas de mineração e na geografia." (Extrato do discurso pronunciado no corpo legislativo por Antoine François de Fourcroy, orador do governo, sobre o projeto de lei). « Lorsque les élèves auront fini leurs six années d'études dans les lycées, leur application et leurs progrès trouveront, au premier terme de leurs travaux, une nouvelle carrière d'espérance et de succès. Deux dixièmes d'entre eux seront placés dans les diverses écoles spéciales, où ils continueront d'être instruits et entretenus aux frais du trésor public, de manière à acquérir avec gloire un état et une existence assurés dans la république. Jamais avantage plus grand n'a été offert à la jeunesse studieuse. La bonne conduite, l'attachement à leurs devoirs, les études fructueuses, conduiront ceux des élèves qui se seront le plus distingués, à puiser dans les sciences ou dans les arts libéraux les moyens de parvenir à une profession honorable. Jurisprudence, médecine, mathématiques, physique, art militaire, manufacture, diplomatie, administration, astronomie , commerce, peinture, architecture, toutes les routes du savoir et des talens qui rendent les hommes chers et utiles à leurs semblables, leur seront ouvertes. Ceux qui ne passeront pas par ce genre de concours dans les écoles spéciales, pourront se destiner, par une étude particulière des mathématiques, aux écoles de services publics, et s'ouvrir ainsi une autre carrière non moins glorieuse et non moins avantageuse dans le génie, l'artillerie, la marine, les ponts et chaussées, les mines et la géographie. » (Extrait du discours prononcé au corps législatif par Antoine-François de Fourcroy, orateur du gouvernement, sur le projet de loi).

O decreto dos cônsules da república do 12º vendemiário do ano XI reúne as escolas da artilharia e do engenheiro para formar uma escola comum as duas especializações do exército nomeada École d'artillerie et du génie e estabelecida em Metz. A admissão é feita com exame entre os alunos da École polytechnique. A lei do 21º germinal do ano XI estabelece 6 escolas de farmácia.

A lei do 10 de maio de 1806, relativa à formação de uma Universidade imperial e o decreto do 17 de março de 1808 fixando sua organização põe em discussão o desenvolvimento das escolas especiais a favor da disposição de um sistema universitário centralizado e organizado segundo os três graus das antigas universidades (baccalauréat, licence, doctorat), já restabelecidas nas escolas de direito. As escolas de direito e de medicina foram transformadas em faculdades enquanto que as escolas de serviços públicos continuam fora da universidade.

Restauração 1816: Criação da Ecole Nationale Supérieure des Mines de Saint-Etienne (chamada de École de Mineurs); 1818: Criação do concurso de admissão da École normale, diferenciando-se com as seções de letras e ciências; 1819: Criação da École supérieure de commerce de Paris; 1821: Criação da Ècole Nationale des Chartes; 1824: Criação da École royale des eaux et forêts (chamada École forestière); 1826: Criação do Institution royale agronomique de Grignon; 1829: Criação da École centrale des arts et manufactures para formar engenheiros civis.

Monarquia de Julho 1843: Criação da Ecole Nationale Supérieure des Techniques Industrielles et des Mines d'Alès (ENSTIMA).

Segundo império 1854 : Criação da École des arts industriels et des mines de Lille que tornaria-se o Institut industriel du Nord e depois a École centrale de Lille; 1857 : Criação da École centrale lyonnaise pour l'Industrie et le Commerce que tornaria-se a École centrale de Lyon;