O transporte urbano de Porto Alegre teve uma de suas primeiras iniciativas em 1864, quando o cidadão Estácio Bitencourt contratou a construção de uma linha de carris de ferro, partindo da Várzea alcançava a Azenha e a estrada do Laboratório, subindo-a até os fundos da capela Menino Deus. Tal veículo recebeu a denominação de maxambomba pela população local, em alusão à locomotiva a vapor usada no Rio de Janeiro.Há um século no Correio do Povo - MAXAMBOMBAS Correio do Povo, acessado em 26 de agosto de 2014 A duração da companhia foi efêmera, pois seu empresário, não suportando os prejuízos, não conseguiu manter os serviços por muito tempo.
Os bondes thumb|240px|Primeiros dias de circulação dos bondes elétricos em Porto Alegre, 1908, foto de Virgilio Calegari Em 1 de novembro de 1864, foi inaugurada a primeira linha de bondes tracionados por mulas de Porto Alegre, as maxambombas. Seu trajeto iniciava nas escadarias da Praça da Independência (atual Praça Argentina), percorria toda a atual Avenida João Pessoa, entrava na Azenha até a Rua Botafogo, seguindo até chegar na Avenida 13 de Maio (atual Getúlio Vargas), indo findar na Igreja Menino Deus.
Os trilhos das maxambombas eram de madeira e assentados sobre um terreno mal sedimentado. Comportando até 20 passageiros por viagem, os veículos eram pesados demais, barulhentos, sem nenhum conforto e descarrilhavam a todo o instante.BASTOS, Ronaldo Marcos. Porto Alegre – A Capital dos Bondes Parte I – Da “Maxambomba” aos Bondes Puxados por Burros. Página do Câmera 2. Assim sendo, a linha foi encerrada em 1872 e os bondes vendidos à cidade de Rio GrandeBondes no Brasil, Porto Alegre/RS, Página do Novo Milênio. Porém no mesmo ano é criada a Companhia Carris de Ferro Portoalegrense para substituí-la, com o capital efetivo de 600:000$000, com fundos rio-grandense e cariocaSTIEL, Waldemar Corrêa. História do Transporte Urbano no Brasil. Brasília, DF: EBTU/PINI, 1984, p. 257-258. Em 1873 circula o primeiro bonde da Carris em Porto Alegre, na linha Menino Deus, puxados por mulas, circulariam até 1914.Linha do tempo, História da Carris.
Em 1893 surge uma nova companhia de transportes chamada Companhia de Bondes Carris Urbanos, a qual se fundiria com Companhia Carris de Ferro Portoalegrense, formando a Companhia de Força e Luz Portoalegrense, em 1906, que implantaria os bondes elétricos na capital. Em 22 de agosto de 1906 foram adquiridos 37 unidades da United Electric na Inglaterra, de um e dois andares.BASTOS, Ronaldo Marcos. Porto Alegre - A Capital dos Bondes Parte II - O Início dos Bondes Elétricos. Página do Câmera 2.
Em 1908 inicia o tráfego dos bondes elétricos pelos bairros Menino Deus, Glória, Teresópolis e Partenon. A iluminação pública dos bairros passou também a ser fornecida pela Usina Elétrica Municipal. Em 1920, os veículos de dois andares foram reduzidos a veículos simples pois sua aceitação não foi boa.
Em 1926, já existiam quase uma centena de bondes em circulação. No mesmo ano, por decisão de sua assembleia geral, a companhia do bondes voltou a se denominar Companhia Carris Portoalegrense. Em 1928 o controle acionário passaria para a Bond and Share, propriedade da General Electric. Em 1952 sucessivas greves e o evidente desinteresse dos norte-americanos da Bond & Share em manter o transporte por bondes levam a prefeitura de Porto Alegre a intervir na companhia, assumindo como interventor José Antônio Aranha, irmão do ministro Oswaldo Aranha A companhia é encampada pela prefeitura em 29 de novembro do ano seguinte, durante o mandato do prefeito Ildo Meneghetti.
Os bondes seguiram operando durante décadas, continuando a arcar com grande parte do transporte de passageiros, que os ônibus pouco a pouco tomavam conta. Finalmente, em 8 de março de 1970 corre o último bonde em Porto Alegre.STEIL, 1984, p. 270-271). Neste dia houve solenidade de despedida, à qual compareceram o Prefeito e autoridades, além disso toda a população pôde viajar gratuitamente e às 20h30, o último bonde foi recolhido ao depósito.
Ao longo da história dos bondes elétricos na cidade circularam nada menos de 10 belgas, 89 ingleses e 130 americanos, durante o ano de 1961 foram transportados 89 milhões de passageiros sendo utilizados para isso 103 bondes.BASTOS, Ronaldo Marcos. Porto Alegre – A Capital dos Bondes – Parte III - Da Entrada da Bond and Share ao Fim do Transporte por Bondes em Porto Alegre. Página do Câmera 2.
Experiência com trólebus Ao longo da década de 1950 foi projetado o serviço de trólebus para auxiliar o serviço de bondes, porém somente foi iniciada a operação na década seguinte. Em sua extensão máxima, o percurso dos trólebus atingiu apenas 10 km de rede elétrica e em cinco anos de funcionamento, houve apenas duas linhas de trólebus: Auxiliadora e Menino Deus, transportando em média, respectivamente, 900 e 400 passageiros por dia, segundo dados da companhia. O sistema não teria funcionado a pleno devido a problemas de adaptação da voltagem da rede elétrica e também porque os veículos tinham defeitos nos freios.A breve passagem dos trólebus, Almanaque Gaúcho, RBS, 7 de setembro de 2011. O primeiro ônibus de Porto Alegre circulou em 1926, propriedade de Amador dos Santos Fernandes e Manuel Ramires. Depois de 1929, Amador fundou a Empresa Amador para transportes entre Porto Alegre e São Leopoldo, empresa que deu origem à atual Central Transportes, de São Leopoldo.Histórico da Central Transportes. Os primeiros ônibus da Carris circularam em 1929, tendo seu serviço sido interrompido em 1956 e os ônibus transferidos para outra companhia e retomado somente em 1966. Em 1942 a Central Transportes adquire o primeiro ônibus a diesel do Rio Grande do Sul da marca Büssing-Nag.
Com o fim da operação dos últimos bondes, a Secretaria Municipal de Transportes reconfigura as linhas de transporte coletivo urbano de Porto Alegre, e a Carris passa a operar linhas de ônibus com trajetos semelhantes aos anteriormente percorridos pelos bondes. Em 1973 é criada a Região Metropolitana de Porto Alegre.Lei Complementar Federal de Nr 014 de 08/06/1973.
thumb|left|250px|Vagão do Trensurb na estação Em 1976 visando minimizar a característica radial da operação por ônibus na capital gaúcha, são criadas as linhas Transversais T1, T2, T3 e T4 as quais se encontram em operação até os dias atuais, sendo estas operadas pela empresa pública Carris. Também nesta década, em 1977 inicia-se a operação do Sistema de Taxi-lotação originalmente com veículos Volkswagen Kombi, hoje operando com micro-ônibus em mais de 20 itinerários diferentes. Buscando consolidar o Plano Integrado da Região Metropolitana - PDM, é elaborado o que vem a ser um dos desdobramentos do PLANMET/PA, o Estudo de Trem Suburbano da Região Metropolitana de Porto Alegre - TRENSURB, prevendo o transporte de massa ao longo do eixo da BR-116 ligando os municípios da capital até Novo Hamburgo.História do Trensurb thumb|right|Mascarello GranVia BRS da Carris
Em 1998 foi formalizado o modelo de organização consorciada em bacias operacionais, iniciado no início da década, o qual organizou o transporte coletivo urbano por ônibus em 4 consórcios operacionais.Decreto Lei 8133 da Câmara Municipal de Porto Alegre-RS, publicado em 12 de janeiro de 1998
Existem mais de 350 linhas operantes no sistema de ônibus de Porto Alegre. Na década de 2000, foram criadas mais linhas transversais, três delas sob base de antigas linhas radiais, inclusive ligando a Zona Sul da cidade a pontos estratégicos como o Aeroporto Salgado Filho, o Câmpus do Vale da UFRGS e o câmpus da PUC-RS, além de mais linhas percorrendo a 3ª Perimetral, que conta com corredor exclusivo.http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/28446/000770915.pdf?sequence=1
Com a licitação do transporte coletivo por ônibus em 2016, foram transferidas boa parte das linhas radiais da Carris para as novas bacias de transporte: MOB - Mobilidade em Transportes, na zona Norte, e ViaLeste, à exceção apenas das radiais que ligam o Centro Histórico aos campi na zona leste respectivamente da PUC-RS e da UFRGS (as outras novas bacias são a Mobilidade da Área Integrada do Sudeste - MAIS, e a Viva Sul). Também foram implantadas duas novas transversais sob base de antigas linhas alimentadoras, uma delas, com terminal Sul na Restinga.
Corredores de ônibus existentes em Porto Alegre Avenida Farrapos Avenidas Benjamin Constant (parte), Assis Brasil, Brasiliano de Moraes e Baltazar de Oliveira Garcia Avenidas João Pessoa e Bento Gonçalves Avenidas Osvaldo Aranha e Protásio Alves Avenidas Aureliano de Figueiredo Pinto e Érico Veríssimo (Cascatinha) Avenidas Dom Pedro II, Augusto Meyer, Carlos Gomes, Sen. Tarso Dutra, Dr. Salvador França, Cel. Aparício Borges e Teresópolis (parte) (3ª Perimetral) Avenida Sertório Avenida Padre Cacique Avenidas Borges de Medeiros e Praia de Belas, sendo cada uma operando em um sentido, constituindo um binário.http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/transito/noticia/2015/07/corredor-de-onibus-da-borges-de-medeiros-entra-em-operacao.html Avenidas Divisa, Cruzeiro do Sul e Moab Caldas (Tronco)
Pistas exclusivas para ônibus e lotação: Avenida Cristóvão Colombo Avenida Independência Avenida Azenha Avenidas Teresópolis, Nonoai e Cavalhadahttp://zerohora.clicrbs.com.br/rs/geral/transito/noticia/2013/11/novo-corredor-de-onibus-entra-em-operacao-na-segunda-feira-na-zona-sul-de-porto-alegre-4326043.html Avenida Bento Gonçalves (entre o limite com Viamão e a Avenida João de Oliveira Remião)http://zh.clicrbs.com.br/rs/porto-alegre/transito/noticia/2015/12/faixa-exclusiva-para-onibus-comeca-a-operar-na-avenida-bento-goncalves-em-porto-alegre-4931900.html# Rua da Conceição Avenida Ipiranga Rua Francisco Trein
Referências bibliográficas JAQUES, André Porto; BUENO, Celso Jovane de Vargas. Pesquisa de Determinação do Valor de Tarifa Adequado para as Linhas Alimentadoras do Bairro Lomba do Pinheiro em Porto Alegre-RS.Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Porto Alegre-RS, 2008.
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