Dicionário de Bolso é uma reunião de verbetes escritos por Oswald de Andrade e organizados por Maria Eugênia Boaventura, especialista na obra do autor modernista. Em realidade, o livro nunca foi acabado pelo autor, que não lhe deu sequer um título; a organizadora cotejou seis manuscritos originais do escritor com essas definições de dicionárioVer a introdução da organizadora: BOAVENTURA, Maria Eugênia. Um dicionarista antropófago. In ANDRADE, Oswald de. Dicionário de bolso. 2a. Edição. São Paulo: Editora Globo, 2007. e propôs um título para o conjunto, inspirado numa outra obra de Oswald: Serafim Ponte Grande.Neste romance, o protagonista tem um secretário que anda com uma agenda na qual anota o nome das pessoas que conhece, seguida de uma definição, a fim de não confundir ninguém. ANDRADE, Oswald de. Serafim Ponte Grande. São Paulo: Editora Globo, 1984. O Dicionário foi recentemente reeditado pela Editora Globo.

O gênero e as influências

O Dicionário de Bolso pode ser visto como uma versão satírica de obras "meio-dicionário", "meio-enciclopédia", como o Dicionário filosófico, de Voltaire. Maria Eugênia Boaventura diz, em sua introdução:

Os Verbetes

Como o dicionário do romance Serafim Ponte Grande, a maior parte dos verbetes (com exceção de três: Gigante de Pedra, Bandeirante e Proletário) são de personalidades reais ou fictícias, escritos com a típica verve satírica do autor, com grande economia de palavras, como por exemplo, o relativo a Cabral: "Cabral - o culpado de tudo"ANDRADE, Oswald de. Dicionário de bolso. 2a. Edição. São Paulo: Editora Globo, 2007. p. 52 ou a Inácio de Loyola: "Loyola - má companhia de Jesus"Idem, p. 53. Muitos personagens são da ficção ou da história mundial, mas muitos também da história brasileira recenteIncluindo personalidades que eram próximas ao autor, como Menotti del Picchia e Guilherme de Almeida Para os verbetes destes, ver: Op. cit, p. 74-75. Escrito numa época em que o autor estava ligado ao comunismo, os verbetes refletem, muitas vezes, a simpatia do autor pelos líderes do movimento e seu repúdio à burguesia e à religiãoSintomática é a definição de Stálin: "O camarada Stálin - ponte de aço conduzindo a humanidade ao futuro." Idem, p.66. Ainda que em muitos momentos o autor assuma um tom panfletário, que pode comprometer, às vezes, o humor da obra, a maior parte dos verbetes ainda continua interessante e representativo da escrita de Oswald de Andrade"E muito embora o sopro lúdico da galhofa entre muitas vezes em pane, sacrificado pela luta ideológica, a chispa do chiste sempre reluz na forma sucinta deste texto [...]" - Benedito Nunes, na resenha da capa da mencionada edição; Op. cit...

Bibliografia

BOAVENTURA, Maria Eugênia. A vanguarda antropofágica. São Paulo: Ática, 1983. BRITO, Mário da Silva. Ângulo e Horizonte. De Oswald de Andrade à ficção científica. São Paulo, Martins, 1969. BRITO, Mário da Silva. As metamorfoses de Oswald de Andrade. São Paulo: Conselho Estadual de Cultura, 1972. CAMPOS, Haroldo de (ed. e intr.). Oswald de Andrade. Trechos escolhidos. Rio de Janeiro: Agir, 1967. Nossos Clássicos 90. ELEUTÉRIO, Maria de Lourdes. Oswald. Itinerário literário de um homem sem profissão. Campinas: Editora da Unicamp, 1989. SCHWARTZ, Jorge (ed.). Oswald de Andrade. São Paulo: Abril Educação, 1982. Literatura comentada. TELLES, Gilberto Mendonça et al. Oswald Plural. Rio de Janeiro: Editora da UERJ, 1995.

Categoria:Obras de Oswald de Andrade