TV Difusora São Luís é uma emissora de televisão brasileira sediada em São Luís, capital do estado do Maranhão. Opera no canal 4 (38 UHF digital) e é afiliada ao SBT. Pertence ao Sistema Difusora de Comunicação, e é a cabeça de rede da Rede Difusora, transmitindo para várias emissoras no interior do estado. Fundada em 9 de novembro de 1963, é a primeira emissora de TV do Maranhão.

História Primeiros anos (1963–1972)

250px|direita|thumb|Os fundadores da TV Difusora, Magno e Raimundo Bacelar, e os apresentadores Bernardo Almeida e José Leite Machado, durante a cerimônia de inauguração em 1963 O estado do Maranhão teve sua primeira experiência televisiva em 1955, quando durante a polêmica eleição suplementar para o Senado Federal, o jornalista e candidato Assis Chateaubriand ordenou a realização de uma transmissão em circuito fechado, realizada com o apoio técnico da Rede de Emissoras Associadas, da qual era proprietário. Foram preparados estúdios no auditório da Rádio Timbira em São Luís, e instalados televisores no Largo do Carmo. Os telespectadores puderam então acompanhar números musicais de Keila Vidigal e Luiz Gonzaga, sob o comando do locutor Carlos Frias, apenas com o propósito de promover a candidatura de Chateaubriand, que terminou sendo eleito.

Porém, a implantação de uma emissora de televisão se deu a partir da década de 1960, quando os irmãos Raimundo Bacelar e Magno Bacelar, membros de uma influente família política local, juntamente com outros sócios, formaram uma sociedade através da Rádio Difusora (inaugurada por eles em 1955) para obter uma concessão junto ao Governo Federal. Em 25 de junho de 1962, o primeiro-ministro Tancredo Neves outorgou a concessão do canal 4 VHF de São Luís para o grupo. A essa altura, os planos para a sua implantação já estavam em prática desde 1960, quando foram alugados, pelo prazo de 10 anos, dois andares do Edifício João Goulart (na época pertencente ao INPS), no centro da capital, para sediar a Rádio Difusora (10.º andar) e mais tarde a TV Difusora (9.º andar). Foram investidos ainda 100 milhões de cruzeiros na compra de equipamentos importados dos Estados Unidos e da Inglaterra.

A TV Difusora tinha previsão de lançamento no primeiro semestre de 1963, mas devido a atrasos na montagem e instalação dos equipamentos, suas transmissões só se iniciaram em 27 de outubro daquele ano, em caráter experimental. Sua inauguração oficial, foi em 9 de novembro, às 20h, com uma cerimônia apresentada por Bernardo Almeida e José Leite Machado, no qual discursou o fundador Raimundo Bacelar, acompanhado do seu irmão Magno, que ficaria responsável pela direção da emissora. Em seguida, foi ao ar às 21h30 um show especial com artistas da emissora e números musicais de Conjunto Farroupilha, Ellen de Lima, Francis Bento e Célio Roberto, até o encerramento de suas transmissões. No evento, também estavam presentes dentre os convidados, o governador do estado, Newton Bello; o prefeito de São Luís, Costa Rodrigues; o ministro da justiça, Abelardo Jurema, representando o presidente João Goulart; Agnelo Alves, representando o seu irmão Aluízio Alves, governador do Rio Grande do Norte, que não pode comparecer; Vincent Rotundo, adido da embaixada dos Estados Unidos em Belém, Pará, e o monsenhor Osmar Palhano de Jesus, que batizou os seus equipamentos. O ex-presidente Juscelino Kubitschek também foi convidado, no entanto, só pode comparecer no dia seguinte, dando uma entrevista exclusiva para a emissora.

A primeira equipe da TV Difusora, em parte oriunda da Rádio Difusora, era composta por: Luiz Cardoso de Almeida, técnico; Nonato Lemos (Pudim), operador de transmissor; Antonio Vieira e Ribamar Fernandes (Escurinho do Samba), telecine; Haroldo Rêgo, direção de TV; Douglas Santos e Euclides Marinho (Lourinho), câmeras; Elvas Ribeiro (Parafuso), sonoplasta; Genes Celeste Soares, cenografia. José Leite Machado, Bernardo Almeida e Fernando Cutrim foram os primeiros apresentadores, enquanto Leonor Filho e Florisvaldo Sousa eram as vozes padrão da emissora. Georges Ohnet e Roberto Marassi (oriundos da TV Excelsior) ficaram responsáveis pela direção artística da programação em seus primeiros meses, e após retornarem para São Paulo em 1964, foram substituídos por Reynaldo Faray.

Naquele dia, poucas pessoas tinham aparelho de televisão para acompanhar a estreia da televisão no Maranhão, e fazer o público assistir TV na época exigia criatividade. Para divulgar o novo meio de comunicação, eram jogados folhetos pela cidade com a grade de programação, e também foram instalados equipamentos de TV em postes elétricos, onde as pessoas se reuniam para acompanhar a emissora. A popularidade da TV Difusora era tanta em seus primeiros anos, que durante o carnaval de 1964, um dos vários blocos carnavalescos da época homenageou a emissora com uma marchinha que dizia: "Quem viver verá, TV Difusora canal 4 funcionar".

200px|esquerda|thumb|O Edifício João Goulart, atualmente sede de secretarias do governo estadual, foi a sede da TV Difusora entre 1963 e 1970 Assim como em outras emissoras pelo país, de início, toda a programação da TV Difusora era feita localmente e ao vivo, por não haver videotape para gravar as atrações. A emissora passou a dispor do equipamento em 9 de julho de 1966, e a partir daí expandiu a sua programação com atrações produzidas pela Rede de Emissoras Unidas (posteriormente renomeada para Rede de Emissoras Independentes), Emissoras Associadas (futuramente Rede Tupi) e TV Excelsior, que eram trazidos de avião de São Paulo até São Luís, em malotes, 2 ou 3 dias após terem sido gravados, além de diversos enlatados como filmes e séries. Até mesmo momentos históricos como a chegada do homem à Lua e a Copa do Mundo FIFA de 1970 também foram vistos em VT pelos maranhenses, uma vez que os troncos de transmissão da Embratel só alcançaram o estado no início da década seguinte.

Em contrapartida, o número de atrações locais diminuiu consideravelmente, também em parte por conta de investimentos feitos para expansão do seu sinal para o interior, através de retransmissoras via micro-ondas nos municípios que margeavam a Estrada de Ferro São Luiz-Teresina, alcançando a capital piauiense (que na época ainda não possuía emissoras de televisão) em agosto em 1968. Os investimentos consumiram grande parte dos recursos do Sistema Difusora de Comunicação, que foi forçado a aumentar o número de cotistas no fim dos anos 60. A TV Difusora precisava ainda modernizar sua própria estrutura, e como o Edifício João Goulart já não tinha mais espaço para isso e o contrato de locação estrava prestes a vencer, teve início em 1969 a construção da atual sede da emissora, em terreno doado pelo governo estadual na Rua Camboa (hoje Avenida Camboa), nº 120, no bairro homônimo, onde anteriormente havia funcionado a fábrica de tecidos Camboa.

A nova sede foi inaugurada em 29 de agosto de 1970, apenas com as operações da Rádio Difusora, enquanto a TV Difusora foi movendo gradualmente seus departamentos para o novo endereço até outubro do mesmo ano. A emissora também renovou sua estrutura, com novos equipamentos de transmissão que ampliaram o alcance do seu sinal para toda a Baixada e parte da região dos Lençóis.

Rede Globo (1972–1991) 150px|thumb|direita|Logotipo usado entre 1963 e 1991. O conceito (um microfone de rádio) era adotado da Rádio Difusora, com a adição de um quadrado no centro representando uma tela de TV, em modificação feita por Genes Soares O período de mudanças na TV Difusora também teve reflexos em sua programação. Após receber uma proposta dos diretores da Rede Globo, da qual já exibia alguns programas desde 1970, a TV Difusora tornou-se uma de suas afiliadas em 1972, ano em que foi inaugurada a TV Globo Nordeste em Recife, Pernambuco, com base num processo de expansão do seu sinal pela região. Como resultado de sua afiliação com a Globo, e tendo apenas a TVE Maranhão (fundada em 1969) como sua concorrente, a emissora passou a atingir índices exorbitantes de audiência, chegando a 100% de share por um dia inteiro. Houve alterações também na programação, que passou a priorizar o jornalismo em relação ao entretenimento, atendendo aos rígidos padrões globais.

Mesmo com bastante influência política, os irmãos Bacelar continuavam tendo dificuldades para administrar a TV Difusora, devido a concorrência de outras empresas pertencentes à família fora da comunicação com grupos já estabelecidos no mercado, o que acabou gerando prejuízos financeiros ao grupo como um todo. Em 1973, decidido a morar no Rio de Janeiro, Raimundo Bacelar vendeu as suas ações para o irmão Magno, que a partir daí tornou-se o único administrador. Na mesma época, Magno tentou negociar a venda da emissora para outros donos, como o Grupo Liberal e o Sistema Verdes Mares, sem sucesso. Apesar disso, a TV Difusora continuou expandindo seu sinal para o interior do estado durante as décadas de 1970 e 1980, firmando parcerias com prefeituras locais, e inclusive outras emissoras, como a TV Rio Balsas em 1979. O sinal chegava via enlaces de micro-ondas, ou então as fitas eram enviadas para as regiões, o que ocasionava atrasos em relação a exibição original. Em maio de 1981, o sinal da emissora chegou a Marabá, Pará, através da TV Marabá, que passou a exibir parte dos programas da Rede Globo e da TV Difusora.

Em 1985, a TV Difusora e as outras emissoras do grupo tiveram 50% de suas ações vendidas para o empresário e político Francisco Coelho, secretário estadual de agricultura do então governador Luiz Rocha. A venda acompanhava o processo de enfraquecimento político de Magno Bacelar, capitaneado pelo presidente José Sarney, outrora seu aliado político, que vislumbrava ter a Globo como a rede de sua futura emissora, a TV Mirante. Bacelar contou anos depois, que Sarney chegou a fazer pressão em Roberto Marinho para que a Globo rompesse com a TV Difusora e migrasse sua programação para a TV Mirante ainda na época da inauguração, em 1987. A mudança no entanto foi adiada, devido a repercussão midiática causada pela desfiliação da TV Aratu em favor da TV Bahia em Salvador no mesmo ano, igualmente devido a motivações políticas, o que fez a Globo renovar gradualmente a sua afiliação com a TV Difusora a cada ano até que o processo de venda da emissora fosse concluído.

A situação de Bacelar agravou-se após as eleições de 1986, quando ele saiu derrotado de sua candidatura ao Senado Federal, feita justamente para tentar salvar suas empresas. Endividado com os custos da campanha, Bacelar vendeu o Sistema Difusora de Comunicação no fim de 1987 para o governador Epitácio Cafeteira, que era representado pelo empresário laranja William Nagem (80% das ações) e seu filho, Paulo Nagem (20%). A entrada de Nagem no negócio acabou criando outra indisposição, dessa vez entre Cafeteira e Sarney, que acabaram rompendo politicamente, uma vez que o governador pretendia usar a emissora como meio de propaganda par a sua futura candidatura ao Senado nas eleições de 1990. Na época da sua venda, a emissora estava com dívidas que ultrapassavam, ao todo, 96 milhões de cruzados. Uma delas, com o Banco do Nordeste, alcançava cerca de Cz$ 24,3 milhões, e em sua renegociação, foi convertida em espaços publicitários ao longo da programação. O Governo do Estado do Maranhão, chefiado pelo próprio dono da emissora, também teve grande participação na quitação das dívidas, destinando verbas publicitárias e matérias produzidas pela SECOM que eram veiculadas nos telejornais locais.

Cafeteira logrou êxito em sua candidatura ao Senado em 1990, e no fim do ano, sem interesse em continuar tendo veículos de comunicação, vendeu o Sistema Difusora para a família do governador eleito Edison Lobão, tendo Edinho Lobão e seus irmãos Márcio e Luciano como os novos sócios proprietários do grupo. Aliado político de Sarney, Lobão não criou quaisquer dificuldades para uma troca de afiliação entre a Difusora e a Mirante, e o caminho estava aberto.

SBT (1991–presente)