Zainabe binte Maomé (; Meca, c. – Medina, ) foi a filha mais velha do profeta islâmico Maomé e de Cadija binte Cuailide. Converteu-se ao Islã juntamente com a mãe e os irmãos e foi esposa do comerciante coraixita Abu Alás ibne Arrabi, seu primo materno, com quem teve dois filhos, Ali e Umama. Embora Zainabe tenha aderido à religião pregada pelo pai, Abu Alás permaneceu inicialmente politeísta, circunstância que levou o casal a viver separado depois que ela emigrou de Meca para Medina. A emigração de Zainabe ocorreu depois da Batalha de Badre, na qual Abu Alás combateu contra os muçulmanos e foi capturado. Durante sua viagem para Medina, Zainabe foi atacada por coraixitas e sofreu uma queda à qual as fontes atribuem um aborto e sequelas que persistiram pelo restante de sua vida. Em 628, após Abu Alás converter-se ao Islã e emigrar para Medina, os dois retomaram a vida conjugal. Zainabe morreu no ano seguinte, aos 31 anos, sendo sua morte atribuída pelas fontes islâmicas às sequelas dos ferimentos sofridos durante a emigração. Foi sepultada no cemitério de Albaqui.
Vida
Zainabe nasceu em Meca cerca de 23 anos antes da Hégira, por volta de 599, e era a filha mais velha de Maomé e Cadija binte Cuailide. Pelo lado paterno, pertencia aos haxemitas, clã dos coraixitas, enquanto sua mãe pertencia ao clã coraixita dos açaditas e era, pelo lado materno, de ascendência amirita. Converteu-se ao Islã juntamente com a mãe e os irmãos. Casou-se com Abu Alás ibne Arrabi, filho de sua tia materna Hala binte Cuailide. As fontes divergem quanto à data do casamento, situando-o antes do surgimento do Islã ou nos primeiros anos da nova religião. A primeira possibilidade é considerada pouco provável em razão da idade de Zainabe, embora seja possível que o compromisso matrimonial tenha sido acertado quando ela ainda era jovem. Abu Alás era um dos comerciantes ricos de Meca e gozava de reputação de homem digno de confiança. O casal teve dois filhos, Ali e Umama. Embora Abu Alás não aceitasse os apelos de Zainabe para que se convertesse, não interferiu em sua religião e recusou a proposta dos politeístas de Meca de que se divorciasse dela em troca da possibilidade de se casar com qualquer mulher que escolhesse. Quando Maomé e os demais filhos emigraram para Medina, Zainabe permaneceu em Meca porque seu marido não permitiu que partisse. Abu Alás combateu entre os coraixitas na Batalha de Badre, em 624, e foi capturado pelos muçulmanos. Quando os habitantes de Meca enviaram resgates pelos prisioneiros, Zainabe remeteu alguns bens e um colar que Cadija lhe havia dado por ocasião de seu casamento. Segundo a tradição, Maomé comoveu-se ao reconhecer o objeto e pediu aos companheiros que devolvessem a Zainabe tanto o colar quanto os demais bens e libertassem Abu Alás. Este foi solto sob a condição de permitir que Zainabe emigrasse para Medina e, ao retornar a Meca, cumpriu o compromisso.
Zainabe iniciou a viagem acompanhada por seu cunhado Quinana, que deveria entregá-la a Zaíde ibne Harita e a um companheiro ançar enviados por Maomé para encontrá-los em Batne Iajaje, nos arredores de Meca. Alguns coraixitas, ao saberem da partida, perseguiram-nos, e e alcançaram-nos em . Segundo o relato preservado pela tradição, Habar assustou com sua lança o camelo montado por Zainabe, que caiu sobre uma rocha, fraturou uma costela e sofreu um aborto. A fonte atribui às sequelas desse episódio dores que teriam persistido até sua morte. Abu Sufiane teria então argumentado a Quinana que permitir que a filha de um inimigo dos coraixitas fosse retirada de Meca diante de todos seria desonroso para eles e aconselhou-o a partir durante a noite. Quinana assim procedeu e entregou Zainabe a Zaíde. Em consequência do ataque, Maomé enviou uma expedição com ordens de capturar e matar Habar e Nafi, mas ambos não foram encontrados. Habar posteriormente converteu-se ao Islã após a Conquista de Meca. Como Abu Alás continuava sem se converter, o casal permaneceu separado: Zainabe viveu em Medina e ele em Meca até o final do sexto ano da Hégira. Há uma tradição segundo a qual Abu Alás teria combatido também na Batalha de Uude. Em 6 A.H. (627–628), quando regressava da Síria com mercadorias que lhe haviam sido confiadas pelos coraixitas, sua caravana foi interceptada por uma expedição comandada por Zaíde ibne Harita, a Expedição de Alis. Os muçulmanos capturaram os integrantes da caravana e tomaram suas mercadorias, mas Abu Alás conseguiu escapar e chegou durante a noite a Medina. Procurou Zainabe e pediu-lhe proteção, bem como a restituição dos bens pertencentes aos coraixitas. Zainabe anunciou que o colocava sob sua proteção e pediu ao pai que atendesse à solicitação. Maomé reconheceu a validade da proteção concedida por ela, observando que qualquer muçulmano tinha autoridade para concedê-la, mas declarou que Zainabe e Abu Alás ainda não poderiam retomar a vida conjugal.
Depois de recuperar as mercadorias, Abu Alás retornou a Meca e as restituiu aos respectivos proprietários. Em seguida anunciou sua conversão ao Islã, afirmando que não a revelara anteriormente para evitar que os habitantes da cidade suspeitassem que pretendia apropriar-se dos bens que lhe haviam confiado. Em moarrão de 7 A.H. (maio–junho de 628), emigrou para Medina, e Maomé permitiu que retomasse a vida conjugal com Zainabe com base no matrimônio anterior. Zainabe morreu em Medina no final de safar de 8 A.H. (junho de 629), aos 31 anos. Como sua morte foi atribuída às sequelas do ferimento sofrido durante a emigração, foi considerada mártir por algumas fontes islâmicas. Segundo os relatos sobre seu funeral, seu corpo foi lavado por Sauda binte Zama, Ume Salama, e Ume Aimane. Maomé teria instruído as mulheres sobre o procedimento e entregado seu próprio para que fosse utilizado no amortalhamento da filha, além de conduzir pessoalmente sua oração fúnebre. Zainabe foi sepultada no cemitério de Albaqui. Há ainda um relato segundo o qual Maomé, inicialmente muito entristecido durante o sepultamento, teria saído do túmulo sorrindo e explicado que pedira a Deus que poupasse a filha do tormento da sepultura e que sua oração fora atendida. As tradições que situam o túmulo de Zainabe em Damasco ou no Cairo são consideradas incorretas.
Seu filho Ali morreu antes de atingir a puberdade. Sua filha Umama, por sua vez, casou-se posteriormente com Ali, por recomendação de sua tia Fátima, e teria cuidado dos filhos desta, Haçane e Huceine. As fontes islâmicas atribuem a Zainabe bom caráter e destacam a afeição que Maomé demonstrava pela filha. Abu Alás também teria composto versos nos quais elogiava suas virtudes. Zainabe é descrita ainda como empenhada na difusão do Islã e em auxiliar o pai durante o período mecano. Segundo um relato, quando Maomé teve terra lançada sobre si por seus adversários enquanto pregava em Meca, Zainabe aproximou-se e lavou-lhe o rosto. Ao vê-la preocupada, ele teria procurado tranquilizá-la, dizendo-lhe que não temesse pelo pai. Maomé também teria mantido estreita relação com os filhos de Zainabe. Segundo uma tradição, costumava realizar a oração enquanto carregava sua neta Umama sobre os ombros. Outro relato afirma que, durante uma doença grave de Umama, Zainabe mandou chamar o pai; ao chegar à casa e ver a neta naquele estado, Maomé chorou e explicou que suas lágrimas eram expressão do sentimento de misericórdia concedido por Deus. Há ainda uma tradição segundo a qual, durante a Conquista de Meca, Maomé levou Ali, filho de Zainabe, montado atrás de si.
Bibliografia
Categoria:Filhos de Maomé Categoria:Muajiritas Categoria:Árabes do século VI Categoria:Árabes do século VII Categoria:Mulheres do século VI Categoria:Mulheres do século VII Categoria:Naturais de Meca Categoria:Açaditas (coraixitas) Categoria:Amiritas (coraixitas) Categoria:Haxemitas (clã coraixita) Categoria:Pessoas sepultadas no Cemitério de Albaqui