Guerra civil cambojana de 1979–1998The Truth About War and Peace in Cambodia – The Diplomat (5 de janeiro de 2019] ou conflito cambojano de 1979–1998 (também insurgência do Khmer Vermelho) foi uma guerra civil, iniciada após a invasão do Camboja pelo Vietnã que provocou a deposição do Kampuchea Democrático, entre o novo governo cambojano (apoiado pelos vietnamitas) e uma coalizão antigovernamental liderada pelo Khmer Vermelho.Cambodia - The State of Conflict and Violence in Asia, The Asia Foundation

Após a queda do regime de Pol Pot, o Camboja ficou sob ocupação militar vietnamitaCambodianGenocide.org.A Brief History of the Cambodian Genocide. . e um governo pró-Hanói e pró-soviético, a República Popular do Kampuchea, liderada pela Frente Unida Nacional para Salvação do Kampuchea, um grupo de esquerdistas cambojanos descontentes com Khmer Vermelho, foi estabelecida.The Khmer Rouge Record Demands That We Act Now - Chicago Tribune A guerra civil travada durante os anos 1980 opondo os governistas das Forças Armadas Revolucionárias do Povo do Kampuchea contra o Governo de Coalizão da Kampuchea Democrática, um governo no exílio formado em 1981 e composto por três facções políticas cambojanas: o partido monarquista Funcinpec liderado pelo Príncipe Norodom Sihanouk, o Partido do Kampuchea Democrático (muitas vezes referido como Khmer Vermelho) e a Frente Nacional de Libertação do Povo Khmer (FNLPK). O representante do Khmer Vermelho na ONU, Thiounn Prasith, foi mantido.The Delicate Matter Of The Khmer Rouge - Chicago Tribune

Ao longo da década de 1980, o Khmer Vermelho, apoiado pela China, Tailândia, Estados Unidos e Reino UnidoAmerica Persists In A Shameful Policy Toward The Khmer Rouge - Chicago Tribune (todos ansiosos para conter a influência vietnamita e soviética na região, forneceram o seu apoio para as forças antivietnamitas) continuou a controlar grande parte do país e atacava o território que não estava sob seu domínio. Esse conflito, levou a sanções econômicas ao Camboja pelos Estados Unidos e seus aliados, o que fez a reconstrução praticamente impossível e deixou o país extremamente pobre.

Intensificaram-se os esforços de paz entre 1989 e 1991, com duas conferências internacionais em Paris, e uma missão de paz da ONU ajudou a manter um cessar-fogo. A ONU recebeu um mandato conhecido como Autoridade Transitória das Nações Unidas no Camboja (APRONUC) para impor um cessar-fogo e lidar com a questão dos refugiados e do desarmamento.US Department of State. Country Profile of Cambodia..Cambodia, Vietnamese Occupation of (1978–1992) - ABC-CLIO.

Como parte do esforço de paz, eleições patrocinadas pela ONU foram realizadas em 1993 que ajudou a restaurar alguma aparência de normalidade assim como a gradual diminuição do Khmer Vermelho. No entanto, uma guerra civil de baixa intensidade manteve-se entre o exército do governo cambojano e os guerrilheiros do Khmer Vermelho até 1998. Norodom Sihanouk foi restaurado como o rei do Camboja, mas a situação do conflito intensificar-se-ia pela Crise de 1997 no Camboja. Um governo de coalizão, formado após as eleições nacionais em 1998, trouxe estabilidade política e renovou a rendição das forças remanescentes do Khmer Vermelho naquele ano.

Conflito após a queda de Pol Pot

Depois do término do regime do Khmer Vermelho e do conflito com o Vietnã, a situação econômica do Camboja era desastrosa, com a pilhagem dos recursos do país pelas tropas vietnamitas apenas piorando as coisas: durante os primeiros seis meses de 1979, aproximadamente 80.000 pessoas fugiram do Camboja para chegar à Tailândia. Os refugiados, muitos dos quais morrem como resultado das minas antipessoais que estão crivadas no Camboja, são devolvidos ao seu país pelas autoridades tailandesas para acampamentos, especialmente na província de Preah Vihear, onde as condições de vida são mais do que precárias. A situação alimentar do país piora ainda mais: as tropas vietnamitas atacaram durante a colheita do arroz e os estoques de alimentos foram atingidos pelos dois campos beligerantes. A partir de agosto de 1979, o exílio dos cambojanos se tornou um verdadeiro cataclismo: mais de um milhão de pessoas, impulsionadas pela fome geral, alastram-se para a fronteira tailandesa. O Khmer Vermelho também enviou suas tropas em pior situação para os campos de refugiados: a ajuda humanitária, que fluía para os campos através das Forças Armadas Reais da Tailândia, contribui para auxiliar as tropas do Khmer Vermelho a se reerguerem. Após a primeira onda do êxodo cambojano, uma população de cem mil a trezentos mil civis refugiados permanecem asilados em campos na fronteira tailandesa, ao longo de uma faixa de cerca de trinta quilômetros: constituem uma massa humana que pode ser usada pelos vários grupos de resistência anti-vietnamita, que a China abastece com armas ligeiras por intermédio da Tailândia. No plano internacional, a entrada de tropas vietnamitas no Camboja é condenada pela maioria dos países. Sob pressão, nomeadamente da China e dos Estados Unidos, que desejam impedir o Vietnã de se estabelecer como potência dominante no Sudeste Asiático e, por extensão, prejudicar os interesses da URSS na região, a ONU não reconhece o República Popular do Kampuchea; após uma votação em novembro de 1979, as Nações Unidas consideram o Kampuchea Democrático, cujo representante continua com assento na Assembleia Geral, como o único governo legítimo do Camboja.

A partir de 1983, o governo de Margaret Thatcher enviou o SAS, as forças especiais britânicas, para treinar o Khmer Vermelho em tecnologias de minas terrestres. Os Estados Unidos e o Reino Unido também impõem um embargo com graves consequências para a economia cambojana.

Os tailandeses, que agora acolhem todos os refugiados, abriram o campo Khao I Dang na província de Sa Kaeo em 19 de novembro de 1979, a cerca de dez quilômetros do Camboja, onde 150.000 pessoas chegarão em breve: a Tailândia aparentemente pretendia recrutar todos os homens cambojanos em idade militar para constituir uma força capaz de repelir um possível ataque vietnamita. Cerca de 250.000 outros cambojanos preferem ficar em terra de ninguém entre os dois países e sobreviver graças a vários tráficos.

O príncipe Norodom Sihanouk, colocado em prisão domiciliar pelo Khmer Vermelho em 1976, foi retirado de seu palácio durante a ofensiva vietnamita para ser evacuado de avião para a China. No verão, um grupo armado favorável ao ex-monarca, o Movimento para a Libertação Nacional do Kampuchea (MOULINAKA), foi fundado na fronteira com a Tailândia para lutar contra o ocupante vietnamita: o ex-capitão de corveta Kong Siloah o dirige até sua morte em agosto de 1980. Diferentes grupos do Khmer Serei, ou "Khmers Livres", que realizaram operações de guerrilha contra o Khmer Vermelho entre 1975 e 1979, também se organizam para combater os vietnamitas. Son Sann, ex-primeiro-ministro de Sihanouk, reúne vários Khmers Serei e soldados que se refugiaram no Ocidente para fundar a Frente Nacional de Libertação do Povo Khmer (FNLPK): em abril de 1979, teve cerca de dez mil refugiados transportados pelo exército tailandês para a região montanhosa de Sok Sann, defronte da província de Chanthaburi, a qual declarou uma "zona libertada" e de onde lançou apelos aos seus compatriotas..

Son Sann fez contato com Norodom Sihanouk em janeiro de 1979 para que este assumisse a liderança de suas tropas, mas o príncipe recusou em várias ocasiões. No início de 1981, Sihanouk criou com o apoio dos países da ASEAN sua própria organização destinada a liderar a resistência anti-vietnamita, a Frente Unida Nacional por um Camboja Independente, Neutro, Pacífico e Cooperativo (FUNCINPEC). Por sua vez, comprometeu-se a fundar o seu próprio exército e, para esse fim, organizou em março de 1981 o agrupamento de seus seguidores, transportando as tropas do MOULINAKA para o território khmer, na fronteira tailandesa perto da província de Surin: as antigas tropas de Kong Siloah juntaram-se aos dez mil partidários do príncipe, com quem fundaram o Exército Nacional Sihanoukista (, ANS), que constitui o braço armado da FUNCINPEC.

Por sua vez, o Khmer Vermelho, durante o verão de 1979, aproveitou a monção que dificultou a movimentação das tropas vietnamitas para se reorganizarem a fim de lançar ofensivas, rebatizando suas forças armadas com o nome de Exército Nacional do Kampuchea Democrático (). Em julho, Pol Pot instala seu novo quartel-general, o Bureau 131, sob o flanco do Monte Thom. O Khmer Vermelho se beneficia da assistência das forças especiais tailandesas, que asseguram o treinamento e o recrutamento das várias forças armadas khmer das quais contam como aliados em caso de uma invasão vietnamita. Em 1979, Khieu Samphân assume a chefia de um novo órgão que ocupa o lugar do governo no exílio, a Frente da Grande União Nacional Democrática Patriótica do Kampuchea (, FGUNDPK), enquanto Pol Pot se contenta com o papel mais discreto de comandante das forças armadas e não faz mais nenhuma aparição pública a partir de 1980.

Três movimentos de resistência cambojana contra a invasão vietnamita coexistiram a partir de 1981: o Khmer Vermelho e seu Exército Nacional do Kampuchea Democrático, liderado por Pol Pot e numerando de 20 a 30.000 homens;Dados de 1985 « Soir 3 du 15/02/85 » [vídeo], por ina.fr. a FNLPK de Son Sann (10.000 homens); o Exército Nacionalista Sihanoukista (6.000 homens). « Extrait vidéo » [vídeo], por ina.fr. (1979), « Extrait vidéo » [vídeo], por ina.fr. (1980). Cada um dos três movimentos estende seu poder sobre alguns campos de refugiados cambojanos. O Khmer Vermelho, apoiado pela China, que lhes fornece armas, e pela Tailândia, que lhes distribui, controla o maior número de civis; os guerrilheiros anticomunistas da FNLPK controlam menos refugiados, mas, por causa de sua conivência com os Estados Unidos, recebem ajuda substancial; a guerrilha sihanoukista não tem problemas de abastecimento, porém seu fraco desempenho no campo a impede de estender sua autoridade a um número significativo de civis. No início, as forças sihanoukistas eram praticamente inexistentes: o Príncipe Norodom Ranariddh, um dos filhos de Sihanouk, instalado em Bangkok como representante especial de seu pai, foi nomeado comandante-chefe do ANS, sem qualquer qualificação militar. Ranariddh depende do Khmer Vermelho a quem fornece fundos e que em troca garante a formação do ANS. É apenas gradualmente que o Exército Nacional Sihanoukista, como a FNLPK, distingue-se por verdadeiras façanhas de armas.

As tropas de ocupação vietnamita, por seu turno, somavam em 1981 cerca de 200.000 efetivos; os vietnamitas também se encarregaram de treinar o exército da República Popular do Kampuchea, as Forças Armadas Populares Revolucionárias do Kampuchea, que inicialmente contavam com cerca de 30.000 homens. Os Estados Unidos, por sua vez, dão carta branca à República Popular da China para o problema cambojano e continuam a reconhecer o Kampuchea Democrático como o governo do Camboja, para marcar sua oposição à ocupação vietnamita sustentada pela URSS. Com o Reino Unido, e por intermédio da Tailândia, o governo dos Estados Unidos dá apoio ao Khmer Vermelho bem como a outros movimentos de guerrilha contra os vietnamitas. Sob a liderança estadunidense, o Programa Mundial de Alimentos fornece aproximadamente US $ 12 milhões em alimentos para o Khmer Vermelho através do exército tailandês. O SAS britânico treina as tropas do Khmer Vermelho.como evidenciado pelo testemunho do antigo SAS Chris Ryan A URSS, por sua vez, mostra-se bastante sobrecarregada pela situação no Camboja: ao apoiar o Vietnã para que o Exército Vermelho possa ter acesso aos portos da costa vietnamita, o governo soviético não é muito ativo no cenário dos acontecimentos cambojanos, já que sua atenção é monopolizada ao mesmo tempo pela crise dos euromísseis e pela Guerra do Afeganistão.